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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

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Nós, alguns dos colunistas, com o Davi Kinski, diretor do documentário, e os donos do PPQO, João Luis Vieira e Luciana Vendramini.


Parece que o PPQO vai virar um documentário. O João chamou a gente hoje para fazer um teaser de captação para a produtora. Eu não esperava a estrutura toda que estão montando. O pessoal da produção parece ser bem sério e dedicados a fazer mesmo acontecer. Eu tendo a ser um pouco cética com projetos. Cansei de ouvir sobre projetos que estão rolando, fazendo e acontecendo, e no fundo nunca saem do papel. Mas esse pessoal parece que está mesmo afim de fazer. Acho legal que role. Para o site, para a discussão de igualdade que defendemos. Fico bem feliz de fazer parte, embora morra de vergonha. Aprendi a construir várias ferramentas de interação social, mas no fundo acho desconfortável e doloroso ficar em frente a uma câmera e falar de mim. Então eu sentei e fiz o depoimento como quem arranca bandaid de machucado. Puxando rápido para não pensar muito na dor. Saiu. Vamos ver se sai também o documentário. 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

FLORESCENDO



Semana cheia de surpresas. Se por um lado a saúde anda frágil, por outro tudo o que eu escrevo me faz mais feliz. Minhas colunas no PPQO essa semana foram avassaladoras. O John passou a semana empolgado, dividindo comigo os stats e celebrando um dos textos mais lidos de todo site. Fico feliz. Não só porque massageia o ego, e meu ego é um bichinho adestrado que faz direitinho seu trabalho histérico e carente; mas também porque sei como o PPQO é um projeto legal, como tem gente boa e com muita garra investindo nesse site, e se meu texto ajuda a contribuir para o sucesso, então VIVA! É aquilo que estava dizendo, quando escrevo perco o direito sobre o texto, e acredito que ele só se realiza quando passa a ser lido. Uma vez ouvi que “a folha está sempre em branco”, porque mesmo quando superamos o bloqueio criativo e escrevemos, o texto só se realiza quando é lido. Enquanto ninguém lê, a folha continua em branco. É um pensamento que me agrada. Além do sucesso das colunas, uma grande novidade. Vamos virar livro! Pois é. Ainda acontecendo de forma embrionária, mas em breve as melhores colunas do PPQO vão ser editadas em livro. Luxo duplo desse ano em que já debutei em tantas coisas. Falta enfim terminar meu livro autoral. Falta é muita vergonha na cara. De qualquer forma já agendei na Tattoo You um  horário para fazer minha tatuagem. Minha primeira. Vão ser flores de cerejeira, uma para cada conquista literária. O objetivo é ficar velhinha um dia com o ombro mais florido do mundo. :-)

segunda-feira, 18 de março de 2013

COMO ENTENDI QUE O APEGO É MINHA MAIOR FORÇA



Em dezembro o João Luiz Vieira me convidou para escrever para o Paupraqualquerobra.com.br. O site é um projeto antigo dele, um portal que fala sobre sexo, relacionamento, comportamento e direitos de gênero. A princípio fiquei com medo, porque tenho uma pegada bem careta e tradicional. Meu texto é de mulherzinha. Mas era exatamente isso que ele procurava, então lá fui eu, achando que seria bombardeada. Em três meses o site alcançou 50mil acessos diários. É um fenômeno. E minha coluna, que entra todos os sábados, é super bem recebida. Virou uma diversão procurar assuntos e temas para a coluna da semana. Fuço pela internet, converso com amigos, ouço histórias. Às vezes o tema cresce sozinho e a coluna repercuti muito bem. Outras nem tanto. Mas é assim mesmo que funciona. Estou me divertindo tanto com a nova temática que tenho feito muitas pesquisas bibliográficas. Uma vez por semana dou um pulo na livraria e ataco a sessão de livros de “autoajuda”. Ali a gente encontra 90% do que está errado nas expectativas de relacionamentos das pessoas. Ainda se acredita que um relacionamento interpessoal pode ser conduzido como receita de bolo. Faça isso, não faça aquilo. Sem levar minimamente em consideração as nuances de personalidade de cada pessoa, suas necessidades emocionais, sua base afetiva. Ler livros do naipe de “Como fisgar um homem em 50 lições”, ou “Tudo o que você queria saber sobre as mulheres (mas nunca teve coragem de perguntar)” me ajuda a entender e conversar na coluna sobre as angustias dos relacionamentos. No geral somo todas pessoas carentes, querendo encontrar o amor de alguma forma. Sempre acreditei nisso. Mas nem sempre essas referências bibliográfica são pataquadas caça-níqueis. Vez ou outra eu esbarro com um livro que realmente aborda questões pertinentes sobre relacionamentos e sobre a forma das pessoas se relacionarem. Semana passada esbarrei em um livro que me trouxe luz e clareza sobre as necessidades de apego (sobre as minhas inclusive): Apegados - Um Guia Prático e Agradável para Estabelecer Relacionamentos Românticos Recompensadores, de Amir Levine e Rachel S. F. Heller. A dupla de psicólogos pegou a teoria do apego desenvolvida nos anos 50 por John Bowlby e passou a aplicar estudos com esse foto em relacionamentos românticos. O resultado é fascinante, entendendo as maneiras de se relacionar de forma autêntica e colocando por terra todas as teorias de regras para estabelecimento de intimidade e comprometimento. Eu particularmente adorei o estudo, porque coloca por terra a eficiência dos joguinhos românticos. Odeio jogos e nunca fui praticante, mas já tive dúvidas sobre se não deveria praticá-los. Se eu não deveria me mostrar menos disponível, ou “me fazer de difícil”. Se eu não deveria evitar manifestar minhas necessidades emocionais, porque não queria ser considerada frágil. São crenças cada vez mais em voga na nossa sociedade, que exalta a autossuficiência como um grande mérito. E vai acabar levando uma geração inteira a envelhecer solitária e infeliz. Eu sempre achei que a força vem da união, da capacidade de se entregar, de se submeter, de criar intimidade e vínculos profundos com outra pessoa. A maior descoberta para mim, no entando, foi finalmente entender que, para algumas pessoas, isso é completamente impossível. Que a intimidade é violenta e sufocante para algumas pessoas e elas terão muitas dificuldades para realmente construir uma relação de cumplicidade e apoio mútuo, constantemente criando armadilhas inconscientes para afastar o outro. Daí vem a infindável gama de relações infelizes que vemos por aí, onde pessoas se sentem sufocadas, ou frustradas, inseguras, carentes. É tudo uma questão de saber entender a linguagem afetiva do outro e assumir se somos capazes de falar a mesma língua.