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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

UPDATE

Vamos rapidinho porque estou sendo atropelada pela reta final da viagem. Tem estado tão dificil escrever, me concentrar, parar para organizar todos os pensamentos. É que a vida a minha volta está muito rica e fervilhante, então eu fico consumindo tudo de olhos bem abertos para ver se eu não perco nada. Que Bruxelas me consumiu também? Verdade! Mais uma vez, dói um bocado ter de partir de uma cidade. Acho que Bruxelas, de todas, é a mais perfeita. Em sua imperfeição. Vir para cá ainda mais depois de toda a introspecção das montanhas... Foi uma experiência tão surreal quanto os quadros de Magritte. Me sinto detentora de Bruxelas! Dá para entender? Ok. Tem coisa que não se explica em blog. Que não faz parte. Bruxelas também foi sair do 8 para o 80. Passei 10 dias tomando suco de maçã na Suíça. Acho que nunca provei tantas cervejas diferentes como agora em Bruxelas. Outro dia eu estava tentando fazer as contas e acho que nessa semana consegui experimentar uns 35-40 tipos de cerveja diferentes. Claro que nem todas eu tomei o copo inteiro. Eu tenho fígado e gosto muito dele. Agora estou no aeroporto (de novo). Vou dormir aqui (de novo). Amanhã cedinho pego um vôo para Praga (Opa! Esse não é novo!), mas que tem uma cultura de cerveja também muito forte. Dizem até que a cerveja checa é melhor do que a belga... Hum! Sinto-me na obrigação de verificar. De qualquer forma, Praga é uma fuga da minha proposta original. A proposta era: países da europa ocidental, estudar italiano e voltar para o casamento da minha prima. Eu estudei italiano, a passagem para chegar na véspera do casamento da minha prima já foi comprada e... eu dei umas escapulidas da Europa Ocidental. Primeiro foi Marrocos. Tinha essa coisa de tempo de visto na Comunidade Européia e a passagem aérea estava custando €15. Não tinha como não ir para o Marrocos! Depois foi Croácia. Novamente o lance do visto e... e eu estava cansada daquele tempo horroroso do Reino Unido. Chuva, neblina, frio. Deprimente. Queria Sol e biquini, pelo menos para fingir que eu estive no verão europeu. E agora estou novamente indo para o Leste Europeu. Três motivos. Número um: o Carioca me mandou um email, um tempo atrás, dizendo que estava vindo para a Europa e passou o roteiro dele. “Vê se você encaixa em algum desses lugares, Paulistinha!”. Olhei a lista. Firenze, Roma, Amsterdam, Berlin, Paris, Praga... PRAGA! Chegamos no meu motivo número dois: Sempre fui loooouca para conhecer Praga. E acho que esse motivo já tá de bom tamanho. Mas como eu gosto de números ímpares, levanto um motivo número três: Kafka! Que está diretamente ligado ao meu motivo número dois e minha base literária de adolescência. (Viu só o que dá quando você lê o que quer quando é pequena? Fica assim!) Depois de Praga, vamos juntos para Berlin e então eu ainda não sei o que vou fazer. Talvez procurar alguma montanha na Alemanha para me isolar novamente e tentar equilibrar. Falta pouco tempo. Está acabando e eu sinto como se fosse ladeira abaixo. Descendo de carrinho de rolimã ainda. Até consigo ouvir o barulho no asfalto. Ando cansada. Muito cansada. Já não sinto nada.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

TRAPISTA

Ah! Claro que eu queria me enfiar em um desses monastérios e ver como é que eles fazem essas maravilhas que mudam completamente seu paladar para cervejas. Mas esse é um processo guardado à sete chaves. As cervejarias trapistas não são abertas ao público, são em lugares bem ermos no interior e o máximo que você vai conseguir indo até lá é comprar a cerveja em alguma lojinha dos monges. Mais nada. O que me deixou com uma pulga atrás da orelha... O que será que esses monges ficam fazendo lá, escondidos e tão em segredo que não querem mostrar para ninguém? Hum? Hum?

CERVEJA

Sim! Bruxelas é antes de tudo o paraíso da cerveja. Dizem que toda a Bélgica. Eu gosto de pensar nisso como uma unidade de país. J Eu estou absorvendo essa cidade com todos os meus sentidos, e com um apurado senso exploratório. Hoje de manhã Karel disse que parece que eu estou aqui há meses de tanto que eu já descobri da cidade. Fiquei toda pimpona. Estou com uma predileção pelas cervejas trapistas. São cervejas feitas por monges no interior do país. Existem 7 cervejas trapistas no mundo todo. Seis dessas são produzidas na Bélgica. Claro que existem várias sub-linhas também produzidas em monastérios, mas são comerciais e não se enquadram na caracterização de trapista. Eu conhecia só a Chimay. Essa acho que é a mais popular. Existem alguns bares em São Paulo em que é fácil encontrar. Eu e o Alê tomávamos várias vezes Chimay pelas noites paulistanas. As outras fui descobrindo por aqui. Melhor, porque aqui elas tem preço de cerveja normal e não são tratadas como “vinhos sofisticados” como em algumas cervejarias do Brasil. De todas as trapistas belgas, só me falta uma. Que me disseram que é a top das tops. A Westvieteren da Sixtus. Dizem que se você provar essa, nunca mais vai provar cerveja da mesma forma. Hummm! Desafio intrigante. Vou hoje na Delirius fazer exatamente isso. Delirius é o nome de uma cerveja top. Acho que custa uns R$220 por aí. Aqui custa a bagatela de €4. Vem em uma garrafa grandona e com rolha de champgne. Tem um elefante azul no rótulo. Sim. O mundo é injusto. Ainda não tomei essa também, mas hoje acho que vou me jogar nas “extravagâncias”. Só o crème de la crème. Mas Delirius também é o nome de um bar aqui em Bruxelas que você se sente a pessoa mais sortuda e a mais azarada quando o descobre. Mais sortuda porque, entrar nesse bar é a mesma sensação que os primeiros arqueologistas devem ter sentido quando descobriram as pirâmides. A busca pelo Santo Graal. E a mais azarada porque depois de descobrir esse bar parece que todos os caminhos que você faz te fazem querer voltar para lá e você sabe que nunca mais vai ser feliz em um bar na sua vida. Fica no subsolo, em uma ruazinha atrás da Grand Place. Descendo as escadas você adentra um universo paralelo de mesas, barris, decoração kitsch e um cardápio com mais de 2000 cervejas. (DUAS MIL!!!!) É isso. Só cerveja. Mais nada. Tudo regado à melhor música dos anos 80. Você nunca mais vai ser o mesmo depois de descer aquelas escadas. Pense muito bem antes de fazer. É como uma viagem de heroína. Sem volta. Talvez também, em homenagem à minha irmã, eu resolva tomar uma cerveja de framboesa. As cervejas frutadas também fazem parte de um cardápio todo a parte. Morango, uva, cereja, mirtillo, groselha. Um verdadeiro festival de cerveja de berries. Eu não sou muito fã de bebida doce. Acho que tem tudo gosto de xarope. Mas, uma vez em Roma...