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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

SOBRE ESSA NEUROSE COM OS CORPOS DAS MULHERES POR AÍ

Três situações que deram muito "talking about" nas últimas semanas pelas mídias sociais:

1 - Pierce Brosnan que permanece casado com a esposa APESAR dela ter engordado (trofeu para o moço, minha gente!)
2 - Fernanda Gentil foi à praia e ousou usar biquini com seu corpo de mulher normal magra e - pasmem - sem hidrogel, silicone ou sinais de anorexia. Quanta petulância!
3 - Ilze Scamparini esconde a barriga e, SIM ela tem barriga! (Gente! Ela mora em Roma! Se não fosse gordinha seria um despedício!!!)

Eu acordo todos os dias e me olho no espelho. Tenho uns brações de mamma italiana que me deixam cheia de vergonha. Tem umas calças que não entram, umas blusas que não caem bem. Mas eu gosto de ser saudável. Dou minhas corridinhas, tomo meu suco detox, minha saladinha orgânica. Vou até aí só. Não abro mão do chopp com os amigos, da taça de vinho para celebrar, da pizza no final de semana e da sobremesa. A vida é curta demais para abrir mão da sobremesa. Mesmo quando você tem consciência de que não tem nada errado com você, que não tem nada de errado com a aparência do seu corpo, saudável, bem cuidado. Vai ter sempre a voz inconsciente te fazendo acreditar que está certo o moço não querer te namorar por causa da sua barriguinha, e você será menos elegante ou levada menos a sério em suas opiniões se não tiver braços fininhos, e que a sua aparência física é algo que necessita de supervisão constante, atenção, alerta. Não pode relaxar. Não pode escorregar nem um pouco. 

Tenho vários amigos que engordaram muito ao longo dos anos. Ficaram barrigudos, carecas. Tenho certeza que nenhum deles acordou hoje de manhã, se olhou no espelho, e pensou que sua vida profissional e amorosa estava em jogo porque eles não exibiam os músculos do Chris Pine.

Uma vez ouvi de uma modelo que, por contrato, ela não podia ser vista comendo em público. Vejam bem! Não é comer se esbaldando em um restaurante italiano. Não. Ela não podia ser vista comendo nem mesmo uma maçã! Comer é essa coisa mundana, que seres humanos fazem. Onde já se viu, mulher agindo como ser humano por aí, em público. Absurdo. Coloca umas asas nas costas da moça e vamos fingir que elas são o que são: lindos objetos animados, que andam para cima e para baixo.

Quando uma mulher é flagrada, agindo como humana em público, logo se busca uma justiicativa. "Fernanda Gentil está grávida". Ufa! Ainda bem, hein, Fernanda?! Já pensou desfilar por aí de biquini com um corpo de mulher normal sem poder se justificar com um estado transcendental de iluminação feminina como a gravidez?! Entenderam o recado, meninas? É um pouco assustador como em 2015 ainda tenhamos uma sociedade que não tolera flagrar mulheres agindo como seres humanos. É muito angustiante me olhar no espelho todos os dias e, apesar da minha consciência, apesar da minha cultura e inteligência, ainda me sentir massacrada por esse inconsciente coletivo. 

Eu já tive muito preconceito. Preconceito com quem faz cirurgia do estômago, com quem coloca silicone. Com quem vira rata de academia, e com quem engorda até a obesidade. Hoje sinto uma admiração enorme por qualquer mulher que tome posse do próprio corpo. Seja malhando, colocando hidrogel, assumindo os braços de Mamma, tatuando, alterando, deixando totalmente ao natural. Acordar de manhã, olhar no espelho e dizer: esse é o meu corpo! É uma das coisas mais difíceis para uma mulher. Eu me reconheço em cada uma delas. Consigo me enxergar na mulher que resolveu engordar depois de ter 3 filhos, na que botou o biquini embora não se parecesse com a capa da Boa Forma, e na que mudou para a Itália e não é besta de não aproveitar isso. Consigo também me enxergar na minha amiga que colocou 200ml de silicone e passou a se sentir mais bonita. Na que fez a cirurgia do estômago e encontrou uma nova vida depois disso. Naquela que entrou em um programa de reeducação alimentar e perdeu 20Kg, e naquela que tingiu os cabelos de loiro e aumentou os lábios. Consigo me enxergar em todas as mulheres que estão por aí, tomando posse de seus corpos, e fazendo escolhas que as fazem felizes.

Acordar todos os dias, olhar no espelho, e enfrentar a vida, é uma batalha feroz. As mídias sociais estão aí para nos lembrar que fazer escolhas sobre os nossos corpos não é tão simples assim. Mas nós ainda saímos para a rua, nós ainda enfrentamos. Nós ainda ousamos andar em público como seres humanos. Por isso eu sinto uma compaixão gigantesca por todas as mulheres, que estão enfrentando a vida com seus corpos. 

Minas, eu me reconheço em vocês! <3

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

FOREVER ALONE

Ontem me aconteceu algo bem curioso. Eu acordei cedinho, embora fosse um domingo. Fiz minha meditação, tomei meu suco verde e saí para uma corrida na ciclovia perto de casa. Corri 7K ouvindo ABBA, bem feliz. Eu gosto de correr ao som de ABBA. Eu fico me imaginando a Meryl Streep descendo pelas vielinhas da Grécia, e dançando nas varandas daquelas casas brancas. Eu estava me sentindo bem fabulosa. Sabe quando a gente se sente fabulosa? Quando tem aquela sensação de bem-estar, de estar completa? Eu tava bem assim depois da corrida. Toda suada, vermelha, mas fabulosa. 

Então eu parei em uma padaria no caminho para comprar uma garrafinha de água. Afinal, isso aqui virou o Senegal. Haja hidratação! Assim que entrei na padaria, notei um cara me olhando. Percebi assim, de rabo de olho. Nada muito incisivo, o cara tava me olhando só. Imaginei que fosse óbvio, afinal, eu estava fabulosa. Procurei uma garrafinha de água gelada sem sucesso, e o cara atrás de mim, seguindo o fluxo da padaria e me olhando. Fui até o balcão e pedi uma garrafa de água gelada ao atendente, e o cara parou ao meu lado também fazendo um pedido. Fui para a fila do caixa, e o cara parou atrás de mim. Depois que paguei, fui me virar para sair da padaria e o moço pulou na minha frente e me estendeu um cartão. 

Pausa. Vou deixar claro que acho bem chato cantada de rua, assédio, caras muito incisivos, mas existe uma linha tênue entre extrapolar o meu espaço pessoal e me achar interessante e me abordar. Admiro quando o cara cria coragem de chegar na minha mesa de café e deixar o telefone sem pressão, ou tenta puxar um papo na fila do cinema. Não sou uma pessoa baladeira, que vive em lugares que favoreçam a paquera, então quando a paquera acontece casualmente em lugares cotidianos, tipo, em uma padaria depois da corrida no domingo de manhã, até acho legal. Uma abordagem com respeito, discreta, pode-se conhecer alguém legal, porque não?! Mas, voltando. Então o moço parou na minha frente, com seus lindos olhos verdes, e me estendeu o cartão:

“FULANO DE TAL
Acompanhante de Eventos
Teatro, Cinema, Jantares, Etc.
Tel (11) 5555.5555

Sério, roteiristas da minha vida? SÉRIO??? Quando eu tô me sentindo super felizona, super fabulosa, vocês me mandam um acompanhante de aluguel? Será que o cara me viu na padaria e me achou com cara de cliente em potencial? Será que eu estou com a imagem de alguém que precisa de um acompanhante para fazer as coisas? Pior, de que não consegue um acompanhante sozinha? Justo eu que faço tudo sozinha e ADORO fazer tudo sozinha? Fiquei imaginando, eu lá, toda vermelha e fabulosa. E o cara pensando, "essa senhoura pode precisar de um acompanhante uma hora dessas". 


Botei os fones de ouvido, dei play em “The Winner Takes it All”, e subi para casa mamando minha água na garrafinha. 
O cartão? Guardei. Vai saber, né?!

quarta-feira, 19 de março de 2014

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Estou apaixonada por Chimamanda Ngozi Adichie. Li essa semana “Hibisco Roxo” e já vou emendar “Meio Sol Amarelo”. Contando os dias para chegar por aqui seu novo “Americanah”, que ganhou o National Book Critics Circle Awards de 2013. Chimamanda é uma moça linda, nigeriana radicada nos EUA, virginiana como eu. Dona de uma pele escandalosa e de um sorriso mais iluminado ainda. Fazia muito tempo que eu não me identificava tanto com uma escritora. Fazia tempo que eu não sentia que a vida de uma personagem era minha, e ainda, que essa personagem era melhor do que eu na mesma história de vida. Acho que literatura tem que ser uma pouco assim. Fazer a gente ser melhor. Sempre me incomoda como as editoras ainda cultuam uma literatura que é demasiada masculina, branca, hétero e ocidental. Acho extremamente desinteressante essa profusão de livros, com essa moda de “auto-ficção”, cheia de homens héteros, brancos e chatos, destilando seu machismo latente e remoendo suas superficiais questões existenciais. Sério. Quanto mais a gente consegue ler de homens perturbados, incomodados com seus papéis sociais, tomando cerveja ou conhaque pelas ruas de metrópoles, flertando com o submundo mas mantendo suas pseudo-intelectualidades intactas!? Eu fico enfadada só de ler a orelha desses livros, e já há algum tempo tenho evitado novos autores. Raro encontrar alguém que realmente tenha algo a dizer. E quando o mercado todo está viciado no mesmo modelo... a gente chega até a perder o tesão de ler. A gente, bem... eu, no caso. De qualquer forma, li uma entrevista de Chimamanda há algumas semanas no Estadão e fui correndo para o site da Livraria Cultura. Os livros chegaram antes do Carnaval, mas eu procrastinei até essa semana. Melhor. Seria difícil dividir com a paixão do mergulho, que me tomou todos os dias em Bonaire. Fiquei 100% submersa, mesmo quando estava na superfície. E eu sou uma garota monogâmica. Não consigo ter paixões concomitantes. Ah, que delícia encontrar uma boa escritora, mulher, negra, que pinta um mundo sob uma ótica tão diferente da que prolifera por aí. Muito mais delicada, muito mais sutil, mas exatamente por isso bem mais cruel e sobrevivente. Leiam! Corram, leiam!


quinta-feira, 13 de março de 2014

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Mais uma amiga querida me contou hoje que está grávida. É um verdadeiro baby-boom. Ano passado foi uma profusão de novos sobrinhos postiços nascendo. Estamos começando a quaresma e duas amigas já me contaram que estão esperando bebês. Fora minha irmã e a Lulu que tiveram dois meninões lindos. Quando você tem 37 anos e todas as suas amigas estão procriando, você deveria pensar se não está chegando a sua hora também. Mas eu ando tão ocupada com tantos problemas e tantos planos que eu ainda não fiz para minha vida, que não deu tempo de levar meu relógio biológico trocar a bateria. 

É o fim de uma era, e talvez eu seja apenas um dinossauro resistindo. Ou um esquilo neurótico, correndo atrás de uma noz.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

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Vi uma exposição (muito boa por sinal) da Tracey Emin na White Cube Gallery em São Paulo. É aquele tipo de arte extremamente perturbadora pela honestidade e capacidade de exposição da artista, e ainda pela fragilidade que ela adquire em sua loucura. Tracey é uma dessas mulheres com as quais a gente se identifica de imediato. Primeiro porque ela está lá, nua, literalmente, passando gilete em todas as feridas, não deixando barato tudo o que é ser mulher nessa vida. Embora eu tenha milhões de reservas com discursos feministas, esse é um tipo de ativismo que eu acredito. Porque não dá para ficar ileso, indiferente, vendo suas instalações, enxergando sua carência e sua ferocidade em neon. Ser mulher é meio isso. Essa grande contradição entre ser vítima e algoz. Entre a fragilidade impotente e a fúria destruidora. Vi que o MOCA (Museu de Arte Contemporânea de Miami) estava com uma exposição dela, e fui conferir. Não era tão interessante quanto a que vi em SP, e as peças se restringiam basicamente aos neons. E uma instalação, desconcertante. Uma narração em audio, com uma tela em estática constante, em que Tracey fala de sua adolescência, da liberdade sexual que se atreveu a assumir em uma comunidade machista e limitada, e a castração sexista que sofreu por ousar ser livre. É enternecedor, ao mesmo tempo um tanto revoltante. Quando pensamos o quanto as pessoas são crueis com aquelas mulheres que ousam lidar com a própria sexualidade livremente, e ainda, quando nos damos conta da nossa própria covardia em fazer o mesmo. 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

ZOÉ VALDÉS



Mais uma coisa sobre Cuba. Quando li "Trilogia Suja de Havana" do Pedro Juán Gutierrez fiquei apaixonada por Cuba, pela literatura cubana e por aquele careca de charuto na boca e cara de mau. Inclusive um dos meus planos diabólicos era perseguir o escritor pelas ruas de Havana. Não aconteceu. Ano passado, na FLIP, assisti a mesa em que Zoé Valdés participou com o tema literatura no exílio. Zoé é uma escritora cubana, exilada em Paris. Já achei a garota esperta de imediato. Se é para se exilar, nada de ir para Miami, a cidade mais cafona do mundo. Exile-se em Paris, claro! Comprei o livro dela e deixei procrastinando na prateleira. Quando estava arrumando a mala, pensando qual seria a literatura da viagem, puxei o exemplar de "O Todo Cotidiano".  Na verdade é uma edição de dois livros de Zoé: "O nada cotidiano" de 1995, que narra sua infância e adolescência na ilha; e outro mais recente, de 2010, "O tudo cotidiano", que fala de seu exílio em Paris. Achei que seria uma leitura adequada nesse momento de suposta transição da ilha, ler dois relatos de Cubas diferentes. Acho que eu não podia ter feito escolha melhor de literatura. Zoé é uma escritora punk! Se eu achava Pedro Juán pauleira, nada como ver alguém de saias falando sobre Cuba. Sei que sou suspeita para defender escritoras mulheres, mas acho que quanto mais dolorosa é uma realidade, mais pungente fica a narrativa feita por mãos femininas. Mulheres possuem outra maneira de viver a dor, talvez porque é tão inerente a nossa vida. A fragilidade do sexo, que pode nos tornar cruéis e inocentes ao mesmo tempo. Independente de qualquer sentimento que você possa ter pela ilha, vale a pena ler os livros. Os dois. Um seguido do outro. 


sábado, 2 de fevereiro de 2013

OS INSTINTOS "MULHERZINHA" PARA TRABALHOS MANUAIS



Eu costumo dizer que dentro de mim mora uma Stepford Wife - referência às esposas robôs dos anos 50 no livro de Ira Lewin. Eu queria ter uma cozinha grande, com uma bancada de granito para espalhar massa de pão. Chegar de tarde e fazer um bolo formigueiro, deixar o aroma invadir a casa e passar um café fresquinho para acompanhar. A vida deveria ter bolo caseiro todos os dias. Acordei hoje com uma vontade danada de assar um bolo. A última vez que fiz isso foi um desastre. Consegui fazer a massa explodir, grudou no meu cabelo, no chão. Dois meses depois eu e a Jô ainda encontrávamos vestígios da tentativa em partes do armário. E olha que era de caixinha! Algum tempo atrás resolvi fazer cupcakes. Comprei a forma, um livro de receitas da Martha Stewart. Fiz até a lista de compras. Nunca passou disso. Tenho várias desculpas. A cozinha é pequena, não achei açúcar de confeiteiro. Verdade que nem procurei, mas não estava lá, na prateleira do Pão de Açúcar. Então não achei. Verdade também que a cozinha é pequena. Bem pequena. E eu não tenho uma bancada de granito para espalhar os ingredientes em potinhos e brincar de Ana Maria Braga. Quem nunca brincou de Ana Maria Braga!? Preparar todos os ingredientes bonitinhos em potinhos, e ir seguindo a receita como quem dá aula de culinária na TV!? Às vezes acho que deveria fazer mais coisas manuais. Decorar vasos de flores, pintar coisinhas de decoração para colocar na casa. Fazer potpourri. Arrumar um álbum de fotografias. Ser mais caprichosa. Talvez seja coisa de menina isso, né!? Quem sabe o dia que eu comprar o apartamento. Quem sabe quando abrir a cozinha e reformar a sala eu coloque uma bancada. Uma mini-bancada. Então eu fecho o segundo quarto, faço uma estante só de apetrechos. Com fitas, laços, lantejoulas, cola quente. Faça uma estante para os meus gatos colecionáveis. E um catálogo para os meus CDs. Quem sabe! Por enquanto a única coisa manual que eu faço é escrever. Sai bonitinho. Não é o tipo de coisa que se vê de relance, batendo o olho. Mas se a pessoa para e senta para ler, acha bonitinho. Quem sabe eu não faça aquele bolo com café para acompanhar!? Quem sabe!?

segunda-feira, 16 de abril de 2012

COMPROMISSO 40


Hoje eu fui colocar um shorts de corrida que comprei há exatamente um ano. Ele ficou justo. Muito justo. Só para registro esses shorts de corrida são bem folgados porque precisam auxiliar os movimentos, deixar as pernas confortáveis e livres. Há exatamente um ano meu problema era que eu tinha emagrecido demais. Então, como em um susto, engordei 10Kg que fizeram questão de preencher todo o espaço livre do shorts. Nesse tempo também eu parei com o cigarro for good, excluí baladas e vida noturna do meu estilo de vida, voltei ao vegetarianismo, intensifiquei a meditação, voltei para a yoga, para o ballet, mudei a maneira de me relacionar com as pessoas, e também as pessoas com quem eu me relaciono. Voltei a escrever literatura, e isso na verdade é a coisa mais importante da minha vida. Tenho tentando desenvolver uma atitude otimista e positiva em tudo que faço. Foram muitas mudanças, que começaram 3 anos atrás e estão culminando hoje no lugar que eu sempre quis chegar. Ou quase... Acho que todo mundo tem aquele momento em que sente que não dá para ficar mais em cima do muro. A gente vai fazendo mudanças, mudanças, até que chega uma hora que precisa assumir alguma coisa. Eu cheguei no momento de resolver esse quase. Se tem uma coisa que me deixa insatisfeita em tudo o que eu busquei e almejei transformar minha vida, é o tamanho da minha bunda. Sempre fui vaidosa e isso não faz parte das coisas que quero mudar, então resolvi que era hora de assumir de uma vez uma atitude efetiva para melhorar meu corpo e fazer com que ele acompanhe a leva de boas conquistas. Isso significa que, a partir de hoje eu vou me comprometer a escrever aqui (também) minhas ações para conquistar um corpo saudável e legal. Eu quero voltar a correr 10K sem precisar andar no meio ou ficar com a língua de fora. Eu quero controlar a asma, reforçar meu sistema imunológico. Quero que minha pele tenha mais viço e menos espinhas. Quero saber que eu estou caminhando para os 40 anos com todo o pique que eu vou precisar para fazer todas as coisas incríveis que a vida oferece. Então é isso! Nem que seja por orgulho, para não ter de vir aqui dizer que não aguentei e desisti, eu vou contar aos poucos como está sendo me tornar uma mulher madura (para não dizer “envelhecer”!!!) com saúde e garantindo que esse corpinho ainda tenha muita kilometragem para percorrer.


domingo, 15 de abril de 2012

Chás, aniversários, escolhas e outras obrigações

Hoje foi um desses dias de extremos. Eu tinha o chá de bebê da Carol H. e o aniversário da Jô. A Carol H. está quase tendo o Nuno. Está linda, redondinha. Ela está apostando em tudo de radical que a experiência pode oferecer. Vai ter o parto em casa, com uma doula. Vai abolir o berço e criar o filho na própria cama, e vai adotar fraldas de pano em vez das descartáveis. Acho que se eu algum dia resolver ter um filho não vou fazer nenhuma dessas escolhas. Não são do meu perfil. Mas isso sou eu e eu nem sei se quero passar pela experiência de ter um filho. Mas existe sempre a obrigação. Mesmo que ela não seja explícita parece até que nós somos geneticamente programadas para nos sentirmos obrigadas a algumas coisas. Toda vez que eu vejo alguém da minha idade grávida ou construindo o padrão básico de família, eu fico silenciosamente me questionando: será que eu não devia estar fazendo isso também? Então duas coisas ficam muito claras para mim. A primeira é que eu não quero ter filhos. Não que eu não queira de jeito nenhum, mas que, na minha lista de prioridades, ter filhos está atrás de tantas outras coisas. E não existe uma só pessoa no mundo que realmente queira alguma coisa  e não consiga. Nenhuma! Nessa regra não existe exceção. Se você quer ter um filho, você tem. Se você quer casar, constituir família. Você faz isso. Se você quer viajar o mundo, você viaja o mundo. Se você quer ser uma vítima, você é uma vítima. Se você quer virar uma super executiva, você vira uma super executiva. Nesse sentido a vida é ridiculamente simples e pragmática. Quando você sabe o que quer, você vai lá e trabalha por isso. Conquista isso. Agora se você diz que quer casar e ter filhos, mas está beijando moleques na balada, trabalhando 12 horas por dia, tendo casos com homens casados; então está na hora de parar de se enganar e assumir suas escolhas. E quando eu paro para pensar eu vejo que eu estou colecionando carimbos no meu passaporte, eu adoro minha rotina de solteira, eu estou batalhando minha empresa. E não construindo relacionamentos sérios e planejando famílias. Então é claro que ter filhos não é o tipo de coisa que eu tenho buscado na minha vida. Não julgo ninguém. Toda vez que vou à casa da minha irmã ficou louca com a vida de mãe de três filhos dela. Amo os meus sobrinhos e poderia ficar dias com eles, fazendo de tudo. Mas não é minha escolha de vida, e eu tenho muita sorte de poder ser tia. Acho legal a escolha da minha irmã, porque ela realmente queria isso. Depois cheguei ao aniversário da Jô e a primeira pessoa que eu vi foi a MH, com a Olivia. A MH é outra pessoa que fez uma escolha e teve o que quis. Ela queria ser mãe e formar uma família. Ela casou com um cara muito legal, teve uma filha linda, e eu pude brincar de tia mais uma vez. Deixar Olivia usar meu colar, correr, carregar no colo, apertar. E depois que a Olívia foi embora, porque as escolhas da mãe dela são outras, eu fiquei conversando com as meninas e o assunto que surgiu foi de como a gente acaba se sentindo pressionada a seguir esses padrões. Ou porque você está solteira aos 35 anos e sem um pingo de vontade de namorar com ninguém. Ou porque você casou, mas não quer necessariamente ter filhos. Ou porque você mora junto com o seu namorado e agora se espera que você cresça e multiplique-se como diz a Bíblia. Nessas horas é muito fácil perder o foco das coisas que você realmente quer e, assim como muita gente acaba dando atenção para carreira e baladas quando no fundo realmente gostaria de estar formando uma família, outras acabam cedendo às pressões de famílias e amigos e construindo uma família (que até vai ser amada) mas está muito longe de ser ambicionada. Então chego a segunda conclusão sobre o assunto. Eu não “devo” nada. Eu não deveria estar namorando, ou casada ou tendo filhos. Eu não tenho obrigação de seguir nenhum padrão ou plano de vida. Porque a vida é minha e sou eu quem vai viver essa história. E quanto mais pouco convencional for suas escolhas, mais difícil de se manter no foco. Os períodos de insegurança e dúvidas são muitos, afinal tem um batalhão lá fora dizendo explícita ou subliminarmente o que se “deve” fazer. Quando eu fico muito entediada eu tendo a pensar em parar com tudo, casar e ter filhos. Mas isso é interessante! Eu nunca penso nessas coisas como um grande sonho ou objetivo. Mas como um “prêmio de consolação” da vida quando eu estou preguiçosa demais. Então é isso. Seja lá qual for a sua escolha, e em que termos, a sua vida é exatamente o resultado dela. Fazer escolhas por achar que deve ou por algum sentimento de obrigação é uma das coisas mais estúpidas que existe. Ao final da jornada a única pessoa que pode se arrepender de alguma coisa é você mesma. 

terça-feira, 22 de novembro de 2011

UM, DOIS, TRÊS INDIOZINHOS...




Sou viciada em séries. Não é segredo, é assumido. Não tenho nem um pingo de vontade de me recuperar. Pelo contrário. Analiso roteiros, vejo e revejo. Das minhas séries favoritas está “24 Horas”. Assistia cada temporada em uma sentada no final de semana. Aquele som do relógio correndo antes de cada intervalo e nos finais dos episódios. Era eletrizante! Até o dia que você acorda e aquele barulhinho está dentro da sua cabeça.


Pois é... nunca achei que aconteceria comigo, mas aconteceu. Eu tive a crise do relógio biológico (ou ainda estou tendo, vai saber!). Eu achei que esse tipo de coisa não acontecesse comigo. Ganhei uma gargalhada do meu terapeuta até. Nem sei como explicar o que acontece, ou com acontece. Mas um belo dia parece que todas as escolhas que você fez na vida estão erradas. E sua mente se enche de questões como “E se não der tempo?”, “E se eu não encontrar um grande amor?”, “E se eu nunca formar uma família?, “E se eu nunca tiver filhos....”


Pior que não existe resposta para perguntas como essas. Então eu me guardei. Fechei em casa. Reclusa. Comi muito mal coisas que engordam muito. Parei de meditar. Parei de malhar direito. Parei até de ter vontade de trabalhar. Minha única vontade é ficar fechada em casa e dormir. Pensar que talvez a vida possa dar um pause para o intervalo. Me deixar correr e pegar algo na geladeira, fazer xixi enquanto os fatos não voltam. Não se faz muito com uma Crise do Relógio Biológico. Não é algo que você seja capaz de resolver. Ela existe, e é isso, e ponto.


Antes que eu começasse a tomar aquelas atitudes de desespero como, aceitar blind dates pela internet, procurar ex-namorados, comprar um cachorro, dar chance para os losers pegajosos que a gente sempre ignora. Antes que eu perdesse todo o senso, deixei bem claro para mim mesma que nenhuma dessas opções iria resolver as coisas para mim. Talvez resolva para outras pessoas e elas consigam se acomodar com a primeira opção que apareça. Se não tem tu, vai tu mesmo. Mas para mim nunca vai resolver. Se eu tomei as decisões erradas? Não vou saber. Foram as decisões que eu tomei.


Então eu resolvi seguir minha vida. Ir para a aula de ballet. Trabalhar, ver meus amigos. Coisas de gente normal. Cheguei feliz na academia semana passada, para fazer todos os exames ergométricos. Estica para ver a flexibilidade. Boa. Flexão no chão. Circunferência abdominal. A coluna um pouco torta. Então o médico me pergunta, “Você está com 35 anos, é isso?”. É isso aí! 35 anos. “E pretende ter filhos?” (Peraí, com quem você andou falando?) Respondi sim. Respondi meio como quem não quer responder, porque tem vergonha da resposta que pode dar. “Entendo. Então eu aconselharia a senhora a fazer um exame de triagem ovular... para verificar se os seus ovários ainda estão produzindo.” (Cuma???) “Dependendo do resultado, a senhora pode considerar congelar seus óvulos.” Bang! Como toda boa série, sempre uma virada no terceiro ato. Peguei a guia do exame, saí atordoada para o ballet. Existe aquele dia que você acorda e as pessoas te perguntam se você não quer congelar seus óvulos. Assim. Tão rápido. Outro dia mesmo me diziam que eu era jovem, e tinha tanto tempo, e que podia fazer tantas coisas. Quando foi mesmo que isso aconteceu?


Agora o episódio acaba. O som da contagem segue, e o relógio fecha a hora. Será que eu devia congelar meus óvulos? Parece tanta estupidez! Mas será que essa também não pode ser uma decisão errada que eu estou tomando agora... e que eu me arrependa quando não houver mais nada que eu possa fazer?

domingo, 24 de julho de 2011

REHAB

Eu fiquei muito triste hoje com a notícia da morte da Amy. Eu estava organizando meus livros em ordem alfabética na minha estante nova, quando ouvi no rádio. Morte anunciada. Todo mundo sabia que era questão de tempo que algo assim acontecesse. É como parente velhinho. A gente sabe que vai a qualquer momento, mas quando vai... É triste. Ver alguém tão talentoso ter uma morte idiota. Eu acho que todo mundo deveria morrer dormindo. Velhinho. Cansado, cheio de lembranças. Rodeado de gente. Cheio de amor. Eu sou caretinha, tradicional. Para mim as pessoas deviam nascer, crescer, se reproduzir e morrer. Daí quando o script é outro eu sinto pela pessoa. A Amy era uma garota com um dom incrível. A primeira vez que ouvi o CD dela foi um alívio. Um frescor no meio de uma geração que parecia afundar em fórmulas comerciais e medíocres. Então tinha essa garota cantando com o útero na voz, e isso é bonito, né!? É algo que me emociona. Mas essa garota devia ter vivido mais amor, ter construído uma família. Ela devia ter visto seus filhos crescerem e descobrirem o mundo. Ela devia ter envelhecido até ver a nova geração se reproduzir. E descobrir a maturidade. As limitações naturais do corpo. O desafio de envelhecer. Devia ter acumulado sabedoria e multiplicado sua obra. É isso que as pessoas deviam fazer. Não apenas ela, que era famosa e por isso mais exposta. Mas eu acho que todo mundo devia fazer isso. Porque eu acho que o maior barato da vida é passar de cabo a rabo, e experimentar cada etapa da jornada. Refeição completa. Aperitivo, couvert, entrada, três pratos harmonizados com vinho, sobremesa, licor e café. Eu acho que todo mundo tem talentos extraordinários. Mesmo que nunca ganhe um Grammy por isso. E ver qualquer pessoa desperdiçando a vida me deixa triste. Eu nunca entendo que tipo de sofrimento faz com que as pessoas queiram passar mais tempo anestesiadas por drogas do que de olhos bem abertos vivendo tudo. Mas a gente nunca vai saber o que é estar na pele daquela que precisa se anestesiar. É engraçado isso. Tanta gente querendo ser extraordinário na vida, mas parece que os mais “extraordinários” são aqueles que mais sentem necessidade de não sentir nada. Hoje eu trabalhei, levei meus sobrinhos na Feirinha da Benedito Calixto, comi em barraquinha com amigos queridos, inaugurei minha máquina de café nova. Então eu fui à padaria, comprei pão, leite e manteiga. Sentei com o Ozzie e ficamos horas conspirando sobre nossa pequena empresa. Cozinhei, limpei a cozinha, lavei roupa. Já meio tarde da noite, eu sentei na sala e assisti a novela que estava gravada. Mandei email para o meu príncipe, e quando eu já estava tomando banho, me flagrei pensando “Como eu gosto da minha vida como ela é hoje”. Simples assim. Comum. Cotidiana. Sem grandes eventos sociais. Sem acontecimento de mudar o curso da história. Gosto de saber que minha vida não é extraordinária. Que eu não vou revolucionar nada, nem sair na capa da revista, nem ganhar um Grammy. Gosto de pensar em reciclar o lixo, em procurar o fecho do brinco que caiu no chão, na taxa de colesterol. Não sei se isso me livra de ser encontrada no chão da sala com overdose algum dia, mas com certeza é uma vida que não me faz ter vontade alguma de me anestesiar. É uma vida inteira. De verdade. Ser humana, estar viva, já é algo extraordinário o suficiente para mim. Durante muito tempo eu tive tanto medo de ser comum que não prestava atenção na parte mais extraordinária da vida. Aquela em que nós apenas somos. Eu fico triste que a Amy não tenha conseguido enxergar isso. Não apenas a cantora excepcional (que talvez tenhamos que esperar uns 30 anos para surgir outra igual), mas o ser humano com um potencial ilimitado de amor que todos somos. Como eu disse, é muito triste ver alguém tão talentoso ter uma morte idiota. Eu escolhi viver minha vida comum, cheia de talento, na esperança de encontrar a morte dormindo, velhinha, de forma extraordinária.


quarta-feira, 4 de maio de 2011

HAPPY AUDREY!



Happy Audrey to you!
Hoje seria o aniversário da Audrey Hepburn. A garota que se achava feia, desengonçada, mas conseguiu usar tudo isso a seu favor e até hoje é um ícone de estilo e elegância. Quem me conhece sabe que eu sou uma Audrey girl. Existem garotas que são Marilyn, outras são Jackie. Garotas Imelda. Conheço umas que até são Amy (Winehouse!!!). Mas eu sou Audrey. Então sinto que hoje eu mereço um presente de aniversário também. Vale rever post que fiz em Londres no ano passado: What would Audrey do? e flute de champagne no final do dia.
Happy Audrey to me!

ESSE NEM IMELDA TEM!

Vai para o rodeio e não sabe onde colocar o dinheiro? Baile Funk e não quer dar bandeira com a camisinha? Pensando em encarar a "Reiver" e não tem onde enfiar o absorvente? Balada? Barzinho? Compras na 25 de março? Seus problemas acabaram!


(Só para registro. Sou doente por sapatos... mas NUNCA tanto assim!)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

YOURWEDDING.COM

Eu já estou com diabetes com esse papo de casamento para todos os lados. Quando eu acho que vou cortar os pulsos e assinar o atestado de cética forever, trombei com esse vídeo no blog da Espaço Fashion. É um vídeo da Ashley Meaders, que é designer, produtora, videomaker e garota plural. She makes stuff! Eu acho que se a Kate tivesse esbarrado nesse site aqui teria feito um casamento bem menos tradicional. Mas como ninguém aqui precisa seguir protocolo real, vale a pena anotar o endereço na agenda e inventar qualquer evento para contratar a moça e se deliciar com o que ela pode inventar para a gente. Tudo tão criativo, fofo e despretencioso. Com uma cara danada de "mim qué muito".


Max, Margaux, & The Marvelows from Shark Pig on Vimeo.

quinta-feira, 17 de março de 2011

GREY SCALE

O que mais me dói o coração é que eu amo esse blog, e não tenho conseguido escrever com a freqüência que eu costumo e gosto. Se eu estou homeless? Sim. Ainda. Juro que é tarefa hércula alugar apartamento em Sampa. Alugar qualquer lugar teria sido fácil. Mas como eu quero dar uma assentada, não quero alugar qualquer lugar. Também estou em vias de comprar carro. De começar faculdade. De fazer curso. De fechar trabalho. Tudo, o ano inteira começando de uma vez logo após o carnaval. Eu amo! Ontem fiz Dia da Noiva. Eu acho que pelo menos uma vez por mês é legal desligar tudo e tirar um dia pra gente. É saudável, é produtivo e deixa a pele macia. Então terça à noite, depois da aula de Escrita Criativa (de volta ao meu querido grupo com a Noemi Jaffe), eu fui encontrar a Cí e a gente acabou com uma garrafa magnum de um vinho maravilhoso que o Edu me deu para experimentar. Imagina o estrago. Um litro e meio de vinho dividido por duas. Acordei tarde, fizemos café da manhã prolongado, daqueles que se fica horas na mesa de pijama falando todos os tipos de bobagem para começar o dia. Na hora do almoço fui para o Kabanah Spa experimentar um cupom que tinha comprado em novembro. Amei! O lugar é todo decorado com temática praia, os bangalôs super charmosos. Fiz massagem indiana, cromoterapia para alinhamento dos chakras (o que foi divertidíssimo já que eu sentia meus chakras tortos igual a coluna do Smeagol) e reike para terminar. Eu amei tanto que quase pulei no colo da massagista no final de felicidade. Depois fui comer um sashimi (minha contribuição fútil às vítimas do terremoto e do tsunami), fazer as unhas, hidratação, cortar o cabelo. Dia da noiva completo. Como cereja do bolo, passei para umas comprinhas básicas no Iguatemi. Mas pera lá! Nada de grandes marcas porque o orçamento não permite. Gostoso mesmo é garimpar achados em lojas de departamento depois de um dia desses. E eu achei. Uma saia lindinha, que já descosturou hoje cedo assim que eu saí do carro. Coisas da vida. Futilidade incrível eu sei. Passar a quarta-feira inteira assim. Mas eu sou da opinião que não tem como ser profunda sem dar essas piradas de vez em quando. Que equilíbrio é saber que existe o preto, o branco e uma infinidade de tonalidades de cinza no meio. E no caos que (ainda!) está minha vida, é bom saber que ainda existe respiro, existe prazer e ainda sou mulher.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

SAMBA CALCINHA

Como 90% das minhas roupas ainda estão encaixotadas esperando eu finalmente assinar um contrato de aluguel, eu tenho usando mais ou menos a mesma dúzia de roupas no último mês. Hoje cedo eu abri a mochilona e a única coisa que tinha para colocar era um soutien horroroso que eu comprei antes de ir para a Europa. Ele é super confortável, ótimo para mochilar ou fazer trilha, mas juro que podia estar na gaveta da minha avó. Situação complicada essa. Embora ninguém esteja vendo meus soutiens ultimamente, dá uma deprê. Fiquei me sentindo tão anti-sexy. Sentei agora em frente ao computador e resolvi entrar no site da Dani, o Samba Calcinha. Conheci a Dani por intermédio da Cí nesse final de semana. Dani é uma fofa, querida, linda e mega talentosa. Dona de uma confecção de lingeries super descoladas, daquelas que fazem a gente se sentir mulherzinha e não figurante do filme "Bruna Surfistinha". As peças são feitas à mão, com estampas exclusivas e em pouquíssimas quantidades. Ou seja, a possibilidade de você cruzar com alguém usando a mesma calcinha no vestiário da academia é de 2 em 19 milhões. J Quem mora em Sampa pode dar um pulinho no atelier dela na Vila Madalena, tomar um café e escolher uma sacolada de peças. Para quem mora longe, ela vende por site e entrega na sua casa. Eu pirei nos soutiens (que de vó não tem nada) coloridos e sem bojo. A coleção é super democrática. Atende as guerreiras de plantão (com os irresistíveis porta-camisinhas), e as que já penduraram as chuteiras, (uma linha toda de gestantes e pós-parto). O link da Samba Calcinha está aqui e eu roubei algumas fotinhas que seguem abaixo.
 O porta-camisinhas que é um charme,
 calçola de tule super girlie,
o suti dilícia, mim qué!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

CISMINE NEGRO


Quando eu era pequena uma das minhas histórias favoritas era a do “Patinho Feio”. Não tanto pela transformação do pequeno e feio patinho em um lindo e elegante cisne (eu era pequena e não conseguia dizer “cisne”. Sempre dizia “cismine”). Mais pelo sentimento de inadequação do patinho que ia descobrir depois que estava na família errada. Eu entendia aquele patinho. Às vezes não era uma questão de ser feio, apenas de estar no ambiente errado. Talvez por isso eu tenha passado a minha vida procurando a minha turma. Há três semanas atrás eu assisti “Cisne Negro”. Três motivos para não perder esse filme nem se fosse sexta-feira, véspera de feriado, com tempestade na Rebouças: Ballet. Natalie Portman. Os figurinos. Ouvi algumas pessoas falando mal desse filme. Muitos homens. Talvez seja um filme feminino demais. Toda menina já quis ser uma bailarina. Já ensaiou passinhos na ponta dos dedos com os bracinhos levantados. Acho que toda menina em algum momento da vida se derreteu com um par de sapatilhas. Mesmo que hoje elas sejam Marc Jacobs e cheias de tachinhas. Existem coisas que só sendo mulher mesmo para entender. A gente passa vontade do nosso doce favorito só porque enxergamos coisas que ninguém mais enxerga no espelho. A gente esconde defeitos invisíveis embaixo da roupa. Passa uma cor de batom diferente para tentar ser outra pessoa. A pressão em ser perfeita. A disputa. A constante ameaça de nós mesmas. Como ser cisne em meio a patos? Faz três semanas que eu tenho pesadelos todas as noites com esse filme. E juro que durante o dia sinto as penas brotarem na minha pele. Coisa de louco mesmo! Uma parte da minha pele está com a mesma textura da personagem da Natalie Portman. Coça, enche de bolinhas. E eu escondo das pessoas durante o dia. Claro que é só uma alergia. Vou passar muita pomada e me entupir de Allegra e vai ficar tudo bem. Ainda assim, não consigo deixar de pensar que vou virar um cisne de verdade. Desde que voltei das viagens estou tentando virar cisne. Trabalhando 12 horas por dia tentando organizar o caos que a minha ex-assitente deixou o departamento. Tentando ganhar um pouco de peso para parar de ouvir as pessoas me chamarem de cadáver. Passando por um momento vegetariana. Procurando um apartamento perfeito. Tentando ser uma boa tia, uma boa filha, uma boa irmã. Tentando virar uma Bresson da fotografia. Fracassando retumbantemente em tudo isso. Me sentindo culpada por ter deixado o blog abandonado, por ter me afastado dos amigos, por não conseguir escrever um email decente para meus amigos além mar. Coçando o meu pulso embaixo da mesa para ver se sai alguma pena. A lista é infindável e eu sei. Só eu vejo. Ser perfeita é uma loucura. A gente nunca vai chegar lá. Nunca vai deixar de tentar também. Porque somos meninas, e meninas fazem essas coisas. Apesar da dor, da loucura, da crueldade, a gente espera um dia virar cisne. Acho que o segredo é aceitar que é assim e não fazer muito drama com isso. Eu continuo meditando todos os dias. Talvez isso me ajude a me afastar um pouco das cobranças. Talvez me ajude a ser uma pessoa melhor (IHHH! Mas isso também não faz parte da busca da perfeição? Ser desencanada, saber não se deixar levar pelas cobranças sociais também não é uma cobrança social hoje?). Eu sonho com cisne todas as noites. O que vai me trazer tudo isso? Talvez nada. Do mesmo jeito que não me traria nada a perfeição. De resto decidi. Vou voltar para o ballet. Jogar minha obsessão de perfeição em algo produtivo. E acho que já decidi também minha fantasia de Carnaval.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

DOIS X

Ando pensando muito em como ser mulher é uma coisa definitiva. Não na questão óbvia e imutável dos dois cromossomos X. Mas em como sua vida está subordinada irremediavelmente a essa condição. Essa semana fiz exames ginecológicos de rotina, mamografia e fiquei menstruada. Isso significa uma série de procedimentos bem invasivos e pouco confortáveis. Meus seios foram achatados e massacrados em um aparelho enquanto eu gritava “Ui! Ui! Ui!”. E homem ainda reclama de exame de próstata. Só porque o médico precisa enfiar um dedo em algum lugar pouco confortável. Em mim enfiaram, além do dedo, um espéculo, dilataram, jogaram líquidos que ardiam, passaram gaze, recolheram secreções, tiraram fotos e filmaram. Depois foi a TPM. Os hormônios todos brincando de ping-pong com o meu humor. Eu comendo todo o chocolate possível e imaginável em um raio de 30Km. E agora vou ter de sangrar por uns dias e fingir que nada está acontecendo. Essas são questões biológicas. Básicas. Imutáveis. Fazem parte dos dois X no meu DNA. Tudo isso é chato mas faz parte. Tem uma função na roda da evolução. Está determinado desde que eu nasci, o médico bateu no meu bumbum, eu comecei a chorar e ele sentenciou “It´s a girl!”. A partir dali todo mundo sabia que seria assim. O que eu tenho pensado é no outro lado de ser mulher. No que não está determinado por cromossomos, mas ainda assim foi sentenciado no mesmo momento do tapa no bumbum. Tenho pensado em como a minha opinião vai ser sempre levemente subjugada por causa do tal cromossomo X. Como vão sempre me olhar com cara de espanto por eu viajar sozinha. Como eu vou sempre ser uma presa mais apetitosa para violência urbana. E as exigências estéticas da sociedade serão muito mais enfáticas. Como as decisões que eu tomar nessa fase da minha vida (casar, não casar. Ter filho, não ter filho. Fazer ginástica, não fazer ginástica. Etc...) são muito mais determinantes do que se eu tivesse um cromossomo Y. Essa semana tive uma reunião com um advogado que acabou de ter seu primeiro filho. Ele pediu para fazermos a reunião no café ao lado da casa dele, e lá estava ele com o bebezinho fofo de tudo enquanto discutíamos os procedimentos legais para a abertura da associação. O bebê chorou durante quase toda a reunião e por diversos momentos tivemos de fazer algumas pausas para ele ninar a criança. Claro que eu acho lindo pessoas com bebês, ainda mais os recém-nascidos. Nas mesas ao lado todo mundo olhava com ternura. Que louvável um homem fazendo papel de pai! Eu fiquei pensando. Se eu tiver um filho, e marcar uma reunião do lado de casa, e levar meu filho para a reunião. As pessoas vão achar louvável também? Será que vão enxergar como sinal de fraqueza? Será que vão achar apropriado? Será que a tolerância das mesas ao lado seria a mesma se meu filho começar a chorar? Não acho que o advogado esteja errado, pelo contrário. Acho que as mulheres deveriam poder fazer as mesmas coisas sem serem julgadas silenciosamente. Sem receberem olhares atravessados. Sem temerem pelos seus empregos. E se eu resolver não ter filhos agora, é algo que vai determinar o resto da minha vida. É uma escolha imutável. Eu não vou poder arrumar um cara de 30 quando eu tiver 56 anos e resolver engravidar. Não funciona do jeito inverso. E se eu ficar careca e barriguda, dificilmente isso será visto como sinal de seriedade e maturidade. As minhas relações românticas serão sempre regradas pela minha capacidade de me fazer levemente menos inteligente do que a pessoa com cromossomo Y que estiver ao meu lado. E mesmo eu sendo mais eficiente e produtiva, ainda será considerado futilidade os sapatos que eu compro. Mesmo que custem muito menos do que a motocicleta, o capacete e outros apetrechos dos hobbies dos cromossomos Y. Essas são apenas algumas coisas que foram determinadas quando o médico me deu um tapa na bunda e que não são naturais. Não são biológicas. Não são como TPM. Mas que é preciso lidar e de preferência de boca fechada. Não quero fazer apologia feminista aqui. Estou apenas refletindo e tentando entender. Porque tem coisas que eu sinto na pele, que nem consigo imaginar como mudar. Tem coisa que é biológica e eu não quero mudar. É como me imaginar sendo oriental ou negra. Não consigo. Mas todas as outras, que não estão em nenhum dos milhões de cromossomos do meu DNA. Essas são difíceis de entender.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

UM DIA DEFINIDO PELO XIXI

Hoje acordei bem cedinho. Eu tinha o dia todo muito bem planejado. Pegar os museus logo cedo, almoçar pelo centro histórico, alugar uma bicicleta e pedalar até o outro lado da ponte e pelo bairro da universidade. Depois eu ia sentar em um café e ler meu guia da Holanda. Gosto de fazer assim. Comprar o Lonely Planet antes de ir para o país. Ler tudo o que me dá vontade. Dobrar as orelhinhas do que eu quero ver. E chegando ao país eu esqueço o guia e vou seguindo conforme dá vontade. Só que comigo sempre que eu tento controlar, sempre que eu tento planejar demais, dá tudo errado. Então hoje eu acordei, fui fazer xixi e... senti uma ardência. Qualquer mulher com mais de 30 anos já passou por isso pelo menos uma vez na vida. Cistite! A famosa infecção urinária, que vem do nada, ninguém sabe direito porque (no meu caso até sei), e é bem chatinha. Eu estava pesquisando no google sobre sintomas e tratamentos, e tinha um site enumerando quais as possíveis causas de uma cistite. Número um: “ser mulher”. Pois é. Ano passado tive duas vezes. Meu médico me explicou que a maneira como o corpo da mulher foi concebido favorece. A uretra do homem é muito mais longa e por isso os casos de cistite neles são mais raros. Anyway. Como minha uretra é curtinha, acordei e senti o xixi arder. Ontem eu estava dizendo que me preparei para tudo nessa viagem. Tudo mesmo. Antes de sair do Brasil minha médica me passou uma lista super “drugstore cowboy”. Tinha inclusive um antibiótico para o caso de uma cistite no meio do caminho. Que eu, talvez por burrice ou talvez por otimismo, deixei junto com a minha bagagem na casa da Carol em Portugal. Não achei que ia perambular por meses e precisar de um antibiótico. Então comecei a levantar minhas alternativas. Ignorar e não tomar remédio é a menos inteligente das alternativas. Todo mundo sabe que se a bactéria subir para o rim, a infecção se alastra e vira uma nefrite. Daí sim dói para burro e se tem um problema de verdade. Hum! Se fosse no Brasil eu só precisava do nome do remédio e compraria em qualquer farmácia. Fiquei ponderando as possibilidades de comprar um remédio regulamentado sem receita médica e sem falar alemão em uma farmácia de Colônia. Pois é. Talvez não seja das melhores opções também. Então fui para a terceira alternativa (porque a pessoa é preguiçosa e já foi loira). Ativar meu seguro viagem. Em quinze minutos um simpático atendente falando português com aquele sotaque gostosinho de gringo que troca todos os artigos, me passou o contato de uma médica do outro lado da rua do meu hostel, avisou que eu não precisaria pagar pela consulta e que eles me reembolsariam depois pela medicação (olha só!). Lá fui eu na médica alemã. Imaginando que tipo de mímica eu deveria fazer para explicar o que eu tinha caso ela não falasse inglês. E não é que a médica alemã era na verdade romênia e não falava inglês. Mas falava francês, e eu fiquei bem feliz de ter estudado línguas na minha vida, porque mesmo a versão Tarzan me deixou bem confortável de que ela não erraria o diagnóstico e me daria um remédio para bicho de pé. Eu fiquei na sala de espera um tempão lendo meu guia da Holanda e tomando água, porque “je n´avais pas beaucoup du pipi pour l´examen clinique” e saí de lá com uma receita de antibiótico. Depois de toda a maratona, meus planos de pedalar e explorar bairros já tinham passado do meio dia. Acho que antes eu ia ficar bem mal-humorada. Eu ia acabar me trancando no quarto ou passar o resto do dia reclamando que meu dia estava arruinado, e que meu final de semana seria arruinado pelo remédio. E daí sim eu perderia meu último dia em Colônia. Mas como eu não sou a pessoa que eu era ontem. Muito menos a pessoa que eu era há 8 meses atrás, ou um ano atrás, eu já aprendi que a vida sabe mais das coisas do que a gente. Então eu aceitei. Aceitei o dia com cistite, com a manhã passada em um consultório médico. Com jejum forçado até o meio da tarde. E fui andando até o centro histórico. À pé mesmo. Olhando vitrines. Procurando um presentinho para a Erna que vai me pegar na estação de Rotterdam amanhã e me hospedar por uns dias. Comi donuts, daqueles que lambuzam os dedos, e fiquei horas em uma exposição fantástica no Museum Ludwig. Pop Art (que eu AMO AMO AMO!!!), muita video-arte, algumas instalações, uma exposição especial de Lichtenstein (que me deu uma perspectiva totalmente diferente dele) e uma delícia de exposição de “La Bohème” com fotos eróticas do início do século XX (que eu sou completamente apaixonada), entre outras coisas. Vi o pôr do Sol na ponte, linda, toda pendurada de cadeados, e voltei sem rumo, deixando o caminho me levar até em casa. Ainda tropecei em um restaurante vietnamita e comi muito bem. E muito barato. Chegando no quarto, sentei na cama e consegui uma milagrosa unha francesinha enquanto conversava com a Cí pelo skype. Ando tão feliz. Essa coisa de a gente ser responsável pelo nosso estado de espírito é uma puta descoberta. Dá um alívio. Saber que meu dia só vai ser um mal dia se eu deixar. Se eu quiser que ele seja. Se eu escolher. Mesmo que nada esteja sob meu controle. Mesmo que nada saia como o planejado. Mesmo que eu acorde com o xixi ardendo. Agora à pouco os caras que estão dividindo o quarto comigo vieram aqui me chamar para tomar uma cerveja. Eu agradeci, usei o antibiótico com desculpa e sorri. Gentil deles me terem convidado. Mas eu acho que eu prefiro colocar Macy Gray no Ipod, desligar o computador e escrever no meu diário. Acordar bem cedo amanhã e não fazer planos nenhum.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

VIVENDO COMO MAGGIE DICKSON

Vou contar uma história que ouvi ontem. História de uma escocesa chamada Maggie Dickson. Ela era casada com um cara que não dava nenhum valor para ela. Ele era um pescador, foi o que era considerado um bom casamento para a época, e Maggie gostava de verdade do cara. Mas um dia esse cara sumiu. Desapareceu. Escafedeu-se. Largando Maggie desesperada e sem nada. A garota então mudou de cidade e começou a trabalhar em uma estalagem. Acontece que o dono dessa estalagem tinha um filho, e os dois se apaixonaram perdidamente. Amor à primeira vista. Um amor tão forte e tão intenso, que ignoraram todas as circusntâncias e depois de um tempo aconteceu o inevitável. Maggie ficou grávida. Como a situação seria um escândalo, já que ela ainda era casada, Maggie resolveu esconder a gravidez. Disfarçava com roupas, vestidos mais largos. Tanto que ninguém, nem mesmo o dono da estalagem descobriu. Maggie teve um parto prematuro e seu filho nasceu morto. Arrasada, Maggie pega o corpinho de seu filho e enterra na margem de um rio. Alguns dias depois descobrem o corpo e acabam chegando até Maggie. Ela estava encrencada. Não porque teve um filho de outro homem quando ainda era casada. Nem por ter sido acusada de matar o próprio filho. Nem mesmo por ter enterrado a criança na margem do rio. Maggie foi acusada de esconder a gravidez. Naquela época uma mulher que escondesse sua gravidez da sociedade era acusada de crime grave e condenada à forca. Foi exatamente isso que aconteceu com Maggie. Ela foi trazida para Edinburgh e enforcada em 1728 no Grassmarket. Lugar onde ficava o cadafalso e onde eram feitas todas as execuções da Escócia na época. Depois dos sete minutos habituais o corpo de Maggie foi retirado da forca, ela foi declarada oficialmente morta e colocada em um caixão para ser levada de volta a sua cidade e ser enterrada. Só que, no caminho de volta, Maggie acorda e começa a bater no caixão. Os cocheiros ficam assustados, abrem o caixão e se deparam com Maggie vivinha da silva! A única coisa que poderiam fazer era trazer Maggie de volta à Edinburgh para ser enforcada novamente (e dessa vez de maneira eficiente). Então Maggie é levada de novo para o Grassmarket, é colocada no cadafalso e quando está prestes a ser enforcada pela segunda vez no mesmo dia, alguém na multidão intervém. “Ei! Espere um pouco! Margareth Dickson foi executada e declarada morta de acordo com as leis escocesas, pelo crime de ter escondido sua gravidez.” Correto. “Só que, de acordo com essas mesmas leis, uma pessoa não pode ser condenada e executada duas vezes pelo mesmo crime.” Hummmm... Correto. Isso se chama Double Jeopardy. Então as autoridades foram obrigadas a libertar Maggie e deixá-la ir. E como ela havia sido considerada morta e as leis matrimoniais exigiam fidelidade “até que a morte os separe”, Maggie Dickson conseguiu cancelar seu casamento, se casou com o filho do dono da estalagem e eles foram felizes para sempre. Eles mudaram para Edinburgh, compraram um apartamento no Grassmarket, bem de frente ao cadafalso. Todas as vezes que ia haver alguma execução, Maggie sentava na janela para assistir. E quando o condenado tinha a corda envolta ao pescoço, ela se debruçava e gritava: “Não é tão ruim quanto parece. Eu passei por isso e SOBREVIVI!”.
Eu sou louca por histórias de mulheres. Por história de mulheres fortes. De mulheres ousadas. Principalmente de mulheres inteiras. Às vezes a melhor solução é entregar para o astral. A gente está envolvido demais para achar as melhores soluções para nós mesmos. Não importa que a gente esteja literalmente com “a corda no pescoço”. O universo sempre vai achar uma maneira simples, óbvia, fantástica para nos garantir um final feliz.