"...estou procurando, estou procurando. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi." (Clarice Lispector - Paixão Segundo GH)
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
SAMPA AMO!
Ah, como eu amo essa cidade!
Sou tão apaixonada que me dá taquicardia. Conforme vai chegando o dia da viagem, mais vai ficando meu coraçãozinho apertado.
Acho São Paulo uma cidade incrível. Linda. Especial mesmo. Sempre que eu acho que essa paixão passou, que não sei mais se gosto da cidade ou não, ela me reconquista. Me enche de surpresas e me faz lembrar de porque não existe cidade melhor no Brasil.
Estão dizendo por aí que São Paulo é a melhor cidade do mundo para se morar. E ainda assim tem gente que adora falar mal, dizer que está de saco cheio e sairia daqui se tivesse oportunidade. Para esses eu digo:
"Por Favor!!!!! Vão! Mudem-se para o Rio. Deixem a cidade para quem gosta dela."
O trânsito melhoraria, as filas diminuiriam. As pessoas falam mal, talvez por despeito. Ou medo de retaliação. É como se descobrir apaixonado pela garota que não é popular no colégio. A gente vai xingar na hora do recreio, e sonhar em dormir de conchinha com ela quando estivermos sozinhos na cama. Isso é algo que alguém que nunca morou aqui não pode entender.
Hoje a minha "garota" faz aniversário. E eu começo a contagem regressiva para deixá-la. Um mês para deixá-la.
Dói.
Sempre sonhei em fazer um vôo panorâmico pela cidade. Nunca tive dinheiro sobrando para isso. Tenho de me contentar com a vista da janelinha do avião voltando para Congonhas. Então, em comemoração aos seus 456 anos, eu roubei do site da SPTuris um vôo panorâmico. As fotos foram feitas no zeppelin da Goodyear e, meu Deus! Como essa cidade é linda. Concreta, deselegante e linda! (Eu acho e o blog é meu e ponto.)
São Paulo era parte da minha primeira paixão, mas eu quero carregar para essa segunda vida.
(só clicar no link)
TOUR AÉREO POR SÃO PAULO
domingo, 24 de janeiro de 2010
COOPERIFA
foto chupinhada de Ricardo Myabara
"São Paulo é uma cidade no cio. Por isso, transa com todo mundo e em todos os lugares. É bonita porque é feia, e como toda feia que se preza, beija mais gostoso. Que os Vinícius me perdoem, mas feiura é fundamental." Sérgio Vaz
SÃO PAULO DE MUITOS
Abrindo o ciclo de comemorações do 456o. Aniversário de São Paulo.
Link abaixo do site da Cia de Foto que, como a grande puta que é São Paulo, se abriu toda para receber fotos, vídeos, textos e músicas de quem quisesse declarar seu amor a essa cidade.
Tem gente anônima, saudosista, até fotógrafos tarimbados. Bob Wolfenson (que eu amo!), meu ex-professor Rubens Fernandes Jr., o amigo Eduardo Muylaert, Tuca Vieira (que já foi chamado de Spiderman Brasileiro por uma revista londrina pelas fotos que tirou de cima dos prédios de São Paulo), Iatã Cannabrava, ensaio com polaroid SX70. Tudo bom demais.
A gente pode ser prolixo a vontade. São Paulo é toda essa cacofonia e um pouco mais.
Me like it!
SÃO PAULO DE MUITOS
São Paulo de muitos from ciadefoto on Vimeo.
Link abaixo do site da Cia de Foto que, como a grande puta que é São Paulo, se abriu toda para receber fotos, vídeos, textos e músicas de quem quisesse declarar seu amor a essa cidade.
Tem gente anônima, saudosista, até fotógrafos tarimbados. Bob Wolfenson (que eu amo!), meu ex-professor Rubens Fernandes Jr., o amigo Eduardo Muylaert, Tuca Vieira (que já foi chamado de Spiderman Brasileiro por uma revista londrina pelas fotos que tirou de cima dos prédios de São Paulo), Iatã Cannabrava, ensaio com polaroid SX70. Tudo bom demais.
A gente pode ser prolixo a vontade. São Paulo é toda essa cacofonia e um pouco mais.
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SÃO PAULO DE MUITOS
São Paulo de muitos from ciadefoto on Vimeo.
DEEP AMERICA
Li isso agora no Facebook de um cidadão norte-americano sobre o Haiti:
"Shame on you America: the only country where we have homeless without shelter, children going to bed without eating, elderly going without needed meds, and mentally ill without treatment - yet we have a benefit for the people of Haiti on 12 TV stations. 99% of people won't have the guts to copy and repost this."
Sou eu ou tem alguma coisa muito errada com esse mundo?
sábado, 23 de janeiro de 2010
OS MEUS TRINTA E POUCOS ANOS
Sempre que eu percebo que estou tendo a mesma conversa com pessoas diferentes, sento em frente ao teclado e tento definir o que está acontecendo. Não que eu esteja sendo repetitiva (isso eu também sou), mas geralmente é um sinal de que estamos todos passando pelas mesmas angústias, as mesmas incertezas; estamos todos na mesma fase, no mesmo momento. O momento, nesse caso, são os trinta e poucos anos. Ok, eu sei! Você vai dizer que é óbvio que eu e meus amigos estamos todos passando pelos trinta e poucos anos, porque curiosamente todos nós nascemos no meio dos anos 70 e considerar isso um fenômeno geracional é estúpido. Também. Mas não apenas isso. Acho que cada geração atinge os trinta e poucos de um jeito, e existem várias peculiaridades na minha geração que não a torna tão óbvia assim. Primeiro vou fazer um recorte nessa geração. Falar da parte que me interessa, e é a que eu posso falar com propriedade por me incluir nela. Vamos falar da geração de Classe Média Brasileira nascida no meio dos anos 70. Se você nasceu em 1976, por exemplo, como eu (variações de 3 anos para mais ou para menos são válidas) e seus pais não estavam exilados em algum país europeu, ou presos no DOPS, ou não cantavam a Internacional escondidos no banheiro, ou nem faziam parte do CCC; então você teve uma típica infância de classe média brasileira. Estudou em escolas particulares simples. Não eram as supra-sumo (essa, aliás, é uma gíria da época, não!?), mas eram as melhores que seus pais puderam pagar com o orçamento familiar. Você usava tênis Bamba ou Conguinha (eu usei Kichute também!). Tinha um vinil do Disco Baby, testemunhou a inauguração do SBT (que na época era TVS), tentou se inscrever na nave espacial do Domingo no Parque para ficar respondendo “SIMMMMMMM” ou “NÃÃÃÃÃOOOO” para o Silvio Santos e ganhar um par de tênis Montreal. Embora a geração Xuxa faça com que eu me sinta uma freira ressentida hoje em dia, não podemos esquecer que fomos criados pelo BOZO. O precursor dos apresentadores infantis cocaínômanos. Você queria a “tão sonhada bicicleta”. Sabia décor a letra de “We are the world”, a coreografia de “Thriller”, chorou quando assistiu “ET” no cinema e torcia para a turma do “AMAREEE-LOOO” no Bambalalão. Aos domingos, depois do almoço com macarronada e frango assado, a família entrava no banco de trás da Caravan e iam todos ver os aviões decolarem no Aeroporto de Congonhas. A gente tinha certeza de que no ano 2000 todo mundo ia morar como “Os Jetsons”. Fomos criados em uma sociedade de certa forma ingênua. Vimos a retomada da democracia, havia Guerra Fria, mercado interno fechado. Nós éramos crianças em um mundo bem controladinho. Chegamos à adolescência sem muitas ambições. Nossos pais de classe média só nos cobravam uma coisa: estudar. “Estudem que o futuro estará garantido.” E era exatamente o que fazíamos, apenas. Passamos nossas tardes assistindo “As Sete Caras do Dr. Lau” na Sessão da Tarde e comendo brigadeiro. Tínhamos acesso à educação privada que nos livraria de uma vida incerta reservada aos pobres desprivilegiados que só tinham as escolas públicas. Fizemos inglês, francês, espanhol (cursos de línguas em geral), aulas de piano, violão. Praticávamos algum esporte. Natação, Volley, Handbol, Futebol, Equitação, Ballet. Alguma coisa que justificasse a máxima “Corpo são, Mente sã”. Fomos para a Disney com a Stella Barros e a Tia Augusta, e votamos para Presidente aos 16 anos (o que não deu muito certo...) Você pode até dizer - Mas vocês não eram a geração Cara Pintada? - e eu vou te contar um segredo. A maioria só pintou a cara porque achava legal a minissérie da Globo “Anos Rebeldes”. Uma outra parte só queria cabular aula e fumar maconha. Eu estava na casa da Carol passando trotes no telefone enquanto o Collor sofria o Impeachment. Naquela época os sociólogos não entendiam nada o que se passava, queriam colocar um rótulo de alguma forma naquela legião de adolescentes que não se definia. Chamaram-nos de “Geração X”. Porque não dava para saber o que esperar de nós, e embora fossemos muito inteligentes e articulados, não fazíamos nada com aquilo. Não tínhamos grandes ambições como os hippies, que queriam a paz no mundo, ou os yuppies, que queriam o primeiro milhão antes dos 30. Até o único líder que sinalizava minimamente como um símbolo do que nós éramos, enfiou uma espingarda na boca e deu um tiro. Acho que não dava para imaginar como seriam Kurt Cobain e o movimento grunge hoje em dia. Bom, nós entramos nos vinte e poucos anos da maneira que nossos pais de classe média nos ensinaram. Como estudantes. Ninguém era muito empreendedor. Escolhemos uma faculdade e estudamos. Ninguém tinha o sonho de alguma carreira específica, ambições de se realizar em determinada profissão. A maioria de nós escolheu a faculdade por eliminação, afinal, era só estudar que tudo daria certo. Escolhemos um assunto que nos parecia legal e tomamos cerveja no boteco mais perto do campus. Nossa geração pagou caro pela liberdade sexual dos anos 60-70. Perdemos a virgindade com camisinha. Vimos, muito novos, o Cazuza definhar com a AIDS. E por aprendermos a carregar a camisinha na bolsa, fizemos muito mais sexo do que nossos pais gostariam que tivéssemos feito. Algumas de nós ficaram grávidas sem querer. A maioria fez aborto. Nós nos formamos, arrumamos uns empregos que nos ocupavam. Gastamos nossos salários em bolsas, sapatos, roupas transadas e baladas. Alugamos apartamentos, alguns de nós até casaram. Outros se separaram. E houve aqueles que continuaram na casa dos pais (estava confortável!) Fizemos pós-gradução, mestrados. Fomos para a praia no verão. Até aprendemos a meditar! Nós tínhamos certeza de que a partir de então o mundo nos receberia. Faríamos uns projetos incríveis. Seríamos reconhecidos pelos nossos talentos. Sentaríamos nos finais de semana com nossos amigos também bem sucedidos e pediríamos pizza no domingo à noite. Então nós nos tornamos pessoas legais. Somos cultos, mas não levamos isso a sério, porque sabemos que poderíamos ser muito mais. Consumimos cultura pop, mas lemos os clássicos (Ok! Lemos alguns dos clássicos.). A gente continua assistindo Sessão da Tarde, porque nos falaram que no futuro tudo ia dar certo. Mas não deu. Quem consegue o emprego é o sobrinho do dono da empresa, que fez colegial no Santa Cruz junto com o filho do dono do Itaú. O repórter daquela revista de comportamento namora com a filha do Ministro. O patrocínio é sempre dado para o grupo de teatro da amante do político, ou para a filha do empresário. Não importa o quão incrível o seu projeto seja, as empresas vão apoiar o projeto do filho da atriz Global. A galeria sempre vai expor as fotografias do neto do desembargador. A garota de programa sem nenhuma consciência gramatical vai ganhar R$1 milhão em algum reality show. Porque a gente ficou no vácuo disso tudo. Não nascemos com o futuro garantido pela nossa linhagem, nem tivemos acesso a todas as mazelas que nos dignifiquem em rede nacional. Fazemos declaração de renda todos os anos e sabemos que 40% do nosso trabalho é pago em impostos que nunca usamos. Nossa educação foi privada, nosso transporte foi privado, nossa saúde foi privada. Nós conseguimos nos tornar uma geração inteira de cínicos insatisfeitos. Não vemos muito sentido na maneira como a sociedade está organizada. Não achamos que valha a pena fazer planejamento de carreira, networking. E torraríamos todo o prêmio da MegaSena em 15 dias, só porque não faz muito sentido guardar dinheiro. Ninguém quer galgar cargos em multinacional (mesmo porque, aqueles que galgaram, chegaram lá em cima e viram que não mudou nada, não resolveu nada na vida). Fomos mimados demais para bancar o self-made man agora. Também não queremos ser os “comedores” do pedaço. A gente SABE que pode fazer sexo como e quando quiser, e isso fez a promiscuidade perder a graça. Acho que o grande problema é que a gente estudou tanto, a gente leu tanto, que agora a gente SABE demais. A gente sabe que o circo todo é uma piada, e que ficar revoltadinha também é ridículo. A gente sabe que não existe fórmula mágica, e não adianta ter o carro X, a casa Y e o emprego Z, que a vida continua não fazendo muito sentido. Ninguém avisou a gente que seria assim. Que não dava para ter certeza de nada. Nós chegamos aos trinta e poucos e ninguém está satisfeito. A gente fica pensando se não seria melhor mudar de carreira, mudar de país. Tentar chacoalhar a vida um pouco para ver se a gente sente alguma coisa. A gente queria viajar para a Índia. Ganhar o Prêmio Nobel. Correr as 500 milhas de Indianápolis. Fazer o Tour de France. A gente fez tudo certinho e agora estamos em uma crise danada. Eu não sei se as outras gerações passaram por isso quando chegaram aos trinta e poucos, mas a minha geração está assim. Sem saber o que fazer. Não esperem grandes realizações da gente. Nada excepcional. Talvez os sociólogos estivessem certos. Nossa geração é um grande X. Algo me diz que ainda chegaremos aos quarenta e poucos sem saber o que esse X significa.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
PAPAI DO CÉU, EU QUERIA UM ASSIM!
Eu amo o Sean Penn.
Ele é o típico feio-sexy-charmoso. Um ator fenomenal. Foi casado com a Madonna.
E o cara arregaça as mangas e bota os bíceps pra trabalharem.
Esteve em New Orleans, com água na cintura e correndo os mesmos riscos de doenças que todos os desabrigados do Furacão Katrina. (Quem não lembra daquela cena dele puxando um barco e salvando as pessoas?)
Ano passado sentou para bater papo com Fidel Castro em Havanna, usando sua imagem para chamar a atenção para o estúpido embargo econômico a que Cuba é submetida.
Hoje ele desembarcou em Porto Príncipe para ajudar os desabrigados no Haiti.
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Ele é o típico feio-sexy-charmoso. Um ator fenomenal. Foi casado com a Madonna.
E o cara arregaça as mangas e bota os bíceps pra trabalharem.
Esteve em New Orleans, com água na cintura e correndo os mesmos riscos de doenças que todos os desabrigados do Furacão Katrina. (Quem não lembra daquela cena dele puxando um barco e salvando as pessoas?)
Ano passado sentou para bater papo com Fidel Castro em Havanna, usando sua imagem para chamar a atenção para o estúpido embargo econômico a que Cuba é submetida.
Hoje ele desembarcou em Porto Príncipe para ajudar os desabrigados no Haiti.
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Falando em gatos...
Apesar de eu não ir ao cinema há um tempo vergonhoso (ainda mais para quem fez faculdade de cinema), titia não vê a hora de assistir o filminho aí embaixo.
O autor era doente.
O diretor é louco.
O ator é biruta.
A atriz, esposa do diretor, é lesada.
E a direção de arte promete ser soberba.
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e tem gatinho!
Por aqui chega em Abril. Espero assistir antes em algum lugar do outro lado do Atlântico.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Para ajudar ao terrorismo às coisas junkies, achei esse site enquanto comia meu último potinho de Chandelle.
THIS IS WHY YOU ARE FAT
THIS IS WHY YOU ARE FAT
Na engorda
Saiu hoje o primeiro boletim do tsunami que eu sofri na primeira quinzena de janeiro. Houve estragos profundos. Computa-se 4,5Kg adquiridos até agora, principalmente nos braços, peitos, bunda e culote. A administração declarou estado de calamidade pública. Mas a boa notícia é que equipes de resgate muito bem treinadas já estão no local da tragédia preparando o resgate. Acredita-se que seja possível uma reconstrução completa em tempo do Carnaval.
A tradução disso é que eu criei vergonha na cara e enfrentei a balança do banheiro hoje pela primeira vez desde que parei de fumar. Podia ser pior (eu secretamente temia pelo pior...). Um amigo me recomendou tomar Pholia Magra. Um fitoterápico que o ajudou a perder 14Kg. Já encomendei na farmácia de manipulação, pego amanhã. Hoje comprei um estoque de frutas, iogurte, amêndoas e castanhas, linhaça. Ando tão equilibrada perto de pessoas fumando que sinto como se eu nunca tivesse fumado na vida. O melhor é a sensação de que, se eu consegui perseverar (gosto dessa palavra: perseverar!) por todos aqueles sintomas malucos - irritação, fome absurda, insônia, letargia, depressão, compulsões, etc - e me manter firme no propósito de parar de fumar, então tenho a sensação de que posso conseguir qualquer coisa. É muito legal esse sentimento de superação, de conquista.
Hoje também me dei conta de que, pela primeira vez em muito tempo, não senti cheiro de cigarro nos meus dedos. Era uma das coisas que me incomodavam. Eu lavava as mãos, esfregava sabonete, mas sempre ficava aquele fundinho do cheiro do cigarro.
A tradução disso é que eu criei vergonha na cara e enfrentei a balança do banheiro hoje pela primeira vez desde que parei de fumar. Podia ser pior (eu secretamente temia pelo pior...). Um amigo me recomendou tomar Pholia Magra. Um fitoterápico que o ajudou a perder 14Kg. Já encomendei na farmácia de manipulação, pego amanhã. Hoje comprei um estoque de frutas, iogurte, amêndoas e castanhas, linhaça. Ando tão equilibrada perto de pessoas fumando que sinto como se eu nunca tivesse fumado na vida. O melhor é a sensação de que, se eu consegui perseverar (gosto dessa palavra: perseverar!) por todos aqueles sintomas malucos - irritação, fome absurda, insônia, letargia, depressão, compulsões, etc - e me manter firme no propósito de parar de fumar, então tenho a sensação de que posso conseguir qualquer coisa. É muito legal esse sentimento de superação, de conquista.
Hoje também me dei conta de que, pela primeira vez em muito tempo, não senti cheiro de cigarro nos meus dedos. Era uma das coisas que me incomodavam. Eu lavava as mãos, esfregava sabonete, mas sempre ficava aquele fundinho do cheiro do cigarro.
Farmville nos Jardins
Já faz quase dois anos que eu moro nesse apartamento nos Jardins. Vira e mexe ouço um grito na vizinhança. Algo esganiçado, aleatório no meio do dia ou da noite. “AHHHHHH! AHHHHHH!” Resolvi atribuir o grito a algum adolescente bobo fazendo gracinha para os amigos. Me parecia a explicação mais plausível. O grito reverbera entre os prédios, então não dá para ter muita idéia de onde ele vem. Sempre imaginei que viesse de algum prédio para os lados da Alameda Campinas ou Lorena. E não tem um horário específico. De manhã, às tardes. Meio da madrugada. Quando eu namorava com MM, ele costumava dizer que o grito era de um pavão. Eu ria secretamente da cara dele. Pobre garoto! Onde já se viu um pavão no meio dos Jardins? “Imagina, bobo! De onde você tirou que isso é um pavão?”. Bom, MM é passado, mas os gritos continuam. Até parei de “escutá-los”, passaram a fazer parte da cacofonia do bairro. Já nem noto.
Domingo Kallel passou aqui para a gente jantar. Ele estava afim de comer um japonês e fomos de rodízio no Sushimar aqui ao lado. No meio da nossa saladinha de entrada o grito soou, praticamente nas nossas cabeças. “AHHHHHHHHHHH!”. Kallel impassível:
- Um pavão.
- Você também? MM tinha mania de falar que isso era um pavão para me encher, olha que bobo.
- Dri, isso é um pavão.
Então o garçon entra na conversa.
- O dentista aqui do lado cria um casal de pavões. Ele tá lá no telhado.
- Vocês estão brincando comigo.
E o casal gay da mesa ao lado também entra na conversa.
- Verdade, é um pavão.
- Eles estão aí há milênios. Minha vó mora aqui em cima e eu lembro que quando eu era criança esse dentista já tinha esses pavões.
- “AHHHHHHHHHHHHHHHHHH!”
- Olha lá! Gritou de novo.
Como assim? Era de domínio público que um dentista cria um casal de pavões no quintal de seu consultório no meio da Alameda Campinas e ninguém me conta? E que tipo de infância essas pessoas tiveram que identificam o grito de um pavão assim que o ouvem? Isso me lembrava mais a Priscila C. imitando uma gralha na piscina do acampamento quando a gente estava no Colegial do que um animal que eu tinha certeza de que você precisasse de uma autorização do IBAMA para comprar.
- Ah, esse dentista já teve de pintar o muro várias vezes porque o povo picha “Fora Pavão!”.
- Não estou acreditando! (absolutamente incrédula!!!)
- Ele está aqui no telhado. Dá para ver lá da calçada.
Então eu e as duas senhoras que também estavam ouvindo a conversa, corremos para a calçada e lá estava. Empoleirada em cima do telhado e de cauda baixa a tal da pavoa. A bicha estava na boa, olhando o trânsito. As luzes do farol mudarem de cor. Como ela não queria descer, o macho ficava gritando embaixo: “AHHHHHHHHHHHH! AHHHHHHHHHHH!”. Simples assim.
Coisas que eu adoro nesse bairro. Embora o Ibira esteja a um pulinho, nunca se sabe que tipo de fauna seu vizinho guarda no quintal.
Domingo Kallel passou aqui para a gente jantar. Ele estava afim de comer um japonês e fomos de rodízio no Sushimar aqui ao lado. No meio da nossa saladinha de entrada o grito soou, praticamente nas nossas cabeças. “AHHHHHHHHHHH!”. Kallel impassível:
- Um pavão.
- Você também? MM tinha mania de falar que isso era um pavão para me encher, olha que bobo.
- Dri, isso é um pavão.
Então o garçon entra na conversa.
- O dentista aqui do lado cria um casal de pavões. Ele tá lá no telhado.
- Vocês estão brincando comigo.
E o casal gay da mesa ao lado também entra na conversa.
- Verdade, é um pavão.
- Eles estão aí há milênios. Minha vó mora aqui em cima e eu lembro que quando eu era criança esse dentista já tinha esses pavões.
- “AHHHHHHHHHHHHHHHHHH!”
- Olha lá! Gritou de novo.
Como assim? Era de domínio público que um dentista cria um casal de pavões no quintal de seu consultório no meio da Alameda Campinas e ninguém me conta? E que tipo de infância essas pessoas tiveram que identificam o grito de um pavão assim que o ouvem? Isso me lembrava mais a Priscila C. imitando uma gralha na piscina do acampamento quando a gente estava no Colegial do que um animal que eu tinha certeza de que você precisasse de uma autorização do IBAMA para comprar.
- Ah, esse dentista já teve de pintar o muro várias vezes porque o povo picha “Fora Pavão!”.
- Não estou acreditando! (absolutamente incrédula!!!)
- Ele está aqui no telhado. Dá para ver lá da calçada.
Então eu e as duas senhoras que também estavam ouvindo a conversa, corremos para a calçada e lá estava. Empoleirada em cima do telhado e de cauda baixa a tal da pavoa. A bicha estava na boa, olhando o trânsito. As luzes do farol mudarem de cor. Como ela não queria descer, o macho ficava gritando embaixo: “AHHHHHHHHHHHH! AHHHHHHHHHHH!”. Simples assim.
Coisas que eu adoro nesse bairro. Embora o Ibira esteja a um pulinho, nunca se sabe que tipo de fauna seu vizinho guarda no quintal.
Eu acho que eu vi um gatinho...
Amo os felinos! Em todas as suas formas. Quem me conhece sabe que eu sou uma cat person, tenho milhões de gatinhos no tema da decoração de casa e me derreto toda, ronrono e me atraco toda vez que vejo um bichano pelo chão.
Hoje descobri que na Indonésia você pode adotar um tigre. Dos felinos, o mais sedutor. Eu acho. Funciona assim:
Você vai até o Ministério Florestal Indonésio, paga um bilhão de rúpias (algo equivalente à US$100mil), separa uma caixinha de areia de pelo menos 60m2 e tcharam!!! Leva um tigre para casa.
O meigo bichinho, conhecido como "Devorador de Homens" por toda a Ásia, continua sendo uma propriedade do Estado Indonésio. A pessoa apenas adquire a pemissão de criar o pet em casa.
Óbvio que isso é uma grande preguiça das autoridades em preservar a região em que esses animais são mantidos em estado selvagem (e que está sendo super desmatada), mas ainda assim. Quem resiste a esses olhinhos?
Hoje descobri que na Indonésia você pode adotar um tigre. Dos felinos, o mais sedutor. Eu acho. Funciona assim:
Você vai até o Ministério Florestal Indonésio, paga um bilhão de rúpias (algo equivalente à US$100mil), separa uma caixinha de areia de pelo menos 60m2 e tcharam!!! Leva um tigre para casa.
O meigo bichinho, conhecido como "Devorador de Homens" por toda a Ásia, continua sendo uma propriedade do Estado Indonésio. A pessoa apenas adquire a pemissão de criar o pet em casa.
Óbvio que isso é uma grande preguiça das autoridades em preservar a região em que esses animais são mantidos em estado selvagem (e que está sendo super desmatada), mas ainda assim. Quem resiste a esses olhinhos?
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
A Primeira Paixão
Tinha um monte de coisas que eu fui até aqui. Um monte de coisas. Algumas eram legais, na maioria não me fazem falta. Então, para quem não sabe, estou jogando fora tudo. Tudo o que era, que eu já não me reconhecia. Mudei de carreira. Troquei a cor do cabelo. Bloqueei um monte de gente no MSN. Cancelei o endereço. Vai ficar tudo em uma caixa (em várias caixas), com etiquetas em cima. Várias roupas para a caridade. Estou me desfazendo de cada coisa que tenha formato de âncora. Comprei uma passagem. Agora estou acertando os documentos. A imobiliária já foi avisada, já pode abrir o apartamento para futuros inquilinos. Eu quero me apaixonar. Por alguém, por algum lugar, por algum gosto, pelo mundo todo. Eu quero tudo, e quero entregar. Há muito tempo não há nada que me arrebate o peito. Houve um tempo em que a vida era paixão. Depois deixou de ser. Eu cancelo tudo porque quero de novo. Quero pela segunda vez.
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