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sexta-feira, 20 de maio de 2011

SURPRISE!



Tive uma semana bem intensa. Com direito a dias de depressão, caos, trabalho além da conta. Algumas coisas que me deixaram chateada e tristezinha. Então essa semana resolvi fazer uma sopinha e chamar algumas amigas queridas para nos afundarmos no vinho aqui em casa. Realmente aconteceu. Quatro garrafas de vinho no meio de muitas conversas e risadas. Essas coisas maravilhosas que só as amigas são capazes para recuperar seu humor. Então Paula vira para mim e diz "Vou para Paris no meio de Junho. Porque você não vem comigo?". Sabe que por dez segundos eu fiquei tentando pensar em razões para não ir. Não me veio nenhuma em mente. E eu comecei a pular como besta no meio da sala. "Paris! Paris! Paris!". Então assim. Paris em junho. Longas caminhadas. Vinhos nos parques. Fotos na Pont Neuf. Vou visitar Versailles, que não fui da última vez. E fazer tudo o que eu não consegui fazer da outra vez porque S. era americano demais para fazer coisas francesas. Como Paula é praticamente parisiense, será ainda mais especial voltar para lá com alguém que conhece a cidade de uma forma não turística. Estou que não me aguento de empolgação. Muita benção! Eu preciso agradecer. Sempre que fico borocoxô, a vida me presenteia com algo fantástico. Muita benção! Mas espera um pouquinho... Não é apenas isso não! Checando passagens com minha agente de viagens, ela me oferece uma da KLM via Amsterdam... Tá pensando no que eu estou pensando? (Porque não parar uns dias em Amsterdam???) Pois é. Estou até agora tentando achar um motivo para não. :-) E meu Dutch Prince ainda vai me encontrar lá... Lógico que eu já estou me coçando de vontade de ir para Brussels, Barcelona, Londres, Porto, ficar mais tempo e rever tantas cidades que eu amei. E ROMA! Claro. Minha Roma amada. Mas não vai dar. Não dessa vez. Vou pegar apenas 10 dias, aproveitando final de semana, feriado prolongado e torcendo para ninguém reparar que eu fui até ali e volto já. Mas ainda assim, é Paris! E Amsterdam como cereja do bolo. Dá para não sorrir? (Eu ainda estou pensando em algum motivo para não.) Não. Não dá.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

SHAKESPEARE AND COMPANY

Pois é. Eu estou em London, mas a Shakespeare and Company que eu quero falar fica em Paris. É uma dessas dicas legais que a gente só ganha porque está com um guia. A fofa do Free Tour de Paris que nos levou lá. Essa livraria fica no Quartier Latin, do lado oposto ao rio da Notre Dame. O fundador, Sr. George, mochilou por anos pela América do Sul e sempre ficou tocado com a hospitalidade das pessoas que ofereciam hospedagem e comida para ele. Quando voltou à Paris ele abriu uma livraria, e resolveu devolver o favor. Hospedando escritores e artistas. No andar de cima, no meio das prateleiras, tem essas camas onde mais de 50 mil escritores repousaram suas cabecinhas pensantes durante a noite. Figurinhas como Henry Miller, Anaïs Nin (meu casal favorito) e Allen Guinsberg viviam por lá. Nessas prateleiras também ficam livros que não estão à venda, e contam um pouco da história da livraria. Uma delícia se perder entre os volumes e ver as dedicatórias escritas nas folhas amareladas pelos autores à Shakespeare and Company. Tem também um piano e uma máquina de escrever antiga, que fica à disposição dos clientes. Entre, escreva o que quiser, pendure na parede. Faz tudo parte do clima de liberdade de expressão que se respira por ali. Hoje a livraria é comandada pela filha do Sr. George. Há ainda um festival realizado todos os anos. Eu, que sou empolgada e penso muito pouco antes de fazer qualquer coisa, já queria me inscrever e ficar por lá mesmo. Mas S é ponderado, e não me leva à sério (Sorte dele!). Só virou para mim e disse “Tem certeza que você quer passar meses dormindo aqui, no meio de estranhos que nem devem tomar banho?”. Baixou a princesinha e eu deixei o projeto para os autores atormentados dos anos 50. De qualquer forma, a gente baba. Vai o link:
http://www.shakespeareandcompany.com/


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segunda-feira, 12 de julho de 2010

COISINHAS DE PARIS

Mega onda de calor esses dias. Tirando sábado, que estava abafado e quente, mas um pouco menos quente, então deu para a gente passear sem ter vertigem de desmaios. Todos os outros dias foram de um calor abominável. Isso quem está falando é uma paulista que nasceu para ser nordestina, de tanto que sou sensível ao frio. Os relógios eletrônicos na rua avisavam para a população ficar em alerta, e redobrar a atenção com crianças e pessoas de idade. Paris é pouco afoita ao ar condicionado. Culpa dos terraços, das mesinhas nas calçadas. Das portas de todos os restaurantes e bistrots escancaradas para o dia que nunca acaba. Resultado que a gente acabou comendo muitas vezes em redes de fast food. Só porque lá tinha ar condicionado. É também mais barato. Bem mais barato. €4 por uma garrafinha de Coca-Cola é caro. Mais caro ainda é €2,5 por um simples café espresso. Se enfrescar e pedir cappuccino, ou mocha, daí sobe para €5. Comer no terraço é charmoso, mas é mais caro. E nem se come tão bem assim. Não com o orçamento viajante da gente. Precisa ficar esperto com a bolsa. Muito trombadinha nas mesas nas calçadas. Também as mesas são bem minúsculas. Certamente a pessoa da mesa ao lado vai estar com o cotovelo no seu peito, e fumando em cima da sua comida. E o serviço é revoltante. S está acostumado aos USA, onde a excelência do serviço determina a gorjeta. Eu sou paulistana. A gente sempre é bem atendido em restaurante paulistano. Então a hora das refeições eram meio estressantes. Virou piada. Mas a coisa é bem assim: os garçons não estão nem aí. Talvez seja essa a fama de grossos e metidos que as pessoas tem dos parisienses quando vêm para cá. Não adianta levar para o pessoal. Não é nada com você. O serviço é ruim mesmo. E ponto.

O hotel que a gente ficou era terrível. A gente tem uma limitação de orçamento. Não queríamos gastar mais de €40 por cabeça. Não tinha ar condicionado, o encanamento era velho. O segundo quarto para o qual nos mudaram tinha bed bugs, e eu estou parecendo que tenho catapora agora. S ficava teimando que estava cansado de ficar procurando hotel, e amaldiçoando as paredes do quarto. E nessas horas é que pesa a gente não se conhecer tão bem assim. Eu fui aguentando, porque não sabia como ele ia reagir. Até que tudo tem limite e decidi. Mudamos de hotel, mesmo perdendo diária. Corri para o primeiro Ibis que achei. Virei para S e avisei “Agora sou eu quem decide. Vamos fazer do meu jeito e pronto”. Ele empacotou a mochila e foi meio resmungando. Pagamos um pouco mais por cabeça, mas dormimos bem, com ar condicionado e internet decente. Ele passou os dois últimos dias me agradecendo por termos mudado de hotel. Mas não pense que foi azar o hotel não. Viajar com pouco orçamento para Paris é quase sinônimo de ficar em uma pocílga. Encontramos casais que estavam em situações piores e mais revoltantes. Uns canadenses nos disseram ontem que estavam pagando €30 por cabeça, para ficar em um hostel, um quarto minúsculo e escuro, cheirando à mofo, com banheiro compartilhado que ficava do outro lado do corredor. E o quarto ainda ficava no sétimo andar. Não tinha elevador.

Brasileiros. Estão por todos os lados, em todos os lugares. Parece uma invasão. Algumas vezes até me esquecia que estava na França de tanto ouvir o português com nosso sotaque. Todos os restaurantes, tours, atrações, cafés. É impossível não notá-los. Famílias, adolescentes, grupos e mochileiros. Parece que nós todos amamos Paris. Mais um motivo para eu ficar revoltada de nenhum, NENHUM, folheto de informação nos pontos turísticos virem com tradução em Português. No Louvre você tem à disposição o guia do museu em cerca de 10 línguas diferentes. Mas não em Português. Têm até em holandês! Holandês!!! Ah, vamos combinar? Quantas pessoas no mundo falam Holandês??? O Português é falado por muito mais pessoas no mundo todo (e considerando a quantidade de brasileiros tirando fotos da Monalisa, aposto que a saída de folhetos em português seria maior até que a de espanhol).

Louvre aliás, não vale à pena. Ok! Ok! Eu sei. Parece blasfêmia. Mas não vale. Tem fila. É caro. É cheio de coisa que nem tem graça. Você se mata o dia inteiro, anda, sobe escada, se engalfinha com gafanhoto. E no final, tudo só para ver a Monalisa, a Vênus de Milo e uns dois quadros do Veermer (que nem são os mais icônicos). Sabe o que é melhor? Senta em uma das fontes em volta da pirâmide, tira os sapatos e se refresca na água. Depois vai no Musèe D´Orsay (que eu acabei não indo, porque cansei tanto no Louvre e fiquei de bode de museu por um tempo). Bem que a guia do Free Tour tinha aconselhado. “Se você tiver de escolher apenas um museu para ir em Paris, vá ao D´Orsay”. Eu sou teimosa e não ouvi.

Mas se é para ir em algum lugar óbvio. Algum lugar bem gafanhoto. Então é a Torre Eiffel. Que podem dizer o que quiserem, mas é a Torre Eiffel. Eu tirei acho que umas 200 fotos dela. Linda. De noite ela brilha. Solta faíscas. A gente até deitou bem no meio, e ficou olhando para cima. Verdade que tem um monte de coisa que não é perfeita. Que a cidade não é a mesma dos meus escritores dos anos 30. Nem dos meus filmes dos anos 60. Mas é ali, olhando a Torre, que Paris é Paris. E nesse sentido, eu vou ser cafona até dizer chega!

domingo, 11 de julho de 2010

BYE BYE PARIS...


Acho que o que eu mais gostei em Paris foram as Catacumbas. A fila era insana, mas a gente ficou conversando e acabou passando rápido. Então você desce mais de cem degraus de uma escada em caracol e passeia por ruas subterrâneas que guardam um número impressionante de ossadas da época da peste. S estava tão empolgado para ver, que parecia um menininho. “I want to see Dead French People. Dead French People.”À primeira vista é bem impressionante. A quantidade de caveiras e o número de ossos... Rola um arrepio na espinha. Depois a gente acostuma. E os ossos estão todos empilhadinhos. Com as caveiras formando desenhinhos nas paredes. Bem doente esses franceses. Fazer desenhinho com caveiras de verdade? São 2Km de corredores gelados e úmidos, que seriam cenários perfeito para brincar de RPG (do tempo que eu era adolescente e Nerd).Depois de ter acostumado, eu ficava fazendo voz de criança e cantando musiquinhas infantis para assustar S. Funcionava! Depois a gente pegou o metrô e ficou abraçado nos Jardins de Luxembourg, que são lindos e roxos. E tinha todos os parisienses nos gramados aproveitando o verão e o sábado. Eu gosto muito dessa atitude européia. Todo mundo vai para os parques, se espreguiça nos gramados. Muitos picnics, vinho e música. Parece que o mundo inteiro está ao ar livre. Muito gostoso. Eu morava ao lado do parque mais gostoso de São Paulo, e não tinha muito disso não. Um desperdício. Agora estou empacotando para ir para Londres. Vou ficar em um hostel ao lado do Hyde Park e tenho planos de aproveitar muito o verão por lá também. Pois é, acabou. Eu aqui falando de "french dead people" e de "gramados no verão", só para ignorar que nesse momento estou sozinha no quarto do hotel. Fim oficial do test drive. O vôo de S para Dublin era mais cedo hoje. Eu vou de Eurostar no final da tarde para Londres. Eu estou completamente esmigalhada de ter de me separar dele. A gente acordou muito cedo hoje. Nenhum dos dois conseguiu dormir muito bem. Ficamos abraçados por horas. Eu ouvindo o coração dele. Ontem ele me levou para jantar em Montmartre, prometeu que vai assistir Amélie Poulain por mim. E eu cheguei a conclusão que não moraria em Paris. É linda. Vou voltar milhões de vezes na minha vida. Mas não moraria aqui. Não sei porque. Não sei dizer. É só que estou buscando algo mais calmo, mais seguro. Mais estável. Também não sei como voltar de onde eu vim... Mas isso não é coisa para se pensar agora. Agora eu estou sozinha denovo. Depois de um mês acordando com S ao meu lado. A única coisa que consigo pensar é como algum dia eu consegui acordar sem ele ao meu lado. Enquanto ele fechava a mochila, eu desabei. Olhava a cena com as lágrimas caindo, sem conseguir fazer nada. Ele, que é menino e não chora, e que tem dificuldade de mostrar emoções, me olhava quieto com os olhos vermelhos. Me beijou. Me beijou denovo. E quando estava na porta, eu o chamei e ele voltou para me beijar mais uma vez. Me abraçou e disse “Eu não sabia que seria tão difícil ir embora”. Eu também não.

sábado, 10 de julho de 2010

HEAT

Eu reclamo da temperatura o tempo todo. Ou porque está muito frio, ou muito calor. A única coisa que tenho vontade de fazer hoje é ficar parada, pelada, com a janela aberta. Hoje não está dando nem para reclamar. A voz não sai. Pelo menos no Brasil a gente tem aquela típica chuvinha de verão para dar uma refrescada no fim do dia. Aqui o tormento se arrasta até 21h30, quando ainda tem luz de dia. Paris é romântica, mas não tem dado para tocar um no outro. Os dois derretendo. Uma pena, porque tem algumas coisas que eu gostaria de fazer pela cidade antes de ir embora. Adoraria bater perna pelo Marais, me perder mais pela cidade, andar de bicicleta. Mas não dá. É completamente inviável. A gente leva uma garrafa de água para a rua e em meia hora ela já está morna. Morna de verdade. Outro dia S até jogou uns saquinhos de chá dentro da garrafa e deu certo. Para ajudar ontem a gente foi no Pub Crawl. Também é um tour organizado nas principais cidades européias. Basicamente um bando de molecada de 20 e poucos anos, seguindo uns guias loucos de bar em bar. Em cada bar a gente tomava um pint e ganhava um shot. Lógico que isso não é uma boa idéia, e é lógico que a gente ficou muito bêbado. Loucura mesmo foram as coincidências da noite. Reencontramos um australiano que tínhamos conhecido no hostel em Nice. Uma garota me reconheceu de Veneza (Bizarro! Ela disse que lembrava de mim, compenetrada, torcendo para o Brasil no Pub... Isso foi há quase um mês atrás, no exato dia que eu e S nos encontramos em Veneza...). E a única brasileira que também estava no grupo, era a garota que deixou Florence na roubada no Carnaval na Ilha do Cardoso. (Isso foi ainda mais bizarro!!!) Mas apesar de tantas coincidências a gente acabou ficando a noite inteira com um casal de dinamarqueses da nossa idade, e fofos até dizer chega. Nos demos tão bem que acabamos abandonando o Pub Crawl na última casa noturna e sentando em um bar para bebermos mais irresponsavelmente o resto da noite. Estou colecionando amigos pelo caminho. Acabo conhecendo um monte de gente, mas tem sempre algumas pessoas que a amizade bate mais forte. A gente acaba cultivando e mantendo o vínculo depois. Eles, com certeza, vão ser um desses. Uma hora que os dois estavam comprando bebidas no balcão, S me disse que ele ia pedí-la em casamento. Quer coisa mais fofa? Fofo mesmo foi a realidade batendo na cara da gente de manhã. Um dia de ressaca e uma sensação muito forte de estarmos velhos. Fomos visitar o túmulo do Jim Morrisson. Não consegui encontrar o da Piaf, porque o cemitério parecia um labirinto e a gente não tinha um pingo de força física. O metrô é uma tortura. Cheio, velho. Bem fedorento. Parece que ninguém toma banho nessa cidade. Punk! Verdade que é prático e te leva para exatamente qualquer lugar da cidade. Mas precisa estar preparado. Atravessar a cidade dentro daquelas caixas de metal abafadas, sem ventilação. Será, certamente, um dos piores tormentos que você vai experimentar na vida. Agora estou deitada, pelada e não entra nem um ventinho pela janela. Para variar sem conexão de internet. Ainda tenho de fazer reserva em algum lugar para dormir em Londres. Comprei minha passagem do Eurostar hoje cedo. Uma fortuna, doeu no bolso. Domingo eu vou para Londres. S vai para Dublin. Fim do Test Drive. Estou evitando pensar nisso. Acho que vai ser muito bom para nós dois ficarmos um tempo longe depois dessa overdose um do outro. Vai ser bom sentir saudades. Eu resolvi pular de cabeça só agora. Só depois de quase um mês. Parece bobeira, mas não é. Estou calma. Algo me diz que está tudo certo. Tudo perfeito. Vai ser o fim do Test Drive, mas o começo de uma outra coisa. Vai ser triste não ter ele por perto todos os dias. E para falar a verdade não conversamos muito sobre “depois de domingo”. A gente sabe que vai se encontrar denovo. Não sei onde, nem exatamente quando. Mas vamos nos encontrar. Sinto que agora já nos pertencemos. Um ao outro. E quando é assim, a distância não muda nada.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

BORBOLETAS EM PARIS

Me joguei em Paris. De alma aberta. Respirando, sentindo, cheirando. Fizemos o Free Tour como introdução. Eu tinha feito em Dublin, e as maiores cidades sempre têm. O Free Tour é um bom jeito de se introduzir a uma cidade com tantas coisas. Como o próprio nome diz, é um tour gratuito. O guias trabalham apenas pelas gorjetas dadas ao final. Geralmente são universitários, descolados, gentis e engraçados, que saem andando com um grupo pela cidade e contando curiosidades, fatos históricos e todos os detalhes de cada monumento. E ainda te dão um monte de dicas, como por exemplo, uma entradinha secreta para o Louvre para evitar as filas, ou os lugares onde os parisienses fazem picnic durante a semana. O verão chegou com tudo aqui na França. Foram 3h30 de free tour embaixo de um Sol de rachar! Depois sentamos em um café (também sugestão da guia, onde dava para tomar vinho e comer queijinhos por um valor acessível no coração de Paris) e ficamos conversando com algumas outras pessoas do tour. De lá, fui fazer a coisa mais obrigatória em Paris. Eu sei. É coisa de gafanhoto, chega até ser cafona de tão óbvio, mas eu fiz S me levar até a Torre Eiffel. Na verdade ele estava mais empolgado do que eu. Tinha me proibido de subir na Torre sem ele. Primeiro compramos um vinho rosé gelado e uma caixa de framboesas. Deitamos no gramado e improvisamos um picnic nos pés da Torre. Depois subimos. À pé. Pelas escadas. Porque a gente acha que não tem graça nenhuma vir à Torre Eiffel e não subir pelas escadas, não sentir embaixo dos pés cada centímetro daquela maravilha. Tiramos fotos fazendo caretas, fizemos um monte de piadas. Depois corremos para o telão que fica em frente e tem passado todos os jogos da Copa. Eu que disse que não ia mais ver Copa, acabei gritando e torcendo com um monte de espanhóis, só porque foi na Espanha que eu e S nos conhecemos. E de lá, a gente se perdeu. Ficamos igual bobos olhando a Torre iluminada, linda, brilhando. E nos perdemos pelas ruas, virando pelas esquinas charmosas. Pelas mesas dos cafés, todas nas calçadas. Pela magnitude do Arco do Triunfo alaranjado de luz. Caimos não sei como em um restaurante tailandês. Comendo maravilhosamente, trocando algumas confidências e descobrindo que nossos passados também têm muito em comum. Que éramos adolescentes bem parecidos, e talvez seja uma pena não termos estudado na mesma escola... Dá um frio na barriga. Um pouco de medo de me perder. A gente tem tanta coisa diferente, mas tanto mais em comum... Eu, que estava durona, que estava até cética com esse Test Drive. Cheguei à Paris achando que não havia muito mais o que descobrir. Mas Paris é tudo, menos óbvia. Menos cética. Menos dura. Eu que procurava tanto as borboletas, resolvi naquela noite. Sentada em um restaurante tailandês. Que não era frio o que eu sentia na barriga. Eram elas mesmas. Estou em Paris, e estou pulando de cabeça.

terça-feira, 6 de julho de 2010

UM DIA


AHHH!!! O stress… Cheguei em Paris ontem. Numa empolgação só. Foi um pouco doloroso devolver o carro. Eu estava bem habituada à Christine. Christine é o nome que demos ao carro porque toda vez que o GPS falava com a gente era meio creepy, então a gente ficava brincando que parecia aqueles filmes de terror trash (Christine, O Carro Fantasma), e que o carro iria criar vida e nos trancar em uma jornada de morte pelas estradas francesas... (eu falei que a gente tinha um senso de humor peculiar.) Carregamos nossas mochilonas até Montmartre, mas o hotel que eu tinha reservado estava lotado. Segundo a recepcionista se você faz uma reserva e ninguém te manda um email de volta, é porque a reserva não foi feita. (HUM!) Então S já ficou meio nervoso e desesperado para se registrar na primeira pocilga que a gente encontrasse. Eu não ligo tanto para isso, porque sei também que a gente nunca fica na roubada. Ainda mais em Paris. Mas de qualquer forma a gente saiu em busca de um outro hotel. Acabamos achando um a poucas quadras, ao lado do metrô Anvers, mas que só tinha vaga no quarto duplo para uma noite, e nas outras noites deveríamos mudar para um quarto triplo. A diferença de preço nem era tanta, então resolvemos ficar ali mesmo. Hotelzinho simples, meio velho, mas a gente já ficou em tanto lugar, de tanto jeito diferente, que nem ligamos mais. Hoje S precisava tirar o dia para trabalhar. Uma vez por semana ele fica fechado no hotel trabalhando. Acho ótimo, porque tenho um dia por semana para mim. E eu tinha planejado um dia inteiro sozinha. Eu estava super ansiosa por isso. Passar um dia sozinha, sem ter de falar com ninguém. Olhando as pessoas na rua, tomando café. Ficando um pouquinho em silêncio com a minha cabecinha complicada. Respirando Paris pela primeira vez, inteirinha para mim. Só que logo de manhã já foi um tormento, porque a topeira da recepcionista fez uma bagunça com a agenda, e disse que só teríamos o outro quarto por mais uma noite e não sabia o que poderíamos fazer depois. Eu já comecei a ficar nervosa com a idéia de ter de mudar de quarto só por uma noite, e reempacotar, para mudar de quarto denovo... Na verdade comecei a sentir calafrios de imaginar nossa semana em Paris tendo de empacotar mochila para mudar de quarto ou de hotel todos os dias de manhã. Ando desesperada para tirar tudo da mochila. Assentar um pouco. Lavar minhas roupas. Todo mundo me fala “Nossa! Que inveja de você. O ano inteiro de férias.”. Mas vai fazer, vai! É exaustivo. É desesperador. Eu já perdi as referências, já nem sei direito onde estou. Cada dia acordo olhando para um teto diferente. Conversei com S e falei que queria ir para algum lugar que a gente não precisasse empacotar até sair de Paris. Ele, que é um anjo e calmo até dizer chega, concordou comigo e resolvemos procurar outro hotel definitivo pela internet antes de sair desse. O que acabou se tornando em uma jornada de uma hora, cada um no seu laptop, bufando e xingando. Só achávamos hotéis disponíveis por valores absurdos, ou disponiveis em parte dos dias que vamos ficar. Ou hotéis na periferia de Paris, ou que tinham as referências mais bizarras do mundo. Fazendo reservas erradas, cancelando reservas erradas. Até que a topeira da recepção avisa que conseguiu resolver o quarto para a gente, e que a gente só precisava aguardar meia horinha até a camareira terminar a limpeza e mudarmos. Eu tento não me deixar afetar pelas coisas, e eu sei que dias como esses fazem parte de uma jornada assim (ainda mais com o planejamento mínimo que temos feito). É um grande exercício de paciência, tolerância, adaptação. Resolvi sair para dar uma volta, andar um pouco pela vizinhança. Voltei, desempacotei no novo quarto. Falei para S que nós dois precisávamos passar o dia sozinhos. A gente está na estrada juntos há 3 semanas e não brigamos nem uma vez. Hoje, se eu ficasse perto dele, isso ia mudar. Eu me conheço e, até eu recuperar a paciência, a tolerância, a adaptação... Melhor me deixar longe! Larguei ele lá no quarto, trabalhando ou fazendo sei lá o que, e saí para a rua. Pensei em aliviar meu stress fazendo uma coisa que com certeza fosse me animar. Fui almoçar no Deux Moulins, a brasserie onde foi filmado “Amèlie Poulain”. Comida média. Serviço lixo. Tive quase de sapatear em cima da mesa para conseguir pedir a conta. Quando eu já me empurrava de volta para a rua, para tentar me convencer a melhorar de humor na marra, a me obrigar a ficar feliz e animada e saltitante só porque eu estou em Paris; lembrei que sempre que forço a barra com a vida acabo me arrependendo. Cheguei em Paris, e vou viver e sentir Paris. Mas não hoje. Hoje sentei em um Starbucks, do outro lado da rua do Moulin Rouge. Pedi uma água, um caramel macchiatto e trabalhei. Trabalhei em um monte de pendências que eu estava empurrando com a barriga.  Atualizei meu diário. Escrevi. Não tirei uma única foto se quer. Agora vou encontrar com a Jana, que mora aqui desde que terminamos o Célia e de quem eu tenho uma saudade que dói o peito. Vou sentar na casa dela, tomar um vinho e conversar sobre tudo o que não conversamos nos últimos anos. E depois que eu estiver cansada, que esse dia finalmente estiver acabando, daí então eu volto para casa. Avisei S que precisava sumir por um dia. Engraçado que, não importa qual hotel, ou o quão topeiras são as recepcionistas. A gente sempre chama o lugar onde ficamos de casa.

sábado, 3 de julho de 2010

CHEIRO DE LAVANDA

Então acabou, né? Eu chorando sozinha no meio de um bar de uma vilazinha francesa. S tentando pedir lenços de papel para a dona através de mímica. Fiquei arrasada e amaldiçoei todos os holandeses do mundo (que nem são tantos assim...). Depois retirei, porque a gente não pode levar para o pessoal. Para mim acabou a Copa do Mundo. Não quero ver mais jogo. Estou em Cavallion. Uma cidadezinha ao norte de Aux en Provence. Perto da rota da lavanda. Hoje acordamos, eu fazendo a maior cara de paisagem, ignorando o chororô e o vexame de ontem. Pegamos o carro e seguimos atrás de campos de lavanda. Na minha fantasia (Ai, lá vem!!!) haveriam milhares de campos de lavanda super floridos, e eu ia correr entre as flores. Meus cabelos voando ao vento. O Sol batendo na minha pele. Passarinhos levantando vôo por onde eu passasse. Então na outra ponta estaria S. Todo lindo, em uma camisa branca. Ele me abraçava e me rodava. E nós dois ficávamos deitados no meio da paisagem de Provence, trocando beijos apaixonados e tomando um vinho gelado. Sim. Essa era a minha fantasia. Na prática... A gente viu vários campos de lavanda, mas não dava coragem de sair do ar condicionado do carro, porque o calor que tem feito aqui é desumano (Lembra São Paulo em janeiro? Então. Sem as chuvas no final do dia.). Até que, enfim, resolvemos parar em um campo e andar entre as flores. Não dá para correr. O terreno é meio acidentado e é cheio de arbustos secos que pinicam o pé e a perna. E ficam umas abelhas voando em volta do seu olho. Não rolou de protagonizar uma cena “Sound of Music” e, como não tinha banheiro, eu tive de fazer xixi escondida com um matinho pinicando minha bunda. Daí paramos em uma destilaria, que tinha tudo de tudo feito com lavanda. Sabonete, sachet, óleos essenciais, bolachinhas, mel e uns syroups para misturar com água bem legais. Fui provar um e derrubei o vidro inteiro em cima da minha saia e do chão. A vendedora, que era um anjo, deu risada comigo, disse para eu não me preocupar e me ajudou a arrumar a bagunça. Nessa hora S estava do outro lado da loja rolando de rir. Para variar eu estava suja e descabelada, e agora toda melecada de syroup de lavanda. Então S vai até o balcão e compra um vidro de syroup, “Acho que depois dessa, é melhor eu comprar um né!?”. É minha gente! Sabe aquelas propagandas de perfume? Que tem sempre alguém fresco e lindo correndo pela relva florida? Tudo mentira! A gente pulava entre os arbustos, e a camisa de S (que era cinza e não branca) estava toda molhada nas costas, e ele andava de um lado para o outro com os chinelos dele (que são horríveis e cafonas, e faz ele parecer um pato andando, mas que ele adora e diz que não troca por um par de Havaianas nem que eu importe a coleção inteira para ele). Na maior parte do tempo a gente ficava olhando igual idiota para o mapa das estradas e para as plaquinhas nos acostamentos, tentando adivinhar como chegar onde a gente queria... Mas como a vida é linda, e as coisas às vezes são engraçadas, outras vezes são apenas caóticas, mas tem muitas vezes que são fofas e balançam a gente. Quando a gente abria a porta do carro no meio de um campo de lavanda e recebia nos poros, nas narinas, na alma; aquele perfume doce e absoluto de flores e vida. E a gente tirou os chinelos e deitou no gramado de uma vilinha no pé de uma montanha, e ficamos olhando o Sol abrindo caminho entre as folhas de uma árvore, e tiramos um cochilo de conchinha (Big spoon, little spoon). Às vezes fazíamos uma piadinha que só nós dois entendíamos enquanto esperávamos em uma fila para comprar cartões postais para meus sobrinhos. E S quebrou um raminho de lavanda e me deu de presente com um beijinho. E teve também o momento em que, o Sol finalmente se pondo, já passando bem das 20h. Estávamos os dois sujos, descabelados. Eu comendo cerejas dentro do carro e cuspindo as sementes pela janela. Passei minha mão pelo braço dele. Pela sua barba ruiva que está crescendo, e agradeci por ele ter dirigido para mim. Por ter me trazido aos campos de lavanda. E S, que é sempre tão educado e tímido, fica meio vermelho, sorri e diz “Thank you, for bringing me with you”.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

EM ROMA, COMO...

Tenho estado na estrada a um tempo considerável. Existem algumas coisas que ficam enraizadas. Que a gente até se acostuma. Saudades é uma delas. Tenho tantas saudades de tanta gente, que já nem sinto mais. Mas de vez em quando, tem uns dias que dói mais. Que bate mais na alma. E dá vontade de chorar. Hoje por exemplo foi um dia desses. Uma saudades doída. Que me fez chorar, surtar, comer chocolate e fumar um cigarro. Saudades da Geisa. Minha manicure. Explico. Chegamos em Aux en Provence na terça. Caí de amores pela cidade instantaneamente. Hoje depois de caminhar pelas ruas, tirar fotos, quase derreter embaixo do calor, eu queria muito ficar um pouco sozinha. Tirar uma horinha só para mim. Eu gosto de S. Gosto mesmo. Mas à vezes não aguento mais olhar para a cara dele, então eu fujo. Vou tomar um café. Vou escrever meu diário em algum lugar. Hoje larguei ele sentado em uma boulangerie com ar condicionado e fui procurar uma manicure. Gente, eu precisava me sentir mulher! Nem lembro mais quando minhas unhas viram uma profissional. Quando o esmalte foi bem aplicado e não descascou horrorosamente depois de um dia. Depois de tanta aventura, trilha, corredeira. Ficar descabelada debaixo de chuva. Eu queria muito um Dia da Noiva. Sabe aqueles dias que a gente tira para dar uma geral no salão? Fazer pé, mão, depilação. Mesmo porque eu gosto de S. Mas quero que ele continue gostando de mim. E mulher é mulher. Precisa manter o charme, manter o mistério. Então lá fui eu, em busca de uma manicure francesa. Vou dizer uma coisa, antes de tudo. Esse tipo de serviço aqui é caro. Bem caro. Tipo, três vezes mais do que eu pago no Brasil. Mas eu estava afim de uma extravagância. Cheguei no salão. Que aqui não é salão, porque os salões de cabelereiros não possuem manicures não sei porque. Quem faz cabelo, faz cabelo e mais nada. Quem faz unha, faz unha, depilação, massagem, bronzeamento... Eu chego no salão e depois de me matar com meu Francês Tarzan sou informada que há uma espera de 30 minutos para ser atendida. Ah, ok! Vou dar uma volta e venho no horário marcado... Não Senhora! Espera de 30 minutos no local. Senão perde a vez. Humpf! Sento ao lado de uma adolescente, e uma mulher de 40 (cor de laranja de tão bronzeada). Espero, espero. Me chamam. “Ah! Sim! Gostaria de fazer depilação do buço, manicure e a beautè de pièds (é o jeito chic de dizer pedicure por aqui)”. Me levam para uma cabine. A depilação do buço foi ok. Do jeito que estou acostumada no Brasil. Então vem a parte tortura-você-está-sendo-assaltada. Entra na cabine uma pós-adolescente loira, maquiada de sombra verde (Deus! Que moda é essa de sombra verde por aqui...!). Bota meus pés em uma bacia que fica borbulhando (Hum! Gostoso!) e começa a fazer minhas mãos. Vou explicar como é o sistema de manicure por aqui. Ela pega uma lixa e passa 3 vezes em cada unha (TRÊS!!!!!). Depois ela coloca um monte de hidratante, enrola um pouco de algodão no palitinho de madeira e fica esfregando o palitinho com hidratante nas cutículas até todas as peles serem varridas para debaixo do tapete. Então ela pega o alicate e encosta (LITERALMENTE ENCOSTA!!!!) em cada lado da unha e TCHARÃ!!!! Manicure feita. Pincela uma base com bastante cuidado para pegar só a unha e não borrar (porque se borrar ela não vai limpar), e lá vamos nós para os pés. Ok. Uma pausa. Eu costumava ser bem viciada em manicure em São Paulo. E bem viciada em podóloga também. Então nessa altura do championship eu já estava surtando na maca de imaginar a qualidade do serviço da moça chegando aos pés. Ela tira meus pés da bacia borbulhante e faz exatamente a mesma coisa que fez nas mãos, só com uma diferença. Nos pés não rola lixa e ela nem finge encostar o alicate. Daí eu estou vermelha, bufando, soltando fumaça pelo nariz. E sem domínio Tarzan suficiente para soltar uns esporros em todo mundo laranja daquele salão. Visto minhas sapatilhas nudes (aquelas que foram arrasadas pela chuva em Veneza) e me arrasta com raiva e indignação até o balcão para pagar. A adolescente de sombras verdes digita umas coisinhas no computador, me informa que será cobrado um extra pela aplicação de esmalte nas mãos (CUMA?) e.... OK! Não vou dizer o valor astronômico, indecente e revoltante que foi debitado do meu cartão de crédito essa tarde. Não vou. Nem sob tortura. Juro! Tenho vergonha! Voltei para a boulangerie querendo trucidar o primeiro que eu encontrasse. E o primeiro que eu encontrei foi S. Ele veio tentar me consolar e eu grunhi “Nem encosta!!!”. Comi um pain au chocolat, um donut de chocolate e ainda fiz o coitado dirigir até o supermercado antes de voltarmos ao hotel para me comprar uma cerveja bem gelada. Tá com dó do moço? Pois fiquem sabendo que ele fez tudo isso rindo da minha cara. “Sorry, dear! You look so funny when you are grumpy...” Pior é que eu sei que ele tem razão. Viro um clown quando estou de mal-humor. Vou falar uma coisa. Eu tento, verdade que eu tento me adaptar a cada lugar. Fazer como diz o ditado, “Em Roma, como os romanos.” Mas posso pedir uma coisa? Enquanto eu estiver na França, será que rola uma manicure brasileira?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

3x0

Segunda foi aniversário de S. O moço agora tem 35 anos. Fizemos um dia cheio de coisas que ele gostava, com direito à filé com fritas no jantar e várias cervejas. Pela manhã fizemos hiking em uma bela trilha de Castellane que nos levava pedra acima até uma igrejinha linda, e uma vista do Vale mais linda ainda. Depois fizemos cannyoning à tarde, e meus niveis de adrenalina foram às alturas. Eu gosto muito desses esportes radicais, turismo de aventura. Quando era mais nova (bem mais nova, aliás) tinha um grupo de amigos que costumávamos descer de rappel alguns viadutos da Rodovia dos Bandeirantes e fazer expedições por grutas e cavernas. Acho que se é para acordar às 5h da manhã, que haja uma boa dose de adrenalina envolvida. E acho inclusive que sou mais animada com a idéia de adrenalina tremendo nas veias do que S. Durante o cannyoning ele estava mais preocupado em se prender nas rochas, enquanto eu olhava as corredeiras para deslizar e gritava “UHUUUU!!! JACUZZI!!!”. Mas S é americano, de uma família de irlandeses e alemães. Tem bastante dificuldade de mostrar emoções. Isso, obviamente, já foi tema de algumas conversas. Não discussões, porque a gente não discutiu ainda. Mas conversas. S não manifesta emoção. Eu sou o extremo oposto. Quando estou feliz, dá para ver até pela unha do pé. Triste, o povo sente pela maneira como eu mando um email. Angustiada, bom, geralmente estou roendo unhas. Surtada... ok, já deu para entender. Acho que isso tem um pouco a ver com a criação. Ser brasileira, de um país que acha todas as emoções bonitas. E ser criada dentro de uma família italiana. Onde as pessoas gritam, e falam, falam, falam, e se metem um na vida do outro, e te dão uns tapas que deixam seu braço roxo nos almoços de domingo. S é mais contido. Bem mais. Não gosto de pensar nisso como um defeito, mas como uma característica. Mas é uma característica que não sei se me agrada. Por um lado dá uma sensação de estabilidade e constância. Por outro faz as coisas parecerem sempre mornas. E no quesito temperatura, eu sou mais Anaïs Nin quando ela diz “I want to burn, even if I break myself”. Verdade que eu reclamo quando me quebro, mas eu prefiro assim. Toda remendada de durepox, do que uma superfície intocada e imaculada. Afinal, porque uma garota de 30 e poucos ia resolver mochilar pela Europa por tanto tempo senão para viver emoções, e viver emoções fortes, intensas. Para viver a vida de forma superlativa. Então à noite o Brasil fez bonito naquele jogo e mandou o Chile para casa. Nós dois vibramos em um barzinho da cidadezinha-fofa-com-cara-de-cinderella e eu fiquei feliz de mostrar para S o que era que se esperava do meu time na Copa. (Porque ele achava que o jogo contra Portugal foi um bom jogo) Que no Brasil a gente não fica satisfeito com aquela coisa meia boca. Que a gente gosta de ver o suor espirrando quando o cara bate na bola, gosta de ver os jogadores se matarem na grande área. Que no Brasil a gente não desiste. Vai testando a barreira de defesa até achar uma brecha e marcar um gol maravilhoso, pulando em cima do goleiro e tudo. S (que agora é fã do Brasil e conhece mais os jogadores do que eu) ficou olhando o jogo e me dizendo “Não entendo. Os jogadores dos USA jogaram direito, mas vendo vocês jogarem, vocês parecem tão melhores, parece que a gente era um bando de amadores.” É que de vez em quando a gente bota todas as emoções em campo, S. A gente escancara e mostra tudo o que tem. Daí é lindo. Daí é intenso. É arte. 3x0, e manda os vizinhos mais cedo para casa. O problema é que os USA jogaram direitinho. Só isso. Em futebol, não adianta apenas fazer direitinho. É como eu já disse aqui, o importante é saber o que você espera para sua vida. O que você quer. Eu sou corintiana, brasileira, paulista. Gosto da emoção. De ver o jogo virar aos 45 do segundo tempo. Gosto das coisas pegando fogo. Eu tenho pensado bastante, e eu não sei se alguém que faz tudo direitinho é suficiente.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

NO VERDON

Sabe aquele clima bucólico? Aquela calma e romantismo que estava rolando até agora? Então, esquece tudo. Chegamos na região de Gorge du Verdon, que é um Parque Natural da região de Haute de Provence. Uma das entradas para o parque é a cidade de Castellane. Já está na minha lista de cidadezinhas-com-cara-de-cinderella que eu gostaria de morar por um tempo. Aliás isso tem sido uma vontande cada vez mais crescente desde que saí de Roma. Vontade de ficar em uma cidade minúscula por um tempo... Mas assunto para posts futuros também. Chegamos e já nos enfiamos em uma trilha para fazer um pouco de hiking. No meio do caminho começou a cair uma tempestade. Qualquer pessoa que já fez algum tipo de esporte outdoor sabe que fazer hiking em tempestade é uma péssima idéia. Principalmente com raios e trovões. Meio do mato, você molhado e raios caindo. É uma combinação bem estúpida na verdade. Eu e S ficávamos olhando um para o outro, meio do tipo “Ok! O que a gente faz agora?” e continuamos pela trilha. Completamente encharcados e com lama até o tornozelo. Então os raios começaram a ficar bem próximos. Encontramos uma fazendinha que vendia queijo de cabra e nos enfiamos na garagem para nos protegermos dos raios e esperar a chuva passar. O casal de velhinhos que morava na casa abriu a janela e só viram aqueles dois malucos molhados dos pés à cabeça, encolhidos e morrendo de frio na garagem deles. Eu tentei com meu Francês Tarzan explicar o que estava acontecendo, mas acho que nossa condição era tão digna de pena que eles só acenaram com a cabeça e disseram que não tinha problema. Nos meus devaneios o casal de velhinhos nos trazia toalhas secas e canecas com leite de cabra morno para nos aquecer... mas esses são meus devaneios. Na realidade a gente começou a congelar e resolvemos que era melhor voltar para o hotel correndo embaixo da chuva mesmo para ver se aquecia um pouco. Ontem foi dia de rafting. Foram 3h30 descendo pelo Le Verdon em cima de uma bóia. Alguns trechos foram meio entediantes, na maioria das vezes a gente remava, se molhava. A água absurda de congelante. Mas a paisagem... Faz valer qualquer coisa. Passamos pelo meio do Gorge du Verdon, que é o maior cannyon da Europa. Eu olhava aquela imensidão de rochas refletida na água verde clara do Verdon... Mais a adrenalina, o medo. O frio. O cabelo todo ressecado dentro do capacete. E quando enfim a gente chegou do outro lado, ainda tinhamos de carregar a bóia morro acima até a van que nos esperava. Quando eu tirei o wet suit, eu estava fedendo. Queimei um monte de calorias, tava feliz para burro. Mas fedendo. Então S também tirou a wet suit dele e soltou um grunhido. Os dois fedendo. Eu olhei para ele e disse, “Ok, olha bem para mim. Se você não achar que eu estou sexy agora a gente tem um sério problema.” Então ele deu risada (e ele sempre diz que conhece uma armadilha quando vê uma), olhou para mim e disse, “Você sempre está sexy para mim.” Um pouco de intimidade demais, pode ser. Temos camisetas nojentas e cuecas molhadas penduradas nas maçanetas do quarto, e o estado do tênis dele é algo a se refletir, estou sendo sincera... Mas sabe que eu estou gostando desse momento adrenalina-aventura? Fica melhor ainda depois que a gente janta famintos, vai para o hotel e toma um banho quente. Sempre caímos na cama depois de um banho quente...

domingo, 27 de junho de 2010

LA VIE EN...

Antes de começar essa jornada eu tinha colocado como um dos objetivos conhecer a região de Provence. Eu queria alugar um carro, fazer a região e depois subir até Paris. Esse era meu plano. Só que a pessoa aqui é pouco distraída e conseguiu a façanha de obter 80 pontos na carteira de motorista. Eu vim para a Europa, mas minha carta está de castigo no Detram até começo de agosto. Aliás, foi assim que S e eu caímos nesse test drive antes de qualquer outra coisa. Ele se ofereceu para dirigir, já que eu não poderia alugar um carro sem carta. Então estamos aqui, fazendo o roteiro que eu sempre quis. Vir a Provence para ver os campos de lavanda floridos (Ainda não vi, mas estamos chegando lá!!!). Enquanto estamos aqui, porque não explorar um pouco a região? Aproveitar que estamos com um carro e podemos nos dar ao luxo de rodar pelas estradas, parar em vilarejos. A gente saiu de Grasse ontem. Uma cidadezinha sem muito fascínio, mas cheia de perfumarias. No caminho, subindo para a região de Haute de Provence a gente já foi encontrando umas cidadezinhas hiper charmosas. Todas com cara de conto de fadas, sabe? Paramos em St. Vallier de Thiey. Uma igrejinha no centro, uma torre com um relógio e um monte de casinhas apinhadas entre ruelinhas medievais. Uma vontade de sair pelo meio brincando de Cinderella. Dia de grandes acontecimentos por ali. Um grupo de crianças encenava pequenas historinhas em um palco, no que eu imaginei que fosse uma Festa Junina da escola local. Famílias com seus cachorros pelos gramados. Um mercado de pulgas na calçada, no melhor estilo “Família Vende Tudo”. (Sorry Y! Não tinha nenhuma caixinha de porcelana como aquela... Juro que volto em Lisboa e encontro para você.) Depois eu fui caçar um pouco de cafeína para a manutenção do meu vício, e S. foi comprar bolachas e framboesas para comermos no carro. Essa é minha idéia de road trip. Largar o tênis jogado no banco de trás. Comer frutas com o vidro aberto, embaraçando o cabelo no vento. Brigar para ver quem tem no Ipod a trilha sonora mais interessante. E parar no acostamento quando se deparar com uma vista de cair o queixo. Às vezes só ficar em silêncio. Sentindo o asfalto passando embaixo dos pneus do carro e pensando, “Como a França é linda!”. Bem diferente do que eu esperava. Mais crua, mais viva. Mas é a França, a França de verdade. Das pessoas comuns. Daquelas que investem em uma vida em comunidade, trabalham no comércio local. Gente com carrinhos de bebês nos gramados e cães pulguentos atravessando as ruas. E quando eu acho que estou quebrando todos os clichês. Que nenhum galã de bigode ralo e camiseta navy vai aparecer e me falar de “amour”. Que nenhum senhor de boina vai cruzar a rua em uma bicicleta levando baguetes de pão e uma garrafa de vinho na cestinha da frente. Quando eu estou bebendo meu café na França de verdade, a voz de Edith Piaf ressoa pelo terraço da boulangerie cantando “La Vie en Rose”. Então eu começo a rir. Porque é obvio. Porque é mágico. E porque, por mais que a gente faça planos na vida. Nem nos nossos mais delirantes sonhos, eles são tão perfeitos do que quando a vida se encarrega de fazer do jeito dela.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

VILLA SAINT EXUPERY

Quando a gente mochila, ficar em hostel não é apenas econômico, como uma grande mão na roda para se organizar na cidade. Viajando sozinho não existe opção mais barata do que ficar em hostel. Agora no test-drive, S e eu escolhemos muitas vezes hotéis baratos, que ficam o mesmo preço de um hostel mas nos dão mais conforto e privacidade. De qualquer forma, resolvemos ficar em um hostel durante nossa estadia em Nice. O Villa Saint Exupery. Nice tinha opções de pequenos hotéis, melhores localizados e tudo, mas esse hostel era tão bem cotado que não podíamos resistir. Sim, tem alguns inconvenientes. Escolhemos um quarto privado, então não precisamos lidar com seis outras pessoas roncando nas beliches a nossa volta. Mas ainda assim o banheiro era compartilhado, e isso eu acho que é a pior parte de ficar em hostel. Levar sua necessaire, o chão todo molhado. Não poder espalhar meus cremes e frescurinhas em cima da pia. E qual é o lado bom de ficar em um Hostel? Os bons hostels possuem uma grande estrutura e pessoal treinado para te dar dicas, agendar passeios, integrar com outras pessoas. Hostels sempre possuem uma agenda legal de atividades, coisas divertidas para fazer. O Villa Saint Exupery fica em Nice Nord, subindo o morro da cidade. Um pouco afastado da cidade, mas eles tinham um sistema de shuttles que nos levavam até o tram, e do tram para a praia e para a cidade velha era um pulo. O hostel também foi instalado em um antigo mosteiro. Na decoração várias menções ao Pequeno Príncipe, e seu planetinha. Cheio de quartos e escadarias labirínticas, tinha uma grande área de lazer comum, cheia de computadores, sofás e um bar com a irresistível proposta de “Cerveja à €1”. Sim! Vááários pós-adolescentes de 20 e poucos bebendo muita cerveja e paquerando nas áreas comuns. Lembra daqueles acampamentos que a gente ia com a escola na adolescência? É como passar uns dias em um lugar assim. Divertido. Mas só por uns dias. Na primeira noite sentamos com a molecada para tomar cerveja barata e assistir ao jogo. Acabamos conhecendo um grupo de trintões e conversando até tarde. S ficou aliviado de saber que não era o único se hospedando no meio da molecada de 20 e poucos. Eu só dou risada! Dentro das ofertas de atividades, além do mergulho que fizemos, podíamos fazer cannoying, velejar pelo Mediterrâneo. Excursões à Cannes, Antibes, Saint Tropez, Mônaco. Aulas de yoga e alongamento pela manhã, e toalhar e esteiras de praia para empréstimo sem nenhum custo adicional. Em nossa última noite, voltamos para o hostel depois de um dia lindo, um longo jantar romântico regado à champagne e longos olhares; e acontecia na Capela (a antiga capela que foi transformada em lounge) uma festa temática. “Qualquer coisa, menos roupas”. O pessoal todo fantasiado de sacos de lixo, lençóis, papel alumínio. Juro que tinha um que “vestiu” a própria mochila. Foi tema de tese durante a noite. Viajando é praticamente impossível manter o conforto que a gente tem na própria casa. Ainda mais viajando por tanto tempo, e não tendo casa como nós dois. Mas é delicioso sair da zona de conforto, arriscar outros esquemas, experimentar o diferente. Às vezes a experiência não é boa. Outras dá um gostinho de saudades, um gostinho de algo que já vivemos. Mesmo que seja só de assistir, tomando uma cerveja, como era paquerar o gatinho na festa e mal ter dinheiro para o lanche. Como o Pequeno Príncipe, todos nós acabamos saindo por aí. Alguns de nós procuram outros planetas. Outros sempre retornam para cuidar da rosa, tirar os baobás pelas raízes. Mas no fundo, com 20, 30, 40... somos todos crianças tentando nos descobrir.
http://www.villasaintexupery.com/

quinta-feira, 24 de junho de 2010

AZUL DA COR DO MAR

Tim Maia tinha um medo danado de avião. Nunca veio até a Riviera Francesa para ver a cor do Mediterrâneo. Mas ele devia estar imaginando esse mar quando escreveu a música. O Mediterrâneo é lindo. Lindo! Lindo! Lindo! Não vou cansar de dizer isso. Porque quando a gente se depara com aquela imensidão, com aquela cor que parece até pintada de canetinha, as palavras somem, a língua trava e é a única coisa que sai. Lindo! A Van me disse que é lindo e único assim por causa das pedras. As praias são todas de pedras e é esquisito, porque a gente cresceu fazendo castelinho de areia e correndo onde as ondas quebram. Aqui nada disso. As crianças vão pulando para não machucar os pés e jogam pedrinhas umas nas outras. Imagina aquelas vezes que você está deitada tomando Sol e tem sempre um grupo de pentelhos jogando areia na sua perna... é machuca! Também, não dava para ter tudo. O que mais eles queriam? Eu já estou com uma meia dúzia de hematomas daqueles bem redondinhos, de ficar deitada e virando igual frango assado em cima das pedras. Mas eu sou café com leite. Fico roxa até com vento forte. Então depois de torrar no Sol da Riviera, eu pulo naquela água surreal, que é geladinha e refrescante. Sem uma onda que seja. Como uma enorme piscina natural, que deixa o corpo todo salgado depois. S é meio hiperativo. Precisa estar se mexendo o tempo todo. Corre todos os dias, não para quieto muito tempo. Então ele queria mergulhar terça-feira. Não foi preciso muito esforço para me convencer. Mergulhar nesse mar aburdo??? Ah! Quem não quer? E fomos. Passeio de barco pela costa de Nice, então colocamos os wetsuits e caímos na água. Cada um teve um instrutor acompanhando. Eu achei que ia ficar apavorada com o respirador e a idéia de depender de um tanque de oxigênio para minha vida, mas me saí bem como se tivesse nascido para isso. Passeei entre os recifes de corais. Vi uma moréia linda. Coloquei a mão em uma anêmona e, embora o som não se propagasse embaixo do mar, juro que gritei quando ela grudou no meu dedo. Depois, era babar. Nadar entre os cardumes de peixes multi-coloridos. De vários tamanhos, de todos os formatos. Uma aventura que eu só tinha visto em filmes. E eu estava ali. Inteira. Vivendo. No meio do Mediterrâneo, nadando com os peixes. Eu que queria tantas maravilhas, mal estou acreditando nas que estou vivendo. Como eu disse, tem coisas que só há um jeito de descrever: Lindo!

terça-feira, 22 de junho de 2010

FRENCH RIVIERA

A saída de Ventimiglia foi um pouco stressante. Ficamos quase meia hora, eu tentando discutir em italiano com um senhor mal educado da bilheteria da estação. Na Itália eles têm umas maquininhas automáticas para comprar bilhete de trem, o que é até confortável já que em toda estação as filas da bilheteria são kilometricas. Eu tentei várias vezes comprar nossas passagens para Nice, mas a máquina travava toda vez que ia finalizar a compra. Então eu fui até o guichê, e o tal do signore ficava insistindo que não dava para comprar na bilheteria, que nós devíamos comprar pela máquina automática. Nice é bem próxima, dá uma hora de trem. Você precisa pegar um trem de Ventimiglia até Montecarlo e depois mudar para um até Nice. Trens partem a cada meia hora para Montecarlo, mesmo assim, ninguém quer perder tempo esperando trem quando se está indo para a Riviera Francesa. Daí eu comecei a ficar nervosa. Explicava para o signore que a máquina estava quebrada e ele, “No, No, No.”. Ahhhhh! Vontade de matar um. Por precaução S. até ficou a uma distância segura. A idéia dele era de a gente entrar no trem sem comprar as passagens mesmo, e o fiscal nos abordasse pagaríamos a multa. Claro que ele só sugeriu isso de leve, e com o tamanho da minha rosnada ficou quietinho cuidando das mochilas até tudo ser resolvido. No final acabamos conseguindo comprar os bilhetes no guichê 3 minutos antes do trem partir. Corremos com todas as mochilas penduradas, eu ainda carregando um saco cheio de kiwis que S. comprou no sábado, porque ele adora kiwis, então agora a gente tem de carregar esse saco enorme de kiwi para cima e para baixo.Mas ninguém está reclamando não. Eu carrego o saco de kiwi, e ele carrega minha mala extra, então eu acho que é uma troca justa. A viagem de trem é rápida, mas maravilhosa. O trem vai cortando as montanhas e, a cada curva, vão se desdobrando baías de mar hiper azul, rochas com mansões encrustadas. E vai caindo a ficha de que eu estou na Riviera Francesa. Toda a lenda, o charme, tudo tem mesmo um porque. Acho que essa é uma das regiões mais lindas do mundo. O Mediterrâneo deslumbrante aos nossos pés. O Sol lindo e puro no céu. O Verão chegando exatamente hoje na Europa. Não sei se esse vai ser o ponto alto da minha viagem, mas com certeza vai ser o mais hedonista. Aliás, vou encerrar por aqui. Tem uma praia maravilhosa aqui do lado, e um gatinho de olhos azuis me esperando.