quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O NOME DISSO É STRESS?

Acho que nasci para ser primeira dama. Nasci para ser dondoca. Tô falando. Não tenho vontade de ser outra coisa não. Eu gosto da minha vida. Não que eu não goste do meu trabalho. Eu gosto. Gosto quando as coisas dão certo, gosto da sensação de cumprir dever. Eu só não gosto de todo o compromisso. Mas antes que isso soe como se eu fosse uma irresponsável, não é o compromisso pelo compromisso. Acho que é mais pela quantidade de compromissos. Tenho trabalhado tanto que parece que a sensação de água batendo na bunda nunca passa. Estou sempre enforcada, sempre com prazos estourando, sempre com pilhas de pendências. Eu me sinto culpada de parar para ir à yoga, culpada de almoçar sem estar em frente do computador dando refresh nas páginas de 5 em 5 segundos. Então ontem minha mãe precisou fazer uma cirurgia de emergência. Um procedimento simples que precisava de alguém para acompanhar. Eu me senti culpada de estar lá com ela e não trabalhando. Chega a ser insano, eu sei. No final acabei ficando mal-humorada, e atirando patadas para quem estava em volta (inclusive ela na cama do hospital). Como se fosse culpa de alguém eu estar sobrecarregada. Eu acordo me sentindo tão culpada que, se eu não puxar o computador e não começar a trabalhar assim que o despertador toca de manhã, eu tenho a sensação de que vou perder todos meus clientes, vão me demitir, cancelar contratos, e eu não vou ter como pagar as minhas contas, que não são poucas, já que eu faço tanta questão de um mínimo padrão de vida. Quando foi que a vida ficou tão complicada, hein? Hoje, voltando do hospital, passei na Galeria dos Pães e me permitir ser como uma dessas pessoas que voltam para casa e não fazem nada. Que podem simplesmente passar o resto do dia sem a sensação iminente de que algo muito catastrófico vai acontecer se você não trabalhar. Eu comprei pãezinhos, queijos legais para fazer lanche. Fiquei provando todos os patês que o mocinho dos frios me ofereceu e flertei com um senhor de uns 70 anos na fila do atendimento. Depois cheguei em casa, tirei o sapato. Fiz um sanduiche e sentei em frente a TV para comer e assistir besteira. Resolvi que hoje eu não ia checar emails chegando em casa, não ia buscar conteúdo, fazer programação, não ia fazer relatório, ou organizar minha mesa. Eu não ia despachar, nem revisar texto. Eu não ia trabalhar uma vez que eu tivesse chegado em casa. Foi o que eu fiz... até que o telefone tocou e já me encheram de perguntas, e pedidos de correção, que já me deixaram preocupada e culpada de estar sentada no sofá da minha casa, de calcinha, assistindo os episódios novos de House, comendo sanduiche. Não me lembro se fiz isso alguma vez esse ano. Simplesmente chegar em casa e assistir TV. Sem telefonar, sem ter um computador no colo. Sem fazer uma lista de pendências organizadas por prioridades. Quando foi que a vida ficou tão complicada?

Um comentário:

Fernando Paz disse...

Boa pergunta. Mas pense na alegria do "senhor de uns 70 anos" ao voltar para casa...