quarta-feira, 20 de outubro de 2010

EMBARQUE

Estou deixando a Holanda hoje. Estou escrevendo no avião, indo para Barcelona. A passagem mais em conta que consegui era essa. Uma escala de 3 horas em Barcelona, para só então ir para Lisboa. Cheguei correndo em Schiphol hoje, bem em cima da hora do vôo, até perdi meu guarda-chuva LINDO do Van Gogh no caminho. (Fiquei tão triste, tão, tão triste com isso!). Tudo para chegar no balcão do check in e ser informada de que o vôo ia atrasar duas horas por causa da greve de Paris. Globalização é isso aí minha gente. Para uma brasileira voar de Amsterdam para Lisboa, ela precisa pingar em Barcelona antes e, sabe-se lá porque raios, uma greve em Paris no meio do caminho faz com que tudo fique bagunçado. Lá vamos nós brincar de “Tom Hanks” de novo no aeroporto. Quando eu era pequena adorava ir ao aeroporto. Ver os aviões pousarem e decolarem. Era tão mágico assistir aquela geringonça flutuando no ar. Até pouco tempo atrás eu era a maior rata de aeroporto. A primeira a se oferecer para levar ou buscar alguém. Adorava aquela atmosfera de gente indo e partindo. De expectativas, sonhos, possibilidades. Mesmo quando não era eu viajando. Agora parece que toda essa magia se transformou. Não sinto mais friozinho na barriga de chegar no aeroporto. Não fico sonhadora cada vez que ouço a voz aveludada anunciando os vôos nos auto-falantes. Não babo mais de assistir o portão de embarque. Aeroportos perderam o glamour. O vôo atrasou um pouco mais então no total foram três horas fazendo hora no portão de embarque. Fiz compras no Duty Free. (Outra coisa que me empolgava bem mais e agora não vejo graça nenhuma.) Alguns perfumes e maquiagem, nada de mais. Depois sentei e trabalhei no computador. Plantei minha fazenda do Farmville inteira. Mandei emails. Cobrei respostas. Fechei o computador e fui comer alguma coisa. Paguei uma fortuna por um saquinho com maçãs fatiadas, um stick de queijo e um iogurte. Enquanto eu comia fiquei assitindo pela janela o tráfico da pista de pousos e decolagens. À minha volta dezenas de pessoas com as feições mais miseráveis do mundo. Sentadas, entediadas, esperando. Alguns no computador como eu. Outros deitados no chão ouvindo Ipod. Mas a grande maioria com o olhar perdido no ar. O que será que pensam? Tudo para entrar em um avião de uma Cia. Aérea low cost. Com assentos apinhados igual sardinha em lata. Ter de se encaixar milimétricamente e procurar ficar o menos desconfortável possível durante a viagem (Desconfortável a gente sabe que vai ficar mesmo. Então é tentar ficar menos.). Depois assistir à humilhante sessão de “topa tudo por dinheiro” que os comissários dessas companhias são obrigados a passar hoje em dia. Eles desfilam pelos corredores vendendo lanches, sucos, salgadinhos, bilhetes de loteria, raspadinha, óculos escuros, bichinhos de pelúcia e até ticket de ônibus. Eu perdi as contas de quantos vôos fiz durante os últimos meses. Muitos trechos eu fiz de trem, alguns outros de carro, mas minha intimidade com aeroportos mudou. Não sei se para melhor, ou para pior. Talvez eu tenha apenas desmistificado. Talvez os tempos de glamour da aviação tenham acabado. Talvez não tenha nada a ver com isso e eu seja apenas uma pessoa diferente hoje, que sente e percebe as coisas de forma diferente e ponto. Mas eu ainda não consegui entender porque eu sempre acabo indo (nem porque vim.).

Um comentário:

Yuki disse...

KKKKK
eu, ingenua, acreditava que vc se oferecia para me pegar no aeroporto pq me adora! e, no final, vc queria ir ver o movimento! kkk po Dri. Assim vc destroi a fantasia alheia!!! hehe
bjo