Ok, eu me rendo! Comecei a assistir Breaking Bad. Não estava muito empolgada para começar a assistir. Embora todos meus amigos digam que é isso, e aquilo, e que é bom demais, e até deram mais um Globo de Ouro para a série, eu não estava muito empolgada com a ideia da trama não. Mas estou gostando da série. Não amando, (como foi quando me rendi à GOT) mas é uma boa diversão. E sem dúvidas, a estrutura da trama é muito boa. Uma bela aula de roteiro. Quem me lembrou foi minha mãe. Ela me ligou ontem para descobrir como acessar o Netflix da smartTV dela. Foi então que lembrei que eu também tinha Netflix na minha. E já que eles estão exibindo as 5 primeiras temporadas, porque não!? Sentei ontem e vi os três primeiros episódios. É o tempo de entender como a trama funciona - e acabar viciado pela série. Hoje avancei até metade da segunda temporada. Gosto de como os personagens são tridimensionais. Como eles possuem nuances, falhas de caráter, inseguranças, vícios, defeitos. São personagens bem humanos. Detesto quando as séries colocam as pessoas de maneira maniqueísta. Às vezes parecem robôs. Gosto de gente complexa, com jeito de gente de verdade. Me deu vontade de escrever mais roteiro. E de ver logo a próxima temporada de GOT. Na verdade é o que me deixa mais ansiosa. Todas as outras séries são passatempos enquanto não vem GOT. Bom, o inverno vai chegar. Enquanto isso eu atualizo minha lista de séries, estudo mais Doc Comparato e, quem sabe, com a arrumação do escritório, volto a escrever. Não escrevi nada ainda esse ano.
"...estou procurando, estou procurando. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi." (Clarice Lispector - Paixão Segundo GH)
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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Página 1 de 365
Existe aquela brincadeira no Twitter de que cada ano é um novo capítulo da vida, com 365 páginas. Então as pessoas escrevem sobre seus dias e acrescentam a hashtag #PageXof365. Para marcar as páginas do livro, e os dias da vida. Adoro a ideia. A ideia de que cada dia é uma página em branco. Eu adoro o desafio de páginas em branco. Portanto esse ano resolvi comprar a brincadeira. Escrever um livro inteiro, de 365 páginas. Cada dia, com foto no Instagram e texto aqui no Blog. Um livro de 2014. Espero que a brincadeira não fique entediante. Sinal de que a história não está bem contada. Mas vamos. É um novo ano. É uma nova proposta. E eu comecei assim:
Ainda no Rio. Recebi uma notícia muito triste de um grande amigo. Chorei aos baldes quando desliguei o skype e quebre a promessa que tinha feito à meia-noite de não fumar mais. Depois resolvi esperar. Esperar o que a vida traz de notícias. Esperar até ter certeza da gravidade das notícias. E celebrar a vida que é certa. Saí com amigas em busca de uma cachoeira, mas parece que foi a ideia de todo o resto da humanidade. O Rio está quente, insuportável, lotado. Começo a sentir ímpetos de fuga. De sair daqui desesperadamente. Mas o final da tarde foi mais fresco. Foi de encontro grande com a turma no Posto 8 para ver o Sol se por e muito sentimento de pertencimento. Existe essa palavra? Pertencimento? Inventei!
Primeira lição do ano: É preciso prestar mais atenção nas ações das pessoas do que nas palavras. Palavras são vazias. As ações é que contam. Esse é um ano para calar as palavras que recebo e redobrar a atenção às ações à minha volta.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
SOBRE DÉBITOS E AREIA MOVEDIÇA
Ano passado, quando tirei férias e fiz uma roadtrip pela Itália, havia prometido ao Alê que passaria na volta por Barcelona para ficar um pouco com ele. Acabei cancelando e voltando antes para o Brasil por causa de alguns problemas de trabalho. Em janeiro havia me programado para uma nova temporada européia, e novamente prometi passar para ficar uns dias com o Alê. Cancelei a viagem por vários motivos, e aumentei meu débito de amiga que promete e não cumpre. Dessa vez cruzei o oceano novamente, mas nem considero uma viagem. Vim para um retiro budista em Sintra e resolvi aproveitar para visitar algumas amigas que tiveram filhos no último ano. Para quitar o grande débito, resolvi que chegaria por Barcelona, para cumprir a promessa e rever essa cidade que não tive a oportunidade de absorver de verdade da outra vez que estive. Acabei ficando uma semana inteira com o Alê, e foi como era quando estávamos saindo da FAAP e passávamos as tardes e noites por São Paulo. Continuamos os mesmo. Envelhecemos, mas continuamos os mesmos. Alê me leu alguns trabalhos lindos que tem escrito. Acho um desperdício tão grande ele não colocar um pouco mais de esforço em produzir e publicar. Alê é de verdade um escritor fantástico, um pós-beatinik com muito mais autenticidade do que todos os posers que tentam ser undergrounds no Brasil. Ele foi uma grande inspiração para mim. Foi por causa do Alê que comecei a pensar a sério em escrever, como profissão, como vida. Na verdade essa é a única coisa que realmente fazemos bem. Somos bons em várias coisas, somos versáteis, mas nossa essência é essa. Nós dois somos pessoas que escrevem. Alê tá levando uma vida ótima em Barcelona. Seu apartamento é espaçoso e confortável, tem até um terraço grande com churrasqueira, onde ele estende uma rede e planta girassóis. De onde também se avista as torres da Sagrada Família. O prédio não tem elevador, e nos primeiros dias senti meu pulmão desafiado para subir os 123 degraus até o sexto andar. Eu contei. Acho gostoso ver essa vida simples, sem extravagâncias que ele está levando. Coisa que nos é quase impossível em São Paulo. Faz quase três anos que eu me restabeleci, só com uma mochila de roupas velhas e surradas, e já acumulo mais coisas do que o Alê em 7 anos fixos em Barcelona. Porque acabamos tão rapidamente como acumuladores inúteis? Mesmo olhando para minha bagagem de não-viagem agora - já que não vim de mochila dessa vez - tenho a certeza de que carrego só o básico, mas o meu básico está excedendo os limites de despacho. Esse é o tal do piloto automático. Ficamos tão acomodados nessa vidinha de rotina e conforto urbano, que vamos afundando no supérfluo sem nem nos darmos conta. Vira areia movediça. O dia que você se pegar assinando contrato de casa em condomínio fechado, e blindando o carro para poder ir ao cinema no shopping, sinto muito! É porque já perdeu o fôlego e nada mais te salva. Quando eu quebrei com tudo e resolvi ir em busca do que me fazia sentir viva, eu achei que era uma coisa definitiva. Que aquela experiência e aquela transformação me pertenciam eternamente, e que eu nunca precisaria me preocupar de estar absorvida no nada novamente. Então eu estava arrumando minha mala ontem, me perguntando como era possível o meu “básico” ser tanto assim, quando me ocorreu que é preciso um trabalho contínuo. Aqui estou eu já afundando novamente, ligando o piloto automático e deixando tudo o que realmente me faz feliz para uma outra hora. É preciso acordar todos os dias, e quebrar essas amarras sociais todos os dias. É preciso partir e buscar o que nos faz vivos todos os dias. Porque quando relaxamos, quando nos acomodamos no que pode ser seguro e certo - ainda que seja a segurança e a certeza de que nos transformamos - a areia movediça nos engole, e passamos nossas semanas entre a rotina de trabalho, a cerveja com os amigos, o programa de TV, a pizza do sábado e a busca nas araras e prateleiras das lojas de uma satisfação que não está ali para vender. Compramos o que nos oferecem para que sirvam como substitutos. Compramos qualquer coisa que esteja ali para vender. Se não nos reinventamos todos os dias, e nos atiramos no mundo com os olhos ávidos pelo novo, pelo maravilhoso todos os dias; se não nos dispomos a experimentar, transgredir, inovar, podemos assassinar nossos talentos, endurecer nossa alma, até o ponto de que nem a memória nos resgate a euforia de sermos nós mesmos. Quando nos perdemos na insatisfação do trânsito, da política, da corrupção, dos impostos, da crise, deixamos de usar essa energia para mudar de lugar, e mudar nossa perspectiva. É preciso estar em constante movimento, constante renascimento. Resgatar nossas essências do lodo desse mundo amortecido, hipnotizado. Deixei meu livro em cima da mesa de centro do Alê. Escrevi na dedicatória: “Senta essa bunda na cadeira e escreva. É só isso que a gente sabe fazer. Te amo. d.”
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
FLORESCENDO
Semana cheia de surpresas. Se por um lado a saúde anda frágil, por outro tudo o que eu escrevo me faz mais feliz. Minhas colunas no PPQO essa semana foram avassaladoras. O John passou a semana empolgado, dividindo comigo os stats e celebrando um dos textos mais lidos de todo site. Fico feliz. Não só porque massageia o ego, e meu ego é um bichinho adestrado que faz direitinho seu trabalho histérico e carente; mas também porque sei como o PPQO é um projeto legal, como tem gente boa e com muita garra investindo nesse site, e se meu texto ajuda a contribuir para o sucesso, então VIVA! É aquilo que estava dizendo, quando escrevo perco o direito sobre o texto, e acredito que ele só se realiza quando passa a ser lido. Uma vez ouvi que “a folha está sempre em branco”, porque mesmo quando superamos o bloqueio criativo e escrevemos, o texto só se realiza quando é lido. Enquanto ninguém lê, a folha continua em branco. É um pensamento que me agrada. Além do sucesso das colunas, uma grande novidade. Vamos virar livro! Pois é. Ainda acontecendo de forma embrionária, mas em breve as melhores colunas do PPQO vão ser editadas em livro. Luxo duplo desse ano em que já debutei em tantas coisas. Falta enfim terminar meu livro autoral. Falta é muita vergonha na cara. De qualquer forma já agendei na Tattoo You um horário para fazer minha tatuagem. Minha primeira. Vão ser flores de cerejeira, uma para cada conquista literária. O objetivo é ficar velhinha um dia com o ombro mais florido do mundo. :-)
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Escrever é uma coisa engraçada. Não é o tipo de coisa que dá para encher muita linguiça. Você não consegue disfarçar falta de conteúdo. Ou tem, ou não tem. Você pode ser um ator medíocre, mas ainda assim sair em capa de revista, protagonizar novela das 9 e ganhar muito dinheiro fazendo campanhas publicitárias. Mas você não pode ser um puta escritor, sem ser um puta escritor. Você não pode provocar as pessoas sem ter opinião. Você não vai conseguir prender o leitor no seu texto, surpreender, emocionar, se não souber exatamente o que está fazendo. Se não tiver um bom domínio de seu estilo, se não escolher as palavras certas. É diferente de quando a gente fala. Em uma conversa. Nossa opinião fica diluída no ambiente, nas inflexões usadas, no tom de voz. No histórico que temos com o interlocutor. Se falamos com uma pessoa que gosta da gente, a tendência ao conteúdo do discurso ser bem recebido é maior. Quando alguém manifesta uma opinião contrária a nossa, nos inflamamos e falamos por cima, cortamos o raciocínio, fragmentamos a explicação. Escrever é colocar em público o processo de reflexão que muitas vezes não ousamos partilhar em uma conversa, porém a reação a leitura é muito mais forte do que a da palavra falada. Quando se lê, apropria-se do que está escrito. Ainda que o conteúdo seja pessoal, único e intransferível, há quem se ofenda com as palavras dos outros. Quando escrevo perco o direito às palavras. Aceito a livre interpretação do meu interlocutor. Talvez também por isso eu não responda comentários aqui. Quando comentamos um texto, comentamos mais o reflexo que enxergamos nele, do que as intenções de onde eles saíram. Não seria educado intervir na auto-imagem de ninguém.
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