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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

FOREVER ALONE

Ontem me aconteceu algo bem curioso. Eu acordei cedinho, embora fosse um domingo. Fiz minha meditação, tomei meu suco verde e saí para uma corrida na ciclovia perto de casa. Corri 7K ouvindo ABBA, bem feliz. Eu gosto de correr ao som de ABBA. Eu fico me imaginando a Meryl Streep descendo pelas vielinhas da Grécia, e dançando nas varandas daquelas casas brancas. Eu estava me sentindo bem fabulosa. Sabe quando a gente se sente fabulosa? Quando tem aquela sensação de bem-estar, de estar completa? Eu tava bem assim depois da corrida. Toda suada, vermelha, mas fabulosa. 

Então eu parei em uma padaria no caminho para comprar uma garrafinha de água. Afinal, isso aqui virou o Senegal. Haja hidratação! Assim que entrei na padaria, notei um cara me olhando. Percebi assim, de rabo de olho. Nada muito incisivo, o cara tava me olhando só. Imaginei que fosse óbvio, afinal, eu estava fabulosa. Procurei uma garrafinha de água gelada sem sucesso, e o cara atrás de mim, seguindo o fluxo da padaria e me olhando. Fui até o balcão e pedi uma garrafa de água gelada ao atendente, e o cara parou ao meu lado também fazendo um pedido. Fui para a fila do caixa, e o cara parou atrás de mim. Depois que paguei, fui me virar para sair da padaria e o moço pulou na minha frente e me estendeu um cartão. 

Pausa. Vou deixar claro que acho bem chato cantada de rua, assédio, caras muito incisivos, mas existe uma linha tênue entre extrapolar o meu espaço pessoal e me achar interessante e me abordar. Admiro quando o cara cria coragem de chegar na minha mesa de café e deixar o telefone sem pressão, ou tenta puxar um papo na fila do cinema. Não sou uma pessoa baladeira, que vive em lugares que favoreçam a paquera, então quando a paquera acontece casualmente em lugares cotidianos, tipo, em uma padaria depois da corrida no domingo de manhã, até acho legal. Uma abordagem com respeito, discreta, pode-se conhecer alguém legal, porque não?! Mas, voltando. Então o moço parou na minha frente, com seus lindos olhos verdes, e me estendeu o cartão:

“FULANO DE TAL
Acompanhante de Eventos
Teatro, Cinema, Jantares, Etc.
Tel (11) 5555.5555

Sério, roteiristas da minha vida? SÉRIO??? Quando eu tô me sentindo super felizona, super fabulosa, vocês me mandam um acompanhante de aluguel? Será que o cara me viu na padaria e me achou com cara de cliente em potencial? Será que eu estou com a imagem de alguém que precisa de um acompanhante para fazer as coisas? Pior, de que não consegue um acompanhante sozinha? Justo eu que faço tudo sozinha e ADORO fazer tudo sozinha? Fiquei imaginando, eu lá, toda vermelha e fabulosa. E o cara pensando, "essa senhoura pode precisar de um acompanhante uma hora dessas". 


Botei os fones de ouvido, dei play em “The Winner Takes it All”, e subi para casa mamando minha água na garrafinha. 
O cartão? Guardei. Vai saber, né?!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

CPF NA NOTA?

Já repararam nos atendentes de caixa das lojas? 
Eles perguntam se queremos Nota Fiscal Paulista, e daí ficam parados, com a mão no teclado, olhando para a nossa cara, esperando o número do CPF. 
Eu sempre fico tensa quando isso acontece. A pessoa fica te olhando como se fosse um duelo. Só esperando para ver quem saca a arma primeiro. 
Então eu começo a falar os números. A pessoa digita rapidamente, sem tirar os olhos de mim. Tipo, tenso! Só dá para ouvir o "tec tec" no teclado. Aqueles dedos super ágeis, e a pessoa nem olhou para baixo um segundo. Ela quer que você saiba que ela pode fazer aquilo de olhos fechados.
Eu começo a gaguejar. "1... er, meia... 4...". A pessoa bufa. Eu gaguejo muito devagar para a velocidade de digitação. E não dá nem para piscar. O caixa está lá, olhando fundo nos seus olhos. Nada de sorriso, nada de nada. Só aquela exibição pública de destreza.
Eu fico nervosa. Não gosto de gente que eu não conheço me encarando. Na verdade eu não gosto de gente que eu não conheço, ponto. E sinto um incomodo gigantesco com intimidade.
Então eu falo o restante dos números bem rapidinho, sem respirar, quase sem fôlego, só para acabar logo com aquilo. E depois fico repassando mentalmente para ver se dei meu CPF corretamente, ou se dei o número de telefone. Confundo os dois o tempo todo.
Eu prefiro quando as pessoas olham para o teclado. Ou para o celular. Ou para um espaço vazio além da minha cabeça. Tenho um problemão com gente olhando para mim. Mas acredito que isso faça parte de algum ritual sádico ao qual os atendentes de caixa se permitam. Algo que eu faria também se fosse eles. Só para experimentar ver quanto tempo as pessoas demoram para olhar para o outro lado.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Carte de amor ao Gregorio e à São Paulo

Vou confessar, ando com uma quedinha pelo Gregorio Duvivier.
Eu sou uma apaixonada por São Paulo. Acho que no Brasil não tem melhor cidade para se viver. Veja bem, não quer dizer que é uma cidade perfeita e maravilhosa, apenas que, do que temos, é a melhor. E muito melhor do que muita cidade por onde já passei na Europa, por exemplo. Acho um saco gente que reclama da minha cidade. Acho de uma deselegância sem tamanho ficar achando defeito em tudo, apontando só para o que é ruim. Acho cafona pra burro ficar de mimimi e continuar morando aqui. Seja porque é onde se trabalha, seja porque é onde tem dinheiro, seja pelo motivo ou desculpa que for. São Paulo é uma cidade generosa pra caramba. É a Geni das cidades brasileiras. Nos enche de cultura, de gente, de oportunidades, de diversão, de amigos, de milhões de formas de sair da rotina, mas ainda assim só é feita pra apanhar, só é boa de cuspir. Li o texto da outra que também falou mal dos homens paulistanos, e fiquei com uma dó danada da moça. Em uma cidade de 19 milhões de habitantes só saiu com coxinha na vida, que pena, né!? Acho que isso diz mais sobre ela do que sobre a cidade. Sinceramente, acho que gente que detesta São Paulo tem mais é que ficar só com o pior da cidade. Tem que amargar umas horas de trânsito e passar o final de semana de bico no sofá de casa. Tem que ficar resmungando que a cidade é um lixo e liberar os shows no parque para quem gosta; as exposições, o centrão lindo maravilhoso, a variedade de cinemas, as centenas de teatros, a vida noturna, os restaurantes, os cursos, as colônias de imigrantes, a babel de gente de todos os cantos de todas as raças que chamam essa cidade de casa. 

Gregório, pode amar minha cidade, viu! Fique à vontade. Vem, é uma delícia. Te encontro para uma água de coco no parque, guarda lugar na fila daquela mega exposição. Se bater saudades, a gente vai na Praça do Pôr do Sol e também aplaude.


domingo, 16 de março de 2014

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Dei um pulo hoje na Feirinha Gastronômica com as gêmeas e encontrei o Kqui que veio me agradecer pela entrevista que fizemos para a Vida Simples no ano passado. Eu sou tão pastel que nem vi a entrevista. E olha que eu leio a revista inteira de cabo à rabo todos os meses. Saiu na edição de dezembro, em que lançamos a campanha #chegadedieta. Acho que fiquei tão hipnotizada com a matéria de capa que nem me dei conta. De qualquer forma, fui lá no meu acervo de VS e fiquei feliz. O Kqui é um cara muito legal, um agitador cultural. Acho incrível a força que ele tem para criar projetos que dão certo. Conseguiu transformar a Praça Benedito Calixto em point paulistano também aos domingos. No dia da entrevista ficamos mais de uma hora falando sobre democratização, cultura de rua e a nova lei que - finalmente - legaliza a comida de rua. Uma pena que tínhamos um espaço pequeno, ele tem muito o que falar sobre o assunto. É inspirador. Dá vontade de experimentar mais, e de também fazer algo para deixar essa cidade melhor. 

sábado, 15 de março de 2014

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Alana me chamou para um show hoje, uma amiga dela do Rio que está participando do projeto Natura Musical, a Karla da Silva. Sabe aqueles shows delícia, que você fica do começo ao fim com um sorriso na boca? O seu primeiro CD chama-se “Quintal”, e o palco estava todo decorado como se fosse o quintal de alguma casa. Tudo muito fofo e feminino, mas ainda bem contemporâneo. Gosto dessa nova safra da MPB. Uma moçada boa, fazendo música boa, e com uma energia muito boa. Minha energia que estava baixa ficou melhor. Preciso de programas assim. Andar à pé pelo centro, tomar suco natural e ouvir boa música. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

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Terça-feira tem uma feira livre bem aqui na porta de casa. Para ser sincera eu não vou sempre. Estou sempre muito ocupada trabalhando, ou longe, na escola. Hoje resolvi parar tudo e fazer uma dessas pequenas coisas que a gente tem o privilégio de ter no Brasil: almoçar pastel de palmito e caldo de cana na feira! Sim, é uma bomba calórica. Mas, sim, é uma das coisas mais gostosas da vida. Sentar em um banquinho, no meio da rua, ouvindo os gritos dos vendedores da feira. Comer um pastel sequinho, tomar um grande copo de garapa com limão... E a vida fica maravilhosa, sendo simples. Com pouco, muito pouco. 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

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Feliz Ano Novo Chinês, pessoal! 
Esse é o ano do Cavalo. Dizem que é um ano de fazer acontecer. Cavalo galopa, e o retorno de todos os esforços feitos no último ano será recompensado rapidamente. Mas precisa trabalhar! 
Estou aproveitando a delícia de ter a Keka em São Paulo por mais tempo. Fomos na liberdade comer bifum, tirar fotos e derreter embaixo do Sol desértico que estamos sofrendo. Adoro! Manifestações e festas populares. Essa mistura enorme de gente, raças, jeitos. Coisa que só em São Paulo mesmo. Não aquele multiculturalismo de guetos que existe em outras grandes metrópoles do mundo. Tô falando dessa mistura de todo mundo junto e tão misturado que viramos uma grande massa mestiça. Amo isso. Somos privilegiados de ter isso. 

Bora fazer esse cavalo galopar! 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

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Felicidade é uma caixa de Mentex.


Quando eu morava no Jardins passava sempre no cruzamento da Estados Unidos com a 9 de Julho. Ali fica um vendedor de balas paraplégico. Ele fica na cadeira de rodas, com o tabuleiro de balas no colo e conversa com todo mundo. O mais impressionante é que ele sempre, sempre, SEMPRE tem um mega sorriso no rosto! Nunca vi esse cara mal-humorado. Ele está sempre feliz, positivo, de bem com a vida. Quando morava ali, fazia questão de parar na faixa da esquerda, abrir a janela e bater-papo com ele enquanto esperava o farol abrir. Quando não dava tempo de parar, eu gritava um “bom dia” da janela e acenava enquanto passava. Ele se esticava todo na cadeira e me acenava de volta, com aquele sorrisão de quem é feliz na vida. Teve uma semana que ele sumiu. Eu passava ali e me dava um aperto no coração. A gente sempre imagina tragédia. O cara podia muito bem ter ganhado na Mega-sena, mas a gente sempre imagina tragédia. Depois de uma semana ele reapareceu, do mesmo jeito de sempre. Nem tragédia, nem mega-sena. Tinha sido só uma gripe. Depois tirei meu ano sabático, e quando voltei vim morar em Pinheiros. Nunca mais passei por lá. Hoje, eu desci a Pamplona depois de uma maratona burocrática de pedidos de documentos, visitas à secretaria da faculdade e pendências mil, estava aérea, pensando na minha coluna do PPQO de amanhã. Pensando em como as relações humanas estão cada vez mais frágeis e mais difíceis, em como me dá vontade de virar uma bolinha igual tatu e me isolar do mundo. Quando me aproximei do farol da Rua Estados Unidos com a Av. 9 de julho fechado. E lá estava meu amigo. Em sua cadeira de rodas, sorrisão aberto. Por um instante tive o ímpeto de fingir que não tinha visto. Ficar olhando pra frente com cara de ocupada, esperando o farol abrir. Mas então ele veio até minha janela, pediu para eu abrir o vidro e foi então que eu me toquei. Eu já estava enroladinha feito tatu-bola, isolada do mundo. Abri o vidro para o meu amigo e a primeira coisa que ele me disse foi: “Oh, minha linda! Obrigado pela gentileza! Que sexta-feira linda! Vai sair com o maridão hoje!?”. Acho que ele não se lembrava de mim. Certamente que não. São muitas garotas introspectas dirigindo naquele farol todos os dias, e para mim só tem um vendedor paraplégico com quem eu bato papo. É natural que minhas memórias com ele sejam mais vivas do que as dele comigo. Eu não consegui falar muita coisa para ele. Não expliquei que não havia nenhum maridão. Nem que já faz tempo que a sexta-feira à noite não significa mais nada para mim. Não falei que minha grande expectativa do dia era lavar uma pia repleta de louça suja. Nem que todas minhas relações pessoais se reduziam à janelinhas em um chat no computador. Não contei para ele que já tinha morado ali pertinho, duas quadras dali. Nem tentei resgatar na memória dele que eu passava quase todos os dias ali e a gente conversava, e se reconhecia. Na época que eu andava com um Celta básico, peladinho, sem rádio, nem ar condicionado, porque eu era, talvez, muito mais desapegada de conforto do que sou hoje. Não falei para ele que era bom vê-lo novamente, e que eu sempre comprava Mentos, mesmo quando não tinha vontade. A única coisa que eu disse foi, “Hoje à noite eu vou trabalhar!”. Porque era a verdade. Porque é isso o que eu faço todos os dias. Dia e noite. Porque trabalhar muitas vezes vira uma desculpa quando a gente não tem mais nada com o que preencher o espaço da vida. Então ele me olhou, como quem olha a pessoa mais miserável e desamparada do mundo. Me olhou com ternura e compaixão, de quem está em uma posição melhor, muito melhor do que você. “Querida, não faça isso com você. Essa vida toda, é só ilusão. Nada disso é real. Não perca a oportunidade rara da vida por causa de matéria, por causa de dinheiro. A vida vai passar, e você vai perder e nada disso aqui vai ficar. Não deixe de aproveitar um único segundo da vida, por favor!”. Então uma ficha gigante caiu. Aquele homem ali na minha frente, sentado na cadeira de rodas, com papada no pescoço, de pele escura... aquele homem é um buda. Aquele homem é um ser iluminado, que já transcendeu todas as delusões dessa nossa vida material. E quando eu estava alimentando minha decepção com o mundo, ele me veio lembrar que o meu caminho é para o outro lado. Ele veio me acariciar com ternura e generosidade de quem sabe como essa ilusão toda do samsara pode ser dolorida para nós humanos. A gente passa por budas todos os dias, eu sei disso. Só prestamos atenção. Quem iria imaginar que em cima de uma cadeira de rodas, vendendo Mentex, estaria uma pessoa se sentindo muito melhor do que você, dona de todo o conforto de um ar condicionado. Nada contra o conforto. É uma benção tê-lo e sou muito grata. Mas nunca imaginamos que aquele que tem acesso a menos conforto do que a gente possa estar de fato em um lugar melhor. O farol abriu, os carros começaram a buzinar, e eu fui embora meio pasma. Sem processar totalmente aquela epifania. Acho que não me despedi. Certeza que não agradeci. Cheguei em casa, lavei a louça, trabalhei. Agora estou pensando muito nas coisas que eu acho que eu tenho que fazer. Se não é a obrigação em si também uma grande ilusão. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

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Hoje foi o dia mais esperado das férias escolares: o Dia da Tia Dri!!! 

Todas as férias eu e meus sobrinhos fazemos o “Dia da Tia Dri”. É um dia em que a gente sai juntos e fazemos coisas divertidas. Teve vez de passar a tarde jogando Wii e comendo doce da “cesta da felicidade” (uma cesta cheia de balas, chocolates e pirulitos, para terror da minha irmã), tivemos muitas sessões de cinema, passeios em livrarias, confecção de cupcakes, tarde de escalada. Dessa vez resolvi inaugurar minha mochila de picnic “recém-chegada da China”! É uma mochila super legal que comprei no AliExpress. Vem com pratos, taças, talheres, guardanapos, um compartimento térmico para colocar a comida, suporte para garrafa de vinho e um grande cobertor para jogar na grama e fazer o picnic em cima. De sonho! Fiquei tão feliz quando chegou. Vi muitos desses kits na Europa, as pessoas fazendo picnics nos parques, às margens do Sena e na Villa Borghese. Estava louca para usar mais esses parques que temos na cidade. Então enchi a mochila de frutas, queijos, saladinhas e sanduiches; e fomos para o Parque Vila Lobos andar descalços na grama e comer deitados no chão. Todas as vezes que fui ao Vila Lobos foi para ir em algum show, ou alguma coisa específica. Nunca tinha ido de fato usufruir do parque. Poxa, que delícia de parque é esse! A área de picnic é perfeita, cheia de árvores. Fiquei feliz de ver que várias famílias, casais, grupos de amigos também resolveram fazer um picnic no meio da tarde de quarta-feira. Descolamos uma bela sombra, tiramos os sapatos e almoçamos ao ar livre. Depois as crianças enterraram sementes de cereja (jurando que nasceria uma cerejeira), subiram em árvores, brincaram de pega-pega, enquanto eu deitei um pouco na grama e fiquei olhando o Sol por entre as folhas das árvores. Pensando em como é gostoso quando a vida fica simples. Mateus encheu o pé de barro, até o Rafa, que está na difícil pré-adolescência, se permitiu ser criança mais um pouquinho. Bebemos todo o suco de goiaba e demos uma volta no parque para descobrir o que mais tinha por lá. Descobri quadras de tênis para uso livre, aparelhos de ginástica e uma super ciclovia. Talvez eu devesse incluir o Vila Lobos às minhas corridas de final de semana. Talvez eu crie coragem de aprender a andar de patins também. Talvez eu até arrume alguém para me segurar nos tombos e ajudar a carregar a cesta de picnic das próximas vezes. Talvez. 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

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Tanto Sol, praia, piscina... Já não havia nem resquício da ruivice em mim. Pior. Estava ficando loira. Como tenho que renovar minha carteira de identidade, achei melhor resgatar a ruivice antes de tirar uma foto que vai me acompanhar por tanto tempo. Eu descobri o Retrô Hair no ano passado. Na verdade já conhecia o salão, algumas amigas frequentam, mas eu mesma nunca tinha ido. Então, no casamento da minha irmã, fiquei tão insandecida organizando tudo, que esqueci de um detalhe: marcar horário para maquiagem e cabelo. Então nos 45’ do segundo tempo, liguei para meu cabelereiro, para minha cabelereira, para o cabelereiro da minha irmã, da minha tia, da minha avó... Todos sem horário. Então lembrei do Retrô. Fui no escuro. Com o profissional que me designaram. Cheguei atrasada, com pouco tempo. Quase desisti da maquiagem porque achei que não ia dar tempo. O Slad me perguntou quanto tempo eu tinha. Falei que tinha que estar no salão, de banho tomado, vestida, em 1h30. Sorriu e falou: “Sem problemas!”. Em 10 minutos ele fez meu penteado, e ficou um escândalo de lindo. Daí a Rafa arrasou na maquiagem em 30’, e eu consegui passar em casa, tomar banho com calma e chegar no horário para o casamento. Depois dessa resolvi usar os serviços básicos deles, e caí de amores. Agora quem corta meu cabelo é o Slad, e tenho amado! O lugar é todo moderno, cheio de móveis, carros e eletromésticos retrôs. Tem vários profissionais, de diferentes perfis, então dá para você encontrar aquele que vai mais de encontro com o seu estilo. Todo mundo tem tatuagem, alargador de orelha, ou usam acessórios que eu não tenho coragem de usar nem como figurino. Sempre me sinto meio careta demais quando estou lá. Mas gosto de pensar que ninguém ali está fazendo nada muito convencional. Aliás, tem um studio de tatuagem lá também. Você chega, e em vez de água e café, te servem uma cerveja ou guaraná caçulinha. Depois da lavagem você ganha uma massagem delícia e, o melhor de tudo, funcionam até às 23h! Nada de perder a tarde no salão. Nada de revista de fofoca ou música eletrônica também. O que rola nas caixas de som é rock. Adoro marcar horário às 20h30, e sair montada para tomar um cocktail, ou algum jantar. Ah, sim! O preço é super justo. Acho complicado discutir preço de serviços. Cada profissional é um profissional, e tem sua história, seu valor. Mas existe um limite de bom-senso, e de bolso. Com cabelo curto e colorido, por mais apaixonada que eu fosse pelos serviços de alguns profissionais que adoro, foi ficando inviável deixar pequenas fortunas por mês só para cuidar do cabelo. É uma combinação perfeita de preço, serviço, qualidade e astral. Adoro!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

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 A Jô entrou em férias hoje. Ela é minha empregada. Consegui a maravilha de uma empregada meio período. Para quem trabalha muito em casa é uma benção. Senão perco muito tempo de trabalho cuidando das coisas de casa. É complicado essa coisa de homeoffice. É importante ter disciplina nessas coisas. Então a Jô vem 4 horas por dia, mantém tudo em ordem, cuida das gatas quando não estou e ainda lava minha salada e pica as frutas. Deixa tudo em potinhos na geladeira. Isso já me salva tanto a vida! Jô chegou meio arrasada porque o cara do outro emprego dela a demitiu hoje. Demitiu porque ela pediu para tirar férias agora, e o cara queria que ela tirasse quando ele tirou e foi viajar em dezembro. Na verdade as férias dela só vencem comigo em março, mas adiantei para que ela pudesse ir para a Bahia visitar a família. Faz 10 anos que ela não volta para a Bahia. Enfim, fui no banco retirar o dinheiro do pagamento dela. Férias, 1/3 e proporcional trabalhado de janeiro. Saindo do caixa eletrônico, vejo uma senhora muito esperta saindo de um Corsa que tinha acabado de estacionar na vaga de deficientes. Quando vi a Dona toda saltitante, não resisti: “Ué!? Mas cadê a sua cadeira de rodas?”. Ela respondeu o clássico “Vou ali só um minutinho...”. Dei bronca. Igual a gente faz com criança. Porque quem faz esse tipo de coisa é igual criança malcriada. Precisa conhecer limites, precisa ficar de castigo. Balancei o dedo e falei: “Ai, ai, ai, Dona! Num pode! Nem por um minutinho! Muito feio isso. Vai tomar uma multa!” A Dona não gostou. Saiu resmungando, querendo bater boca. Mas eu não bato boca. Eu tiro foto e posto em tudo quanto é rede social. Porque quem faz malcriação fica de castigo, na frente da sala, pra servir de exemplo para os coleguinhas. Se as pessoas não mudam por consciência, por partilharem um senso comum de coletividade, de compaixão, de respeito ao próximo... as pessoas vão mudar porque vão passar vergonha. Se cada vez que uma Dona (ou um tio) como essa fizer xixi fora do pinico desse jeito, alguém sacar o celular e botar a foto em tudo quanto é lugar, pode ser que pelo menos com o medo da exposição as pessoas passem a se comportar direitinho em sociedade. Não fazer vergonha para as visitas. É. A vida é um grande playground. Não vamos nunca sair do jardim de infância. 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

CORRA, DRI CORRA



Eu sou da opinião que, cada pessoa deve achar qual o seu esporte. Não que cada pessoa tenha apenas um esporte, mas cada pessoa vai se sentir bem fazendo determinada(s) atividade(s) física(s). Tem gente que gosta de tudo, é verdade. Faz, pula, pinta e borda. Outros já comparam qualquer atividade com uma sessão de tortura chinesa. Mas a verdade é que, quando encontramos alguma atividade que nos dá prazer, a vida fica muito mais gostosa e fácil de se levar. Já vão 10 anos e eu descobri a corrida. É uma das atividades da minha vida. Nesses 10 anos passei por períodos de intensa dedicação, e completa abstinência. Mas sempre corri. O que gosto na corrida? É um esporte independente. Não dependo de ninguém para correr. Sou eu, meu tênis e uma pista. A gente pode correr em qualquer lugar do mundo, qualquer hora do dia. Funciona quase como uma meditação. Enquanto corro sou eu e meus pensamentos, e nós vamos nos organizando conforme meu corpo vai sendo desafiado. Para mim sempre foi um problema, a mente muito ativa e o corpo nunca cansava. Sofri anos de insônia por causa disso. A corrida me ajuda a equilibrar a equação. Me faz um bem danado. Com os acontecimentos dos últimos meses, que me obrigaram a refletir sobre todas as coisas que eu tenho feito na vida, comecei a resgatar o que realmente me é caro. Com isso voltou a corrida à toda. Ainda não recuperei o fôlego dos meus tempos aureos, mas o gostoso de atividade física é que conseguimos ver resultados rápidos, eles são perceptíveis. O fôlego melhorou gigantescamente. E já estou alcançando um ritmo que não dá mais vergonha de contar para os amigos. Para me coroar retomei com tudo as corridas de rua. Esse é um dos meus grande prazeres. Adoro corridas de rua!!! Acho que todo mundo deveria participar de pelo menos uma na vida. É uma atmosfera muito boa, muito positiva, de alegria, dedicação, saúde. Cheia de gente bonita. A gente vai correndo pelas ruas da cidade, enquanto voluntários gritam frases de incentivo e nos aplaudem quando a gente passa. No final a gente ganha um monte de brindes e até uma medalha. Quer coisa mais legal!? Eu sinto falta de companhia para fazer essas coisas. Meus amigos são todos sedentários, e ninguém nunca se anima a me acompanhar. Mas a corrida pode ser assim também. Uma história da gente com a gente mesmo. Esse final de semana fiz dobradinha. Fiz a Fila Night Race e a Etapa Primavera do Circuito das Estações da Adidas. A Fila Night Race foi na USP. Achei um pouco desorganizada. A largada estava quase sendo dada e ainda havia uma fila kilométrica para retirar o chip. Os funcionários sem nada de proatividade. Alguns sem fazer nada, parados, olhando a banda passar, em vez de se prontificarem e ajudarem a distribuir os chips para que todos os corredores pudessem largar com calma. Ainda não entendo porque esse frescura de entregar chip no dia. Antes tivessem entregado já com o kit. Eu gosto bastante de corridas na USP. A USP é como um dos nossos quintais, um lugar tradicional para corredores paulistanos. Também é uma das poucas oportunidades de ir ao campi. Desde que saí da faculdade o universo universitário foi ficando cada vez mais distante. É gostos correr entre as faculdade, beirando a raia. Uma pena que a USP esteja tão abandonada. As ruas estão todas esburacadas, feias, mal tratadas. A prova virou praticamente uma corrida de obstáculos. Desvia do buraco, pula a cratera, e cuidado para não tropeçar no degrau. Fiz 5K assim, passando por todos os obstáculos sem torcer o pé nem uma vez. No domingo foi o dia do Circuito das Estações. Acordei às 5h30 e tava uma chuva forte na janela, o dia todo escuro. Juro que fechei os olhos e considerei por dois minutos a possibilidade de ficar na cama e cabular a corrida. Mas depois resolvi ir, porque correr me faz sentir muito melhor do que ficar na cama. Fui esperando fazer a corrida na chuva. Me agasalhei, coloquei uma camiseta de manga longa por baixo, tênis velho para poder ensopar na chuva e saí toda descabelada, esperando que a chuva desse um jeito na juba. Mas Murphy sabe das coisas. Assim que cheguei no Pacaembu o céu abriu, o tempo esquentou e no primeiro km eu já estava super-aquecida. Tive que perder um tempo parando e tirando a blusa de baixo para continuar a corrida. Essa prova é bem legal. Tem um pouco de altimetria, para aumentar o desafio. A gente sai da Praça Charles Miller, desce a Pacaembu e pega o Minhocão, depois volta pela contramão até a praça de volta. É um circuito gostoso de fazer. Adoro correr no Minhocão. A organização lançou um desfio bem legal. Fez percursos com 1K a mais para quem quisesse se desafiar um pouco mais. Como não aceitar uma proposta dessas!? Claro que fiz 6K, feliz, tranquila. Cheguei descabelada, mas com um sentimento de bastante completude. Depois o tempo fechou de vez, mas daí eu já estava em casa. Pude ficar nas cobertas, trabalhando em um livro o domingo inteiro, sem um pingo de peso na consciência. Achar uma atividade física é um pouco assim, deixa de ser um sacrifício. Passa a ser um suporte para a vida, algo que soma e fortalece os nossos dias. 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

EU, VOCÊ E TODOS OS OUTROS



Ontem fez um domingo lindo de Sol. Ainda está muito frio em São Paulo, mas o Sol faz o dia ficar mais bonito. Adoro esses domingos de inverno. Correr no parque de moletom, comprar o jornal e tomar chá bem quente com leite. Já falei em outros posts o quanto adoro correr no Ibirapuera. Tenho uma relação bem intensa com esse parque. Sinto saudades de morar mais perto, poder ir ao parque todos os dias. Respirar as árvores, olhar as pessoas. Organizar meus pensamentos e viver mais essa cidade ao ar livre. Agora morando em Pinheiros as corridas matinais passaram a ser na academia do prédio. O parque só mesmo aos finais de semana. Quando eu me junto à população que vem dos bairros e ocupam o parque, cada tribo ao seu estilo. Ontem o parque não parecia domingo. Sem aquela movimentação frenética, alamedas cheias, ciclovia lotada. Apenas os frequentadores de sempre, praticando esporte, passeando com suas famílias, entretendo os cachorros. Me faz tão bem estar no meio da natureza, a energia de quem se gosta e cuida de si. Eu chamo isso de qualidade de vida, e me sinto bem privilegiada de poder ter isso na minha cidade. Enquanto eu corria ia observando as pessoas. Pessoas são curiosas. São lindas. E no parque vemos pessoas de todos os jeitos. Altas, magras, tortas, atarracadas, carecas, cheias de pêlos, atléticas, siliconadas, sorridentes, carrancudas, pessoas perfeitas, assoberbadas, deficientes, obesas, apaixonadas, sozinhas, comunitárias. São tantos tipos de pessoas, e o mais maravilhoso, não existe nenhuma igual a outra. Acho isso algo realmente formidável. Em todo o mundo, de todas as pessoas que já nasceram, morreram e ainda vão nascer, não existe ninguém igual a nós. Somos únicos, irrepetíveis. Pensando assim é sempre uma benção conhecer alguém. É a única oportunidade em toda a história da humanidade de você conhecer alguém como aquela pessoa. Talvez se tivéssemos mais consciência do quão raras as pessoas são, não desperdiçaríamos um segundo do privilégio de tê-las. Vale para nós também. Eu sou uma pessoa única, exclusiva. Nunca existirá ninguém no mundo com as minhas característica físicas e psicológicas, e o privilégio de me ter, de ter a minha companhia é raro e exclusivo para essa vida, para esse lugar em que estou. Engraçado como, apesar de desfrutarmos dessa vantagem valiosíssima, nos esforçamos tanto para camuflar exatamente o que nos torna especiais. Fazemos tanta força para nos tornar mais um, iguais. Usamos as mesmas roupas, mudamos a cor e a textura dos cabelos, adquirimos vícios de linguagem. Até que nos tornemos cópias mal-feitas uns dos outros. Até que nossas essências pessoais desapareçam no perfume de uma imagem social pré-estabelecida. Porque fazemos isso? Porque é tão apavorante sermos únicos? Porque temos tanta necessidade de mudar o que somos para parecermos o que não somos? Eu me entedio com o óbvio. Me entedio com a imagem produção em série. A beleza se revela na diversidade, na diferença. Naquilo que temos e ninguém mais tem. Então a gente pega todas essas coisas maravilhosas, únicas e exclusivas que temos, e levamos para correr no parque, para passear por aí. Por mais que os olhos hoje busquem a maquiagem genérica da mesmice, ainda acredito em olhos ávidos por aquilo que é raro e belo de verdade. 

sábado, 30 de março de 2013

NA OSTRA



Eu passo longos períodos na ostra. Outro dia um amigo meu até me falou que isso era problema de autoestima. Não é não. Gosto de ficar em casa. Gosto de ficar reclusa, sozinha. Ler, trabalhar, escrever. Elaborar planos mirabolantes. Bundar no sofá vendo besteira na TV. Ficar enroscada com a gata na cama. Fazer roteiros para minha próxima viagem. Às vezes coloco uma música e fico horas olhando pela janela. Outras, abro o aplicativo de algum jogo bobo no celular. Dependendo do que eu esteja estudando, tiro diversos livros de ordem da estante, desço todos para a sala. Vou folheando aleatoriamente. Quando canso, levanto para descascar uma fruta. Fazer um chá. Então me distraio com uma revista ou com um livro de receitas sonhando em realmente um dia fazer todas. Eu realmente gosto muito da minha casa e da minha companhia. Chego às vezes até a ficar irritada se o telefone tocar. Como se alguém estivesse atrapalhando a incrível simbiose minha comigo mesma. Hoje, no final da tarde, resolvi ir à pé até a Livraria Cultura comprar um livro de roteiro que estava faltando para minha pesquisa e um presente de aniversário para o meu sobrinho amanhã. Quem sabe um novo CD com um concerto de Rachmaninov. Pensei em dar um passeio, respirar ar puro depois de dois dias de computador e livros. Tomar um café olhando a rua. Os primeiros minutos foram até revigorantes. Me senti animada em ver as pessoas. Pegar metrô, ouvir conversas. Fiquei pensando comigo mesma como eu deveria me obrigar a sair mais, a fazer mais coisas à pé e na rua. Gosto tanto da cidade e há tanta diversidade. Desci na Paulista e tinha um grupo de bailarinas dançando na ponta para ganhar uns trocados. Mais a frente um senhor tocava clarineta. Ah, que delícia de cidade! Então eu entrei na Livraria Cultura, no final da tarde de um sábado de feriado. E me lembrei porque eu detesto gente. Aquele caos, a cacofonia. Gente aos montes, falando alto, tropeçando, esbarrando no meu ombro. Pessoas que param para conversar no meio da passagem, e outras lerdas que sobem escadas pensando na morte da bezerra. Filas enormes. Crianças chorando. Uma falta de educação coletiva revoltante. E asssim, de repente, foi-se toda minha predisposição em fazer parte do mundo um pouquinho. Corri para o primeiro vendedor que achei, comprei os livros protocolarmente, e desisti do CD ou do café. Já sou ansiosa demais no meu íntimo. Tanta bagunça me deixa nervosa. De volta a ostra me sinto tranquila novamente. Vou ler, fazer algo para comer e quem sabe depois alugar um filme no Now. Sábados são terríveis para sair da ostra. Eu até gosto de fazer parte do mundo, mas fora dos horários comerciais. 

segunda-feira, 25 de março de 2013

UM SHOW PERFEITO


Ontem fui arrastada ao Show da Bluebell e Blacktie no Auditório Ibirapuera. Não que fosse um peso para mim, mas é que passei o dia me sentindo muito mal, com dores no corpo, um princípio de gripe e a noite estava chuvosa. A vontade era continuar na cama lendo até que meu corpo fosse encontrado pela empregada na segunda-feira de manhã. Mas como já havia combinado com a Kika e ela tinha comprado os ingressos, eu me arrastei até o Ibira para não deixar ninguém na mão. Melhor coisa que eu fiz. Eu gosto da Bluebell, gosto do timbre dela. Ela consegue agudos invejáveis. Mas é uma voz perigosa, pode se tornar irritante ou enjoativa. Acho que ela sabe disso e conhece muito bem o instrumento que tem, porque o repertório que escolheu para o show é perfeito para ela. Com Cole Porter, Piaf, The Who e Nelson Cavaquinho. Ainda convidou para participações Laura Lavieri, Mariana Aydar (mega grávida) e o sempre apaixonante-casa-comigo Zeca Baleiro em versões de Beatles. Para finalizar cantou “It’s Oh So Quiet”, que foi gravada pela Bjork (foi minha mensagem de caixa postal no celular por anos), mas que parece ter sido composta para a voz dela. Some a isso que a garota é um fofa, super carismática e com presença de palco impecável e pronto. Um show impecável e um domingo que se salvou pelo gongo. A gripe acabou me pegando de verdade, ajudada pela chuva que tomei do estacionamento até o auditório. Mas junto com o chá de gengibre, mel e limão que estou tomando agora, estou também caçando o CD da parceria da cantora com os músicos do Blacktie. São dessas músicas que fazem a vida parecer mais linda e leve. :-)




terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O MELHOR MACARRON DO MUNDO


Sabe que eu comecei uma nova fase nesse ano. Virei uma “mulher de Chico”. Quando digo isso espero que você imagine aqueles olhos azuis e a voz aveludada cantando “Folhetim”:

“Se acaso me quiseres,
Sou dessas mulheres
Que só dizem "sim!",
Por uma coisa à toa,
Uma noitada boa,
Um cinema, um botequim.”



Daqui algumas linhas você vai desejar muito um desses...

Em síntese, essa nova fase consiste em dizer “sim” para qualquer convite, proposta, sugestão que me façam. É uma tentativa de resgatar minha vida social, já que 2012 foi de silêncio e ostracismo. Então no sábado eu disse “sim” para o convite da Isa de correr no parque, emendar com almoço vegetariano, exposição no White Cube e café para fechar a tarde. Como eu amo cafeterias, eu disse “sim” também para conhecer uma cafeteria nova na Vila Nova Conceição. Não é bem uma cafeteria, mas uma “boulangerie” - ou seja, uma padaria chic. Dos bairros caretas de São Paulo, a Vila Nova Conceição é o que eu tenho mais simpatia. É do lado do parque, cheio de ruazinhas charmosas e muito arborizado. O Marie Madeleine nem fica na rua mais charmosa da Vila Nova Conceição, mas ainda assim a gente esquece que a Santo Amaro fica logo ali do lado assim que entra e encara o balcão de doces. Tão lindos, que eu concordaria em colocar dentro de caixinhas azuis e dar de presente. De cara me senti na Le Fauchon, com aqueles doces que a gente nem sabe por onde começar a morder. Mas não é segredo que eu sou bem conservadora e tradicional, então fui direto nos macarrons. Todo mundo sabe que, da mesma forma que sabemos se alguém cozinha bem pelo arroz com feijão, identificamos uma boa pâtisserie pelo seu macarron. Os sabores já me intrigaram. Nada do quarteto habitual das padarias brasileiras chocolate-café-pistache-morango. Depois de me debater nas opções escolhi três: amêndoas com recheio de nutella, champagne e violeta (sim, a flor). Comecei com o de violeta e... incrível! Casquinha crocante, que se desmanchou perfeitamente assim que coloquei na boca. Foi derretendo, enquanto um aroma de flores inundava meu paladar. Um sonho. Depois o de nutella, que surpreendentemente não era doce em excesso, e repetiu a combinação perfeita de textura. Então o de champagne... É público e notório os meus sentimentos por champagne. Aquele macarron era simplesmente Di-vi-no! Tão suave e delicado, assim como um primeiro gole de Veuve Clicquot no final de uma tarde alaranjada de outono. É. Eu fico poética com comidas. A equipe também é de primeira. Um atendimento tão gentil e atencioso, que a gente se sente habitué depois de 5 minutos. Além dos doces, o croissant, a baguette, até o pão de queijo é divino. Aquele tipo de comida que te faz gemer a cada mordida. Toda essa expertise sensorial não é frescura minha. Depois descobri que os chefs do Madeleine foram treinados pelos ninjas do Lenôtre, e o lugar ainda oferece cursos de culinária, boulângerie e pâtisserie sempre que esses chefs vêem ao Brasil para fazer reciclagem da equipe e atualização do cardápio. Não sei quanto tempo vou continuar nessa fase “mulher de Chico”, só sei que, até agora, as experiências que dizer “sim” têm me proporcionado, vêm surpreendendo meus sentidos. Todos. 


Marie Madeleine
Av. Afonso Bráz, 511 - Vila Nova Conceição
Tel - 2387.0019

http://marie-madeleine.com.br

terça-feira, 25 de setembro de 2012




Corridinha depois de meses sem participar de uma. Na minha camiseta estava escrito “Eu corro por mais AMOR”. Haviam camisetas com Solidariedade, Amizade, Paz, Igualdade, Respeito. O minha caiu justamente a “mais AMOR”. O amor me persegue. Acho bom, porque eu também persigo ele. Então eu larguei, percurso de 7K delícia, saindo do Parque das Bicicletas até o Shopping Eldorado. Eu ainda mal ganhando a República do Líbano, no primeiro kilometro e... TIBUM! Sem água. Pisei em falso em um desses olhos de gato da rua e me estabaquei no chão de asfalto. Senti a palma da mão ralada. Uma dor excruciante no tornozelo esquerdo. Parei, tirei o tênis. O pessoal do apoio chegou de bicicleta. Passei gelol, alonguei. Acho que dá para continuar. Se inchar eu paro. Continuei. Me senti guerreira. O corpo já estava quente, então foi fácil não sentir muita dor. Manquei em alguns trechos, andei em outros. No último kilometro a coisa pesou. O andar leve claudicante deu lugar para uma dessas cenas que a gente vê em final de maratona nas Olimpíadas. Cruzei a linha de chegada arrastando a perna, fazendo caretas e imaginando “Carruagens de Fogo” na minha cabeça. Tantan tantanrantãããã! Me sentindo o próprio exemplo da força e da perseverança do esporte. A própria Gabriela Andersen-Schiess. Preparando meu discurso para o Fantástcio. Mas ninguém me deu bola. Sai da linha de chegada e fui direto para o posto médico. Ganhei um saquinho de gelo e um aviso de castigo. Conforme o tornozelo esfriava, as lágrimas desciam pelo meu rosto. Dói, mas não inchou. Cheguei em casa, fiz mais gelo. Enfaixei, tomei antiinflamatório. A dor passou. Pensei que estava tudo bem. Pensei que dava para ver o timão jogar tomando cerveja no Filial, e ir para o aniversário de 10 anos do Bar da Dida, e falar um monte, dar risada, andar para lá e para cá. Até fiz sala para o ex-namorado que resolveu passar férias no Brasil (isso porque estamos os dois muito bem resolvidos, obrigada!). Então, ontem de manhã, o tornozelo parecia uma bola de baseball. Ou melhor, de tênis. Não tenho nenhuma familiaridade com bolas de baseball. Cancelei compromissos, botei o pé para cima. Assustei. Não é que eu sinta dor mais, só que os movimentos estão limitados e parece que sempre vou puxar de mais alguma coisa. Suspeitei que não poderia fazer ballet essa semana. Suspeitei que não poderia correr. Fui hoje ao médico. Ganhei elogio pela corrida. Ganhei puxão de orelha por não ter parado e por não ter ficado quietinha. Tiramos uma “chapa”. Boas notícias. Lesão nível 1. O médico vira e diz: “quatro semanas de repouso”. Respiro fundo, puxo a bombinha de asma, e respondo:


- Ok, doutor. Só quero te pedir umas coisinhas: Vamos diminuir esse tempo aí. Eu nunca quebrei um osso na vida, meu corpo se recupera logo.
- Você é o que chamamos de péssima cliente! Hummm... Ok. Duas semanas. Mas em repouso.
- Repouso é o quê?
- Nada de ficar correndo 7K por aí. Tornozeleira de neoprene durante o dia. Pode tirar para dormir.
- Ok. Outra coisa. Um atestado para eu levar na academia.
- Certo.
- E, por fim. Posso fazer bicicleta?
- Na academia?
- Do prédio, em casa. Não tem atrito, não força a articulação.
- Hummm.... Ok, um pouco. E vou liberar membros superiores.
- Yes!
- Estou até me sentindo mal. Você tão atleta e eu sou totalmente sedentário. 


Amém! Alguém reconhecendo meu esforço. Para alguma coisa havia de servir cruzar parecendo o Smeagol a linha de chegada.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A LA EUROPÉEN


Faz um ano que eu voltei da minha jornada a todos os lugares (e a lugar nenhum), e mesmo considerando que pouco tempo depois teve a Guatemala porque eu não estava sabendo voltar direito, e eu realmente só sinta que tenha voltado a partir de fevereiro, é meio inevitável não pensar e refletir nesse meu trajeto de volta para casa. Nas coisas que eu fiz durante esse ano. Em como eu tenho reconstruído minha vida.


Se secretamente eu tenha a sensação de estar tomando (e de ter tomado) muitas decisões erradas, isso é algo totalmente subjetivo que pode ser questionado (e, vamos combinar, eu costumo mudar minhas opiniões com a cara de pau de um político em campanha). Mas uma coisa que venho me questionando, e de fato tem me incomodado muito, é a pergunta que fiz no meu último post. Quando foi que a vida ficou tão complicada?


Sou da opinião que a vida não é complicada. Quem complica somos nós. É pessoal e intransferível. Então tenho me questionado isso. Quando foi que EU deixei a vida tão complicada? Há um ano atrás tudo o que eu tinha era um punhado de roupas encaixotadas (que fui descobrir mais tarde que metade não me serviam mais), e um outro tanto de livros. Era só. Passei um ano da minha vida carregando 17Kg em uma mochila em que se resumia tudo o que eu precisava. Até que era muito e por diversas vezes fiz rapas homéricos. Calças, blusas, livros, cremes. Existem partes de mim espalhadas numa pá de hostels europeus. Agora me explica, como foi que em tão pouco tempo eu consegui terminar com uma agenda lotada e sacrificante, sete débitos automáticos diferentes, despertado, 2 suplementos vitamínicos, dois cartões de crédito, um carro, uma bicicleta procrastinada, um curso, um MBA, uma empresa, um sócio, uma assistente, uma faxineira, oito clientes, alguns amigos (na maioria com contatos estritamente virtuais) e nenhum namorado. Me explica! Como pode 17Kg se transformarem em tudo isso tão rápido. O que eu concluí é que eu me deixei contaminar por tudo aquilo que eu fugi quando eu resolvi ir. Então eu comecei um movimento de simplificar minha vida. De abrir mão de alguns luxos e serviços que nós temos como essenciais aqui no Brasil. Resolvi fazer uma rapa e largar um monte de coisa no armário do hostel.


Agora eu estou levando uma vida mais à européia. Onde as responsabilidades pelo meu padrão de vida estão mais relacionadas às coisas que eu faço do que às pessoas que eu contrato. Primeira coisa que eu fiz foi suspender a faxineira. Luxo. Luxo, sim senhora. Elas são maravilhosas, é verdade, mas é um luxo contratar alguém para limpar sua casa. Coisa típica de país de primeiro mundo. Meus amigos europeus arregaçam a manga e passam seu próprio aspirador de pó. Acho bem honrado. Lógico que isso não quer dizer que minha casa vai ficar aquele “primor de limpeza” europeu. Afinal mora uma Monica Geller dentro de mim. Então eu tenho me divertido em limpar minha casa semanalmente, lavar roupas. Lavar a louça que sempre foi uma tortura chinesa, acabou virando um hábito. Passar roupas apenas que era um grande problema. Nunca sabia como fazer nem por onde começar. Agora aprendi. Ligo a TV no horário da minha série favorita, coloca a tábua em frente e mando bala. Outra coisa milagrosa que eu descobri foi o “ferro a vapor”. Invenção de gênio!!! Já viram um desses? Sério! Isso precisa ser divulgado em larga escala, devia receber incentivos fiscais do governo. Eu defendo o direito de toda dona de casa ter um ferro a vapor! Acredite em mim. Faz toda a diferença, principalmente com camisas (mesma com as de algodão egípicio tão fáceis de passar).


Outra coisa que eu fiz (mas já desisti) foi começar a cozinhar mais em casa. Mas daí existe um problema técnico da completa imperícia da cozinheira aqui. Depois de destruir diversos ingredientes maravilhosos, promover um descarte de comida que fariam ativistas africanos se contorcerem e minha professora de catecismo me garantir o inferno, resolvi que é muito mais prático manter opções básicas de lanche na geladeira e comer em pequenos restaurantes caseiros. Como fazem tantos europeus. Só não consigo abrir mão de uma das refeições principais como tantos deles.


No quesito locomoção estou fazendo uma coisa inédita para mim em São Paulo, mas que fazia tanto em todas as cidades que passei. Tenho usado transporte público sempre que posso. Vou te contar! O metrô de São Paulo é fantástico! Estou adorando essa nova linha amarela. Acho confortável, rápido. Comprei até um Bilhete Único. Me sinto européia de verdade quando uso, ainda mais porque não acho que o valor do transporte público seja muito acessível para a realidade brasileira. Assim como o valor do transporte público europeu. Rá! Verdade que falta ainda muita estrutura (e eu vou começar uma campanha por uma Estação Benedito Calixto em breve), mas é uma sensação muito boa a de usufruir de algo que é feito para o coletivo e pensar que estou fazendo minha locomoção mais sustentável. Sei lá, não é grande coisa. Mas é alguma coisa.


Também cancelei a assinatura do jornal. Vamos combinar que quase nunca tenho tempo de ler o jornal. Daí rola uma culpa quando não leio... Então ficou assim. Dia que deu vontade de ler, levanta a bunda e atravessa a rua para comprar na banca. Ponto.


Ainda tenho bastante coisa para transformar, é verdade. Preciso aprender a vencer meu recente vício virtual e encontrar mais pessoas de carne e osso. Preciso me concentrar mais na meditação, controlar mais meu temperamento, parar de estourar com tudo e todos, aproveitar mais os eventos culturais da cidade, aproveitar mais as áreas públicas da cidade. E juro que ainda esse ano faço um picnic no parque. Mesmo que todo mundo me olhe como se eu fosse farofeira. O dia que você sente taquicardia porque discutiu com o técnico da TV a cabo, e não se conforma que por causa dele não conseguiu gravar a estréia da nova temporada de uma série de TV machista e sexista, é porque você deu prioridade para coisas que pesam muito na mochila. O segredo, amiguinho, é manter a mochila leve. Com a mochila pesada, você não consegue sair da estação. Meio européia, meio paulistana, meio brasileira... não importa. O segredo é manter a mochila leve.

domingo, 24 de julho de 2011

REHAB

Eu fiquei muito triste hoje com a notícia da morte da Amy. Eu estava organizando meus livros em ordem alfabética na minha estante nova, quando ouvi no rádio. Morte anunciada. Todo mundo sabia que era questão de tempo que algo assim acontecesse. É como parente velhinho. A gente sabe que vai a qualquer momento, mas quando vai... É triste. Ver alguém tão talentoso ter uma morte idiota. Eu acho que todo mundo deveria morrer dormindo. Velhinho. Cansado, cheio de lembranças. Rodeado de gente. Cheio de amor. Eu sou caretinha, tradicional. Para mim as pessoas deviam nascer, crescer, se reproduzir e morrer. Daí quando o script é outro eu sinto pela pessoa. A Amy era uma garota com um dom incrível. A primeira vez que ouvi o CD dela foi um alívio. Um frescor no meio de uma geração que parecia afundar em fórmulas comerciais e medíocres. Então tinha essa garota cantando com o útero na voz, e isso é bonito, né!? É algo que me emociona. Mas essa garota devia ter vivido mais amor, ter construído uma família. Ela devia ter visto seus filhos crescerem e descobrirem o mundo. Ela devia ter envelhecido até ver a nova geração se reproduzir. E descobrir a maturidade. As limitações naturais do corpo. O desafio de envelhecer. Devia ter acumulado sabedoria e multiplicado sua obra. É isso que as pessoas deviam fazer. Não apenas ela, que era famosa e por isso mais exposta. Mas eu acho que todo mundo devia fazer isso. Porque eu acho que o maior barato da vida é passar de cabo a rabo, e experimentar cada etapa da jornada. Refeição completa. Aperitivo, couvert, entrada, três pratos harmonizados com vinho, sobremesa, licor e café. Eu acho que todo mundo tem talentos extraordinários. Mesmo que nunca ganhe um Grammy por isso. E ver qualquer pessoa desperdiçando a vida me deixa triste. Eu nunca entendo que tipo de sofrimento faz com que as pessoas queiram passar mais tempo anestesiadas por drogas do que de olhos bem abertos vivendo tudo. Mas a gente nunca vai saber o que é estar na pele daquela que precisa se anestesiar. É engraçado isso. Tanta gente querendo ser extraordinário na vida, mas parece que os mais “extraordinários” são aqueles que mais sentem necessidade de não sentir nada. Hoje eu trabalhei, levei meus sobrinhos na Feirinha da Benedito Calixto, comi em barraquinha com amigos queridos, inaugurei minha máquina de café nova. Então eu fui à padaria, comprei pão, leite e manteiga. Sentei com o Ozzie e ficamos horas conspirando sobre nossa pequena empresa. Cozinhei, limpei a cozinha, lavei roupa. Já meio tarde da noite, eu sentei na sala e assisti a novela que estava gravada. Mandei email para o meu príncipe, e quando eu já estava tomando banho, me flagrei pensando “Como eu gosto da minha vida como ela é hoje”. Simples assim. Comum. Cotidiana. Sem grandes eventos sociais. Sem acontecimento de mudar o curso da história. Gosto de saber que minha vida não é extraordinária. Que eu não vou revolucionar nada, nem sair na capa da revista, nem ganhar um Grammy. Gosto de pensar em reciclar o lixo, em procurar o fecho do brinco que caiu no chão, na taxa de colesterol. Não sei se isso me livra de ser encontrada no chão da sala com overdose algum dia, mas com certeza é uma vida que não me faz ter vontade alguma de me anestesiar. É uma vida inteira. De verdade. Ser humana, estar viva, já é algo extraordinário o suficiente para mim. Durante muito tempo eu tive tanto medo de ser comum que não prestava atenção na parte mais extraordinária da vida. Aquela em que nós apenas somos. Eu fico triste que a Amy não tenha conseguido enxergar isso. Não apenas a cantora excepcional (que talvez tenhamos que esperar uns 30 anos para surgir outra igual), mas o ser humano com um potencial ilimitado de amor que todos somos. Como eu disse, é muito triste ver alguém tão talentoso ter uma morte idiota. Eu escolhi viver minha vida comum, cheia de talento, na esperança de encontrar a morte dormindo, velhinha, de forma extraordinária.


terça-feira, 10 de maio de 2011

DRY BY DRI


Eu sou da opinião de que Champagne deveria ser item de cesta básica. Adoro! Por mim todo dia era brunch. Ovos Benedict e flute de Champagne. Adoro o formato das taças. Adoro as bolhinhas fazendo cócegas no nariz. O entorpecimento e as cores que a vida só ganha quando tomamos champagne. Winston Churchill (talvez o único político que eu respeite de toda história) dizia: “Champagne should be cold, dry and free.” A Kika foi para Berlin e me trouxe um imã de geladeira que diz exatamente isso. Achamos que Sir Churchill roubou isso de mim.  Verdade que champagne é um Channel. Clássico. Universal. Mas eu tenho também um outro drink de paixão. Eu costumava consumi-lo com mais freqüência antigamente. Em tardes preguiçosas ou acompanhando conversas e bolinhos de arroz no Ritz junto com o Alê. Dry Martini! O drink do James Bond (que cometia o sacrilégio de pedir batido e não mexido). Foi o Alê que me ensinou a pedir Dry Martinis com duas (Três pode Arnaldo?) azeitonas. Segundo ele o gin faz com que a pressão caia levemente, e a azeitona no fundo da taça triangular é como um pequeno orgasmo, salgadinha, dando um up e fazendo o mundo brilhar. Dry Martinis com orgasmos duplos. Sou muito a favor. Acabo não pedindo tantos Dry Martinis quando saio por uma razão muito triste na verdade. Em uma época em que a moda é colocar adolescentes de avental atrás dos balcões, difícil mesmo é encontrar um Dry bem feito em São Paulo. Alguns endereços mantém barmen a peso de ouro. Apesar de muito simples em conteúdo, o Dry Martini é o drink mais difícil de ser executado corretamente. O gin é uma bebida muito suceptível às ações do ambiente. Temperatura, trepidações. Tudo altera seu sabor. O vermuth é quase nada. É ele quem dá o “dry”, e se não for adequadamente acrescentado, pode resultar em um drink intragável. Fora isso existe uma combinação de tempo e destreza do barman em gelar o copo, passar o gin na coqueteleira em tempo de não derreter o gelo, besuntar a taça com vermuth. Acrescentar rapidamente o gin e, enfim, pingar a azeitona. Ou melhor, as azeitonas. Eu aprendi os segredos para se fazer um bom Dry, segredos esses que definem a mão de um bom barman, por um date. O date foi um fracasso. Ele era um rapaz adorável, mas que infelizmente não me atraía em nada. Mas era também campeão brasileiro de coquetelaria (é assim que fala?), e me ensinou cada passinho para servir um Dry de fazer Ian Flemming tirar o chapéu. No final de semana eu comprei tacinhas triangulares. Mesmo que for para tomar chá gelado, tacinhas triangulares são um charme. Hoje eu arregacei as mangas e fiz meu primeiro Dry Martini do ano. Geladinho, seco, e com orgasmo triplo. Para comemorar um dia lindo, produtivo e cheio de oportunidades. Pode ser um pouco alcoólatra chegar em casa e fazer drinks... mas eu fiquei me sentindo, desfilando pela sala com a tacinha triangular.