Mostrando postagens com marcador Relógio biológico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Relógio biológico. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de abril de 2012

COMPROMISSO 40


Hoje eu fui colocar um shorts de corrida que comprei há exatamente um ano. Ele ficou justo. Muito justo. Só para registro esses shorts de corrida são bem folgados porque precisam auxiliar os movimentos, deixar as pernas confortáveis e livres. Há exatamente um ano meu problema era que eu tinha emagrecido demais. Então, como em um susto, engordei 10Kg que fizeram questão de preencher todo o espaço livre do shorts. Nesse tempo também eu parei com o cigarro for good, excluí baladas e vida noturna do meu estilo de vida, voltei ao vegetarianismo, intensifiquei a meditação, voltei para a yoga, para o ballet, mudei a maneira de me relacionar com as pessoas, e também as pessoas com quem eu me relaciono. Voltei a escrever literatura, e isso na verdade é a coisa mais importante da minha vida. Tenho tentando desenvolver uma atitude otimista e positiva em tudo que faço. Foram muitas mudanças, que começaram 3 anos atrás e estão culminando hoje no lugar que eu sempre quis chegar. Ou quase... Acho que todo mundo tem aquele momento em que sente que não dá para ficar mais em cima do muro. A gente vai fazendo mudanças, mudanças, até que chega uma hora que precisa assumir alguma coisa. Eu cheguei no momento de resolver esse quase. Se tem uma coisa que me deixa insatisfeita em tudo o que eu busquei e almejei transformar minha vida, é o tamanho da minha bunda. Sempre fui vaidosa e isso não faz parte das coisas que quero mudar, então resolvi que era hora de assumir de uma vez uma atitude efetiva para melhorar meu corpo e fazer com que ele acompanhe a leva de boas conquistas. Isso significa que, a partir de hoje eu vou me comprometer a escrever aqui (também) minhas ações para conquistar um corpo saudável e legal. Eu quero voltar a correr 10K sem precisar andar no meio ou ficar com a língua de fora. Eu quero controlar a asma, reforçar meu sistema imunológico. Quero que minha pele tenha mais viço e menos espinhas. Quero saber que eu estou caminhando para os 40 anos com todo o pique que eu vou precisar para fazer todas as coisas incríveis que a vida oferece. Então é isso! Nem que seja por orgulho, para não ter de vir aqui dizer que não aguentei e desisti, eu vou contar aos poucos como está sendo me tornar uma mulher madura (para não dizer “envelhecer”!!!) com saúde e garantindo que esse corpinho ainda tenha muita kilometragem para percorrer.


domingo, 15 de abril de 2012

Chás, aniversários, escolhas e outras obrigações

Hoje foi um desses dias de extremos. Eu tinha o chá de bebê da Carol H. e o aniversário da Jô. A Carol H. está quase tendo o Nuno. Está linda, redondinha. Ela está apostando em tudo de radical que a experiência pode oferecer. Vai ter o parto em casa, com uma doula. Vai abolir o berço e criar o filho na própria cama, e vai adotar fraldas de pano em vez das descartáveis. Acho que se eu algum dia resolver ter um filho não vou fazer nenhuma dessas escolhas. Não são do meu perfil. Mas isso sou eu e eu nem sei se quero passar pela experiência de ter um filho. Mas existe sempre a obrigação. Mesmo que ela não seja explícita parece até que nós somos geneticamente programadas para nos sentirmos obrigadas a algumas coisas. Toda vez que eu vejo alguém da minha idade grávida ou construindo o padrão básico de família, eu fico silenciosamente me questionando: será que eu não devia estar fazendo isso também? Então duas coisas ficam muito claras para mim. A primeira é que eu não quero ter filhos. Não que eu não queira de jeito nenhum, mas que, na minha lista de prioridades, ter filhos está atrás de tantas outras coisas. E não existe uma só pessoa no mundo que realmente queira alguma coisa  e não consiga. Nenhuma! Nessa regra não existe exceção. Se você quer ter um filho, você tem. Se você quer casar, constituir família. Você faz isso. Se você quer viajar o mundo, você viaja o mundo. Se você quer ser uma vítima, você é uma vítima. Se você quer virar uma super executiva, você vira uma super executiva. Nesse sentido a vida é ridiculamente simples e pragmática. Quando você sabe o que quer, você vai lá e trabalha por isso. Conquista isso. Agora se você diz que quer casar e ter filhos, mas está beijando moleques na balada, trabalhando 12 horas por dia, tendo casos com homens casados; então está na hora de parar de se enganar e assumir suas escolhas. E quando eu paro para pensar eu vejo que eu estou colecionando carimbos no meu passaporte, eu adoro minha rotina de solteira, eu estou batalhando minha empresa. E não construindo relacionamentos sérios e planejando famílias. Então é claro que ter filhos não é o tipo de coisa que eu tenho buscado na minha vida. Não julgo ninguém. Toda vez que vou à casa da minha irmã ficou louca com a vida de mãe de três filhos dela. Amo os meus sobrinhos e poderia ficar dias com eles, fazendo de tudo. Mas não é minha escolha de vida, e eu tenho muita sorte de poder ser tia. Acho legal a escolha da minha irmã, porque ela realmente queria isso. Depois cheguei ao aniversário da Jô e a primeira pessoa que eu vi foi a MH, com a Olivia. A MH é outra pessoa que fez uma escolha e teve o que quis. Ela queria ser mãe e formar uma família. Ela casou com um cara muito legal, teve uma filha linda, e eu pude brincar de tia mais uma vez. Deixar Olivia usar meu colar, correr, carregar no colo, apertar. E depois que a Olívia foi embora, porque as escolhas da mãe dela são outras, eu fiquei conversando com as meninas e o assunto que surgiu foi de como a gente acaba se sentindo pressionada a seguir esses padrões. Ou porque você está solteira aos 35 anos e sem um pingo de vontade de namorar com ninguém. Ou porque você casou, mas não quer necessariamente ter filhos. Ou porque você mora junto com o seu namorado e agora se espera que você cresça e multiplique-se como diz a Bíblia. Nessas horas é muito fácil perder o foco das coisas que você realmente quer e, assim como muita gente acaba dando atenção para carreira e baladas quando no fundo realmente gostaria de estar formando uma família, outras acabam cedendo às pressões de famílias e amigos e construindo uma família (que até vai ser amada) mas está muito longe de ser ambicionada. Então chego a segunda conclusão sobre o assunto. Eu não “devo” nada. Eu não deveria estar namorando, ou casada ou tendo filhos. Eu não tenho obrigação de seguir nenhum padrão ou plano de vida. Porque a vida é minha e sou eu quem vai viver essa história. E quanto mais pouco convencional for suas escolhas, mais difícil de se manter no foco. Os períodos de insegurança e dúvidas são muitos, afinal tem um batalhão lá fora dizendo explícita ou subliminarmente o que se “deve” fazer. Quando eu fico muito entediada eu tendo a pensar em parar com tudo, casar e ter filhos. Mas isso é interessante! Eu nunca penso nessas coisas como um grande sonho ou objetivo. Mas como um “prêmio de consolação” da vida quando eu estou preguiçosa demais. Então é isso. Seja lá qual for a sua escolha, e em que termos, a sua vida é exatamente o resultado dela. Fazer escolhas por achar que deve ou por algum sentimento de obrigação é uma das coisas mais estúpidas que existe. Ao final da jornada a única pessoa que pode se arrepender de alguma coisa é você mesma. 

terça-feira, 22 de novembro de 2011

UM, DOIS, TRÊS INDIOZINHOS...




Sou viciada em séries. Não é segredo, é assumido. Não tenho nem um pingo de vontade de me recuperar. Pelo contrário. Analiso roteiros, vejo e revejo. Das minhas séries favoritas está “24 Horas”. Assistia cada temporada em uma sentada no final de semana. Aquele som do relógio correndo antes de cada intervalo e nos finais dos episódios. Era eletrizante! Até o dia que você acorda e aquele barulhinho está dentro da sua cabeça.


Pois é... nunca achei que aconteceria comigo, mas aconteceu. Eu tive a crise do relógio biológico (ou ainda estou tendo, vai saber!). Eu achei que esse tipo de coisa não acontecesse comigo. Ganhei uma gargalhada do meu terapeuta até. Nem sei como explicar o que acontece, ou com acontece. Mas um belo dia parece que todas as escolhas que você fez na vida estão erradas. E sua mente se enche de questões como “E se não der tempo?”, “E se eu não encontrar um grande amor?”, “E se eu nunca formar uma família?, “E se eu nunca tiver filhos....”


Pior que não existe resposta para perguntas como essas. Então eu me guardei. Fechei em casa. Reclusa. Comi muito mal coisas que engordam muito. Parei de meditar. Parei de malhar direito. Parei até de ter vontade de trabalhar. Minha única vontade é ficar fechada em casa e dormir. Pensar que talvez a vida possa dar um pause para o intervalo. Me deixar correr e pegar algo na geladeira, fazer xixi enquanto os fatos não voltam. Não se faz muito com uma Crise do Relógio Biológico. Não é algo que você seja capaz de resolver. Ela existe, e é isso, e ponto.


Antes que eu começasse a tomar aquelas atitudes de desespero como, aceitar blind dates pela internet, procurar ex-namorados, comprar um cachorro, dar chance para os losers pegajosos que a gente sempre ignora. Antes que eu perdesse todo o senso, deixei bem claro para mim mesma que nenhuma dessas opções iria resolver as coisas para mim. Talvez resolva para outras pessoas e elas consigam se acomodar com a primeira opção que apareça. Se não tem tu, vai tu mesmo. Mas para mim nunca vai resolver. Se eu tomei as decisões erradas? Não vou saber. Foram as decisões que eu tomei.


Então eu resolvi seguir minha vida. Ir para a aula de ballet. Trabalhar, ver meus amigos. Coisas de gente normal. Cheguei feliz na academia semana passada, para fazer todos os exames ergométricos. Estica para ver a flexibilidade. Boa. Flexão no chão. Circunferência abdominal. A coluna um pouco torta. Então o médico me pergunta, “Você está com 35 anos, é isso?”. É isso aí! 35 anos. “E pretende ter filhos?” (Peraí, com quem você andou falando?) Respondi sim. Respondi meio como quem não quer responder, porque tem vergonha da resposta que pode dar. “Entendo. Então eu aconselharia a senhora a fazer um exame de triagem ovular... para verificar se os seus ovários ainda estão produzindo.” (Cuma???) “Dependendo do resultado, a senhora pode considerar congelar seus óvulos.” Bang! Como toda boa série, sempre uma virada no terceiro ato. Peguei a guia do exame, saí atordoada para o ballet. Existe aquele dia que você acorda e as pessoas te perguntam se você não quer congelar seus óvulos. Assim. Tão rápido. Outro dia mesmo me diziam que eu era jovem, e tinha tanto tempo, e que podia fazer tantas coisas. Quando foi mesmo que isso aconteceu?


Agora o episódio acaba. O som da contagem segue, e o relógio fecha a hora. Será que eu devia congelar meus óvulos? Parece tanta estupidez! Mas será que essa também não pode ser uma decisão errada que eu estou tomando agora... e que eu me arrependa quando não houver mais nada que eu possa fazer?