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terça-feira, 29 de julho de 2014

DISCIPLINA FELINA


Aqui em casa eu tenho um sistema para disciplinar as duas gatas. Na verdade o sistema foi criado com a Holly, e a Sabrina veio para ajudar a aliviar a tensão da irmã que já estava me enlouquecendo. Bom, é algo simples. Na primeira eu falo “não”. Forte e firme, para deixar bem claro que estão fazendo coisas erradas. Geralmente não é suficiente, então eu tenho que repetir “não” mais algumas vezes e ameaçar a levantar. Daí sim funciona. Outras, mesmo isso, beirando ao grito, não é suficiente. Então eu uso o borrifador. Minha prima veterinária que indicou. Borrifar água quando elas estivessem fazendo algo errado, ou subindo em algum lugar onde não deviam. Teoricamente o jato de água deveria ser traumatizante e elas parariam de repetir o comportamento depois de algumas vezes. Certo. Gatas normais fariam isso. Holly desenvolveu uma teimosia tão sofisticada (para quem será que ela puxou!???) que nos dias em que está mais atacada ela enfrenta o borrifador, fecha os olhos e encara o jato de água como se fosse uma refrescante água termal Vichy. Quando elas enlouquecem, destróem meus enfeites, quebram copos ou derrubam garrafas de vinho no sofá claro, daí eu faço um escândalo. Dou bronca, corro atrás, e coloco de castigo na varanda. É eficiente. Holly sempre sabe porque está sendo castigada, e aceita com dignidade a vergonha e humilhação. Bom, eu sou uma pessoa virginiana. Gosto de organização, harmonia de cores, padronização de formas. Ter gatos faz com que eu me sinta constantemente descabelada. Ou eu aceito que minha casa nunca mais vai ficar perfeita, ou vou passar o dia aos nervos, gritando com elas o tempo todo. Na maior parte do tempo elas dormem. Dormem muito, enroladas uma na outra. Mas à noite... É como se ligasse um bando de crianças de 5 anos, em véspera de excursão, abastecidas com café e muita açúcar. Ficam enlouquecidas. Pulam, miam, se agarram. Rasgam as unhas nas cortinas, jogam almofadas no chão. Passam voando pela minha cabeça, em cima do computador e apagam coisas importantes. Só ouço os sininhos dos pescoços fazendo as 500 milhas de Indianápolis no meu apartamento. Ainda assim, Sabrina é bem mais suscetível às técnicas disciplinadoras do que Holly. Sabrina responde aos “nãos”, e não pode nem me ver colocar as mãos no borrifador. É a irmã mais nova que tem medo de entrar em encrenca. Hoje cedo Holly ficou de castigo. Passei ontem a tarde com minha mãe e minha tia procurando um vasinho solitário para colocar uma rosa que ganhei do florista. Achei um fofo, no formato de uma garrafa, em vidro jateado verde. Coloquei junto com uma caixinha de música em formato de carrossel, no meu cantinho de leitura. Claro que algo que fica em pé, cheio de água, é o tipo de coisa que Holly acha divertidíssimo derrumar. Passou a manhã se equilibrando na mesinha, tentando acertar a pata na rosa, se esgueirando pelo vão da escada, até que derrubou o vaso, a rosa e encharcou a caminha delas (onde elas nunca dormem, óbvio!). Foi um caos! Corri, escorreguei, puxei a gata pelo rabo debaixo do sofá da sala e coloquei de castigo na varanda. Sabrina ficou em pânico e passou o tempo todo do castigo miando para a porta de vidro. Mas de uns tempos para cá, Sabrina tem colocado as garras para fora - e nas poltronas também! - como toda irmã caçula que se preze, está aprendendo direitinho como enfrentar a disciplina. Agora à noite eu estava trabalhando. Cansada e estressada, naquele momento que o cérebro está quase dando tilt, quando a bateria do computador ficou no vermelho. Puxei o carregador e conectei em uma tomada atrás do puff. Tirei a tela que comprei em Cuba (e está alguns meses esperando ser pendurada) e apoiei no buffet, na frente da minha coleção dos gatos de cerâmica que trago de minhas viagens (cada país que vou, compro um gato. Tenho gatos do mundo inteiro). Quem tem gatos sabe que nada é mais atraente para eles do que novas coisas na casa, mudanças de móveis ou objetos de posição. Um quadro, perto de uma infinidade de bichinhos que podem ser empurrados no chão... Claro que ela achou a coisa mais divertida do mundo empurrar minha coleção de gatos, quebrar alguns e descer com as unhas de fora, escorregando pela tela cubana. Falei o “não”, os vários “nãos”, joguei água e, por fim, cacei Sabrina por toda a casa, com grande estardalhaço, para colocá-la de castigo. Seu primeiro castigo na vida. Coloquei a gata na varanda, expliquei o que ela tinha feito de errado, e fechei a porta de vidro. Holly, que já está cansada de saber como a coisa funciona, subiu para o quarto e ficou bem longe para não levar de tabela. Sabrina miou, miou mais um pouco, e por fim ficou quieta. Quieta até demais. Depois de uns 10 minutos, o tempo habitual que costumo deixar Holly de castigo, fui abrir a porta para deixar Sabrina voltar para casa. Quando Holly fica na varanda, geralmente ela está sentadinha em um canto, quieta e envergonhada, aguardando a permissão de voltar para dentro. Sabrina, por sua vez, estava pendurada na tela, abrindo o segundo buraco, planejando uma fuga para o vizinho. Dizem que com filho é a mesma coisa, né!? Os caçulas aprimoram as técnicas dos mais velhos. 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

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Balde de Homus, que eu mesma fiz! 

Hoje a Quinta-feira da Champagne dançou. Baixou a Mônica Geller de manhã e eu limpei a casa inteira. Arrumei a geladeira, lavei louça, cuidei das gatas. Eu dou conta da casa, eu gosto. Mas como eu sou free-lancer e trabalho em casa, acabo consumindo horas preciosas que precisava estar trabalhando. Quero ver se consigo dar conta da casa durante as férias da Jô. Sem precisar chamar faxineira, nem nada. No andar de baixo está tudo ok. Agora o de cima... O banheiro precisa de um banho. E o escritório continua caótico. Será que consigo colocar ele em ordem até domingo!? É a grande dúvida da humanidade. Também, para dar conta da arrumação eu cabulei a academia. Tem algo que desperta em mim muito bem-estar nessa coisa de ser dona-de-casa. Não que eu conseguisse só fazer isso da vida e não trabalhar, longe disso. Mas adoro cuidar da minha casa. Adoro deixar as coisas em ordem. Me sinto muito bem quando está tudo bonito, organizado e limpo. Me sinto uma pessoa melhor. De verdade. E como meu embalo estava produtivo, aproveitei para ir no mercado natural e comprar a lista da nutricionista. Tão empolgada que cheguei em casa louca para cozinhar. Fiz grão de bico, feijão, pizza integral, torta de palmito e arroz com açafrão. Eu sempre usei açafrão em pó. Mas a nutricionista falou para eu aumentar o consumo de raizes, e frisou o açafrão. No Apanã sempre tem açafrão orgânico para vender. Eu sempre confundo com gengibre. Nunca tinha comprado. Mas fui lá, muito feliz, ralar o açafrão fresco para colocar no arroz integral. Acontece que açafrão é pior do que beterraba. Mancha, e mancha forte! Faca, tábua, ralador. Inclusive meus dedos e unhas. Tudo amarelo! De tanto esfregar, agora a esponja de lavar louça também está amarela, e o pano de prato - não faço ideia como. O arroz ficou ótimo, mas passei algumas horas na internet tentando descobrir como tirar as manchas. Algumas saíram. Os dedos e a unha continuam. Parece que eu tenho hepatite. Queria saber como os chefes de cozinha fazem. Por enquanto, vou na manicure amanhã tentar resolver. E a cozinha ficou um caos. Quem sabe amanhã a Monica Geller aparece novamente e dá um jeito em tudo. 

domingo, 12 de janeiro de 2014

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Toda vez que minha empregada tira férias eu questiono a real necessidade dela. Vale lembra que eu não tenho apenas a síndrome de Stepford Wife, como sou uma ótima inspiração para os roteiristas de “Friends” quando eles criaram Monica Geller. Sim, sou neurótica com limpeza. Tenho minhas manias de como organizar cada coisa, e de que forma lavar, arrumar, limpar. Mas sou preguiçosa também. Por isso a empregada. Mas com a Jô em férias, acabo passando a maior parte do tempo arrumando e limpando a casa. Hoje foi a sala, a cozinha, quarto, varanda. Depois fiz compras, tudo saudável e orgânico. Voltei para casa e cozinhei, limpei a cozinha novamente, tirei o lixo e arrumei a geladeira. O supermercado estava cheio. Todo mundo fazendo compras da semana e arrumando a casa no domingo. Ainda acho melhor do que passar a tarde vendo Faustão. Taí uma coisa que não vão me ouvir reclamar. De ter passado o dia vendo Faustão. Esse é o tipo de coisa que nunca vou fazer. Tenho amor demais por mim mesma para fazer isso. Enfim, eu passei o domingo organizando a casa. Tenho um prazer enorme em cuidar da minha casa. Ela reflete diretamente meu estado de espírito. Quando não estou muito bem, fica tudo desorganizado. Sapato jogado na sala, pia cheia de louça. Uma das minhas propostas desse começo de ano é dar uma geral no escritório e no meu guarda-roupas. Estou adiando. Até comprei caixas, sacos plásticos de 100 litros, etiquetadoras. Está tudo jogado no chão no homeoffice, para meu desespero e deleite das gatas. Vamos ver! Dessa semana não pode passar. Eu morro de preguiça. Depois que começo, fico horas sem parar. Mas o difícil é começar. Por isso o compromisso público. Para eu ficar morrendo de vergonha caso não cumpra até o final da semana. Ou ter que exercitar a cara de pau ao prorrogar o prazo. De qualquer forma, a coisa está no limite. Não posso enrolar mais. 

sexta-feira, 8 de abril de 2011

MINHA LAVADORA E EU

Nada como, finalmente, estar instalada no meu novo lar. (Quase) Todas minhas coisinhas devidamente socadas dentro de armários e as portas fechadas para que eu só tenha de pensar em arrumar no próximo verão. E quando eu acho que vou iniciar minha nova vida de Amélia que aposentou a mochila, desço toda pimpona com o cesto de roupas sujas na mão para estrear minha nova máquina de lavar E SECAR roupas. Comprei uma lavadora e secadora híbrida da Brastemp. Eu gostaria de dizer que foi uma aquisição consciente. Que eu pesquisei modelos e capacidades, fiz tabela para o consumo de energia, tirei medidas para que ficasse adequada ao tamanho da área de serviço, comparei preços, chequei referências em sites de reclamações do consumidor e fiz garantia estendida. Adoraria dizer que eu fiz tudo isso. Mas quem fez tudo isso foi o Ozzie, que comprou uma lavadora igual e, como dentro da pesquisa dele essa era a melhor, eu peguei carona e comprei no impulso. É mais legal comprar no impulso. Logo de cara rolou uma decepção porque agora todos os eletrodomésticos vêm com essa ridícula tomada nova de 3 pinos e não servem em nenhuma tomada mais. Então a lavadora ficou quietinha desembalada aguardando que eu encontrasse algum adaptador no meio das caixas da mudança. No domingo à noite fui muito feliz, com uma pilha de roupões e toalhas, ver a maravilha que iria lavar e secar minhas roupas com um simples toque de botão sem que eu precisasse mudar meu nome para Maria, Creusa ou Socorro. Bonitinha minha máquina nova. Rodopiando com minhas roupas e CRACK! Apagou e parou. Grito. Tento abrir a porta, mas ela está travada. Ligo. Desligo. Desplugo da tomada e ela volta a funcionar. Seleciono o ciclo tudo de novo e... Rodopia minhas roupas. CRACK! (Outra vez?) Só que dessa vez nem liga, nem desliga e nem destrava minhas roupas. Elas todas lá dentro, molhadas e reféns. Duas horas de pesquisa no manual eu resolvo que o melhor é chamar a assistência técnica. Veio na terça, dia de caos. Tinha faxineira, feira, internet sendo instalada e amiga que aparece para almoçar de surpresa. Eu arrumando as últimas caixas do escritório. O técnico aparece, fuça, coloca cabinho na tomada e setencia: A máquina é fantástica, mas a tomada precisa ser trocada. Maldita mudança de padrão de plug! Lá vou eu subir a Teodoro Sampaio em busca de uma loja de material de construção. Compro a tomada e volto. Mas ela não cabe na caixinha que estava instalada na parede que era da marca X, e eu tinha comprado da marca Y. Então eu volto e compro o da marca X, que daí não serve porque a caixinha é 4x4 e não 4x2 (suspiro!). Achando que ia resolver tudo de uma vez por todas eu volto na loja e peço o jogo completo de tomada. “Moço, me dá tudo! Tudo! Não faz mal o que eu tenho ou não lá. Vou colocar tudo novo!”. Lá vai dinheirinho da minha carteira. Agora sim. Tudo cabe na parede. O que não cabe é o plug da lavadora na tomada, que é mais larguinha que o tamanho comum. (Hein?!). Eu realmente não entendo porque chamam de “novo padrão” se não existe padrão nenhum. São tantas variantes, número de âmperes, especificações de fabricante, voltagem, tamanho, quantidade... Acho que deviam vender tomadas com meu nome, personalizadas. Enfim, a nova tomada foi lindinha instalada quando já anoitecia e a minha máquina nova finalmente funcionou direitinho, do princípio ao fim. Ontem eu cheguei em casa e fui exercitar a Dita. Passei uns lençóis, coloquei uma carga na máquina e fui chorar em frente à TV assistindo ao Jornal Nacional. De repente ouço a máquina parar e PI-PI. “Ops! Pi-Pi não é legal. Pi-Pi não é um barulho legal!”. Lá estava minha maquina paradinha olhando para mim com um imenso código de erro no visor. Ignorei. Puxei o plug da minha tomada nova, coloquei de novo, apertei enter e foi. Tudo se resolve apertando um botão. Sem que eu precise mudar meu nome para Socorro.