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quarta-feira, 19 de março de 2014

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Estou apaixonada por Chimamanda Ngozi Adichie. Li essa semana “Hibisco Roxo” e já vou emendar “Meio Sol Amarelo”. Contando os dias para chegar por aqui seu novo “Americanah”, que ganhou o National Book Critics Circle Awards de 2013. Chimamanda é uma moça linda, nigeriana radicada nos EUA, virginiana como eu. Dona de uma pele escandalosa e de um sorriso mais iluminado ainda. Fazia muito tempo que eu não me identificava tanto com uma escritora. Fazia tempo que eu não sentia que a vida de uma personagem era minha, e ainda, que essa personagem era melhor do que eu na mesma história de vida. Acho que literatura tem que ser uma pouco assim. Fazer a gente ser melhor. Sempre me incomoda como as editoras ainda cultuam uma literatura que é demasiada masculina, branca, hétero e ocidental. Acho extremamente desinteressante essa profusão de livros, com essa moda de “auto-ficção”, cheia de homens héteros, brancos e chatos, destilando seu machismo latente e remoendo suas superficiais questões existenciais. Sério. Quanto mais a gente consegue ler de homens perturbados, incomodados com seus papéis sociais, tomando cerveja ou conhaque pelas ruas de metrópoles, flertando com o submundo mas mantendo suas pseudo-intelectualidades intactas!? Eu fico enfadada só de ler a orelha desses livros, e já há algum tempo tenho evitado novos autores. Raro encontrar alguém que realmente tenha algo a dizer. E quando o mercado todo está viciado no mesmo modelo... a gente chega até a perder o tesão de ler. A gente, bem... eu, no caso. De qualquer forma, li uma entrevista de Chimamanda há algumas semanas no Estadão e fui correndo para o site da Livraria Cultura. Os livros chegaram antes do Carnaval, mas eu procrastinei até essa semana. Melhor. Seria difícil dividir com a paixão do mergulho, que me tomou todos os dias em Bonaire. Fiquei 100% submersa, mesmo quando estava na superfície. E eu sou uma garota monogâmica. Não consigo ter paixões concomitantes. Ah, que delícia encontrar uma boa escritora, mulher, negra, que pinta um mundo sob uma ótica tão diferente da que prolifera por aí. Muito mais delicada, muito mais sutil, mas exatamente por isso bem mais cruel e sobrevivente. Leiam! Corram, leiam!


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

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O Augusto é uma pessoa deliciosa. Um amigo que reconheci na vida. Porque tem gente que a gente não conhece, reconhece. Tava óbvio que devia fazer parte da nossa vida. O Augusto é assim. Ele também é uma pessoa interessantíssima. Culto, talentoso, viajado. Sua casa reflete toda essa bagagem de quem gosta do lado bom da vida. Fotos fantásticas por todas as paredes, e uma biblioteca cobiçável. Augusto ainda é uma pessoa desapegada, e anda fazendo uns “bota-fora” das suas prateleiras. Veja bem, se eu for fazer um “bota-fora”, encho uma caixa de revista Vogue e Boa Forma e chamo o Exército da Salvação para retirar. Já o Augusto fazendo “bota-fora” você leva para casa a coleção da revista Serrote, exemplares de poesia japonesa e uma edição em caixa de “Em busca do tempo perdido” do Proust, no original. Quando penso na sorte de ter os amigos que tenho, sei que isso é luxo de verdade. 

domingo, 5 de janeiro de 2014

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Terminei meu primeiro livro do ano hoje. “Quinta Avenida, 5 da manhã - Audrey Hepburn, Bonequinha de Luxo e o surgimento da mulher moderna” de Sam Wasson. Uma mistura que não tem como não me agradar. Meu filme favorito, Audrey, Capote, cinema e uma análise da evolução dos direitos de gênero através da minha personagem. O livro estava na minha lista de procrastinação. Comprei em uma das minhas idas à livraria. Quando tenho uns acessos de vontade de ler o mundo todo, me apaixono por todos os livros e levo o que o cartão de crédito aguenta para casa. Achei que o livro seria mais superficial, mas também não é uma análise sociológica profunda. É uma narrativa divertida, que estimula a curiosidade por bastidores que todo cinéfilo tem. Não tem a ambição de ser a biografia de ninguém, mas acaba pincelando sobre a vida das pessoas mais influentes para a realização do filme. No final é isso, um relato de como essas pessoas acabaram juntas fazendo “Bonequinha de Luxo”, e porque esse filme representou um marco no papel das mulheres no cinema. Pela primeira vez uma mulher tinha uma sexualidade mais libertina, conquistava a simpatia dos telespectadores e ganhava um final feliz. Ainda que esse final seja careta e conservador. Perdi o hábito de ver filmes. Eu via tantos filmes. Via tudo o que estava em cartaz, tudo nas prateleiras da locadora. Passava os feriados emendando sessão atrás de sessão nos cinemas da cidade sozinha. De uns tempos para cá andei tendo “medo” de ir ao cinema sozinha. E como tudo na vida, se for esperar alguém para fazer as coisas junto, você acaba sem fazer nada. Coisa de quando a gente envelhece e fica bundona. Mas já estava na lista de promessas de ano novo: ir ao cinema toda semana. Pelo menos uma vez por semana. Ver mais filmes. É o mínimo para alguém que se formou em Cinema. Aproveitando o pique, passei o dia vendo filmes que perdi no cinema. Aluguei no Now, abri o Netflix e tive um domingo perfeito de muitos filmes e pipoca, como há muitos anos não tinha. 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

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O calor tem testado meus limites de sanidade e me fazendo pensar em como pode essa ser a tal “cidade maravilhosa” se a imagem mental que me traz é do inferno nos desenhos animados do Pica-Pau. Na busca de ar respirável (leia-se “ar condicionado”) arrastei os dois gringos que estão hospedados comigo na casa-hostel do Má e levei para passear no centro. Fomos ver a exposição da Yayoi Kusama, uma artista plástica japonesa que estourou nos anos 60 e é piradinha da Silva! A exposição caiu no gosto dos cariocas, e de todos os turistas visitando a cidade. Digamos que já vi ideias de falos bem mais interessantes... mas a viagem vale a tarde. A superlotação faz a exposição tomar uma outra perspectiva também. Um enxame de pessoas consumindo vorazmente coisas que nem fazem muita ideia do que quer dizer. Achando divertido sofás cheios de pontinhos e se intoxicando de doces e salgados na Confeitaria Colombo. Se estapeando para pegar uma garrafa de cerveja e um empada de qualquer coisa no Bar Urca, e arrastar para o meio da rua enquanto compensam o péssimo atendimento olhando para o mar e reafirmando para si mesmos: eu sou feliz! Tenho crise de asma com essas cenas. Acho claustrofóbico, sufocante. Larguei minha empadinha errada na mureta da calçada e fugi só com a latinha de guaraná. Me tranquei no ar condicionado do cinema, assisti “A Vida Secreta de Walter Mitty” e lembrei por duas horas do quanto é fácil a gente cair no piloto automático e deixar de viver. Sai de lá feliz, decidida a fazer uma monte de coisas esse ano, a escrever um monte de páginas e a me empenhar em realizar sonhos e não apenas fantasiá-los. Achei um bom filme para começar o ano. 


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

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Existe aquela brincadeira no Twitter de que cada ano é um novo capítulo da vida, com 365 páginas. Então as pessoas escrevem sobre seus dias e acrescentam a hashtag #PageXof365. Para marcar as páginas do livro, e os dias da vida. Adoro a ideia. A ideia de que cada dia é uma página em branco. Eu adoro o desafio de páginas em branco. Portanto esse ano resolvi comprar a brincadeira. Escrever um livro inteiro, de 365 páginas. Cada dia, com foto no Instagram e texto aqui no Blog. Um livro de 2014. Espero que a brincadeira não fique entediante. Sinal de que a história não está bem contada. Mas vamos. É um novo ano. É uma nova proposta. E eu comecei assim:



Ainda no Rio. Recebi uma notícia muito triste de um grande amigo. Chorei aos baldes quando desliguei o skype e quebre a promessa que tinha feito à meia-noite de não fumar mais. Depois resolvi esperar. Esperar o que a vida traz de notícias. Esperar até ter certeza da gravidade das notícias. E celebrar a vida que é certa. Saí com amigas em busca de uma cachoeira, mas parece que foi a ideia de todo o resto da humanidade. O Rio está quente, insuportável, lotado. Começo a sentir ímpetos de fuga. De sair daqui desesperadamente. Mas o final da tarde foi mais fresco. Foi de encontro grande com a turma no Posto 8 para ver o Sol se por e muito sentimento de pertencimento. Existe essa palavra? Pertencimento? Inventei!

Primeira lição do ano: É preciso prestar mais atenção nas ações das pessoas do que nas palavras. Palavras são vazias. As ações é que contam. Esse é um ano para calar as palavras que recebo e redobrar a atenção às ações à minha volta. 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

ZOÉ VALDÉS



Mais uma coisa sobre Cuba. Quando li "Trilogia Suja de Havana" do Pedro Juán Gutierrez fiquei apaixonada por Cuba, pela literatura cubana e por aquele careca de charuto na boca e cara de mau. Inclusive um dos meus planos diabólicos era perseguir o escritor pelas ruas de Havana. Não aconteceu. Ano passado, na FLIP, assisti a mesa em que Zoé Valdés participou com o tema literatura no exílio. Zoé é uma escritora cubana, exilada em Paris. Já achei a garota esperta de imediato. Se é para se exilar, nada de ir para Miami, a cidade mais cafona do mundo. Exile-se em Paris, claro! Comprei o livro dela e deixei procrastinando na prateleira. Quando estava arrumando a mala, pensando qual seria a literatura da viagem, puxei o exemplar de "O Todo Cotidiano".  Na verdade é uma edição de dois livros de Zoé: "O nada cotidiano" de 1995, que narra sua infância e adolescência na ilha; e outro mais recente, de 2010, "O tudo cotidiano", que fala de seu exílio em Paris. Achei que seria uma leitura adequada nesse momento de suposta transição da ilha, ler dois relatos de Cubas diferentes. Acho que eu não podia ter feito escolha melhor de literatura. Zoé é uma escritora punk! Se eu achava Pedro Juán pauleira, nada como ver alguém de saias falando sobre Cuba. Sei que sou suspeita para defender escritoras mulheres, mas acho que quanto mais dolorosa é uma realidade, mais pungente fica a narrativa feita por mãos femininas. Mulheres possuem outra maneira de viver a dor, talvez porque é tão inerente a nossa vida. A fragilidade do sexo, que pode nos tornar cruéis e inocentes ao mesmo tempo. Independente de qualquer sentimento que você possa ter pela ilha, vale a pena ler os livros. Os dois. Um seguido do outro. 


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Coisa boa 1

Coisa boa de ontem - Terminei mais um capítulo do livro. Estou começando a sair da parte mais dolorida, espero que daqui para frente ele flua mais rápido. Não sei se está ficando um livro muito triste ou muito piegas. Estou procurando não pensar muito nele todo. Não tenho um pingo de distanciamento. Estou tentando escrever um livro bonito, só que falar de luto... É. Pode ficar um livro muito piegas. Hahahaha!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Eu escrevo


Eu escrevo. É a coisa que mais gosto de fazer, o que me dá mais prazer. Não estou falando de textos para internet ou posts para blogs. Eu escrevo literatura. Sei que para muita gente isso soa arrogante, um pouco pomposo. Existe um certo glamour na ideia de escritores, criações. Talvez porque somos obrigados a ler clássicos na escola, e (muitos de nós) descobrimos uns tantos outros na vida adulta. Existe mesmo uma reverência à pessoa capaz de nos hipnotizar ao longo de um livro. Por aquele capaz de construir um universo tão rico e fascinante apenas com palavras. Talvez venha daí a sensação de pretensão quando alguém diz que escreve. Eu vejo como um ofício. Um objetivo na vida. É a minha cenorinha a frente do cavalo. Quando eu fecho os olhos e derreto tudo o que está a minha volta, onde me vejo é escrevendo. Não sei como vou chegar lá. Eu tenho uma porção de outras coisas que também são importantes para mim. Eu tenho um padrão de vida (do qual eu não abro mão de jeito nenhum). Tenho minha família. Tenho meu sonho de conhecer o mundo. Então a literatura fica encaixada no meio de tudo esperando o momento de virar protagonista. É muito fácil ela virar coadjuvante. Às vezes até figurante. Talvez meu maior esforço de 28 dias, é ser constante na literatura. Além de bonita e com uma bunda legal, eu quero chegar aos 40 anos escritora. Porque tem também a vaidade. Não a de ego, a física mesmo. Mas enfim, eu escrevo. E um dia eu vou trocar todos os “ex” que me descrevem nesse blog por uma única palavra: “escritora”. Só não troco porque ainda não sou. E porque ainda não me sinto uma. Porque isso é sério e é importante para mim, eu estudo. Eu leio. Eu apanho da gramática. Eu tento fazer a lição de casa com o que eu tenho em mãos. Há alguns anos descobri a Noemi, e seu curso de escrita criativa. Descobri por acaso, lendo um caderno de domingo no jornal. Me inscrevi e ganhei uma família. Fiz uma série dos cursos que ela ministra na Casa do Saber com um mesmo grupo de pessoas, que se tornaram amigos (e são hoje basicamente toda minha vida social). No começo desse ano ela fez pela primeira vez um módulo “avançado” do curso, exclusivo para esse pessoal que está há um tempo na estrada com ela. E o formato do curso foi completamente diferente do que fazíamos até então. Tem sido um processo mais intenso, mais exigente. Tem me deixado muito mais exposta e fragilizada. Mas acho que é assim mesmo quando você começa a sair da zona de conforto do puro hobby (aquele quando sua mãe fala para as visitas que você escreve bem), para perseguir uma tridimensionalidade maior de técnica, de estilo e conteúdo. Esse final de semana terminei um conto. Não foi o primeiro conto que escrevi. Já escrevi vários. Algumas vezes partilhei com alguns amigos buscando ouvir sobre ele. Mas o retorno (sempre bem intencionado, obviamente) foi o mesmo da minha mãe. Dessa vez terminei um conto dentro de um processo mais profissional. Terminei um conto de verdade. Não foi a melhor coisa que já escrevi na minha vida, mas foi uma das que mais me arrisquei. Foi dolorido e maravilhoso. Então agora estou voltada ao meu livro novamente. Aquele que se retarda por ser terminado há tanto tempo. Ideia para livros tenho aos montes. Ideias de clássicos já foram enterradas com seus donos à baciada. No final do dia a única literatura que existiu é a que se realizou. A que foi escrita. Um ofício a gente faz todo dia. A gente acorda, escova os dentes, toma café e realiza. O resto é papo furado. Não é nada, não é nada. Não é nada mesmo. É um ofício solitário. Muito solitário. Não é a vida uma danada? Fez desmoronar todas minhas muletas até que sobraram somente eu e a literatura. Eu sempre achei que tinha uma rede de segurança. No final do ano, durante um dos piores infernos que enfrentei, não tinha ninguém lá. Agora o caminho que se abre é solitário. É para que eu faça sozinha. Mas por ironia, vem com essa rede de proteção maravilhosa, que não vai deixar minha escrita cair. Eu andei tanto para chegar até aqui e é isso. Eu precisava descobrir. Eu escrevo.