segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

FOREVER ALONE

Ontem me aconteceu algo bem curioso. Eu acordei cedinho, embora fosse um domingo. Fiz minha meditação, tomei meu suco verde e saí para uma corrida na ciclovia perto de casa. Corri 7K ouvindo ABBA, bem feliz. Eu gosto de correr ao som de ABBA. Eu fico me imaginando a Meryl Streep descendo pelas vielinhas da Grécia, e dançando nas varandas daquelas casas brancas. Eu estava me sentindo bem fabulosa. Sabe quando a gente se sente fabulosa? Quando tem aquela sensação de bem-estar, de estar completa? Eu tava bem assim depois da corrida. Toda suada, vermelha, mas fabulosa. 

Então eu parei em uma padaria no caminho para comprar uma garrafinha de água. Afinal, isso aqui virou o Senegal. Haja hidratação! Assim que entrei na padaria, notei um cara me olhando. Percebi assim, de rabo de olho. Nada muito incisivo, o cara tava me olhando só. Imaginei que fosse óbvio, afinal, eu estava fabulosa. Procurei uma garrafinha de água gelada sem sucesso, e o cara atrás de mim, seguindo o fluxo da padaria e me olhando. Fui até o balcão e pedi uma garrafa de água gelada ao atendente, e o cara parou ao meu lado também fazendo um pedido. Fui para a fila do caixa, e o cara parou atrás de mim. Depois que paguei, fui me virar para sair da padaria e o moço pulou na minha frente e me estendeu um cartão. 

Pausa. Vou deixar claro que acho bem chato cantada de rua, assédio, caras muito incisivos, mas existe uma linha tênue entre extrapolar o meu espaço pessoal e me achar interessante e me abordar. Admiro quando o cara cria coragem de chegar na minha mesa de café e deixar o telefone sem pressão, ou tenta puxar um papo na fila do cinema. Não sou uma pessoa baladeira, que vive em lugares que favoreçam a paquera, então quando a paquera acontece casualmente em lugares cotidianos, tipo, em uma padaria depois da corrida no domingo de manhã, até acho legal. Uma abordagem com respeito, discreta, pode-se conhecer alguém legal, porque não?! Mas, voltando. Então o moço parou na minha frente, com seus lindos olhos verdes, e me estendeu o cartão:

“FULANO DE TAL
Acompanhante de Eventos
Teatro, Cinema, Jantares, Etc.
Tel (11) 5555.5555

Sério, roteiristas da minha vida? SÉRIO??? Quando eu tô me sentindo super felizona, super fabulosa, vocês me mandam um acompanhante de aluguel? Será que o cara me viu na padaria e me achou com cara de cliente em potencial? Será que eu estou com a imagem de alguém que precisa de um acompanhante para fazer as coisas? Pior, de que não consegue um acompanhante sozinha? Justo eu que faço tudo sozinha e ADORO fazer tudo sozinha? Fiquei imaginando, eu lá, toda vermelha e fabulosa. E o cara pensando, "essa senhoura pode precisar de um acompanhante uma hora dessas". 


Botei os fones de ouvido, dei play em “The Winner Takes it All”, e subi para casa mamando minha água na garrafinha. 
O cartão? Guardei. Vai saber, né?!

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