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sábado, 22 de março de 2014

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Eu ando curtindo muito essa coisa de me cuidar. Estou falando das coisas básicas que terceirizamos como manicure, pedicure, massagem, hidratação. Quando era adolescente fui fazer intercâmbio nos EUA, com a Y e a MH. Lembro que as host-sisters da Y, que morava na frente da minha host-family, faziam mega produções logo cedo para ir à escola. Não estou falando de prender o cabelo e borrar a cara com batom, não. Mega produções, com cara de “vou ser madrinha de casamento”. Sem entrar na questão do bom gosto dessas produções, eu ficava secretamente pensando: “Como diabos elas fazem isso!???”. Eu mal sabia prender um rabo-de-cavalo! Esse hábito de brasileiro de consumir muitos serviços, afinal até recentemente serviços sempre foram extremamente baratos por aqui, faz com que não criemos algumas habilidades que são naturais para mulheres em outros países. Minhas amigas européias acham uma extravagância essa coisa de manicure toda semana, cabeleireiro o tempo todo. Elas se viram e fazem perfeitamente muitas dessas coisinhas que nem sabemos por onde começar. Uma tinge o cabelo da outra. É cultural. Não tem nada a ver em ter ou não condições de pagar pelo serviço. Tenho amiga que é diretora de marketing de multinacional e nunca fez manicure com uma profissional na vida. É o tipo de serviço que não passa em sua cabeça adquirir. Morando em Zúrique, na bolha do primeiro mundo, ela acha extremamente exótico quando digo que temos serviços de valet em qualquer restaurante de São Paulo. “Como assim? Você vai jantar e alguém estaciona o carro para você!?”. Me olha com cara espantada. Faz a gente questionar algumas pequenas coisas da rotina que temos como normal. Tem coisas que ainda não consigo mudar, ou talvez não faça sentido mudar. Mas hoje passei a manhã fazendo auto-manicure e pedicure. Arranquei uns bifes, mas fiquei felizona com o resultado. Rolou um sentimento meio estranho, de não dirigir até o salão, sentar nas cadeiras juntos com outras clientes, ouvir as histórias de novela e namorados que as meninas sempre contam. Mas rolou também uma sensação de liberdade, de auto-suficiência. De ter uma vida mais simples, sem precisar abandonar alguns pequenos hábitos de vaidade. 

sábado, 12 de janeiro de 2013

CONSULTA NA DERMATOLOGISTA

Eu - Doutora, eu ando com muita celulite...
Dra. - Hum!
Eu - ... Não que eu não tivesse antes, eu sempre tive celulite. Mas é que está demais. Não era desse jeito. Sabe? Não reconheço mais minhas pernas. 
Dra. - Você engordou, Adriana?
Eu - Então, engordei. 10Kg desde que voltei para o Brasil. 
Dra. - E você está namorando?
Eu - Não. Tirei um ano sabático de homens. 
Dra. - Sei... Adriana, arruma um namorado! Vai fazer sexo, que emagrece e acaba com a celulite. 
Eu - ....

Recomendações médicas, minha gente! Recomendações médicas...

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A SENSAÇÃO LIBERTADORA DE ACEITAR AS COISAS COMO ELAS SÃO


Christina Hendricks - nenhuma Miss Universo.

Eu queria ter o corpo da Gisele Budchen. Não é clichê não. Queria mesmo. Queria também a conta bancária dela, mas eu até que estou feliz com a minha. Também estou feliz com o meu corpo. É o que temos para hoje, fazer o quê!? Acho que todo mundo tem aquele desejo secreto (ou não tão secreto) de espelhar alguma insatisfação em outra pessoa. A gente queria ter o cabelo da atriz, o corpo da atleta, a inteligência da intelectual, o sucesso da celebridade, a grana da milionária. Como se a solução de todos os problemas do mundo estivessem nessas coisinhas. Nos detalhes que achamos imperfeitos. Só porque em algum momento alguém colocou um padrão e estabeleceu o que era ideal e o que não era. A gente começa a sentir necessidade de coisas que nem sabíamos que precisávamos. No final do ano passado eu tava assistindo ao Miss Universo (é público e notório que amo programas trash de TV) e acompanhando pela minha timeline do twitter. Então alguém retweetou um comentário qualquer em inglês: “Não sei porque fazer um concurso de Miss Universo depois de Christina Hendricks”. Eu sorri. Para quem não conhece, Christina Hendricks é a Joan de Mad Men (minha atual série favorita). Ela é uma bombshell, linda, voluptuosa. Uma unanimidade dentro e fora da trama. A única coisa curiosa é que Christina Hendricks é gorda. Dentro dos atuais padrões de “beleza”, ela é o que chamam de “plus size”. Sempre gostei dela. Gosto da sua interpretação bem discreta e do tom de ruivo do cabelo. Então fui pesquisar e descobri que, com 1,71m e 70Kg, embora seja considerada “melhor do que uma Miss Universo”, Christina Hendricks vive se debatendo com a mídia por causa de suas medidas. E sofreu durante o começo de sua carreira por não atender aos padrões de abdomen negativo exibido pelas Misses no concurso. Não é muito engraçado!? As mulheres que estavam se candidatando a serem as mulheres mais bonitas do universo exibem formas tão artificiais e plásticas que geravam comentários de pena e repulsa, enquanto aquela que era endeusada como uma “Miss universo óbvia”, sofre em sua intimidade porque não tem aquelas formas. Continuando a pesquisar descobri que Mariska Hargitay (a detetive Benson de L&O SVU e filha de Jayne Mainsfield) tem 64Kg. Descobri ainda que Marilyn Monroe tinha praticamente minha altura (1m66 - eu 1m68) e sofria com o efeito sanfona exatamente na mesma abrangência de peso em que eu vivo me debatendo (53-64Kg). Agora pensa aqui comigo, se é para se projetar em alguma imagem de atriz ou celebridade, porque eu queria ter o corpo da Gisele Bundchen, se eu tenho o corpo da Marilyn Monroe, a mulher mais bonita e sexy que já existiu!? Jeniffer Lopes pesa 65Kg e tem 1m64. Kate Winslet pesa 63Kg e tem minha altura, também as mesmas medidas de Marilyn. Não é mais fácil aceitar a coisa do jeito que é!? Aceitar que as pessoas são belas e especiais por serem como são!? É tão libertador aceitar as coisas como são e descobrir a beleza disso. Aceitar que seus amigos são daquele jeito, que nosso nível de genialidade é aquele mesmo. Aceitar que a cidade tem trânsito, e as pessoas não seguem muito bem as regras de civilidade. Aceitar que seus pais vão te enlouquecer de vez em quando, e a empregada nem sempre vai lavar a louça direito. Aceitar que tem dias que o texto não sai muito bem, e a gente fuma um cigarro porque deu vontade. Aceitar que nesse mundo nada é perfeito, e é exatamente na “imperfeição” que ele fica maravilhosa, intrigante, interessante, surpreendente. Brigar para colocar as coisas na idealização de uma expectativa de “perfeição” é inútil, é doloroso. Só traz sofrimento. A gente vive decepcionado. Vive reclamando que a cidade é ruim, que as pessoas são mal educadas, que os amigos pisam na bola. Para quê!? Eles são o que são. E também existe beleza nisso. Às vezes a gente precisa parar de perseguir o corpo da Gisele Bundchen, e aceitar que se tem o da Marilyn Monroe. Vamos todos concordar? A realidade é muito melhor!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

NUTELLA NOS OLHOS DOS OUTROS É REFRESCO




Chega aquele dia em que você resolve jogar a toalha. Descer do salto. Abrir mão de todo seu orgulho. E admitir que precisamos de ajuda. No meu caso vou ser muito sincera. Acordei de um transe semana passada. Engatei um ano de reflexões pessoais, com um vício maldito em um jogo estúpido online. Coisa de quem é gordo, infeliz e não tem mais nada para fazer. Verdade que eu não sou infeliz, e tenho muita coisa para fazer, mas viciei no jogo. Então você vai pensar: Ahá! Tá gorda... Não é que eu esteja gorda (afinal, quem me conhece sabe que isso nunca vai acontecer), mas existe comprovação científica das consequências físicas de Nutella combinada a horas bundando jogando besteira no IPad. Depois de exaustivas pesquisas com mulheres entre 18 e 45 anos, das mais diversas classes sociais, que foram submetidas ao hábito da inércia somado ao consumo de Nutella de colherinha concluiu-se: 80% delas culpam a TPM, mesmo não estando em TPM. 10% culparam os próprios sobrinhos. 5% culparam o cachorro. 3% desenvolveram bulimia, e apenas 2% não sentiram nenhuma diferença por se tratarem de mulheres alienígenas com alto metabolismo e que não engordam com cremes de avelã. De qualquer forma o resultado da pesquisa foi contundente: Nutella faz com que suas formas fiquem mais roliças do que o desejado. Sim! Estou roliça. Pessoalmente acredito em uma conspiração malévola da empresa fabricante de Nutella para alterar as formas das minhas nádegas. Tudo bem que não precisava ficar aquela coisa esquálida de quando eu voltei da Guatemala, mas é de conhecimento público que coxas do tamanho das de assistentes de palco dos programas de auditórios só ficam bonitas em filmes de chanchada ou gosto duvidoso (Dúvida: Ainda fazem chanchadas?). Pode ser um baita preconceito meu (e quem não tem nenhunzinho preconceito, que atire a primeira pedra), só sei que a coisa não está legal. Sábado à noite fui parada por um bêbado na rua para elogiar minhas formas, caminhões de feira adoram buzinar quando estou andando na calçada (mesmo que eu esteja vestindo tailleur e com cara de brava), e ontem um morador de rua não sossegou enquanto não amarrou um balão de gás no meu pulso. De presente. Nutella deixa nossas curvas mais populares. Faz a gente cair no gosto do povo. Ganhar assobio na frente da obra, e ouvir na calçada do Trianon um cantado “Ô lá em casa!”. O que me levou a conclusão de que é uma grande injustiça da mídia nacional ao apelidar de frutas as mulheres roliças que tanto fazem nossos homens salivarem. Mulher melancia, mulher maçã, mulher jabuticaba. Meus senhores! Nenhuma dessas mulheres comeu melão ou banana com aveia para alcançar aquelas curvas. Vamos falar a verdade: estou virando a Mulher Nutella. Daquelas mulheres que passam bem longe da Vogue e se encaixam melhor em folhinhas de borracharia. Deus do céu! Como minhas ambições passam longe da exposição do corpinho em cadeia nacional, e eu sempre fui muito mais Audrey Hepburn do que Marilyn Monroe, tá na hora de assumir o problema, parar com a negação e procurar ajuda. Ah, principalmente: Jogar a Nutella fora! Portanto amiguinhos, vale tudo. Convite para corrida de rua. Indicação de nutricionista. Parceria para passeio de bike. Programa de trekking em montanha. Escalada em parede de alpinismo. Mergulho no final de semana. Dupla pra jogo de tênis. Companhia para massagem modeladora. Endereço de spa. Convite para jantar folhas e, principalmente, não me deixar voltar a fumar. Podem até dizer que eu estou bonita e estou bem e que "para-de-besteira-adriana-você-está-ótima, mas no fundo, quem passa o dia inteiro nesse corpo sou eu. E sou eu quem precisa se sentir bem. 

terça-feira, 25 de setembro de 2012




Corridinha depois de meses sem participar de uma. Na minha camiseta estava escrito “Eu corro por mais AMOR”. Haviam camisetas com Solidariedade, Amizade, Paz, Igualdade, Respeito. O minha caiu justamente a “mais AMOR”. O amor me persegue. Acho bom, porque eu também persigo ele. Então eu larguei, percurso de 7K delícia, saindo do Parque das Bicicletas até o Shopping Eldorado. Eu ainda mal ganhando a República do Líbano, no primeiro kilometro e... TIBUM! Sem água. Pisei em falso em um desses olhos de gato da rua e me estabaquei no chão de asfalto. Senti a palma da mão ralada. Uma dor excruciante no tornozelo esquerdo. Parei, tirei o tênis. O pessoal do apoio chegou de bicicleta. Passei gelol, alonguei. Acho que dá para continuar. Se inchar eu paro. Continuei. Me senti guerreira. O corpo já estava quente, então foi fácil não sentir muita dor. Manquei em alguns trechos, andei em outros. No último kilometro a coisa pesou. O andar leve claudicante deu lugar para uma dessas cenas que a gente vê em final de maratona nas Olimpíadas. Cruzei a linha de chegada arrastando a perna, fazendo caretas e imaginando “Carruagens de Fogo” na minha cabeça. Tantan tantanrantãããã! Me sentindo o próprio exemplo da força e da perseverança do esporte. A própria Gabriela Andersen-Schiess. Preparando meu discurso para o Fantástcio. Mas ninguém me deu bola. Sai da linha de chegada e fui direto para o posto médico. Ganhei um saquinho de gelo e um aviso de castigo. Conforme o tornozelo esfriava, as lágrimas desciam pelo meu rosto. Dói, mas não inchou. Cheguei em casa, fiz mais gelo. Enfaixei, tomei antiinflamatório. A dor passou. Pensei que estava tudo bem. Pensei que dava para ver o timão jogar tomando cerveja no Filial, e ir para o aniversário de 10 anos do Bar da Dida, e falar um monte, dar risada, andar para lá e para cá. Até fiz sala para o ex-namorado que resolveu passar férias no Brasil (isso porque estamos os dois muito bem resolvidos, obrigada!). Então, ontem de manhã, o tornozelo parecia uma bola de baseball. Ou melhor, de tênis. Não tenho nenhuma familiaridade com bolas de baseball. Cancelei compromissos, botei o pé para cima. Assustei. Não é que eu sinta dor mais, só que os movimentos estão limitados e parece que sempre vou puxar de mais alguma coisa. Suspeitei que não poderia fazer ballet essa semana. Suspeitei que não poderia correr. Fui hoje ao médico. Ganhei elogio pela corrida. Ganhei puxão de orelha por não ter parado e por não ter ficado quietinha. Tiramos uma “chapa”. Boas notícias. Lesão nível 1. O médico vira e diz: “quatro semanas de repouso”. Respiro fundo, puxo a bombinha de asma, e respondo:


- Ok, doutor. Só quero te pedir umas coisinhas: Vamos diminuir esse tempo aí. Eu nunca quebrei um osso na vida, meu corpo se recupera logo.
- Você é o que chamamos de péssima cliente! Hummm... Ok. Duas semanas. Mas em repouso.
- Repouso é o quê?
- Nada de ficar correndo 7K por aí. Tornozeleira de neoprene durante o dia. Pode tirar para dormir.
- Ok. Outra coisa. Um atestado para eu levar na academia.
- Certo.
- E, por fim. Posso fazer bicicleta?
- Na academia?
- Do prédio, em casa. Não tem atrito, não força a articulação.
- Hummm.... Ok, um pouco. E vou liberar membros superiores.
- Yes!
- Estou até me sentindo mal. Você tão atleta e eu sou totalmente sedentário. 


Amém! Alguém reconhecendo meu esforço. Para alguma coisa havia de servir cruzar parecendo o Smeagol a linha de chegada.