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sábado, 15 de março de 2014

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Alana me chamou para um show hoje, uma amiga dela do Rio que está participando do projeto Natura Musical, a Karla da Silva. Sabe aqueles shows delícia, que você fica do começo ao fim com um sorriso na boca? O seu primeiro CD chama-se “Quintal”, e o palco estava todo decorado como se fosse o quintal de alguma casa. Tudo muito fofo e feminino, mas ainda bem contemporâneo. Gosto dessa nova safra da MPB. Uma moçada boa, fazendo música boa, e com uma energia muito boa. Minha energia que estava baixa ficou melhor. Preciso de programas assim. Andar à pé pelo centro, tomar suco natural e ouvir boa música. 

domingo, 7 de abril de 2013

1996 - 2013



1996
Eu tinha 19 anos, estava com o coração partido e fui ao Hollywood Rock ver o show do The Cure. Era uma pessoa ansiosa, queria fazer tantas coisas. Eu não sabia muita coisa da vida naquela época. Não que eu saiba muito mais agora, mas tenho uma visão muito mais real do que é a vida. Muito menos ilusões. Minha bagagem era pequena. Eu tinha muitos sonhos e planos para realizar. Queria viajar. Sonhava em ir para a Índia, mas o máximo que tinha chegado era a Disneyworld. Queria escrever, fazer cinema. Queria fazer trabalho voluntário, ser correspondente de guerra, grande executiva, mudar o mundo. Lia compulsivamente. Ia ao cinema mais compulsivamente ainda. Eu não sabia me expressar direito naquela época. Não sabia falar, opinar. Estava em metamorfose. Eu era magrela, tinha o cabelo armado. Sabia tocar os acordes de “Close to me” no piano (talvez por isso ainda hoje seja minha música favorita deles) e, durante aquele show, me apaixonei. O moço estava fascinado por mim. Era narigudo e tinha um sorriso lindo. Me levantou nos ombros, cantou “Friday, I’m love” no meu ouvido e trocamos de camiseta. Levei para casa a sua da “Física - USP”. Ainda demorei meses em uma paixão platônica até ficar com ele. Depois ficamos, desficamos. Namoramos, brigamos. Eu fui morar nos EUA, voltei. Ele foi morar nos EUA, voltou. Viramos vegetarianos. Fizemos yoga. Namoramos de novo. Até que eu parti o coração dele e ficamos anos sem nos falar. 

2013
Comprei o ingresso no primeiro dia de venda do show do The Cure. Ainda liguei para o moço e rimos como seria divertido irmos juntos nesse show 17 anos depois. Ele hoje é um amigo querido, está no segundo casamento e só não foi ao show porque acabou de ser papai. Eu dessa vez fui tranquila. Com o coração inteiro, sem nada para consertar. A tranquilidade de quem está conseguindo viver a vida que sonhou. Faço o que amo. Moro onde amo. Tenho amigos que amo e conheço muito mais do que a Disneyworld. Sem a energia que eu tinha em 1996, mas a bagagem necessária para assistir 3h30 de show sem nem me abalar. Ou talvez, abalada demais. Foi uma máquina do tempo. Uma viagem por memórias, momentos, sentimentos, tudo o que eu vivi nesse intervalo de 17 anos. Cada música que tocava era como se um flash involuntário na minha mente. Memórias de tantas coisas que fiz e fui. De tantas coisas que amei. Os anos de FAAP. As festas, os porres. As tarde chuvosas ouvindo “Lullaby”. As madrugadas dançando “In between days” e dublando a música com raiva para outro moço. Discussões ao som de “Push”. O carro cheio com as meninas gritando a plenos pulmões pelas janelas “Friday, I’m in love”. Dias preguiçosos no sofá do Alê ouvindo “The Caterpillar”. Estradas que se desenrolaram ao som de “Lovecats”. Sem querer estavam tocando a trilha sonora da minha vida. E foi uma danada de uma vida. “To kill an arab” me lembrando que eu estava sim, viva. Sempre. “Just like heaven”, “A night like this”, “Why can’t I be you”... São tantas, tantas lembranças. A gente sai pela vida com uma camiseta de um curso universitário na mão e anda tanto, faz tanto, que nem lembra onde ela foi parar. De repente, em uma noite, alguém vai jogando luzes em pontos da nossa trajetória e nos lembramos do caminho que percorremos. Do quanto nos transformamos. Aquelas músicas vão tomando um outro significado. Vão ficando impregnadas com nossas vivências. Viram um canal para tudo que construímos e amamos. Assim, quando estamos perdidos no meio de algum país estrangeiro, depois de muitos meses longe de casa e já sem nenhuma referência de quem somos; ouvir “Close to me” faz com que nos resgatemos. Vem com a memória de quem somos. No show, a voz de Robert Smith já não é mais desamparada também. É mais densa, mais encorpada, e ele não é mais capaz dos gritinhos. Mas ainda é doce. Não podemos nunca deixar de ser doces. Então, quando os acordes de “Close to me” tocaram, me dei conta que não os sei mais decór. Ainda não fui para a Índia. Não mudei o mundo. Não estava apaixonada. Ainda assim, tinha construído uma trajetória muito melhor do que tinha imaginado, descoberto novas formas de amar, de tolerar, de viver. Eu estou exatamente onde quero estar e isso me faz sentir inteira. Olhei no telão e ele sorria. De forma inédita, Robert Smith sorria. Ele também talvez não seja mais aquele garoto melancólico. Eu? Eu também sorria. 

segunda-feira, 25 de março de 2013

UM SHOW PERFEITO


Ontem fui arrastada ao Show da Bluebell e Blacktie no Auditório Ibirapuera. Não que fosse um peso para mim, mas é que passei o dia me sentindo muito mal, com dores no corpo, um princípio de gripe e a noite estava chuvosa. A vontade era continuar na cama lendo até que meu corpo fosse encontrado pela empregada na segunda-feira de manhã. Mas como já havia combinado com a Kika e ela tinha comprado os ingressos, eu me arrastei até o Ibira para não deixar ninguém na mão. Melhor coisa que eu fiz. Eu gosto da Bluebell, gosto do timbre dela. Ela consegue agudos invejáveis. Mas é uma voz perigosa, pode se tornar irritante ou enjoativa. Acho que ela sabe disso e conhece muito bem o instrumento que tem, porque o repertório que escolheu para o show é perfeito para ela. Com Cole Porter, Piaf, The Who e Nelson Cavaquinho. Ainda convidou para participações Laura Lavieri, Mariana Aydar (mega grávida) e o sempre apaixonante-casa-comigo Zeca Baleiro em versões de Beatles. Para finalizar cantou “It’s Oh So Quiet”, que foi gravada pela Bjork (foi minha mensagem de caixa postal no celular por anos), mas que parece ter sido composta para a voz dela. Some a isso que a garota é um fofa, super carismática e com presença de palco impecável e pronto. Um show impecável e um domingo que se salvou pelo gongo. A gripe acabou me pegando de verdade, ajudada pela chuva que tomei do estacionamento até o auditório. Mas junto com o chá de gengibre, mel e limão que estou tomando agora, estou também caçando o CD da parceria da cantora com os músicos do Blacktie. São dessas músicas que fazem a vida parecer mais linda e leve. :-)