Eu nadei muito na adolescência. Participava de competições. Ganhei até algumas medalhas! Nada muito importante, mas era meu esporte, junto com o handbol. Os treinos eram longos. Saía da piscina faminta e atacava dois cachorros quentes de uma vez. Era uma fome sem fim. Ainda assim não engordava um grama. Eu era tão seca que meu apelido era “saracura”, por causa das minhas pernas compridas e finas. Aos 15 anos abandonei a natação. Meus ombros começaram a desenvolver, e eu ficava com vergonha. Vê se pode! Vergonha da postura linda de nadadora! Coisa de adolescente. Ah, se a gente soubesse naquele tempo o que a gente sabe hoje. E cá estou eu me flagrando com as mesmas reclamações que todas as gerações antes de mim também tiveram. Quando mudei para esse apê onde moro, olhei para a raia da piscina do prédio e prometi: vou nadar todos os dias. Na verdade nadei apenas um dia. Desci de maio, toquinha de silicone e óculos. Muito mais lenta do que há 20 anos, obviamente, mas a técnica ainda intacta. Fiz os quatro estilos, só para provar a mim mesma que ainda posso. Depois esqueci, e não nadei mais. Hoje, com essa nova fase de trabalhar na piscina, resolvi descer de maio, toquinha e óculos. Entre uma bateria de texto e a programação das mídias sociais, aquele tempo em que antes eu tomava um café e fumava um cigarrinho (já que agora eu não fumo mais), pulei na piscina e dei umas braçadas de crawl. Fantástico! A cabeça fica calma, meus ombros (que sempre doem e ficam tensos do computador) relaxaram e ficaram mais flexíveis, a endorfina se espalhou pelo meu corpo e eu senti aquela maravilhosa sensação de total bem-estar. Voltei para o computador e produzi o dobro! Depois de algum tempo, mais uma pausa. Mais algumas piscinas. Então eu descobri que a natação é minha companheira de qualidade de vida. Ela é o ponto de equilíbrio para eu produzir mais. Como é que eu fiquei tanto tempo sem nadar? Ainda mais morando há 3 anos em um prédio com piscina e com raia? É bom poder resgatar qualquer coisa, seja o tempo que tenha passado. Pode-se sempre recomeçar, refazer. Consertar as decisões bobas feitas lá atrás. A piscina é externa. Ainda não sei como vou fazer no inverno. Mas até lá, ainda tem tempo de muitas braçadas.
"...estou procurando, estou procurando. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi." (Clarice Lispector - Paixão Segundo GH)
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 16 de abril de 2012
EM BUSCA DO FÔLEGO PERDIDO
Primeiro dia é fácil, né!? Eu levantei da cama, fiz minha meditação, desci para a academia do prédio e corri 4K. Não precisa ser gênio para saber que saúde tem tudo a ver com exercícios físicos. E se você quer continuar com uma vida ativa por muitos anos, viajar para muitos outros países, fazer trilhas, subir vulcões, escalar montanhas, explorar florestas... então você precisa ter fôlego. Não existe nenhum jeito de conseguir pique, disposição e fôlego sem suar a camisa. Ainda não inventaram. Então tem de malhar. De brinde ainda vou conseguir entrar em 70% das roupas do meu guarda-roupa. Esse é o plano. Só acho que a coisa não vai ser tão simples quanto eu achei. Porque eu não contei, mas eu estou muito enferrujada. Sempre tive uma genética favorável. Colocava a testa no joelho e nem sentia. Hoje tenho sentido algumas dores quando tento alongar meu corpo que eu nem sabia que eram possíveis. Bom, não passo vergonha nas aulas porque, mesmo enferrujada, meu alongamento é legal. Mas como eu sei qual é o meu potencial, fico sentindo como se estivesse literalmente atrofiando. Não sei se é a idade, ou a cara de pau de não levar uma rotina mais intensa de exercícios. Só sei que senti dificuldade, e isso era uma coisa que nunca tinha sentido antes. Como fiquei preocupada com isso, resolvi ir para a academia à noite. Usei meu horário de rodízio para fazer algo que me ajudasse a chegar lá. Fiz 1h30 de transporte, que é minha nova descoberta. É ótimo para pernas, bumbum e até que é divertido de fazer. Coloquei os fones de ouvido e fiquei assistindo Law and Order até enjoar. Depois encarei uma aula puxada de 1h15 de yoga. A única coisa que foi bem estúpida, nem foi a quantidade de esforço físico. Foi ter feito tudo isso sem um lanchinho, ou uma barrinha de cereais no intervalo para me dar pique. Como sou hipoglicêmica, terminei a meditação da yoga quase desmaiando. Tive de correr no empório natural na frente da academia e quase me afoguei em um saco de frutas secas. (São ótimas para devolver os níveis de açúcar do sangue.) Por isso acabei jantando um pacote de salgadinho de arroz japonês (que sou viciada!), um prato de quinoa com saladinha de tomate e um pote de abacate com limão. Concordo. Peguei pesado. Sempre cometo esse erro. Jogo toda a energia que tenho em um único objetivo e depois não tenho fôlego para segurar a rotina por muito tempo. Assim é com alimentação, trabalho, literatura. Tudo. Mas afinal de contas, não é para conseguir mais fôlego que eu estou fazendo tudo isso?
domingo, 11 de março de 2012
SUBINDO PAREDES
Eu gosto de esportes. No geral gosto. Gosto de correr, da minha yoga matutina. A cada aula fico mais e mais apaixonada pelo ballet. Como eu sou uma preguiçosa crônica, variar as modalidades de esporte é uma ideia inteligente. Há algum tempo tenho alguns amigos comentando sobre escalada. Essa coisa de subir parede mesmo. Eu já escalei quando era mais nova. Não, assim, “in a regular basis”. Escalei de brincadeira, umas duas vezes. Na mesma época em que meus colegas irresponsáveis jogavam cordas dos viadutos da Rodovia dos Bandeirantes para a gente descer de rappel. Até que a Polícia Rodoviária chegava e a gente fugia. Era molecagem, mas era saudável. No fundo a gente só estava praticando esportes. Então essa semana resolvi experimentar escalada novamente. Fui com a cara e a coragem, sozinha, lá na Casa de Pedra. A Casa de Pedra é uma academia de escalada indoor. Funciona em um galpão aqui perto, em Perdizes. Você paga a diária, e pode ficar o tempo que quiser, subindo e descendo paredes. Eu senti falta de uma orientação maior. Foi meio na raça mesmo. Cheguei, me deram o equipamento e eu entrei no galpão onde dezenas de pessoas pareciam mega entrosadas. Ninguém veio falar comigo, então eu abordei um rapaz que estava com o uniforme da academia. Ele pareceu um pouco impaciente de pegar uma novata, olhou em volta, perguntou para um outro aluno se ele estava sozinho e nos apresentou. Deveríamos fazer a segurança um do outro. Primeiro o rapaz subiu uma via, e o instrutor me ensinou como fazer a segurança. E depois desapareceu. Quem me deu dicas mesmo de como escalar foi o rapaz que acabou fazendo par comigo e era a quinta vez que ele escalava. Tentei subir a primeira via. Fui até a negativa, então eu senti tanta adrenalina no sangue que minhas mãos tremiam e eu não conseguia me segurar mais. Então eu desci. Depois fiz travessia lateral algumas vezes, subi por vias mais umas três. O resultado é que esse final de semana inteiro, mal posso levantar o braço. Sinto TODOS os músculos super trabalhados. E nas costas, sinto músculos que nunca imaginei que tinha. Achei perigoso para quem não tem noção de perigo e nunca trabalhou esporte de aventura, o esquema da Casa de Pedra que deixa os freqüentadores largados fazendo o que querem pendurados nas paredes. Mas adorei o esporte. Quem sabe com pessoas de confiança, que possam me ensinar e me dar dicas, eu não faça “in a regular basis”.
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