Estou em um bom humor insuportável. Eu sei bem o que você vai dizer. A pessoa precisa ir para Ilha de Marajó para ficar bem humorada. Em minha defesa vou dizer que podia ser pior. Eu poderia ter ido para Marajó e ficado rabujenta. Quem me conhece sabe que isso é possível. Mas não. Estou bem humorada e feliz da vida. Nenhum acontecimento extraordinário, só que eu acho que é melhor ser otimista e feliz. Dá muito menos trabalho. Então eu estou sendo prática. E egoísta. Ficando bem humorada visando única e exclusivamente meu bem estar pessoal. HAHA! Hoje eu acordei e tomei um café da manhã saudável. Resisti à tentação de encher meu prato com rabanada e essas coisas gordas que hotéis adoram colocar no buffet. Só não resisti a fatia de queijo de bufala fresquinho que parecia um requeijão de tão macio. Joguei um monte de geléia de morango em cima e resolvi que aquele ia ser meu pecado do dia. Depois saí para uma caminhada na enorme faixa de areia da praia que fica em frente ao hotel. Praia particular, quase deserta. Um vento gostoso disfarçando a temperatura que subia astronomicamente ao longo da manhã. Andando descalça e deixando meu cabelo se emaranhar. Fiquei tirando fotos de um bando de abutres comendo carcaças de peixes que as ondas do rio traziam para a praia. A gente estava tão perto da foz que o rio nesse trecho tem ondas, praia de areia e água salgada. Para mim é mar. Depois fiquei olhando as fotos e pensando que algumas pessoas achariam pesadas fotos de aves de rapina comendo carniça. Realmente a gente sempre associa a visão de um abutre ou de um urubu com morte, lixo, doença. Tudo de ruim que vem a mente. Mas eu só tenho conseguido ver beleza com esses meus novos olhos de fotógrafa. Enquanto eu estava agachada atrás de um tronco, apertando enlouquecidamente o disparador da minha câmera, eu fiquei pensando como a natureza é mesmo incrível. Como ela pensou em cada mínimo detalhe, inclusive na faxina das praia caso o mar trouxesse corpos de peixes do mar. Que aquelas aves, que nem são fofinhas como o filhote de coruja que apareceu no jardim ontem, possuem um papel vital dentro do ballet da vida que a gente insiste em bagunçar. São aves grandes, que ficaram um pouco desconfiadas com a minha presença ali em volta. Mesmo eu ficando quietinha, quase imóvel atrás de um tronco, elas se alternavam para comer o peixe e me vigiar de longe. Depois alguns turistas apontaram na orla e elas todas levantaram vôo juntas. Perdi essa foto porque fiquei babona olhando aquelas aves de asas compridas cortando o ar e compondo um quadro tão bonito com o céu azul, as nuvens e a cor da água. As penas nas pontas de suas asas são mais longas e grossas. Quando elas voam essas penas se abrem em cinco como se fossem dedos de bailarinas. É tão lindo! Ok! Eu sei. Estou falando da elegância dos urubus. Talvez isso soe meio estúpido mas eu não me importo. Gosto de pensar que a vida é assim. Toda elegante. Ah! Antes que eu me esqueça, porque acordei pensando em escrever isso aqui. Sonhei que alguém tinha assassinado o Lula! Hahahah! O dia cheio de boas notícias. No meu sonho a Dilma já estava morta há alguns dias, então eu estou no metrô de SP (olha só. EU no METRÔ!) e vem a notícia de que o presidente Lula tinha sofrido um atentado e morrido. No meu sonho eu tinha uma urgência em chegar em algum computador, porque de alguma forma minha função era noticiar, mas eu estava feliz pra burro. Ai, eu não tenho jeito. Começo o post celebrando a vida e a imbecilidade de estar feliz e bem humorada, para terminá-lo desejando a morte do presidente. Quem sabe uma coisa está ligada a outra? Talvez meu sub-inconsciente acredite que felicidade e bom humor funcionem bem em um mundo em que o Presidente Lula e sua duvidosa sucessora não existam.
"...estou procurando, estou procurando. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi." (Clarice Lispector - Paixão Segundo GH)
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
MARATONA MARAJÓ
Mais um dia de funcionária pública. Pegue seu cartão de ponto e vamos para a primeira parte da maratona. "Passeio Fluvial". Como eu estava com uma baita dor de cabeça ontem, fui dormir cedo e acabei acordando às 2h da manhã. Nem Jesus me fazia dormir depois disso. Fiquei fritando na cama, pescando até a vontade acabar e compensando todas as noites mal dormidas das últimas semanas. Hoje na praia a gente teve uma surpresa. Um filhote de coruja branca (LINDO! LINDO! LINDO!) tinha caído do ninho e estava com cara de perdido na areia. Se eu não tivesse tanto medo do barulho que ele fazia com o bico (Juro que aquilo pode arrancar um dedo), eu levava para casa. Embrulhava e escondia na mochila. Tomei um café reforçado e entrei na van super-mega-arcondicionada feliz da vida. Fomos até o porto de Salvaterra e pegamos um barquinho de pescador adaptado para levar turistas. O pessoal do grupo chamava o barco de "Pópópó". Referência direta ao som do motor (que parecia de geladeira) do barco que penava para atravessar o rio. Entramos no Igarapé do Garrote. Eu já fiz passeios semelhantes, mas dá uma certa emoção pensar que aqui já é mata amazônica. Esse é um tipo de passeio completamente diferente, se a pessoa vem para Marajó esperando o hedonismo das praias nordestinas. Eu gosto mais, mas eu sou eu e não sou referência nenhuma a não ser de mim mesma. Logo na entrada do igarapé um bando de garças e guarás. Show para brincar de Araquém Alcântara. Saíram algumas fotos legais, embora na maior parte do tempo eu ficasse brigando com o fotômetro e com o "pópópó" do barco. Subi para o teto e me lambuzei com a tele e as paisagens cruas, verdes. As raízes aéreas, a água escura e sem fundo. Essa coisa de fotografar é totalmente viciante. Talvez o melhor vício que tive até agora (depois da corrida!). Eu não consigo parar de ver fotos, pensar enquadramentos. Agora tudo o que eu faço, meu primeiro instinto é tirar a tampa da objetiva e apontar. Pode ser um pouco alienante mas eu vi o passeio todo pelo visor da câmera. E adorei. Ganhei algumas marcas da alça da camiseta nos ombros (um dia eu vou aprender que com a cor da minha pele eu PRECISO usar protetor solar além do rosto) e uma mancha vermelha na nuca, mas quem está reclamando? Fiz fotos ótimas. Um cartão inteiro de 2Gb. Voltamos para a pousada e eu lagartixei na piscina com meu livro por uma hora. Beberiquei água de côco e arrisquei umas braçadas na água, tomei um banho e almocei rapidinho para estar pontualmente às 13h na recepção e encarar os passeios da tarde. Um novo grupo da CVC chegou hoje e se juntaram para o mesmo passeio. Mais senhoras, casais de meia idade e quarentonas descoladas. Em vez da van, um microônibus. Pensei, agora sim dá para rolar uma musiquinha "Motorista! Motorista! Olha a pista. Olha a pista." Mentira. Não tive coragem. Eu já não sei mais o que fazer para ficar invisível, até parece que vou me meter a cantar no ônibus. Meio difícil não despertar a curiosidade do grupo inteiro. Geralmente só por ser uma mulher viajando sozinha já desperta a curiosidade de muita gente. As pessoas não entendem muito porque eu não tenho namorado, ou não tenho marido, ou não estou com um grupo enorme de gente, ou mesmo com uma amiga à tira colo. Pior ainda é que eu não sou obesa, nem feia, nem limitada intelectualmente. Então eu viro um gigantesco ponto de interrogação. Para ajudar agora eu tenho uma câmera bacanuda pendurada no pescoço. Já estava até rolando um bolão de que eu era alguma jornalista camuflada. Às vezes sinto como se eu fosse uma atração de circo. Ando me limitando a sorrir e evitar contato visual. Sei que existem técnicas mais eficientes, mas ando chata e preguiçosa. O roteiro da tarde foi em Soure, considerada a capital do Marajó. Uma cidadezinha toda planejada, cheia de ruas e travessas que não tem nomes, só números. Como New York. Lá fomos até uma praia lindíssima, que se chega depois de atravessar uma ponte de 300m no meio do mangue. A praia, uma faixa sem fim de areia branca, com árvores perdidas aqui e ali. Raízes aéreas encontrando o solo, a maré baixa formando ilhas de terra até cair no mar. Choupanas de palha para a gente sentar embaixo e respirar a paz de um lugar que parece estar quase intocado, puro. (Vinte minutos para "explorar" a praia. Humpf!). Depois corremos até uma olaria indígena e loja de artesanato em cerâmica. Visitamos um Batalhão de Polícia Militar que usa búfalos na guarda montada. Fomos até uma fazenda de búfalos, tomamos café com bolinhos de tapioca, manteiga de búfala e suco de manga fresquinho do pé. Seguimos para um curtume e loja de artesanato de couro (tinha umas bolsas maravilhosas de couro de búfalo, mas achei cara e com um acabamento fraquinho). Tudo isso para voltar a tempo de pegar a balsa para Salvaterra às 18h. Com direito a Pôr do Sol lindo refletindo na água do rio. Agora à noite, enquanto eu mastigava um filé de búfalo com mussarela e arroz de jambu (vi tanto dos bichinhos hoje... eu precisava comer um deles à noite, não!?), um grupo folclórico da região apresentava coreografias de carimbó no salão do restaurante. Mais fotos lindas. Lua cheia toda enevoada também. (mas essa foto não ficou linda). Saí à francesa agora e me tranquei no quarto. Fiquei pensando no dia que tive. Me diverti com muitas coisas. Fiz coisas que certamente não teria a oportunidade se não me enfiasse em um grupo. Mas em alguns momentos do dia, eu olhava pela janela do ônibus, toda refrescada pelo ar condicionado, e me batia uma pontinha de tristeza. Uma vontade de me jogar no bafo quente, de ir para aquelas ruas andar sem rumo, bater papo com os moradores. Sentar em um boteco e ver a vida passar, sem pensar que eu tenho 20 minutos para fazer qualquer coisa. Sentei na minha cama e pensei "Então é assim que vivem os gafanhotos?". Não quero soar metida, ou ser mal agradecida com a oportunidade de conhecer esse lugar paradisíaco, de fazer essa viagem. A vida é sem dúvida generosa demais da conta comigo. Então eu vou parar de pensar e só agradecer. Agradecer a chance de ser gafanhoto por uns dias. Porque isso também reforça minha alma mochileira, que cada dia mais, tenho certeza que, mochileira sempre será.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
MARAJÓ
"Pois diga que irá
Irajá, Irajá
Eu sempre gostei de Gil. Mentira. Eu sempre amei Gil. E se o Gil mandou ir para Marajó, a gente vai e não discute, certo!? Acordei 5h30 na segunda-feira. Tempo só de me arrumar e fechar a mala, e Taís já estava interfonando para o meu quarto avisando que aguardava na recepção. Taís era a guia responsável pelo receptivo até a pousada em Marajó. Uma garota nos seus 20 e tantos anos, sorridente, e com o delicioso sotaque paraense. Ela tem aquele jeito de quem adora o que faz, embora deva ter algumas limitações de formação. Ela tinha um energia e uma paciência descomunal para responder todas as perguntas, dar dicas e sugestões para as 13 pessoas que também estão fazendo o roteiro "Belém e Marajó Maravilhosos". O grupo é formado em sua maioria por mulheres, senhoras viajando com as amigas e dois casais de meia idade. Eu ganhei o troféu caçula sem nem precisar mostrar a identidade. São Paulo (capital e interior), Rio e Minas. O Sudeste em peso viaja. Ainda acho que somos a locomotiva e mais uns 5 vagões desse país. Uma van nos levou até o porto e lá vamos nós balançar 3h30 em um barco até Marajó. Mal pisamos na ilha e já fomos jogados dentro de uma van com ar condicionado que nos trouxe até a Pousada dos Guarás. Nem toquei na minha mala. Tinha sempre alguém carregando daqui, levando dali, e eu me sentindo inútil no meio de tudo. Se eu não tenho de carregar minha própria bagagem, qual é mesmo minha função nisso tudo? Cheia de adesivos do Guia 4 Rodas na porta de entrada e reproduções de reportagens nas paredes, a Pousada é uma área enorme com chalés espalhados em um gramado entre coqueiros, piscinas, trilha de arvorismo e uma praia particular de frente para o Rio Pará. No meio do gramado alguns cavalos mirrados olhando a vida e até búfalos (a criação de búfalos é uma das principais atividades econômicas do arquipélago). Quartos simples e confortáveis. Uma das tops de Marajó. Tivemos um tempo livre, que eu sabiamente usei para tomar uma caipirinha na beira da piscina e mandar bala no livro que estou lendo e amando. Almocei um Frango no tucupi delicioso e segui para o passeio programado à tarde. Vila de Joanes, onde a promessa era visitar "ruínas das antigas missões jesuítas", que se traduziram em duas paredes resistentes em cima de um penhasco. Vista bonita, mas nada muito emocionante. Como a gente é carente de história e conservação de patrimônio, não? Na volta passamos pelo centro de Salvaterra, o município que estamos hospedados. Acho que era Happy Hour então as ruas e bares estavam cheios, meninas arrumadas com roupas provocantes e salto. Os rapazes exibindo os biceps e as motocicletas. Ah, isso é universal. A tal da dança do acasalamento. O ônibus estacionou e o guia nos deu 20 minutos para "explorar" o lugar. Vinte minutos. Hum. Saí do ar condicionado para o bafo quente da rua. Parei em uma barraquinha de calçada e tomei um Tacacá. Prato típico no Pará que as pessoas costumam tomar no final da tarde como um aperitivo para abrir o apetite para o jantar. Um caldo de tucupi bem temperado que recebe goma quente (um derivado da mandioca), jambu (uma erva verde escura com poderes anestésicos) e camarão seco. Você vai tomando o caldo em uma cuia que se mistura à goma e, com um palitinho de dente, espeta o jambu e os camarões. Delícia, mas mega forte. Quem disse que dá para jantar depois de um prato desses está louco. Eu fechei a noite naquilo mesmo. Voltei para a pousada com uma mega dor de cabeça e uma sensação meio ridícula de ter passado tanto tempo dentro de um ônibus. Eu sei que esses pacotes turísticos dão oportunidades para uma fatia enorme da população de viajar e conhecer lugares e culturas diferentes. Mas eu não consigo me livrar da impressão de que estou apenas cumprindo um protocolo. De que falta um bocadinho ainda para chegar na Marajó de verdade. Talvez eu esteja mal acostumada. De qualquer forma, preciso moderar minha mania de querer controlar e ter expectativas de tudo. As coisas são como são. Pode não ser o meu ideal de viagem, mas é uma forma de viajar. Legal experimentar outros formatos para variar. Melhor mesmo é aceitar e tirar proveito ao máximo. Quem sabe amanhã eu não puxe "O jeep do padre fez um furo no pneu" dentro do ônibus para animar a galera!?
Pronde eu só veja você
Você veja a mim só
Marajó, Marajó"
Eu sempre gostei de Gil. Mentira. Eu sempre amei Gil. E se o Gil mandou ir para Marajó, a gente vai e não discute, certo!? Acordei 5h30 na segunda-feira. Tempo só de me arrumar e fechar a mala, e Taís já estava interfonando para o meu quarto avisando que aguardava na recepção. Taís era a guia responsável pelo receptivo até a pousada em Marajó. Uma garota nos seus 20 e tantos anos, sorridente, e com o delicioso sotaque paraense. Ela tem aquele jeito de quem adora o que faz, embora deva ter algumas limitações de formação. Ela tinha um energia e uma paciência descomunal para responder todas as perguntas, dar dicas e sugestões para as 13 pessoas que também estão fazendo o roteiro "Belém e Marajó Maravilhosos". O grupo é formado em sua maioria por mulheres, senhoras viajando com as amigas e dois casais de meia idade. Eu ganhei o troféu caçula sem nem precisar mostrar a identidade. São Paulo (capital e interior), Rio e Minas. O Sudeste em peso viaja. Ainda acho que somos a locomotiva e mais uns 5 vagões desse país. Uma van nos levou até o porto e lá vamos nós balançar 3h30 em um barco até Marajó. Mal pisamos na ilha e já fomos jogados dentro de uma van com ar condicionado que nos trouxe até a Pousada dos Guarás. Nem toquei na minha mala. Tinha sempre alguém carregando daqui, levando dali, e eu me sentindo inútil no meio de tudo. Se eu não tenho de carregar minha própria bagagem, qual é mesmo minha função nisso tudo? Cheia de adesivos do Guia 4 Rodas na porta de entrada e reproduções de reportagens nas paredes, a Pousada é uma área enorme com chalés espalhados em um gramado entre coqueiros, piscinas, trilha de arvorismo e uma praia particular de frente para o Rio Pará. No meio do gramado alguns cavalos mirrados olhando a vida e até búfalos (a criação de búfalos é uma das principais atividades econômicas do arquipélago). Quartos simples e confortáveis. Uma das tops de Marajó. Tivemos um tempo livre, que eu sabiamente usei para tomar uma caipirinha na beira da piscina e mandar bala no livro que estou lendo e amando. Almocei um Frango no tucupi delicioso e segui para o passeio programado à tarde. Vila de Joanes, onde a promessa era visitar "ruínas das antigas missões jesuítas", que se traduziram em duas paredes resistentes em cima de um penhasco. Vista bonita, mas nada muito emocionante. Como a gente é carente de história e conservação de patrimônio, não? Na volta passamos pelo centro de Salvaterra, o município que estamos hospedados. Acho que era Happy Hour então as ruas e bares estavam cheios, meninas arrumadas com roupas provocantes e salto. Os rapazes exibindo os biceps e as motocicletas. Ah, isso é universal. A tal da dança do acasalamento. O ônibus estacionou e o guia nos deu 20 minutos para "explorar" o lugar. Vinte minutos. Hum. Saí do ar condicionado para o bafo quente da rua. Parei em uma barraquinha de calçada e tomei um Tacacá. Prato típico no Pará que as pessoas costumam tomar no final da tarde como um aperitivo para abrir o apetite para o jantar. Um caldo de tucupi bem temperado que recebe goma quente (um derivado da mandioca), jambu (uma erva verde escura com poderes anestésicos) e camarão seco. Você vai tomando o caldo em uma cuia que se mistura à goma e, com um palitinho de dente, espeta o jambu e os camarões. Delícia, mas mega forte. Quem disse que dá para jantar depois de um prato desses está louco. Eu fechei a noite naquilo mesmo. Voltei para a pousada com uma mega dor de cabeça e uma sensação meio ridícula de ter passado tanto tempo dentro de um ônibus. Eu sei que esses pacotes turísticos dão oportunidades para uma fatia enorme da população de viajar e conhecer lugares e culturas diferentes. Mas eu não consigo me livrar da impressão de que estou apenas cumprindo um protocolo. De que falta um bocadinho ainda para chegar na Marajó de verdade. Talvez eu esteja mal acostumada. De qualquer forma, preciso moderar minha mania de querer controlar e ter expectativas de tudo. As coisas são como são. Pode não ser o meu ideal de viagem, mas é uma forma de viajar. Legal experimentar outros formatos para variar. Melhor mesmo é aceitar e tirar proveito ao máximo. Quem sabe amanhã eu não puxe "O jeep do padre fez um furo no pneu" dentro do ônibus para animar a galera!?
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