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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

AH, O VERÃO...


Falta mais de um mês para o verão, mas o clima aqui em casa já está na minha estação favorita do ano. Minto. Segunda estação favorita do ano. (Outono sempre vai ser outono!).  O que isso significa? Chás gelados pelas tardes preguiçosas? Manhãs na beira da piscina respondendo emails pelo celular? Vestidinhos esvoaçantes para tomar sorvete aproveitando o horário de verão? Nada disso! Significa que as gatas estão soltando mais pelos do que elas tem nos corpos, e uma vez por dia temos a sessão “Chamem a Sociedade Protetora dos Animais, porque estão nos matando!”. Uma vez por dia eu preciso travar uma batalha hércula para escovar as gatas e aliviar a quantidade de pelos pela casa. Holly é a mais escandalosa. Grita, mia, chora, esperneia, tenta me morder. Arranhões nos braços, camisetas rasgadas. E lá se vai um chumaço de pelos. O tempo todo tenho que controlar a Sabrina também, que fica pulando na minha cabeça, tentando salvar a irmã - e, invariavelmente, comendo os chumaços de pelos que saem da escova. Depois é a vez de Sabrina, que é mais passiva. Sabrina não resiste à nada, e tem sido um grande aprendizado. Ela simplesmente se deixa escovar. Se submete. Do mesmo jeito que se deixa abraçar, apertar, beijar, virar de ponta-cabeça. Depois ela apronta e faz tudo do jeito dela. Acho uma grande lição de vida, não resistir. Mas, em sua não resistência budista, Sabrina ainda protesta pelas escovadas. Mia, um miado agudo em apinéia. Arrastado ao longo das passadas da escova. Um lamúrio pela entrega de seus pelos descartados. Então vem a parte da alergia. Rinite ataca, crise de asma. Allegra, bombinha, colírio. Banho. Passar luvas de borracha sobre as roupas, as almofadas, os travesseiros da cama. Mais chumaços. Antes a gente pudesse tosar gatos como fazem com cachorros. Deixá-los aterrorizantemente pelados. Penso de que forma isso destruiria o orgulho de Holly. Sabrina certamente se submeteria a virar um Sphynx. Mas eu amo as duas do jeito que são. Vomitando bolas de pelos, desencadeando crises de asma, fazendo escândalo para os vizinhos. O que vale mesmo a pena na vida são as coisas que dão trabalho. Aquelas que a gente incorpora na rotina. 

terça-feira, 29 de julho de 2014

DISCIPLINA FELINA


Aqui em casa eu tenho um sistema para disciplinar as duas gatas. Na verdade o sistema foi criado com a Holly, e a Sabrina veio para ajudar a aliviar a tensão da irmã que já estava me enlouquecendo. Bom, é algo simples. Na primeira eu falo “não”. Forte e firme, para deixar bem claro que estão fazendo coisas erradas. Geralmente não é suficiente, então eu tenho que repetir “não” mais algumas vezes e ameaçar a levantar. Daí sim funciona. Outras, mesmo isso, beirando ao grito, não é suficiente. Então eu uso o borrifador. Minha prima veterinária que indicou. Borrifar água quando elas estivessem fazendo algo errado, ou subindo em algum lugar onde não deviam. Teoricamente o jato de água deveria ser traumatizante e elas parariam de repetir o comportamento depois de algumas vezes. Certo. Gatas normais fariam isso. Holly desenvolveu uma teimosia tão sofisticada (para quem será que ela puxou!???) que nos dias em que está mais atacada ela enfrenta o borrifador, fecha os olhos e encara o jato de água como se fosse uma refrescante água termal Vichy. Quando elas enlouquecem, destróem meus enfeites, quebram copos ou derrubam garrafas de vinho no sofá claro, daí eu faço um escândalo. Dou bronca, corro atrás, e coloco de castigo na varanda. É eficiente. Holly sempre sabe porque está sendo castigada, e aceita com dignidade a vergonha e humilhação. Bom, eu sou uma pessoa virginiana. Gosto de organização, harmonia de cores, padronização de formas. Ter gatos faz com que eu me sinta constantemente descabelada. Ou eu aceito que minha casa nunca mais vai ficar perfeita, ou vou passar o dia aos nervos, gritando com elas o tempo todo. Na maior parte do tempo elas dormem. Dormem muito, enroladas uma na outra. Mas à noite... É como se ligasse um bando de crianças de 5 anos, em véspera de excursão, abastecidas com café e muita açúcar. Ficam enlouquecidas. Pulam, miam, se agarram. Rasgam as unhas nas cortinas, jogam almofadas no chão. Passam voando pela minha cabeça, em cima do computador e apagam coisas importantes. Só ouço os sininhos dos pescoços fazendo as 500 milhas de Indianápolis no meu apartamento. Ainda assim, Sabrina é bem mais suscetível às técnicas disciplinadoras do que Holly. Sabrina responde aos “nãos”, e não pode nem me ver colocar as mãos no borrifador. É a irmã mais nova que tem medo de entrar em encrenca. Hoje cedo Holly ficou de castigo. Passei ontem a tarde com minha mãe e minha tia procurando um vasinho solitário para colocar uma rosa que ganhei do florista. Achei um fofo, no formato de uma garrafa, em vidro jateado verde. Coloquei junto com uma caixinha de música em formato de carrossel, no meu cantinho de leitura. Claro que algo que fica em pé, cheio de água, é o tipo de coisa que Holly acha divertidíssimo derrumar. Passou a manhã se equilibrando na mesinha, tentando acertar a pata na rosa, se esgueirando pelo vão da escada, até que derrubou o vaso, a rosa e encharcou a caminha delas (onde elas nunca dormem, óbvio!). Foi um caos! Corri, escorreguei, puxei a gata pelo rabo debaixo do sofá da sala e coloquei de castigo na varanda. Sabrina ficou em pânico e passou o tempo todo do castigo miando para a porta de vidro. Mas de uns tempos para cá, Sabrina tem colocado as garras para fora - e nas poltronas também! - como toda irmã caçula que se preze, está aprendendo direitinho como enfrentar a disciplina. Agora à noite eu estava trabalhando. Cansada e estressada, naquele momento que o cérebro está quase dando tilt, quando a bateria do computador ficou no vermelho. Puxei o carregador e conectei em uma tomada atrás do puff. Tirei a tela que comprei em Cuba (e está alguns meses esperando ser pendurada) e apoiei no buffet, na frente da minha coleção dos gatos de cerâmica que trago de minhas viagens (cada país que vou, compro um gato. Tenho gatos do mundo inteiro). Quem tem gatos sabe que nada é mais atraente para eles do que novas coisas na casa, mudanças de móveis ou objetos de posição. Um quadro, perto de uma infinidade de bichinhos que podem ser empurrados no chão... Claro que ela achou a coisa mais divertida do mundo empurrar minha coleção de gatos, quebrar alguns e descer com as unhas de fora, escorregando pela tela cubana. Falei o “não”, os vários “nãos”, joguei água e, por fim, cacei Sabrina por toda a casa, com grande estardalhaço, para colocá-la de castigo. Seu primeiro castigo na vida. Coloquei a gata na varanda, expliquei o que ela tinha feito de errado, e fechei a porta de vidro. Holly, que já está cansada de saber como a coisa funciona, subiu para o quarto e ficou bem longe para não levar de tabela. Sabrina miou, miou mais um pouco, e por fim ficou quieta. Quieta até demais. Depois de uns 10 minutos, o tempo habitual que costumo deixar Holly de castigo, fui abrir a porta para deixar Sabrina voltar para casa. Quando Holly fica na varanda, geralmente ela está sentadinha em um canto, quieta e envergonhada, aguardando a permissão de voltar para dentro. Sabrina, por sua vez, estava pendurada na tela, abrindo o segundo buraco, planejando uma fuga para o vizinho. Dizem que com filho é a mesma coisa, né!? Os caçulas aprimoram as técnicas dos mais velhos. 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

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Hoje foi dia de dar banho nas gatas. Sim. Eu dou banho nas minhas gatas. De 15 em 15 dias. Sou virginiana e tenho asma. Então é assim aqui em casa. Muito Allegra, muito bronquiodilatador e gatas escovadas e banhadas frequentemente. Dar banho em gato pode ser bem arriscado. Em duas então... é preciso desenvolver técnicas ninjas! Quer saber como dar banho em gato? Aqui vão dicas práticas para se superar na arte de banhar felinos e sobreviver para contar:

  1. Antes de mais nada, tranque a gata no banheiro. Se ela descobrir suas intenções, podem se passar alguns anos até que você encontre onde a gata se escondeu. 
  2. Esteja pronta para se molhar. Você vai. Muito.
  3. Proteja seu corpo. Roupas de neoprene 7mm são úteis. Uniformes de rugby, ou um escafandro, também. 
  4. Coloque uma música bem alta. Para abafar os gritos da criatura e evitar que os vizinhos chamem a Sociedade Protetora dos Animais.
  5. Corte as unhas da gata antes. (Essa é uma outra missão impossível, mas evita que você precise de pontos depois). 
  6. Feche a janela do banheiro. Acredite, sua gata pode sair voando, mesmo que seja por uma fresta, para fugir da água.
  7. Deixe água oxigenada e nebacetin à mão. Você vai precisar!
  8. A cabeça é a parte mais crítica. Comece sempre lavando o corpo todo primeiro antes de molhar a cabeça.
  9. Seja rápida ao lavar a cabeça. Elas ficam insandecidas.
  10. Aguente as mordidas com bravura!
  11. Converse com a sua gata durante o banho. Eu procuro dizer coisas como “Eu sei, eu sei, é horrível!”, “Desculpe! Já vai acabar, eu juro!” ou “Calma, meu amor, calma! É como a chuva, é igual tomar chuva.” (Funciona. Holly sempre me abraça e parece um bebezinho abandonado quando falo essas coisas.)
  12. Seja firme. Não tenha medo de segurar as patas, o corpo, puxar a pele da nuca ou quebrar algum membro (da gata ou seu) para imobilizá-las quando necessário.
  13. Enxugue a gata o máximo que puder com uma toalha antes de usar o secador. Quanto menos você precisar do secador melhor. Para as duas.
  14. Assim como a água, a cabeça é a parte mais crítica para secar. Eu as deixo se esconderem no meu colo, enquanto seco o restante do corpo.
  15. Abra mão de secá-las totalmente. É impossível!
  16. Elas vão te odiar por alguns dias. Prepare-se para retaliações.

sábado, 30 de março de 2013

NA OSTRA



Eu passo longos períodos na ostra. Outro dia um amigo meu até me falou que isso era problema de autoestima. Não é não. Gosto de ficar em casa. Gosto de ficar reclusa, sozinha. Ler, trabalhar, escrever. Elaborar planos mirabolantes. Bundar no sofá vendo besteira na TV. Ficar enroscada com a gata na cama. Fazer roteiros para minha próxima viagem. Às vezes coloco uma música e fico horas olhando pela janela. Outras, abro o aplicativo de algum jogo bobo no celular. Dependendo do que eu esteja estudando, tiro diversos livros de ordem da estante, desço todos para a sala. Vou folheando aleatoriamente. Quando canso, levanto para descascar uma fruta. Fazer um chá. Então me distraio com uma revista ou com um livro de receitas sonhando em realmente um dia fazer todas. Eu realmente gosto muito da minha casa e da minha companhia. Chego às vezes até a ficar irritada se o telefone tocar. Como se alguém estivesse atrapalhando a incrível simbiose minha comigo mesma. Hoje, no final da tarde, resolvi ir à pé até a Livraria Cultura comprar um livro de roteiro que estava faltando para minha pesquisa e um presente de aniversário para o meu sobrinho amanhã. Quem sabe um novo CD com um concerto de Rachmaninov. Pensei em dar um passeio, respirar ar puro depois de dois dias de computador e livros. Tomar um café olhando a rua. Os primeiros minutos foram até revigorantes. Me senti animada em ver as pessoas. Pegar metrô, ouvir conversas. Fiquei pensando comigo mesma como eu deveria me obrigar a sair mais, a fazer mais coisas à pé e na rua. Gosto tanto da cidade e há tanta diversidade. Desci na Paulista e tinha um grupo de bailarinas dançando na ponta para ganhar uns trocados. Mais a frente um senhor tocava clarineta. Ah, que delícia de cidade! Então eu entrei na Livraria Cultura, no final da tarde de um sábado de feriado. E me lembrei porque eu detesto gente. Aquele caos, a cacofonia. Gente aos montes, falando alto, tropeçando, esbarrando no meu ombro. Pessoas que param para conversar no meio da passagem, e outras lerdas que sobem escadas pensando na morte da bezerra. Filas enormes. Crianças chorando. Uma falta de educação coletiva revoltante. E asssim, de repente, foi-se toda minha predisposição em fazer parte do mundo um pouquinho. Corri para o primeiro vendedor que achei, comprei os livros protocolarmente, e desisti do CD ou do café. Já sou ansiosa demais no meu íntimo. Tanta bagunça me deixa nervosa. De volta a ostra me sinto tranquila novamente. Vou ler, fazer algo para comer e quem sabe depois alugar um filme no Now. Sábados são terríveis para sair da ostra. Eu até gosto de fazer parte do mundo, mas fora dos horários comerciais. 

domingo, 24 de março de 2013

O CAOS, MINHA GATA E O PARADOXO DA DEPENDÊNCIA

Uma das minhas grandes lutas é trabalhar minha mania de controle. Eu sou uma pessoa controladora. Perfeccionista. Cheia de manias. Tenho momentos em que a virginiana bate forte. Gosto de ordem e método. De planejamento, organização, rotina. De saber com antecedência das coisas para poder organizar da maneira como eu acho mais adequada. Gente assim sofre, eu sei. Nunca satisfeita. Acho que por isso de tempos em tempos sinto uma necessidade tão grande de sair da zona de conforto. Ir para o caos, para o inseguro. E depois volto e tenho períodos de mania extrema, onde arrumo o homeoffice, jogo fora sacos de papéis (às vezes alguns importantes) e organizo os livros em ordem alfabética. Na minha casa eu tinha manias que beiravam o TOC. A ordem das almofadas no sofá, o alinhamento dos livros de foto em cima do rack. Até a maneira de dobrar o paninho da pia. A Kika me enchia o saco porque parecia que ninguém morava na minha casa. Fica aquelas salas congeladas, com cara de novela, de revista. Totalmente sem vida. Até que, um ano atrás, eu tive um desses meus momentos impulsivos. Saí para dar uma volta, passei em uma feira de doações e trouxe a Holly para casa. Lindinha, toda bebezinha. Até que ela crescesse o suficiente para subir em todos os móveis e descobrisse como afiar as garras na minha poltrona retrô, a casa ainda refletia meus distúrbios de organização. Não demorou muito para eu entender que quem manda na casa é ela. Enche de pêlos, derruba CDs, quebra enfeites, desaparece com anéis que eu amo. Nunca sei para o que vou acordar, ou voltar para casa. A casa sempre se transforma com ela. De certa forma me ajuda a relaxar. A aceitar um certo caos incontrolável no meu íntimo. Hoje acordei tarde com dor nas costas, porque a gata estava estirada bem no centro da cama, me jogando para escanteio. Levantei e pisei descalça na bombinha de asma que ela tinha transformado em brinquedo no meio da noite. O chão cheio de lenços de papel. No banheiro o tapete estava revirado, dois potes de gel para cabelo no chão e diversos cotonetes jogados dentro da pia. Ela, sem cerimônias, foi pulando os obstáculos e parou em frente ao box miando para eu abrir a porta. Holly agora deu para só beber água no box. Na sala, um furão de pelúcia está em cima do receptor da NET, sacolas que usei para comprar vinhos ontem estão destroçadas pelo chão, marcas de patas em cima da mesa e mais uma mancha no sofá porque ela derrubou suco ontem à noite. Como eu fiquei fora o dia todo ontem e voltei bem tarde de madrugada, Holly achou legal também jogar um tanto de areia para fora da caixa. A poltrona jangadeiro está com fios puxados, existem rolhas nos vãos do sofá e bolinhas de amendoim japonês que ela pegou para brincar embaixo do puff. Holly está em cima da pia, tentando pegar os pingos d’água que caem da torneira. Com a mudança da ordem eu também já deixo louça suja dentro da pia e livros espalhados pela casa. O IPAD carregando no chão, o celular embaixo da mantinha da TV e caixinhas de lenço em cima dos móveis. Me abrir para o caos que outro possa criar me faz ser mais humana. Deflagra minha fragilidade e imperfeição, e é exatamente isso que me faz inteira. Ainda não sinto que tenho muito espaço para viver com outra pessoa. Mas permitir que um ser vivo entre em minha vida e desconstrua meus ideais controladores, me ajuda a ficar mais aberta para o que a vida traz. Amplia minha zona de conforto. Deixa as fronteiras mais largas. Quem sabe assim quando eu tiver que fugir, que buscar o inseguro, eu possa ousar mais. É a maior beleza desse paradoxo. Quanto mais crio vínculos, dependências no meu íntimo, mais livre me torno para ousar. Ganho mais independência. Por enquanto é uma gata que entra e domina minha vida. Ando pensando em fazer agora um jardim, ou uma horta. Quem sabe no final do ano comprar um cachorro. - O Cavallier que sempre sonhei. - Aos poucos vou me deixando depender de outros seres vivos. Se uma gatinha está me deixando tão livre de mim mesma, imagine quando eu for enfim capaz de depender de alguém. Acho que então vou poder conquistar o mundo. 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

GATA ESCALDADA




Ontem resolvi dar banho na gata. Pois é, eu dou banho na minha gata. Dizem que não pode. Pura lenda. Verdade que gatos são infinitamente mais limpos do que cachorros e, por isso, não precisam de tantos banhos. Eles se lambem o tempo todo, e a língua deles já vem com uma espécie de “escovinha” que mantém os pelos limpos. Conheço gente que dá banho nos gatos de 6 em 6 meses. Acho exagero. Principalmente porque são bichinhos que não conhecem muitos limites, então eles vão subir no sofá, na mesa, na cama... Questão de higiene. Eu gostaria de dar banho na Holly toda semana. A alergia é à saliva e não ao pelo. Os banhos ajudam muito no consumo de lenços de papel. Mas a veterinária e tia disse que pode causar dermatite. Então eu dou banho a cada 15 dias e alterno com limpezas de baby wipes e escovadas diárias. Tudo isso, junto com Allegra D diário, funciona. Eu e a gata podemos conviver no mesmo espaço. Mas ontem ela não escapou. Subimos eu, toalha, shampoo e gata. Enchi a pia com água morna e tchibum! Holly até que não esperneia ou arranha muito. Julie era complicada. Houve vezes que o pessoal do Pet Shop a devolveu sem banho porque não conseguiram. Julie era kamikase. Holly é paz e amor. Isso não quer dizer que ela não reclama. Reclama. Muito. Grita, mia, me olha decepcionada. Como se eu fosse o ser humano mais cruel do mundo. Dá para sentir no tom do miado o quão magoada ela está. Se algum vizinho estivesse ouvindo tenho certeza que ligaria para a Sociedade Protetora dos Animais. Se algum dia minha foto aparecer rodando o Facebook, podem ter certeza! Eu estava dando banho na gata. Mas Holly é sem vergonha. Faz um escândalo quando está molhada, mas depois de seca e perfumada, pula na minha cabeça e me lambe a cara. Talvez seja vingança pelo banho dado. Como se ela soubesse que eu evito a saliva. Vem e me lambe a narina. Sua estratégia espiã de me causar mais alergia. Ou talvez Holly seja adepta do olho por olho. Você me dá banho, eu dou banho em você. 

domingo, 22 de abril de 2012

O DIA DA TIA DRI


Ontem fiz o “Dia da Tia Dri” com meus sobrinhos porque minha irmã e meu cunhado foram para um congresso em MG. Dormi na casa deles na sexta à noite. Eles sempre pedem para eu dormir lá. Adoram ter a tia acampada no quarto deles. No sábado me acordaram super cedo. Depois do café da manhã, fizemos cupcakes decorados (que ficaram um desastre), brincamos de fazer cabaninha na sala. Fomos almoçar no shopping. Eles queriam McDonald´s, mas eu fiz um terrorismo sobre como aquilo não é comida e que existe até veneno na carne do hambúrguer, e que se eles comessem iam morrer, então eles escolheram outro tipo de fast food menos nocivo. Bonitinho o mais novinho que ficava assim para mim:

- Tia Dri, McDonald´s é veneno, né!?
- É! Tudo veneno. Se comer muito, você morre.
- Minha mãe não quer que eu morra!
- Viu só! Eu também não quero que você morra.

Adoro a lógica infantil! Depois do almoço pseudo-saudável, fomos assistir “Espelho, Espelho Meu”, que acabou se mostrando mais divertido do que eu esperava, e ainda os levei até a Adventure Sports Fair na Bienal. Cheio de coisas que eu adoro. Encontrei um guia para me levar até o topo do Aconcágua (agora é fazer o preparo físico), descolei um curso de mergulho com descontão, e as crianças enlouqueceram. Viram carros fazendo trilha de 4x4, pessoal descendo uma pista artificial de snowboard, parede de alpinismo, tanque de mergulho, raia com caiaque. Minha sobrinha até arriscou cruzar o vão da Bienal em uma teia de homem-aranha. Ganharam adesivos, subiram em barracas de safáris e fizemos planos e sonhos de aventuras que cada um gostaria de fazer. Para ganhar o título irrevogável de “tia favorita do ano” ainda encarei a fila horrorosa para jantarmos no Outback. Um lugar onde eu só como a cebola gordurosa. Voltamos todos exaustos e barrigudos. Dei banho no menor, coloquei os três na cama e esperei minha irmã voltar e ainda ficamos batendo papo por uma boa hora na sala. Já era meia-noite quando saí de lá. Cheguei em casa cansada, com saudades da minha gata. Abri a porta e chamei a Holly e nada. Ouvi um miado fino, bem distante, quase falhando. Fui em busca do miado no andar de cima, e como ela não aparecia comecei a me preocupar. Imaginei se tivesse caído, se estava atrás de alguma porta. Só então descubro que a gata estava fechada dentro do guarda-roupas. Quando saí na sexta a Jô estava passando roupas. Deve ter subido para guardar, a gata entrou, ela não viu, fechou a porta e foi embora. Lá estava Holly em pânico. Pulou no meu colo e grudou na minha blusa sem parar de miar. Foram 30 horas presa no armário. Eu apertava ela e chorava, me sentindo a dona mais irresponsável do mundo. Levei até a vasilha de comida. Ela comia esganada, enquanto miava e olhava para minha cara. Se eu tentasse sair de perto, largava tudo e corria atrás de mim miando. Voltei. Só comia se eu estivesse do lado. Tive de ficar 20 minutos sentada no chão da cozinha até que ela terminasse de comer. Depois abracei, enchi de beijo e carinho. Mas ela continuou. Tremendo, miando, e se aninhando no meu colo, quase em cima da minha cabeça. Me lambia a cara inteira. Hoje ainda está um pouco manhosa. Passou a manhã dormindo nas minhas pernas enquanto eu escrevia, e agora deu para pedir colo. Vem correndo, sobe no sofá e estica as patinhas para que eu a pegue. Não sei se é trauma ou só manha, porque assim que abri a porta do guarda-roupa de novo, lá foi ela entrar e explorar minhas coisas. Uma bota de camurça foi arruinada, ela fez de caixinha de areia. Em um mesmo dia eu fui de “melhor tia do mundo” para “pior dona da história”. Sem escalas. Por isso que a gente não pode ficar se achando muito. Sempre vai ter alguma coisa lembrando que as falhas acontecem, elas são humanas. O segredo é sobreviver a elas. (Ou garantir que seus bichinhos de estimação sobrevivam!)

sábado, 7 de agosto de 2010

REI

E falando em Rei, esse me tocou o coração.
Sou mesmo uma cat person...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

CARROCINHA


Meu guru me escreveu esses dias: "o problema de encontrar alguém com muita coisa em comum é que é como encontrar um cachorro na rua abandonado. A gente fica com dó, leva para casa. Mas depois vem as pulgas, as sarnas, precisa dar vacina... e o arrependimento..."
Então não passa de um cão pulguento? Tudo bem. Sou uma "cat person" mesmo...

sexta-feira, 12 de março de 2010

SAUDADES...


Primeira saudades que estou sentindo aqui. Dessas que deixam o coração pequenininho e dá vontade de chorar. Carol me deu uma bolsa de água quente para colocar embaixo dos cobertores durante a noite. Para ajudar a esquentar. A bolsa tem uma capinha de pelúcia e enquanto eu escrevo, me pego acariciando a bolsinha térmica com os pés achando que era Julie. É bem onde ela costumava ficar.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A BARATA

Hoje resolvi dar uma mega geral no closet. O resultado são 8 sacos de lixo GG repletos de roupas e sapatos que vão para doação, reciclagem, ou qualquer coisa parecida. O importante é fazer a energia fluir. Separei em gavetas as roupas que vão para a Europa. Arrumei minha mochilona que vou levar para a Ilha do Cardoso agora no Carnaval e sair sexta cedinho. Minha geladeira só tem água, manteiga e chá verde. Comprei uma lasanha congelada que fiz agora à pouco, depois da meia-noite, quando já estava sentindo tonturas da hipoglicemia e do calor. Para variar, sentei de volta em frente ao computador para trabalhar em um texto que preciso entregar amanhã. Estou comendo, digitando e me abanando quando noto no meu campo de visão algo se movendo. Sempre tive delírios de que pessoas invadiam minha casa. Quando eu era pequena imaginava que uma segunda família habitava nossa casa secretamente quando saíamos. Já tive pesadelos apavorantes (daqueles que você tenta gritar mas sua voz não sai) aqui nesse apartamento, onde pessoas andavam pelo meu quarto e me observavam dormindo. Então quando senti que algo REALMENTE se movia no mesmo cômodo que eu, tive certeza de que meus delírios se confirmavam. Me virei para o ponto de onde vinha o movimento e me deparei com uma barata. Gigante. Daquelas voadoras. Antenas kilometricas. No meu quarto. Andando pela porta do armário e parando empinada na frente da TV. Eu queria gritar. Queria gritar muito, mas quando se mora sozinha, não há muitas pessoas para quem gritar. Principalmente às 3h da manhã. O problema é que eu tenho pavor de baratas. Verdadeiro pavor. E eu sabia que estava em uma situação em que eu precisava confrontá-la. Quando Julie era viva, ela perseguia e matava as baratas para mim. Julie fazia questão de me proteger. Todavia essa baratona era tão grande, que até ela, como gata e lady que era, ficaria em pânico na frente dela. Desci até a cozinha, nada de inseticida. Voltei com um copo vazio de Nutella. Imaginei que pudesse prendê-la dentro do copo com a tampa, e deixá-la lá até ela perder o fôlego e jogar na lixeira depois. Quando voltei, a barata estava atrás da TV. Fiquei com medo de enfiar a cara e ela pular no meu rosto. ARRRRGHHH! Me arrepia só de imaginar. Quando ela veio para frente ensaiei dar o bote com o copo, mas não tive coragem. Aquela barata era mil vezes maior do que eu, e naquele momento eu sentia que tinha o menor braço do mundo. Nessa altura do championship eu estava chorando, pulando e dando gritinhos baixinhos (porque eu tenho vergonha dos vizinhos), a barata desceu correndo e se escondeu no meio dos meus sacos de roupas que estão no chão. Então eu comecei a tremer. Tremi tanto, de medo, pavor, nojo, impotência. Pensei em ligar para alguém, acordar o zelador. Dormir na casa do Kallel. Qualquer coisa que me tirasse do mesmo lugar onde aquele ser estava entocado. Você deve se perguntar: Porque você não deu uma chinelada na barata? E eu respondo: Porque eu não consigo. Nunca consegui. Morro de medo dela espirrar em mim. Medo dela não morrer. Sou absolutamente incapaz perante uma barata. Mas eu estava sozinha. E não ia dormir com aquela barata zanzando em cima de mim durante a noite (ou o que resta dela). Então peguei um par de chinelos velhos, sentei na beira da cama chorando e fiquei esperando a bicha reaparecer. Ela apareceu. Subiu correndo pela porta do armário. Aquela baratona castanha e cascuda, contrastando com a porta branca. Balançando as antenas com força, cada passada com força. Era a maior barata de São Paulo. Ela voou até o quinto andar, passou pela varanda, entrou pela porta da sala. Deve ter passeado pela beira do sofá, e voou de novo até o segundo andar do loft onde está meu quarto. Ela sabe que, com a temperatura tão elevada, ela é senhora absoluta. Era a barata mais atrevida de São Paulo subindo a porta do meu armário. Eu chorava. Me chacoalhava inteira. Fechei os olhos, lembrei dos treinos de handbol no Colegial. Mirei o chinelo, tomei distância e atirei. Bem em cima da barata. Um golpe apenas. Ela espatifou na superfície branca. Borrou de uma meleca castanha e branca o ponto da porta em que eu a interrompi. Caiu no chão, entre os sacos de roupa, de pernas para cima, totalmente imóvel. As antenas estáticas. Eu a acertei de primeira. Depois de remover o corpo para um funeral dígno na privada e dar descarga. Depois de ficar pulando e gritando (agora de verdade, para os vizinhos ouvirem) até meu corpo parar de arrepiar. Depois de ter lavado as mãos e os punhos até minha pele escamar. Depois de tudo, fui limpar a borra da barata no armário. A gosma que havia se esparramado. Lembrei de Clarice e sua G.H. Lembrei daquela mulher que se completa comendo a barata que escapa do armário da empregada. Pensei que, talvez, eu fosse ter uma epifania. Eu, no meio dos restos da minha vida ensacados no chão. Eu me encontrando perdida em um closet vazio que só guarda agora o que vai para minha vida daqui pra frente. Eu, de malas prontas. A assassina de baratas. Poderia ter uma epifania e comer sua gosma. Sua falta de alma. Foi então que me dei conta, olhando para os restos da barata a minha frente. Clarice estava louca. Completamente perturbada. O que G.H. teve não foi uma epifania. Foi um surto injustificável. Comer uma barata? Nem epifania pra explicar. Nem morta! Passei um papel descartável. Espirrei Veja, álcool, até limpa vidros. Lavei mais umas quinhentas vezes as mãos e os pulsos. O chinelo, achei melhor nem tentar colocar para doação. Foi direto para o lixo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Falando em gatos...

Apesar de eu não ir ao cinema há um tempo vergonhoso (ainda mais para quem fez faculdade de cinema), titia não vê a hora de assistir o filminho aí embaixo.
O autor era doente.
O diretor é louco.
O ator é biruta.
A atriz, esposa do diretor, é lesada.
E a direção de arte promete ser soberba.
Me like it!


e tem gatinho!



Por aqui chega em Abril. Espero assistir antes em algum lugar do outro lado do Atlântico.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Eu acho que eu vi um gatinho...

Amo os felinos! Em todas as suas formas. Quem me conhece sabe que eu sou uma cat person, tenho milhões de gatinhos no tema da decoração de casa e me derreto toda, ronrono e me atraco toda vez que vejo um bichano pelo chão.
Hoje descobri que na Indonésia você pode adotar um tigre. Dos felinos, o mais sedutor. Eu acho. Funciona assim:
Você vai até o Ministério Florestal Indonésio, paga um bilhão de rúpias (algo equivalente à US$100mil), separa uma caixinha de areia de pelo menos 60m2 e tcharam!!! Leva um tigre para casa.
O meigo bichinho, conhecido como "Devorador de Homens" por toda a Ásia, continua sendo uma propriedade do Estado Indonésio. A pessoa apenas adquire a pemissão de criar o pet em casa.
Óbvio que isso é uma grande preguiça das autoridades em preservar a região em que esses animais são mantidos em estado selvagem (e que está sendo super desmatada), mas ainda assim. Quem resiste a esses olhinhos?