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sábado, 21 de fevereiro de 2015

FECHANDO SAN ANDRES

Eu queria ter escrito antes, mas fiquei tão envolvida com San Andres que a última coisa que pensei foi em atualizar o blog. Depois cheguei em Cartagena onde encontrei uma amiga, e é mais difícil conseguir ter tempo para ficar sozinha e escrever quando se está viajando com alguém. Senti falta. 


A entrada da Pousada Playa Tranquilo, de Mo e Ray, e a vista feia com a qual me acostumei.


Mas antes de falar sobre a linda Cartagena de Índias, vou fechar San Andres. Minha ideia a princípio era mergulhar full-time no meu tempo na ilha. Não foi full-time, mas me deu a chance de explorar outras coisas e ampliar minha percepção. Uma coisa que não considerei foi a condição do mar, que esteve bem agitado todos os dias que passei em San Andres. Por causa dele tivemos um dia de mergulho perdido, porque nenhuma embarcação saiu. Até os tours para Johnny Cay (uma ilhota que fica na ponta norte da ilha, e é mega turística) foram cancelados. Com o mar revolto também ficou impossível fazer mergulho noturno. A lei na ilha não permite pequenas embarcações circulando à noite, então os mergulhos noturnos precisam sair pela costa. Com o mar agitado, ninguém era louco de pular com equipamento na água, e ser jogado contra as pedras em seguida. Sendo assim, tive apenas os mergulhos diurnos, mas que fizeram muito bem o seu papel. 

Entre cardumes de peixe em frenesi alimentar, estátua de Posseidon no fundo do mar, e um super mergulho profundo em um paredão - com passeio entre fendas nas pedras e tudo - os mergulhos que fiz foram perfeitos. Muita vida, água o tempo todo a 27º e visibilidade a perder de vista sempre. São condições que deixam qualquer mergulho confortável. Fiz muitos vídeos dos mergulhos e passeando pela ilha. Uma das propostas para 2015 é exatamente organizar e editar esses vídeos. Adoro filmar embaixo d’água, e estou até criando um gosto por falar com a câmera. A GoPro é o brinquedinho mais divertido que adquiri no ano passado. Estou passando por uma fase de amor completo pela mini-câmera. 

Mas entre um mergulho e outro, eu aproveitei cada segundo na ilha. A bicicleta motorizada foi a melhor ideia que aceitei. Pedalei horrores pela ilha toda. Pendurava a máquina fotográfica no pescoço e saía pela cidade com meu chapéu na cabeça. Pedalar pela ilha foi algo que me deixou tão, mas tão feliz! Sabe quando você pensa em se conter, mas depois se dá conta que não tem motivo para deixar de sorrir e se entrega ao sorriso rasgado no rosto? Eu estava exatamente assim. 

Ao final do 4º dia minhas pernas estavam exaustas. Começou a refletir o esforço de pedalar uns 30Km por dia. Ao final do 4º dia também o motor da bike morreu. Ainda que eu estivesse mais pedalando do que usando a função “mobilete” da bike, ficar sem o motor pesou. Cansada, embaixo de um Sol fenomenal, usar o motor em trechos de subida ou de muita brisa, era uma força danada. Sem minha bike-mobilete, tive de me render aos carrinhos de golfe. Até são divertidos quando se pega o jeito. Fiz vários filmes mostrando a ilha, conversando sobre o lugar em que estava. 

Outra coisa especial foi a companhia de Ray e Mo. Ray foi minha BFF em San Andres. Passamos tardes conversando e tomando cocktails na areia da praia, rolamos de rir pela carretera com o carrinho de golfe, e criamos o hábito de acordar pela manhã e procurar uma a outra pra combinarmos algo. 

A melhor coisa de não criar expectativas é que fica mais fácil aceitar tudo o que a vida mandar como novidade. Por isso acabei criando uma relação especial com San Andres, e uma experiência infinitamente melhor do que se tivesse tentado controlar cada segundo da minha viagem. 


Como quando a vida surpreende, ela é a que mais surpreende, encerrei meus dias em San Andres com um jantar delicioso e extravagante, com direito a pratos de frutos do mar,  cava rosé e raias e tubarões nadando na areia embaixo da varanda onde estávamos. Ganhei até carona até o aeroporto! Essas coisas que amigos fazem por amigos. Saí de San Andres tão satisfeita, tão realizada. Já acostumada. Com uma certeza bem clara: esse é um lugar que eu vou voltar. 

terça-feira, 7 de outubro de 2014

AMIGOS, IDAS, VINDAS E MENSAGENS NA CAIXA DO FB



Hoje eu recebi uma mensagem muito inesperada no FB. Alguém que saiu da minha vida. Fiquei pensando nas pessoas que entram e saem da nossa vida, e depois tentam entrar de novo. Eu não acredito muito em coisas definitivas. Existem pessoas que acabaram saindo da minha vida por desavenças, por estarmos em momentos diferentes, em buscas diferentes. Existem pessoas que eu excluí da minha vida por escolha. Algumas para me proteger, outras por considerar que o ciclo já havia terminado. Sem julgamentos. Acho normal pessoas entrarem e saírem. A vida é feita disso. Das experiências que temos e das pessoas que encontramos no caminho. Sou muito grata pela vida ter sido muito generosa nesses dois quesitos. Vivo experiências incríveis e conheço muita gente legal, por mais que às vezes a decisão seja por me afastar delas depois de um tempo. Quando paro para pensar, minhas amigas mais queridas tiveram ciclos. Até minha irmã de infância, a Carol, ficamos 16 anos sem nos ver até que eu fui para Portugal em 2010. Coisas de quem cresceu antes do advento da internet e da criação do Orkut. O K ficou “de mal” de mim por um ano. Só me desbloqueou no FB no meu aniversário, agora em agosto. Houve um tempo em que isso me afetava. Eu ficava arrasada e não entendia a falta. Ficava pior ainda quando era eu a me afastar. Carregava a culpa de me sentir intransigente, sem paciência. Hoje recebo isso com mais naturalidade. Como parte da vida. Tem gente que vai, tem gente que volta. E tem gente que nunca vai voltar. E está tudo bem. Eu celebro o tempo em que essas pessoas estiveram em minha vida, e sou grata e feliz pela amizade, o carinho, e tudo o que aprendi com eles. Então hoje, quase perdida na minha caixa de mensagens, um enorme pedido de desculpas de uma pessoa com quem tive um vínculo muito legal de amizade, de carinho; mas que acabou misturando as coisas e pisando na bola. Foi uma surpresa enorme, não apenas porque eu considerava essa uma pessoa que tinha ido e não voltaria, mas pela percepção que ele tinha. Nem sempre as pessoas reconhecem que pisaram na bola, e mais raramente ainda elas tem coragem de admitir seus erros e pedir desculpas. Acho que em outra época eu teria ignorado a mensagem. Talvez respondido secamente, só para ser educada. Pior, eu teria sido bem arrogante e reforçado o erro dele e minha super-razão. Hoje enxerguei nessa mensagem uma oportunidade de praticar generosidade e o apreço ao outro. Quem sou eu para julgar quem pisa na bola!? Eu já pisei na bola um milhão de vezes, com diversas pessoas. Eu já pisei na bola feio! Quando estava passando por momentos bem difíceis pessoais e acabei oferecendo o pior de mim. O fato de alguém me dar o seu pior em um momento não significa que não exista muita coisa de boa ainda ali. Eu escolho ficar com o que as pessoas tem de bom, mesmo que elas demorem anos para me oferecer. E quando alguém nos oferece algo de bom, nós aceitamos, e agradecemos, e perdoamos, e abrimos nosso coração para mais experiências. 

sábado, 20 de setembro de 2014

TODOS 100 HAPPY DAYS


Hoje estou terminando meu projeto de 100 Happy Days. Muita gente não conhece e fica em dúvida de porque tem gente por aí colocando fotos com as hashtags #100HappyDays e contando dias. A proposta é feita por uma fundação que trabalha por um mundo mais feliz. A brincadeira consiste em você se cadastrar no site http://100happydays.com, escolher uma mídia para publicar suas fotos de felicidade e gratidão (pode ser FB, Twitter ou Instagram) e criar uma hashtag para que eles possam acompanhar a sua jornada. Nós demos uma notinha sobre o projeto na edição de julho da Vida Simples. 

Quando conheci o site duas coisas me chamaram a atenção: logo quando você entra, a página diz “Que tal ser feliz por 100 dias? Você não tem tempo para isso, não é mesmo!?”. Quando cliquei, a explicação do projeto dizia que cerca de 71% das pessoas que começavam a jornada não terminavam. Fiquei muito intrigada com essa informação. Achei até meio forçado, afinal, não faz muito sentido. Porque as pessoas vão resistir a serem felizes? Para mim é uma coisa tão incrível! Imagina só, alguém chega para você e diz: 

“Hey, vamos ser feliz por 100 dias!?”. 

Minha resposta é sempre:

“Opa, demorou! 100 dias só!?”

Então eu coloquei um post sobre o projeto nas mídias sociais da Vida Simples, e descobri que a percentagem de 71% de pessoas que fracassam na proposta talvez não seja tão forçada. A maior parte das interações à postagem pelos leitores era negativas, de reclamações ou derrotista. Quando se pergunta para as pessoas “Hey, que tal ser feliz por 100 dias?”, aparentemente isso as deixa meio putas. Li coisas como:

“Nossa, que preguiça!” ou 
“O problema é achar um motivo todos os dias.” e
"Mas tem que tirar fotos todos os dias?"

Li essas coisas um pouco incrédula. Sério mesmo? Sério que você não consegue achar nem uma coisinha, nem um detalhe no seu dia para ser feliz? Um amigo que te liga, um filme passando na TV que você gosta, um momento no trabalho que você deu risada, encontrar alguém que você ama, se surpreender olhando pela janela, comer algo gostoso... uma única coisinha em seu dia que tenha te arrancado um sorriso? Pelo qual você seja grato? Fiquei com um misto de compaixão e aversão por essas pessoas. Compaixão, porque ninguém deveria viver em um limbo como esse, onde não se vislumbra nem mesmo a possibilidade de um sorriso por dia. E aversão porque me reconheci em tantos momentos rabugentos de minha vida, e não quis ser aquela pessoa incapaz de ser feliz. Acho que estamos tão condicionados à reclamações e rabugices que nem mais percebemos quando a felicidade bate na porta. 

Entrei no site, cadastrei minha hashtag #ShineHappyDri e comecei meu desafio no dia 12 de julho de 2014. Eu estava em Portugal para o casamento dos queridos amigos Lícia e Ivan, e peguei um trem escondido para fazer uma visita surpresa para a irmã que a vida me deu no Porto. Foi um dia maravilhoso, porque eu adoro andar de trem, eu fiz a viagem inteira lendo, enquanto admirava a linda paisagem das vilas portuguesas pela janela. Cheguei ao Porto e quase matei a Carol do coração quando me viu de surpresa sentada no café com a melhor amiga dela lá. Fomos para Motosinhos as três e comemos uma mega caldeirada de frutos do mar, regada à vinho verde e depois ficamos até de madrugada no sofá da casa dela com o Viriato conversando e comendo chocolates. Foi um dia tão lindo, tão perfeito, tão cheio de coisas que me fizeram sorrir. Mas eu postei apenas essa foto:



Essa foto foi a síntese da minha felicidade naquele dia. Aliás, foi logo nesse primeiro dia que percebi que talvez a minha dificuldade não seria terminar o projeto, mas escolher apenas uma foto, apenas um momento para registrar. Não demorou muito para eu me habituar a perceber quais eram os momentos felizes do meu dia, e descobrir que na maioria das vezes o que me fazia feliz eram pequenos detalhes do cotidiano, coisas singelas, hábitos diários. Por exemplo: Tenho várias fotos dos meus grupos de literatura nesses 100 dias, e outras tantas de momentos caseiros lendo livros ou assistindo a alguma série.

Outra coisa curiosa foi que eu tenho mais uns 100 Happy Days que não entraram na seleção, mesmo eu tendo extrapolado a regra de 1 foto por dia (posto 3-4 fotos sem dó!). No avião de volta para casa, abri o potinho de frutas do café da manhã e tinha cerejas. É minha fruta favorita, tenho loucura por cerejas. Na hora a única coisa que pensei foi “Olha, meu momento Happy Day!”. Mas meu celular estava desligado no compartimento de malas em cima da minha cabeça e não queria atrapalhar a pessoa ao meu lado, para pegar uma câmera só para tirar foto do meu café da manhã no avião. Esse momento não entrou, mas ficou registrado comigo com felicidade e gratidão. É bobo, eu sei, ficar feliz com cerejas. Mas o que eu posso fazer? Cerejas me deixam feliz! 

Claro que nem tudo nesse processo foram pétalas de rosas. Eu tive dias difíceis. Dias que foram desafios. Dias com notícias terríveis. Dias de doenças e desânimo. Mas eu já tinha criado o hábito. Eu já estava condicionada a perceber quando algo me fazia sorrir e o que eu aprendi é que, mesmo nesses dias negros, existia uma minoria de felicidade. Com o tempo, é só dela que me lembro. 

Durante esses 100 dias também vi outras pessoas embarcando na proposta. Foram pipocando na minha timeline a hashtag #100HappyDays. Alguns percebi que desistiram (que pena!), já vi gente trapaceando também. Gente que começou depois de mim e já terminou. De repente a jornada deles tinha outro caminho, algum atalho que eu perdi. Mas em todos os casos fico felizona quando vejo alguém mais embarcar. Fico feliz pela pessoa. Criar o hábito de perceber a felicidade em minha vida todos os dias me fez tão bem, que fico super feliz quando vejo que alguém também vai ter isso para si. É um negócio contagiante. Quanto mais percebo a felicidade, mais a percepção da felicidade me deixa feliz.

Hoje estou no Rio de Janeiro. Estou desde fevereiro tentando arrumar uma brecha para vir visitar meus amigos aqui. Estou hospedada no meu irmãozinho carioca, e a gente já passou logo a primeira noite pulando e dançando na sala de casa, tomando as cervejas belgas que eu trouxe para ele. Tem bebês para conhecer, um bom tanto de praia. Longo papo sobre a Itália com o Dudu. Exposição do Dalí, chorinho no centro com gente amada, e se sobrar pique, uma festa em algum morro que prometeram ser legal. Muitas dessas coisas vão virar fotos e ganhar a hashtag, mas todas vão virar sorrisos e lembranças como a surpresa de cerejas no meio de um vôo. 

Hoje é o meu dia 100. Confesso que essa semana fiquei triste quando me dei conta que ia acabar. Paradoxal, não é mesmo!? Estou tão acostumada com o projeto, me apeguei tanto à brincadeira de tirar fotos, e colocar as hashtags e reconhecer os sorrisos dos meus dias e ser grata, que sinto uma dorzinha de ter terminado. Como um livro tão bom de se ler que a gente não quer acabar. Sinto uma vontade incontrolável de começar de novo, de fazer o cadastro, e postar novamente #Day1. Mas acho que a proposta da brincadeira é essa mesmo. É como um treinador, um couch de felicidade por 100 dias. Agora já posso tirar as rodinhas da bicicleta e andar por aí sozinha, sendo feliz.  

quarta-feira, 25 de junho de 2014

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Viajar... Não sei se posso chamar de maturidade, ou aquelas mudanças naturais que todos nós passamos na vida, mas minha relação com a estrada vem se transformando. Sinal de evolução, certamente. Ridículo seria continuar a mesma mochileira beirando os 40 anos. Em minhas andanças cruzei com todo tipo de viajante. Tem de tudo por aí. Tem quem viaja muito, quem tá se descobrindo, que faz por necessidade orgância, quem é turista, tem os aventureiros. E tem aqueles que estão perdidos. Irremediavelmente perdidos. Esses nunca mudam. Estão em uma fuga de si mesmos que nem percebem, e acabam morando na mochila eternamente, ignorando o passar do tempo. Sempre tive pavor de virar uma dessas mochileiras. Sentia tanta pena dessas pessoas, que não queria que sentissem o mesmo por mim. Piedade também não é algo legal de se sentir, porque nos coloca em uma posição de superioridade ao outro... mas isso não é o assunto. A questão é: evoluí. Isso me faz feliz. E na verdade não interessa a mais ninguém a minha evolução e a minha felicidade. As coisas que fazemos por nós e fundamentam sentido em nossas vidas, não necessitam de aprovação. São e pronto. 

Passei os últimos meses fechando um dos maiores ciclos da minha vida, e as últimas semanas visitando amigos em Portugal, Espanha e NY. Chamei de Babyboom Tour, já que as amigas estão em fase de procriação. Esse tipo de viagem, quando se vai para onde já se conhece, e se vai como se fosse para casa, para encontrar pessoas que amamos, e compartilhar momentos com eles; esse tipo de viagem não tem mais a característica ansiosa da busca pelo maravilhamento catártico que eu buscava antes. Depois de um tempo, seja pela maturidade, pela evolução, ou mesmo pela mutação natural do tempo e da energia que interage e se transforma, o maravilhamento não é mais forçado. Ele é natural, orgânico. Ele se apresenta com suavidade, em ações simples do dia. No olhar que resgata a trajetória da amiga até o momento presente, no reconhecer o outro no filho, nos detalhes e outros sabores dos lugares em que já se esteve. Posso permirtir-me ser mais do que turista, mais do que viajante, e me tornar uma testemunha. Não sou mais a viajante em busca do ineditismo, do extraordinário único e pessoal. Acho que naquela época era importante sentir que eu tinha uma vida mais extraordinária do que as demais. Um pouco patético isso. Hoje é claro para mim que essa necessidade só vem de quem sente sua própria vida banal. De fato, eu a sentia. Mas hoje, com a maturidade, a evolução, a incapacidade de não ser mais quem eu era antes - Ainda bem! - sobra a minha persona inteira, consciente, e uma vontade mais documental de tomar a vida. 

quarta-feira, 26 de março de 2014

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Ontem eu estava falando do André Gravatá com uma amiga em comum. Dizia que tenho certeza de que, quando ele chega em casa, tira a camiseta, e duas enormes asas de anjo saem de suas costas. Tenho certeza absoluta disso. Ontem também eu estava chateada porque tenho desistido de tomar algumas atitudes, de tentar algumas ações, porque não existe interlocução. As pessoas estão tão cegas com suas próprias verdade, tão preocupadas em cuspir suas certezas na sua cara que não se dão conta do quão violentas e abusivas são. Pior, não possuem os ouvidos abertos ao que o outro diz, porque estão esbravejando, preocupadas demais em ter a última palavra. Eu aprendi a deixar os outros terem a última palavra. Faz mais bem a eles, do que a mim. E tenho vontade em manter minhas manifestações no superficial, no que não gerem em ninguém a vontade de ter a última palavra. Então aparecem os anjos da nossa vida, que servem para escrever textos como esse aqui. Coisa que anjo escreve. Eu já passei por tudo isso aí que ele descreveu, já testemunhei as mesmas coisas. E quando a gente tem vontade de deixar o presente se afastar, seja por covardia, por fraqueza, ou por humanidade, vem o André me lembrar que a gente não pode deixar isso acontecer. Então respira, e vai agarrar o dia com as duas mãos. 

(Se você tiver que ler um único texto hoje, apenas um, leia esse.)


sábado, 15 de março de 2014

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Alana me chamou para um show hoje, uma amiga dela do Rio que está participando do projeto Natura Musical, a Karla da Silva. Sabe aqueles shows delícia, que você fica do começo ao fim com um sorriso na boca? O seu primeiro CD chama-se “Quintal”, e o palco estava todo decorado como se fosse o quintal de alguma casa. Tudo muito fofo e feminino, mas ainda bem contemporâneo. Gosto dessa nova safra da MPB. Uma moçada boa, fazendo música boa, e com uma energia muito boa. Minha energia que estava baixa ficou melhor. Preciso de programas assim. Andar à pé pelo centro, tomar suco natural e ouvir boa música. 

quinta-feira, 13 de março de 2014

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Mais uma amiga querida me contou hoje que está grávida. É um verdadeiro baby-boom. Ano passado foi uma profusão de novos sobrinhos postiços nascendo. Estamos começando a quaresma e duas amigas já me contaram que estão esperando bebês. Fora minha irmã e a Lulu que tiveram dois meninões lindos. Quando você tem 37 anos e todas as suas amigas estão procriando, você deveria pensar se não está chegando a sua hora também. Mas eu ando tão ocupada com tantos problemas e tantos planos que eu ainda não fiz para minha vida, que não deu tempo de levar meu relógio biológico trocar a bateria. 

É o fim de uma era, e talvez eu seja apenas um dinossauro resistindo. Ou um esquilo neurótico, correndo atrás de uma noz.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

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O Augusto é uma pessoa deliciosa. Um amigo que reconheci na vida. Porque tem gente que a gente não conhece, reconhece. Tava óbvio que devia fazer parte da nossa vida. O Augusto é assim. Ele também é uma pessoa interessantíssima. Culto, talentoso, viajado. Sua casa reflete toda essa bagagem de quem gosta do lado bom da vida. Fotos fantásticas por todas as paredes, e uma biblioteca cobiçável. Augusto ainda é uma pessoa desapegada, e anda fazendo uns “bota-fora” das suas prateleiras. Veja bem, se eu for fazer um “bota-fora”, encho uma caixa de revista Vogue e Boa Forma e chamo o Exército da Salvação para retirar. Já o Augusto fazendo “bota-fora” você leva para casa a coleção da revista Serrote, exemplares de poesia japonesa e uma edição em caixa de “Em busca do tempo perdido” do Proust, no original. Quando penso na sorte de ter os amigos que tenho, sei que isso é luxo de verdade. 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

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Hoje foi o bota-fora da Nati. Ela vai passar o semestre em NY fazendo uma especialização. Foi um negócio meio ajax. Saiu a aprovação e em poucas semanas ela teve de dar um jeito na papelada, visto, alugar a casa e arrumar quem cuide dos gatos. Eu que nem consigo decidir o que vou fazer esse ano por causa das minhas, admiro a objetividade que ela teve em conseguir estar pronta no prazo. Estranho sair à noite depois de tantos meses de reclusão. Mais estranho ainda sair à noite fazendo quase um mês que não coloco uma gota de álcool na boca. Os florais estão funcionando lindamente. Impressionante! Não sei se funciona com todo mundo (ou se eu sou a pessoa mais sugestionável do universo), mas comigo é batata! Sou outra pessoa. Mais calma, mais focada. Fui porque não deixaria de ir. Tomei suco, guaraná diet, e nem emendei para a balada depois. Cheguei em casa cedo, sóbria, e vi o Sol nascer assistindo Breaking Bad. 

sábado, 11 de janeiro de 2014

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Eu já fui uma pessoa baladeira. Essencialmente boêmia. Há 15 anos não me passava pela cabeça ficar em casa em um sábado à noite. Ou uma sexta-feira à noite. Ou qualquer outro dia à noite. A noite era uma criança, e eu juro que conhecia metade de São Paulo. De bar em balada, dançando rock, eletrônico, festas. Muito álcool. Hoje não sei onde essas pessoas todas foram parar. Não sobrou nenhum amigo de balada. Nem unzinho. Eu comecei a mudar meu estilo de vida. Comecei a ficar mais caseira, mais reclusa, e as pessoas foram sumindo da vida. No final acho que era isso mesmo. Só tínhamos a balada em comum. Também não sei o que eu conversaria com essas pessoas hoje. Há um abismo entre aquela época e quem eu sou hoje. Dou graças! Gosto infinitamente mais da pessoa que sou hoje. Então sábado à noite para mim é bom para ficar em casa, vendo filme, lendo livro. Tomando uma taça de vinho e ouvindo blues. Isso é programão para mim. Às vezes também arrisco um jantar. Ou chamo alguns amigos em casa ou, como foi hoje, sou chamada para a casa de alguém. É sempre um prazer ir à casa da Lalau e do Fê. Casal mais querido e mais desencanado do universo. Eles são tão amados que  a casa está sempre cheia. Chega gente, sai gente, abre mais uma cerveja, reabastece a tábua de brie. Entre conversas na varanda, ainda vamos alternando no campeonato de kinect. Melhor do que qualquer malhação! Fiquei 15 minutos dançando com a Valentina (filhinha do Fernando), e precisei passar o resto da noite me hidratando. Eu não sei quando acontece, mas existiu um momento em que eu abri mão dos mais de um milhão de amigos na pista de dança, para passar as noites de sábado dançando no computador com crianças de 7 anos. Posso confessar? Gosto muito mais dessa opção.


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

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Levantei cedo para tentar correr, mas parece que o Sol levantou antes. Mesmo assim fiz 6K na orla de Copacabana, entre caminhada e corrida, suando em bicas, mas feliz pacas. Gosto de fazer exercícios ao ar livre. Gosto muito de praticar esportes ao ar livre. Me ajuda a sentir viva. Comprei o jornal e tinha a notícia do homem que roubou a arma de um policial e desencadeou um tiroteio no Reveillon. Parece que a mulher dele, que estava sendo espancada por ele e foi salva pelo policial, o perdoou. Parece que agora a culpa toda é do policial que salvou a vida dela. Impressionante como tem mulher que não tem auto-estima, que se submete a ser tratada como lixo. O ano mal começou e essa é a segunda que vejo. Vontade de dizer “Bem-feito!”. De desejar que ela fique sofrendo com o cafajeste. Mas a coisa não é tão simples assim. Esse tipo de mulher está doente. Não conseguem nem enxergar o quão submissas e patéticas são. Não acham que estão fazendo nada de errado. Essas precisam da nossa ajuda, mais do que qualquer outra. Uma desprogramação machista. Um trabalho de resgate de auto-estima. Fico desanimada quando vejo mulheres que permitem desrespeito, que permitem abuso. Acabam criando um álibi para que canalhas sejam canalhas com todas nós. Tava também no jornal que a praia está poluída, a água turva e com cheiro. Mesmo assim fui à praia, mas só porque Manú disse e garantiu que estaria na Barraca do Baiano. Fui e ainda roubei a prefeitura no Foursquare dela. Não encontrava com a Manú há mais de um ano. O tempo passa rápido e se não ficarmos atentos, nos perdemos. Eu, ela e a Evelyn ficamos horas embaixo de guarda-sóis, falando, rindo e dando força umas para as outras. Torcemos para não pegar micose, desviamos de absorventes na areia da praia, e quando o calor atingiu o pico, corremos para casa fazer lasanha de berinjela e tomar suco de tangerina. Meu incomodo é tão grande que sinto vontade de lamber pedras de gelo o tempo todo. Estou igual ao cachorro da Y. Um Terranova de 60Kg, preto e peludo, que está com insolação. Alguém precisava me jogar pedras de gelo. Se me sobrasse um tequinho de coragem, tinha entrado gritando no Zona Sul fingindo que me roubaram um rim, só para me jogar em uma das caixas de gelo. Rodei cinco padarias do bairro até encontrar um pote de sorvete ded litro. Parece que o Rio de Janeiro inteiro também está sentindo necessidade de lamber gelo. Os sorvetes evaporam das geladeiras. Adoro a sensação de encontrar o que procuro. Também adoro a sensação de pele fresca de banho quando a brisa bate, o frescor das minhas coxas na saia do vestido, e o frescor de descobrir um ar-condicionado. Toda vez que entro em um lugar com ar condicionado me sinto como naqueles filmes de ação, em que o mocinho foge da explosão e fecham a porta de contenção atrás dele bem no momento que o fogo vai atingí-lo. Comi cerejas, um pote de sorvete e terminei a noite  no Carioca da Gema, ouvindo samba da Teresa Cristina e cumprindo a promessa feita à Ana e à Cathy de finalmente sair com elas no Rio. Apesar de eu estar rabugenta e quase odiando o Rio (e eu não quero odiar o Rio), me sinto muito amada aqui. Tenho pessoas aqui. Uma família carioca. Foi o tantinho de bateria que eu precisava carregar para começar esse ano. Quero que ele seja assim: cheio de pequenos prazeres, encontros, pessoas amadas e felicidade.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Página 1 de 365

Existe aquela brincadeira no Twitter de que cada ano é um novo capítulo da vida, com 365 páginas. Então as pessoas escrevem sobre seus dias e acrescentam a hashtag #PageXof365. Para marcar as páginas do livro, e os dias da vida. Adoro a ideia. A ideia de que cada dia é uma página em branco. Eu adoro o desafio de páginas em branco. Portanto esse ano resolvi comprar a brincadeira. Escrever um livro inteiro, de 365 páginas. Cada dia, com foto no Instagram e texto aqui no Blog. Um livro de 2014. Espero que a brincadeira não fique entediante. Sinal de que a história não está bem contada. Mas vamos. É um novo ano. É uma nova proposta. E eu comecei assim:



Ainda no Rio. Recebi uma notícia muito triste de um grande amigo. Chorei aos baldes quando desliguei o skype e quebre a promessa que tinha feito à meia-noite de não fumar mais. Depois resolvi esperar. Esperar o que a vida traz de notícias. Esperar até ter certeza da gravidade das notícias. E celebrar a vida que é certa. Saí com amigas em busca de uma cachoeira, mas parece que foi a ideia de todo o resto da humanidade. O Rio está quente, insuportável, lotado. Começo a sentir ímpetos de fuga. De sair daqui desesperadamente. Mas o final da tarde foi mais fresco. Foi de encontro grande com a turma no Posto 8 para ver o Sol se por e muito sentimento de pertencimento. Existe essa palavra? Pertencimento? Inventei!

Primeira lição do ano: É preciso prestar mais atenção nas ações das pessoas do que nas palavras. Palavras são vazias. As ações é que contam. Esse é um ano para calar as palavras que recebo e redobrar a atenção às ações à minha volta. 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

SOBRE DÉBITOS E AREIA MOVEDIÇA


Ano passado, quando tirei férias e fiz uma roadtrip pela Itália, havia prometido ao Alê que passaria na volta por Barcelona para ficar um pouco com ele. Acabei cancelando e voltando antes para o Brasil por causa de alguns problemas de trabalho. Em janeiro havia me programado para uma nova temporada européia, e novamente prometi passar para ficar uns dias com o Alê. Cancelei a viagem por vários motivos, e aumentei meu débito de amiga que promete e não cumpre. Dessa vez cruzei o oceano novamente, mas nem considero uma viagem. Vim para um retiro budista em Sintra e resolvi aproveitar para visitar algumas amigas que tiveram filhos no último ano. Para quitar o grande débito, resolvi que chegaria por Barcelona, para cumprir a promessa e rever essa cidade que não tive a oportunidade de absorver de verdade da outra vez que estive. Acabei ficando uma semana inteira com o Alê, e foi como era quando estávamos saindo da FAAP e passávamos as tardes e noites por São Paulo. Continuamos os mesmo. Envelhecemos, mas continuamos os mesmos. Alê me leu alguns trabalhos lindos que tem escrito. Acho um desperdício tão grande ele não colocar um pouco mais de esforço em produzir e publicar. Alê é de verdade um escritor fantástico, um pós-beatinik com muito mais autenticidade do que todos os posers que tentam ser undergrounds no Brasil. Ele foi uma grande inspiração para mim. Foi por causa do Alê que comecei a pensar a sério em escrever, como profissão, como vida. Na verdade essa é a única coisa que realmente fazemos bem. Somos bons em várias coisas, somos versáteis, mas nossa essência é essa. Nós dois somos pessoas que escrevem. Alê tá levando uma vida ótima em Barcelona. Seu apartamento é espaçoso e confortável, tem até um terraço grande com churrasqueira, onde ele estende uma rede e planta girassóis. De onde também se avista as torres da Sagrada Família. O prédio não tem elevador, e nos primeiros dias senti meu pulmão desafiado para subir os 123 degraus até o sexto andar. Eu contei. Acho gostoso ver essa vida simples, sem extravagâncias que ele está levando. Coisa que nos é quase impossível em São Paulo. Faz quase três anos que eu me restabeleci, só com uma mochila de roupas velhas e surradas, e já acumulo mais coisas do que o Alê em 7 anos fixos em Barcelona. Porque acabamos tão rapidamente como acumuladores inúteis? Mesmo olhando para minha bagagem de não-viagem agora - já que não vim de mochila dessa vez - tenho a certeza de que carrego só o básico, mas o meu básico está excedendo os limites de despacho. Esse é o tal do piloto automático. Ficamos tão acomodados nessa vidinha de rotina e conforto urbano, que vamos afundando no supérfluo sem nem nos darmos conta. Vira areia movediça. O dia que você se pegar assinando contrato de casa em condomínio fechado, e blindando o carro para poder ir ao cinema no shopping, sinto muito! É porque já perdeu o fôlego e nada mais te salva. Quando eu quebrei com tudo e resolvi ir em busca do que me fazia sentir viva, eu achei que era uma coisa definitiva. Que aquela experiência e aquela transformação me pertenciam eternamente, e que eu nunca precisaria me preocupar de estar absorvida no nada novamente. Então eu estava arrumando minha mala ontem, me perguntando como era possível o meu “básico” ser tanto assim, quando me ocorreu que é preciso um trabalho contínuo. Aqui estou eu já afundando novamente, ligando o piloto automático e deixando tudo o que realmente me faz feliz para uma outra hora. É preciso acordar todos os dias, e quebrar essas amarras sociais todos os dias. É preciso partir e buscar o que nos faz vivos todos os dias. Porque quando relaxamos, quando nos acomodamos no que pode ser seguro e certo - ainda que seja a segurança e a certeza de que nos transformamos - a areia movediça nos engole, e passamos nossas semanas entre a rotina de trabalho, a cerveja com os amigos, o programa de TV, a pizza do sábado e a busca nas araras e prateleiras das lojas de uma satisfação que não está ali para vender. Compramos o que nos oferecem para que sirvam como substitutos. Compramos qualquer coisa que esteja ali para vender. Se não nos reinventamos todos os dias, e nos atiramos no mundo com os olhos ávidos pelo novo, pelo maravilhoso todos os dias; se não nos dispomos a experimentar, transgredir, inovar, podemos assassinar nossos talentos, endurecer nossa alma, até o ponto de que nem a memória nos resgate a euforia de sermos nós mesmos. Quando nos perdemos na insatisfação do trânsito, da política, da corrupção, dos impostos, da crise, deixamos de usar essa energia para mudar de lugar, e mudar nossa perspectiva. É preciso estar em constante movimento, constante renascimento. Resgatar nossas essências do lodo desse mundo amortecido, hipnotizado. Deixei meu livro em cima da mesa de centro do Alê. Escrevi na dedicatória: “Senta essa bunda na cadeira e escreva. É só isso que a gente sabe fazer. Te amo. d.”

segunda-feira, 1 de abril de 2013

MORE BOOKS, LESS LOOKS

O Alê é uma dessas pessoas que eu tenho vontade de bater. Primeiro porque a gente só sente instintos assassinos com pessoas que a gente ama muito. Segundo porque ele é talentoso até dizer chega e não produz um décimo do que deveria. Alê é um dos escritores mais talentosos que já li. Só que ninguém nunca ouviu falar dele porque o moço não publica. Ele foi uma das minhas grandes inspirações a escrever. Desde a época da FAAP, a gente ficava pelos corredores, enfiados na casa um do outro e ele escrevia de um jeito que parecia tão fácil que resolvi também enfrentar o medo. Ele tinha um livro lindo que abandonou no meio. Na época resolvi que era daquele jeito que queria terminar meus dias: escrevendo. Alê é uma dessas forças da natureza, tudo com ele é intenso. Nós tivemos paus homéricos e passamos alguns anos sem nem olhar para cara um do outro. Ele mudou para Barcelona e durante minha mochilada passei alguns dias maravilhosos com ele. Andamos por toda cidade, tomamos muitos drinks, taças de champagne. Foi tudo como nos velhos tempos. Foi lá que disse para ele que não ia esperar o fim dos meus dias para escrever. Que estava mudando tudo na minha vida e que só queria fazer isso agora. Secretamente eu esperava que ele se juntasse a mim. Que não desperdiçasse todo aquele talento somente com emails fechados para amigos. No meu livro tenho diversas homenagens a ele. 
Então ontem recebo um email dele. Que surpresa descobrir que ele está saindo da ostra. Resolveu fazer um Tumblr, e como tudo que ele faz é genial. Ele escreve suas poesias na máquina de escrever e publica as fotos. Bem old school, como só os puristas podem ser. Ainda que de purista o Alê não tenha nada, mas aí é que está sua maior virtude. Sua nada convencional genialidade. Para variar saí inspirada. Vou passar a semana em antiquários buscando uma velha Remington para mim. 
O Tumblr do Alê chama "More books, less looks", e já está nos favoritos. 


segunda-feira, 25 de março de 2013

UM SHOW PERFEITO


Ontem fui arrastada ao Show da Bluebell e Blacktie no Auditório Ibirapuera. Não que fosse um peso para mim, mas é que passei o dia me sentindo muito mal, com dores no corpo, um princípio de gripe e a noite estava chuvosa. A vontade era continuar na cama lendo até que meu corpo fosse encontrado pela empregada na segunda-feira de manhã. Mas como já havia combinado com a Kika e ela tinha comprado os ingressos, eu me arrastei até o Ibira para não deixar ninguém na mão. Melhor coisa que eu fiz. Eu gosto da Bluebell, gosto do timbre dela. Ela consegue agudos invejáveis. Mas é uma voz perigosa, pode se tornar irritante ou enjoativa. Acho que ela sabe disso e conhece muito bem o instrumento que tem, porque o repertório que escolheu para o show é perfeito para ela. Com Cole Porter, Piaf, The Who e Nelson Cavaquinho. Ainda convidou para participações Laura Lavieri, Mariana Aydar (mega grávida) e o sempre apaixonante-casa-comigo Zeca Baleiro em versões de Beatles. Para finalizar cantou “It’s Oh So Quiet”, que foi gravada pela Bjork (foi minha mensagem de caixa postal no celular por anos), mas que parece ter sido composta para a voz dela. Some a isso que a garota é um fofa, super carismática e com presença de palco impecável e pronto. Um show impecável e um domingo que se salvou pelo gongo. A gripe acabou me pegando de verdade, ajudada pela chuva que tomei do estacionamento até o auditório. Mas junto com o chá de gengibre, mel e limão que estou tomando agora, estou também caçando o CD da parceria da cantora com os músicos do Blacktie. São dessas músicas que fazem a vida parecer mais linda e leve. :-)




quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

DIÁLOGOS COM Y

No WhatsApp:

Eu - Sonhei que eu estava casando...

Y - Ahhh! Tem uns sonhos que dão uma sensação tão boa, né!?

Eu - Só que eu estava casando com um cara que eu sei que é gay. Eu não tinha a mínima intimidade com ele. Meu vestido estava inacabado e era horrível. Depois da cerimônia, meu cabelo despencava, e eu ficava sozinha. Não tinha ninguém comigo. Nenhuma amiga. Nem o noivo. Você não ficou lá me ajudando. 

Y - Ai, fudeu!


terça-feira, 13 de novembro de 2012

LEITULA DA VIDA


Sr. Hiroji e a desesperadora situação das linhas da minha mão. 

Esses dias hospedei o querido Dudu aqui em casa. O Dudu é uma dessas pessoas super agregadoras, super coração, que eu herdei de um outro amigo que fiz na vida. Eu adoro herdar amigos de amigos. Vira turma, cria história. Então, Dudu passou uma semana em SP e veio acampar aqui no sofá, já que eu não tenho ainda um quarto de hóspedes. Eu adoro ser anfitriã de São Paulo. Amo tanto essa cidade e adoro levar as pessoas para verem o que eu vejo nela. Em uma dessas, lá fomos nós almoçar na Liberdade no meu restaurante japonês favorito. Um trânsito chato de sábado, paramos o carro alguns quarteirões antes e subimos à pé até o Sushi Yassu olhando lojinhas e amando as calçadas. Foi quando eu vi um senhorzinho sentado em uma mesa de metal, na porta de uma galeria, com uma placa escrito “Leitula da vida”. Sim. Assim. Igual ao Cebolinha. Quer coisa mais adorável!? Como é que a gente pode resistir. Tirei R$20 do bolso, sentei na cadeira e estiquei minhas mãos. Houve um tempo em que eu fui mais crente, em que eu precisava acreditar na segurança de que as coisas estavam por vir. Já fui em cartomantes, tarólogas. Fazia até mapa astral todos os anos. Hoje acredito que essas visões são um pouco simplistas perto das possibilidades da vida. Mas ainda vejo com ternura um senhorzinho imigrante, sentado com um caderninho no colo, esticando uma lupa sobre a palma da minha mão. Tenho certeza que ele crê que aquilo pode ajudar as pessoas. E fico feliz de saber que algumas pessoas encontrem naquilo algum alento. Sr. Hiroji esticou minhas mãos e logo de cara me perguntou: “Você namorado com 34 anos?”. Respondi que sim. Que eu estava namorando quando tinha 34 anos. “Agora, não mais namorado.” Respondi novamente que sim. “Aquele namorado era casamento. Você não casou. Pedeu.” Cuma!??? “Perdeu. Cabô.” Que velhinho sacana! Como assim? Perdeu playboy? É isso? “Agora não casar mais.” Hein!? “Você, boca muito grande. Falar muito.” Quem te contou!? “Falar muito. Homem procurar mulher mais carinhosa.” Tá de sacanagem! “Você, fechar boca.”  E só para encerrar a “leitula”, ainda repetiu: “Cabô. Perdeu.” Pois é! Não se fazem mais videntes como antigamente. Foi-se o tempo em que todos viam que eu seria famosa, casar com uma cara rico e viajar para o exterior. Hoje a coisa é mais PCC: Perdeu, playboy! Claro, que rimos muito disso. Ainda mais porque em seguida o velhinho disse que eu teria 3 filhos. Mas, tirando a brincadeira toda, fiquei pensando muito nessas fórmulas e ideais todos. É como o médico da academia que me sugeriu congelar os óvulos (vide Um, dois, três indiozinhos...). Nessa carência gigante que nos faz buscar respostas nas linhas das mãos ou em cartas jogadas sobre panos indianos. Como se houvesse uma fórmula para ser feliz. Como se o segredo fosse esse mesmo. “Mulher fala muito. Falei pouco e encontrará o amor.” Então eu vejo hordas de meninas desesperadas, se espremendo em ideais que se auto-impõe, simplesmente porque querem ser aceitas. Vão minguando por dentro, assassinando o que possuem de mais lindo e precioso, para se sentirem dignas das projeções inventadas de futuro. Como é que pode haver felicidade se você mata o que faz de você, você? Como é que pode haver amor, se o que te move são os padrões de uma sociedade que você nem sabe se correspondem às suas vontades? Eu sou uma romântica. Sou mesmo, incorrigível. Eu acredito naquele amor absoluto. Poderoso. Naquele amor que abala estruturas e faz o ar faltar. Acredito no amor que faz com que duas pessoas façam sentido na vida. No amor “não-sei-como-vivia-sem-você-antes”. E exatamente por acreditar nisso que não acredito na “sorte” das previsões. Geralmente, as pessoas que conheço e seguem previsões de cartomantes, são mulheres tão inseguras e desesperadas que são capazes de fazer qualquer coisa para se enquadrarem àquela expectativa de felicidade. Inclusive serem infelizes. Se prendem em relacionamentos fracassados. Pior. Geralmente são mulheres que se sentem tão indignas de um grande amor que tratam o parceiro como se ele lhes estivesse fazendo um favor. Tornam-se submissas, ignoram suas vontades. Vivem uma imagem de felicidade fina, tal qual casca de ovo. Acabam solitárias, em seus ideias de vida perfeita. Eu sei que eu sou uma pessoa intensa. O velhinho tem razão, eu falo muito. Geralmente ofusco. Sou para iniciados. Mas se eu for acreditar que isso faz de mim um fracasso... Se eu for acreditar que minha autenticidade destruiu as únicas possibilidades de amor, isso seria negar o próprio amor. Porque eu acredito que a melhor coisa que se pode oferecer a outro é nós mesmos. Inteiros. Sem edição. E se alguém se “assusta”, é porque não era para ser. Não era seu amor. Não era sua alma gêmea. Na verdade, editar-se para outro é desonesto. Você o priva de te ter por completo. Portanto, com toda ternura que o Sr. Hiroji me despertou - e tenho certeza, ele só queria meu bem - não acredito que acabou, que todas minhas possibilidades de amor se foram. Não posso ser menos, nem mais do que sou. E, se o próximo moço não aguentar... Perdeu. Cabô. ;-)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Dolce far niente


Embora eu viaje mais do que o Lula na época do governo, estou no meio das minhas férias oficiais. Minha ânsia por conhecer o mundo antes de morrer queria carimbar o passaporte com outros países inéditos no álbum de figurinha, mas daí entre conversas com a Keka, planos de visitar a Carol no Porto, acabei pegando as milhagens guardadas e investindo tudo em uma volta ao Velho Mundo. Passei uma semana em Portugal revendo amigos e embarquei de volta a Roma, um dos lugares onde fui mais feliz durante meu ano sabático. Existe uma coisa curiosa quando você revisita um lugar que lhe é importante. Nos damos conta do tempo, da jornada. De tudo o que eu buscava quando estive na Itália pela primeira vez. A Itália foi um lugar em que eu amei. Amei em toda complexidade do verbo. Amei lugares, amei prazeres, amei amigas, amei um garoto. Mas uma das coisas que eu havia esquecido, é que foi na Itália que eu mais me amei. Foi um pouco chocante voltar e descobrir em mim como tem escapado tudo o que eu fui em busca e conquistei. Como eu deixei a vida me engolir novamente e me perdendo de mim mesma. Verdade que encontrei muitas outras coisas. Algumas de forma dolorida, outras alentadoras. Eu engordei. Perdi tantos amigos. Mas voltei ao vegetarianismo com uma propriedade enorme, e encontrei o budismo. Virei mãe de uma gata. E descobri que posso ser boa profissionalmente em tantas coisas. Fui capaz de reconstruir uma rotina e montar uma vida. Só que não é exatamente a vida que eu queria. Não estou reclamando. Tenho uma vida muito boa. Mas será que depois de ter ido tão longe, abdicado de tanta coisa, era essa a vida que eu buscava. Eu tive a sorte de ganhar um bilhete em branco, para ser o que eu quisesse. E é isso que eu estou fazendo com ele? Porque é tão fácil se perder de nós mesmos? Sempre achei que o mais difícil era largar tudo e pular. Porque então eu insisto em voltar para o mesmo lugar? Eu penso se talvez nossas frustrações pessoais não venham exatamente do medo de se reinventar de verdade. E se não agora, quando? Se existe um lugar no mundo onde eu me sinto inteira é na Itália. Talvez porque ela vá sempre permanecer. Talvez porque entre a bagunça e o barulhos dessas cidades, as pessoas vivem. Eles falam, gritam, brigam, comem. Mas de todas as pessoas no mundo, os italianos são os únicos que estão inteiros no momento. É o “dolce far niente”. A capacidade de aproveitar o momento com calma, de absorver a vida com tudo o que ela tem. Mesmo carregando o peso de toda a história da civilização ocidental, as coisas são no momento. Nunca deixaram de ser. Por isso a Itália vai permanecer. Mesmo com a crise, mesmo que o Euro quebre semana que vem. A Itália é um país eterno. E se você não é capaz de ser inteira aqui, não será em nenhum lugar. Nós descemos de Nápoles pela Costa Amalfitana, comemos kilos de pizzas, risotos e pasta. Tomamos vinhos, graniti di limone, gelato todos os dias. Como se cada dia fosse o único que nos sobrasse. No budismo acredita-se que você deve meditar sobre a morte. Sobre a possiblidade da morte. Somente sentindo verdadeiramente que a morte pode acontecer a qualquer momento, daremos o valor e a importância que o dia de hoje tem. A vida é uma benção. Não é glamurosa, nem extraordinária. Não vem repleta de aventuras mirabolantes como filme hollywoodiano. Mas é uma benção e acontece em um só momento: agora. Por isso é pouco passar os dias sendo quem você não quer ser. E se não agora, quando?

quinta-feira, 14 de junho de 2012

FRASES DE LALAU

Lalau ontem comentando o caso Yoki:


"Por isso que eu falei para o Fê: Eu podia tá matando, eu podia tá picando... mas eu estou aqui, só dando um chiliquinho!"

A IMPRESSÃO DIGITAL

Ontem foi jogo do Corinthians. Eu estava tão nervosa, quase não consegui me concentrar o dia inteiro. Quem me conhece sabe que eu tenho motivos muito fortes para desejar com todas as forças a morte do Santos. Não existe dor maior do que perder para o Santos. Ainda mais na Libertadores, nosso grande tabu. Estou evoluindo espiritualmente em várias searas, mas ainda não estou pronta para receber impassível a derrota do meu Corinthians na Vila Belmiro. Bom, mas não vou falar de futebol. Foi lindo e foi emocionante. Vi o jogo na casa da Lalau, que é uma querida e faz um verdadeiro QG corintiano. Junta os amigos, distribui vuvuzelas. Churrasco na varanda, cerveja e caipirinha. Depois da vitória ainda ficamos dançando no Knect. Lalau é uma dessas minhas amigas que são prova viva de que existem caras legais no mundo, e nem todos são narcisista cafajestes. Ela casou com o Fê (em uma cerimônia que foi um dos maiores PTs da minha vida). Quando eu digo que acredito em almas gêmeas quero dizer que existe uma pessoa certa para você, com todas suas particularidades e defeitos. Acredito que toda mulher tem o seu príncipe encantado. Um "príncipe" não vai ser necessariamente alguém caretinha, convencional, montado no tal cavalo branco. Afinal, nem todas nós somos Kates Middleton. A Lalau sempre foi uma garota visceral, intensa, passional. Dessas que faz tudo por inteiro e não tem problema nenhum de ser dramática. O Fê ama exatamente isso nela e permite que ela seja quem é. Já perdi a conta das vezes que saí com a Lalau (o que sempre significa que vamos extrapolar na quantidade de chopps) e liguei para o Fê de madrugada para avisar que ela ia dormir em casa porque tinha dado PT. Em 90% dos relacionamentos que conheço isso significaria uma crise de 15 dias e acusações vergonhosas de caráter. (Em muitos dos relacionamentos que eu tive, inclusive!) Mas com eles, nada. O Fê agradece, deseja boa noite e pede para eu avisar caso ela queira que ele a venha buscar de manhã. Os dois cultivam uma relação super bonita de confiança e cumplicidade, e por isso fazem parte do meu rol de casais favoritos. Acho muito triste quando vejo garotas tentando mudar por causa de algum cara. Já vi histórias de mulheres que abandonaram tudo aquilo que fazia delas, elas; e com o fim da relação perderam suas identidades, perderam a autoestima e a noção de mundo. Algumas mulheres querem tanto ser amadas que são capazes de fazer de tudo para isso. Acabam adotando comportamentos que acreditam ser o que se espera delas. E não existe nada mais violento do que negar a si mesma o direito de ser. Falo isso, mas não sou inocente. Eu mesma já fiz isso no passado. Quis tanto ser amada que neguei a mim mesma minha autenticidade. Consequentemente atraí para o meu lado quem nunca me mereceria (e por isso acabei desejando a morte do Santos). A melhor coisa que se pode oferecer a outra pessoa é quem você é. Inteira. O pacote inteiro. Sempre existirá quem veja nisso um impedimento, um defeito intransponível. Essas são as pessoas que nunca serão capazes de te fazer feliz. Agora vai ter aquele que vai te amar exatamente pelas falhas, pelos defeitos, pela impressão digital que te faz única e original. Ontem falei para o Fê, "Sabe Fê, fico muito feliz da Lalau ter encontrado um cara como você. Você é um ótimo marido para ela e fico feliz de saber que minhas amigas se casaram com caras legais. Mas o mais importante, sua maior qualidade: Você é corintiano!". O Fê, que é sempre querido, concordou: "Exatamente!  Vai ver se consegue fazer um bom casamento com um santista!?". É. Vai ver.