domingo, 15 de abril de 2012

Chás, aniversários, escolhas e outras obrigações

Hoje foi um desses dias de extremos. Eu tinha o chá de bebê da Carol H. e o aniversário da Jô. A Carol H. está quase tendo o Nuno. Está linda, redondinha. Ela está apostando em tudo de radical que a experiência pode oferecer. Vai ter o parto em casa, com uma doula. Vai abolir o berço e criar o filho na própria cama, e vai adotar fraldas de pano em vez das descartáveis. Acho que se eu algum dia resolver ter um filho não vou fazer nenhuma dessas escolhas. Não são do meu perfil. Mas isso sou eu e eu nem sei se quero passar pela experiência de ter um filho. Mas existe sempre a obrigação. Mesmo que ela não seja explícita parece até que nós somos geneticamente programadas para nos sentirmos obrigadas a algumas coisas. Toda vez que eu vejo alguém da minha idade grávida ou construindo o padrão básico de família, eu fico silenciosamente me questionando: será que eu não devia estar fazendo isso também? Então duas coisas ficam muito claras para mim. A primeira é que eu não quero ter filhos. Não que eu não queira de jeito nenhum, mas que, na minha lista de prioridades, ter filhos está atrás de tantas outras coisas. E não existe uma só pessoa no mundo que realmente queira alguma coisa  e não consiga. Nenhuma! Nessa regra não existe exceção. Se você quer ter um filho, você tem. Se você quer casar, constituir família. Você faz isso. Se você quer viajar o mundo, você viaja o mundo. Se você quer ser uma vítima, você é uma vítima. Se você quer virar uma super executiva, você vira uma super executiva. Nesse sentido a vida é ridiculamente simples e pragmática. Quando você sabe o que quer, você vai lá e trabalha por isso. Conquista isso. Agora se você diz que quer casar e ter filhos, mas está beijando moleques na balada, trabalhando 12 horas por dia, tendo casos com homens casados; então está na hora de parar de se enganar e assumir suas escolhas. E quando eu paro para pensar eu vejo que eu estou colecionando carimbos no meu passaporte, eu adoro minha rotina de solteira, eu estou batalhando minha empresa. E não construindo relacionamentos sérios e planejando famílias. Então é claro que ter filhos não é o tipo de coisa que eu tenho buscado na minha vida. Não julgo ninguém. Toda vez que vou à casa da minha irmã ficou louca com a vida de mãe de três filhos dela. Amo os meus sobrinhos e poderia ficar dias com eles, fazendo de tudo. Mas não é minha escolha de vida, e eu tenho muita sorte de poder ser tia. Acho legal a escolha da minha irmã, porque ela realmente queria isso. Depois cheguei ao aniversário da Jô e a primeira pessoa que eu vi foi a MH, com a Olivia. A MH é outra pessoa que fez uma escolha e teve o que quis. Ela queria ser mãe e formar uma família. Ela casou com um cara muito legal, teve uma filha linda, e eu pude brincar de tia mais uma vez. Deixar Olivia usar meu colar, correr, carregar no colo, apertar. E depois que a Olívia foi embora, porque as escolhas da mãe dela são outras, eu fiquei conversando com as meninas e o assunto que surgiu foi de como a gente acaba se sentindo pressionada a seguir esses padrões. Ou porque você está solteira aos 35 anos e sem um pingo de vontade de namorar com ninguém. Ou porque você casou, mas não quer necessariamente ter filhos. Ou porque você mora junto com o seu namorado e agora se espera que você cresça e multiplique-se como diz a Bíblia. Nessas horas é muito fácil perder o foco das coisas que você realmente quer e, assim como muita gente acaba dando atenção para carreira e baladas quando no fundo realmente gostaria de estar formando uma família, outras acabam cedendo às pressões de famílias e amigos e construindo uma família (que até vai ser amada) mas está muito longe de ser ambicionada. Então chego a segunda conclusão sobre o assunto. Eu não “devo” nada. Eu não deveria estar namorando, ou casada ou tendo filhos. Eu não tenho obrigação de seguir nenhum padrão ou plano de vida. Porque a vida é minha e sou eu quem vai viver essa história. E quanto mais pouco convencional for suas escolhas, mais difícil de se manter no foco. Os períodos de insegurança e dúvidas são muitos, afinal tem um batalhão lá fora dizendo explícita ou subliminarmente o que se “deve” fazer. Quando eu fico muito entediada eu tendo a pensar em parar com tudo, casar e ter filhos. Mas isso é interessante! Eu nunca penso nessas coisas como um grande sonho ou objetivo. Mas como um “prêmio de consolação” da vida quando eu estou preguiçosa demais. Então é isso. Seja lá qual for a sua escolha, e em que termos, a sua vida é exatamente o resultado dela. Fazer escolhas por achar que deve ou por algum sentimento de obrigação é uma das coisas mais estúpidas que existe. Ao final da jornada a única pessoa que pode se arrepender de alguma coisa é você mesma. 

Um comentário:

madame disse...

Cara, adorei isso. É por aí.