Sabe que Shakespeare nunca saiu da Inglaterra. Mesmo assim a maior parte de suas peças se passam fora de lá. Verona é cenário de, talvez, uma de suas peças mais famosas (não sei se Hamlet é a mais famosa...), “Romeu e Julieta”! A história dos dois adolescentes apaixonados que se matam por amor. E a cidade tem cara de peça de Shakespeare. Só que com um monte de turistas. Um MOOONTE! A arena é toda charmosinha (cá entre nós, achei mais charmosa que o Coliseu!!!) e estavam montando o cenário para uma série de óperas dirigidas pelo Franco Zeffirelli que vão estreiar dia 18. Achei tão chic. Assistir “Aida” na Arena de Verona, com esse céu absurdo daqui... Hoje eram 21h e ainda estava claro. Muito calor, quase não dá para andar na rua. Fiquei até tarde ontem com os nigerianos assitindo futebol e conversando em um bar onde todo mundo que trabalhava era brasileiro. Engraçado isso. Onde vou descubro um barman brasileiro. Eles são os melhores. Te dão dicas da cidade, te contam quais as roubadas, o que vale a pena. E te dão drinks de graça. Ajuda a matar as saudades que têm estado tão grandes. Fiquei 45 minutos com a minha avó hoje no telefone. Ela chorava toda vez que dizia que sentia saudades, tadinha. Tem esse lado que é tão difícil também. Para os dois lados. Hoje fiquei o dia no meu quarto. Conversei um monte, com um monte de gente. Respondi alguns emails, trabalhei. Vou dar uma geral na mala agora. E fiz pesquisas para idéias do que fazer daqui para frente. Realmente a vida é muito sábia. Achei a melhor opção de todas e estou extasiada. Ainda bem que meu curso foi cancelado, porque quero bem mais fazer isso agora do que queria fazer o curso. Só esperar para ver se dá certo agora. Coisinha bonitinha que achei aqui de Verona. Ontem fui na Casa da Julieta. A gente sabe que é de mentirinha, e que se nem Shakespeare esteve aqui, imagine seus personagens de ficção. Mas a vida não tem graça se a gente não liga o faz de conta de vez em quando e entra na brincadeira. O museu da Julieta em si não tem muita graça. Meio vaziozão, com algumas peças de cenários usados em montagens e filmes da peça. Um balcãozinho que todo mundo se debruça e chama por Romeu. E uma estátua de bronze de Julieta, onde sempre tem um engraçadinho tirando foto apalpando os seios da moçoila. Mas o que me derreteu, e me trouxe lágrimas aos olhos, foi o túnel de passagem na entrada da casa. Todo coberto com bilhetinhos e post its e declarações de amor em todas as línguas e do mundo inteiro. Impossível ficar cético em frente disso. Sentei em frente, fiquei olhando para cima. Legal que post it é um negócio que a gente usa para deixar lembrete. Para não esquecer de coisas importantes. Fiquei imaginando os milhões de batimentos cardíacos que continham aqueles bilhetes. Tem tanta gente amando no mundo. Parece que Verona existe só para nos lembrar disso.
"...estou procurando, estou procurando. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi." (Clarice Lispector - Paixão Segundo GH)
domingo, 13 de junho de 2010
sábado, 12 de junho de 2010
BAD, BAD NEWS!!!
Semana de emoções intensas. Depois da frustração de ter meu curso de Escrita Criativa cancelado, ontem descobri uma coisa estarrecedora. Ainda estou chocada e não sei como reagir a isso. A pessoa aqui, (que já foi loira) conseguiu deletar sem querer todas (eu disse TODAS!!!) as fotos que tirou de Roma... Outro dia dei uma limpada na lixeira do desktop. Nem olhei o que era, só cliquei em "limpar lixeira". Vi o computador deletando "187 itens" mas não dei muita atenção. Ontem à noite, procurando as fotos para colocar no post do gelatto e da vespa.... Sim! Foi-se a pastinha de Roma. Tenho algumas que baixei no facebook e só. O resto, nunca mais. Ai que dor!!!!!!! Eu sempre acho que as coisas têm algum significado oculto. Fico aqui tentando imaginar qual o "significado oculto" disso. O que a vida está tentando me mostrar, tentando me ensinar. Será que inconscientemente eu também acho minhas fotos um lixo (engraçado que eu postei o diálogo com a Y e um monte de gente me mandou email dizendo que achavam mesmo uma boa idéia eu fazer um curso de foto. Será que todo mundo acha minhas fotos um lixo???) Para ajudar estou quase me arrependendo de ter marcado a viagem com S. Quase achando uma loucura, achando que ele não é o cara. (Qual o significado disso? Intuição? Auto-boicote?). A gente teve uma experiência especial em Granada, mas faz um tempo. Muita coisa aconteceu. Já se perdeu em mim tudo aquilo que a gente sentiu. Talvez fosse só encantamento com a novidade também... Estou achando que podemos ter muito mais ilusões em relação um ao outro, do que realmente correspondem à realidade. Somos dois estranhos na verdade. Para não surtar denovo, ou estragar tudo como eu sempre faço, tomei uma decisão. Resolvi que não vou falar com ele, ou escrever para ele, até chegar terça-feira e a gente se encontrar cara à cara. Daí eu decido o que eu faço. Se eu continuo com os planos e embarco no "test drive". Se eu decido apenas viajar por um tempo com um amigo. Ou se eu pego minha mochila e sigo para a França sozinha. Nesse exato momento o que eu decidi foi mudar de hotel aqui em Verona. Hotéis são bem caros na Itália inteira (Ai! Dói o bolso!!!), e eu vim para o HI Hostel, que em todo lugar costuma ter uma certa qualidade de hospedagem. Pelo visto não aqui na Itália. Vou para um Bed & Breakfast agora e depois passear pela cidade do meu Tataravô. À tarde vou torcer contra a Argentina com uns nigerianos que conheci ontem à noite em um Bar. Copa do Mundo por aqui é bem morna, nada daquela emoção que eu estou acostumada. Grupos de amigos nos bares gritando e torcendo, e cerveja e buzinas... Acho que não existe lugar no mundo em que se curte a Copa como nós no Brasil. Será que isso também quer dizer alguma coisa?
sexta-feira, 11 de junho de 2010
AS PAIXÕES DE ROMA
Estou deixando essa cidade, mas não sem antes falar das duas grandes paixões de Roma. Gelatti e a vespa.
Il Gelatto
Cada lugar que tenho passado estou criando um vício e carregando comigo. Em Portugal foram as “natas” que, embora eu não tenha acesso em outros lugares, traduzi pelo maravilhoso hábito de sentar em uma pastisserie e comer um doce e um espresso no meio da tarde. Um respiro e uma qualidade de vida que realmente muda seu dia. Em Dublin foi o hábito de sorrir e ser gentil. Tudo bem que isso não é um vício, mas é um hábito que eu tento praticar todos os dias, mesmo quando estou rabugenta e mal-humorada. Londres, a capacidade de “olhar” a vida. Foi a cidade que despertou novamente minha curiosidade... mas eu não posso falar de Londres ainda. É um assunto desconfortável. Espanha foi a cultura de tapas. Maravilhosa! Isso devia ser sancionado pela ONU e adotado em todos países do mundo. Petiscar pequenas porções de comida enquanto se toma uma cerveja gelada e conversa-se com os amigos. Acho um mega hábito saudável. Marrocos foi insano. Ainda não me recuperei de Marrocos. De lá trouxe o cheiro do chá de hortelã, que roubou o posto do Earl Grey como meu favorito, e o suco de laranja. Quase todo dia me pego correndo atrás de um copo de suco de laranja fresco e espremido na hora. E em Roma, a grande obsessão pelos sorvetes. Tem mais sorveteria aqui do que padaria em São Paulo. E todos (TODOS!!!) são divinos. Aveludados quando chegam a boca, de explodir o paladar. Eu fiz uma pesquisa intensiva de gelatti por aqui. Todos os dias tomava pelo menos um. Sagrado. Como escovar os dentes ou passar rímel. Meus favoritos de longe: Tiramissú, Panna Cota, Pistacchio e o (preparem-se porque isso faz gritar até a mais controlada das mulheres) Nuttella! Ahhhh! Acho que o gelatto é o elemento gastronômico mais presente na vida dos romanos. Mais do que a pizza, a pasta, o vinho, ou qualquer outra coisa que a gente tem como referência. As sorveterias vivem apinhadas, em todos os bairros. Crianças, velhos, casais adolescentes, executivos, emos, metaleiros, freiras, famílias, gays, estudantes e escritoras brasileiras perdidas por Roma. Todo mundo sai pelas ruas lambendo cones de sorvete. Depois de um tempo você começa até a sentir que o seu dia não está completo se não tomou um gelatto ainda. Até por isso acho que as sorveterias ficam abertas dia e noite. Super comum ver baladeiros de plantão no meio da madrugada de Trastevere fazendo fila para comprar um gelatto. Eu tive uma chefe que, sempre que eu surtava com o trabalho (o que era bem frenquente já que eu surto sempre e por tantos motivos) virava para mim e dizia: “Adriana, vai dar uma volta, tomar um sorvete, depois você resolve isso.” E sempre funcionava. Fazer uma pausa no dia, lamber aquela maravilha gelada, deixar escorrer pela mão e melecar os dedos como criança. Comer a casquinha depois ouvindo o “crunch”. São coisas que sempre nos remetem a um tempo de infância em que tudo era fácil e as certezas muitas. Um sorvete por dia, e a gente começa a entender porque os italianos têm tanta fama de saber aproveitar a vida. Não esqueça de pedir o seu com “panna” em cima (chantilly caseiro). Quando se pára para tomar um sorvete, tem-se direito à tudo.
La Vespa
Verdadeira obsessão, Roma é toda movida a elas. Gosto muito daquele filme do Nanni Moretti, “Caro Diário” (ai! Quem nunca viu esse filme, pega no final de semana e sinta por duas horas o que é Roma!). No filme ele fica passeando o tempo todo por Roma com sua vespa. É a maior tradução da liberdade, do savoir vivre e do péssimo sistema de transporte público da cidade. As vespas são abundantes, baratas e pode-se comprar até nas agências do correio. Todo romano tem um capacete em seu kit de sobrevivência básico. Mesmo aqueles que não têm vespa. Se não têm vespa, estão sempre de carona com alguém que tenha. Elas dominam os espaços de estacionamento, ocupam quase todas as faixas das ruas. E, diferente de São Paulo em que a gente deseja a morte dos motoboys toda vez que desce a Rebouças, respeitam muito o trânsito. Adoro ficar vendo as pessoas em suas vespas paradas no farol. Mulheres elegantíssimas, de salto alto e capacete, dirigindo suas lambretinhas espertas. Homens de negócio, jovens, senhores e senhoras em um estágio bem avançado da terceira idade. Alguns tem até um protetor que vai por cima da perna e evita que suas roupas de grife fiquem sujas da poluição da cidade. Uma curiosidade que faz tudo mais charmoso ainda é que as vespas não possuem marcha. É só ligar e acelerar. Mesmo as maiores. Sem marcha. Tipo, minha sobrinha de 10 anos é capaz. Nada de complicação, nada de drama. Suba em uma vespa e aproveite a viagem. Existem vários lugares que alugam vespas para turistas, por hora ou pelo dia. Claro que eu tive oportunidade de dar uma volta. De garupa, porque continuo sem carta de motorista por causa da minha obscena pontuação no trânsito de São Paulo. Marianna, uma amiga de Ivan aqui em Roma, me levou uma noite para uma volta. Vou contar que, dar uma volta de vespa por Roma à noite é uma experiência obrigatória. Essa cidade (Que já é um desbunde!) fica indescritível toda iluminada. A Piazza Venezia surgindo atrás de uma esquina foi um dos momentos de maior maravilha que vivi até agora. Tipo de coisa que faz a gente abrir os braços e gritar “La vita è bella!”. Vou contar um segredo: Ela é mesmo. Prá caramba!
Il Gelatto
Cada lugar que tenho passado estou criando um vício e carregando comigo. Em Portugal foram as “natas” que, embora eu não tenha acesso em outros lugares, traduzi pelo maravilhoso hábito de sentar em uma pastisserie e comer um doce e um espresso no meio da tarde. Um respiro e uma qualidade de vida que realmente muda seu dia. Em Dublin foi o hábito de sorrir e ser gentil. Tudo bem que isso não é um vício, mas é um hábito que eu tento praticar todos os dias, mesmo quando estou rabugenta e mal-humorada. Londres, a capacidade de “olhar” a vida. Foi a cidade que despertou novamente minha curiosidade... mas eu não posso falar de Londres ainda. É um assunto desconfortável. Espanha foi a cultura de tapas. Maravilhosa! Isso devia ser sancionado pela ONU e adotado em todos países do mundo. Petiscar pequenas porções de comida enquanto se toma uma cerveja gelada e conversa-se com os amigos. Acho um mega hábito saudável. Marrocos foi insano. Ainda não me recuperei de Marrocos. De lá trouxe o cheiro do chá de hortelã, que roubou o posto do Earl Grey como meu favorito, e o suco de laranja. Quase todo dia me pego correndo atrás de um copo de suco de laranja fresco e espremido na hora. E em Roma, a grande obsessão pelos sorvetes. Tem mais sorveteria aqui do que padaria em São Paulo. E todos (TODOS!!!) são divinos. Aveludados quando chegam a boca, de explodir o paladar. Eu fiz uma pesquisa intensiva de gelatti por aqui. Todos os dias tomava pelo menos um. Sagrado. Como escovar os dentes ou passar rímel. Meus favoritos de longe: Tiramissú, Panna Cota, Pistacchio e o (preparem-se porque isso faz gritar até a mais controlada das mulheres) Nuttella! Ahhhh! Acho que o gelatto é o elemento gastronômico mais presente na vida dos romanos. Mais do que a pizza, a pasta, o vinho, ou qualquer outra coisa que a gente tem como referência. As sorveterias vivem apinhadas, em todos os bairros. Crianças, velhos, casais adolescentes, executivos, emos, metaleiros, freiras, famílias, gays, estudantes e escritoras brasileiras perdidas por Roma. Todo mundo sai pelas ruas lambendo cones de sorvete. Depois de um tempo você começa até a sentir que o seu dia não está completo se não tomou um gelatto ainda. Até por isso acho que as sorveterias ficam abertas dia e noite. Super comum ver baladeiros de plantão no meio da madrugada de Trastevere fazendo fila para comprar um gelatto. Eu tive uma chefe que, sempre que eu surtava com o trabalho (o que era bem frenquente já que eu surto sempre e por tantos motivos) virava para mim e dizia: “Adriana, vai dar uma volta, tomar um sorvete, depois você resolve isso.” E sempre funcionava. Fazer uma pausa no dia, lamber aquela maravilha gelada, deixar escorrer pela mão e melecar os dedos como criança. Comer a casquinha depois ouvindo o “crunch”. São coisas que sempre nos remetem a um tempo de infância em que tudo era fácil e as certezas muitas. Um sorvete por dia, e a gente começa a entender porque os italianos têm tanta fama de saber aproveitar a vida. Não esqueça de pedir o seu com “panna” em cima (chantilly caseiro). Quando se pára para tomar um sorvete, tem-se direito à tudo.
La Vespa
Verdadeira obsessão, Roma é toda movida a elas. Gosto muito daquele filme do Nanni Moretti, “Caro Diário” (ai! Quem nunca viu esse filme, pega no final de semana e sinta por duas horas o que é Roma!). No filme ele fica passeando o tempo todo por Roma com sua vespa. É a maior tradução da liberdade, do savoir vivre e do péssimo sistema de transporte público da cidade. As vespas são abundantes, baratas e pode-se comprar até nas agências do correio. Todo romano tem um capacete em seu kit de sobrevivência básico. Mesmo aqueles que não têm vespa. Se não têm vespa, estão sempre de carona com alguém que tenha. Elas dominam os espaços de estacionamento, ocupam quase todas as faixas das ruas. E, diferente de São Paulo em que a gente deseja a morte dos motoboys toda vez que desce a Rebouças, respeitam muito o trânsito. Adoro ficar vendo as pessoas em suas vespas paradas no farol. Mulheres elegantíssimas, de salto alto e capacete, dirigindo suas lambretinhas espertas. Homens de negócio, jovens, senhores e senhoras em um estágio bem avançado da terceira idade. Alguns tem até um protetor que vai por cima da perna e evita que suas roupas de grife fiquem sujas da poluição da cidade. Uma curiosidade que faz tudo mais charmoso ainda é que as vespas não possuem marcha. É só ligar e acelerar. Mesmo as maiores. Sem marcha. Tipo, minha sobrinha de 10 anos é capaz. Nada de complicação, nada de drama. Suba em uma vespa e aproveite a viagem. Existem vários lugares que alugam vespas para turistas, por hora ou pelo dia. Claro que eu tive oportunidade de dar uma volta. De garupa, porque continuo sem carta de motorista por causa da minha obscena pontuação no trânsito de São Paulo. Marianna, uma amiga de Ivan aqui em Roma, me levou uma noite para uma volta. Vou contar que, dar uma volta de vespa por Roma à noite é uma experiência obrigatória. Essa cidade (Que já é um desbunde!) fica indescritível toda iluminada. A Piazza Venezia surgindo atrás de uma esquina foi um dos momentos de maior maravilha que vivi até agora. Tipo de coisa que faz a gente abrir os braços e gritar “La vita è bella!”. Vou contar um segredo: Ela é mesmo. Prá caramba!
quinta-feira, 10 de junho de 2010
TUDO, POR ENQUANTO...
Hoje eu peguei o metrô de Roma pela última vez. Ficava repetindo isso na minha cabeça o tempo todo. “Última vez, última vez dessa jornada”. Não que o metrô de Roma seja uma coisa incrível que a gente queira guardar na memória para sempre. Muito pelo contrário. As duas linhas que atendem Roma são bem precárias e anos luz distantes dos metrôs das principais capitais do mundo. São Paulo inclusa. A linha azul é mais antiga. Atende o Coliseu, o Circo Máximo. E é minha escolha para chegar ao charmoso Monti. A linha vermelha, que é laranja na verdade, é melhorzinha. Tem trens mais novos, mais limpos, e atende Piazza Spagna, Barberini (Fontana di Trevi), Piazza del Popolo e Vaticano. Ambas linhas são um saco no final da tarde. Sério. Carnaval na Bahia. Vontade de cortar os pulsos. Um bando de gente se empurrando, e turistas cutucando as lentes de suas máquinas fotográficas nas suas costas. Nada charmoso. Sabe a Estação da Sé às 18h? Igualzinho. O transporte público romano é tão deficiente que está sempre lotado. Acaba com o glamour. Lógico que encontrar pencas de brasileiros pelos vagões é de praxe. Muito fácil identificar brasileiros. Eles sempre falam muito alto. Muito mesmo. E fazem comentários sobre as pessoas à volta em português, porque têm certeza de que ninguém pode entedê-los. E eles estão sempre tentando tirar fotos dos lugares que são proibidos (como a Capela Sistina, por exemplo). Sempre tem um, com cara de espertinho, apontando a camera para o teto e fazendo cara de malandro para o amigo. Dá uma vergonha que nem te falo. Olho bem para a cara deles, para ver se eles se desintegram com a força do meu pensamento. Não funcionou até agora, uma pena. Ok, então eu peguei o metrô pela última vez hoje para jantar com o Evandro (meu amigo padre que mora aqui há 12 anos) perto da Piazza del Popolo. E eu estava pensando como aquela talvez fosse a última vez que eu descesse aqueles degraus por um bom tempo. Vou voltar à Roma, é certo. Mas nunca se sabe onde a vida vai nos levar até lá. E eu estou toda irritada, porque estou atrasada para variar. E os turistas ficam olhando embasbacados, perdidos nas placas da estação de Termini, e eu meio que dou cotoveladas pela multidão e chego até as maquininhas de comprar tickets. Em dois segundos compro meu ticket para pegar o metrô, enfio a moeda, pego o bilhete impresso, desapareço pela catraca, e... E me lembro surpreendida dos meus primeiros dias em Roma. Quando fiquei cerca de 15 minutos tentando imprimir um bilhete desses de metrô na máquina. E não fazia idéia de onde enfiar a moeda. Me dava vontade de chorar, estava mais frio, bem mais frio do que agora, e eu ficava olhando a minha volta para ver se uma viva alma me ajudava a conseguir comprar o maldito bilhete de metrô. Cidade nova, mapa de transporte público novo, e eu sem saber onde me enfiar em tudo isso. E depois perdida nas direções das duas míseras linhas de metrô de Roma. Foi um tempo até eu me apropriar disso tudo. Um bom tempo até conseguir comprar um bilhete em dois segundos. Um outro tempo para conseguir expressar minha indignação por uma espera demorada em uma loja de telefonia na Via del Corso. Tudo em Italiano Tarzan lindo! Acho que isso era tudo o que eu procurava por aqui. Não é o bastante. Não é suficiente. Mas é tudo por enquanto. Então melhor arrumar a mochila e procurar o próximo. Amanhã assisto minha última aula na Dilit. Fiquei um pouco insatisfeita com o método da escola. Irritada toda vez que tinha de cavar (juro que até suava para conseguir alguma interação!!!) uma conversação com alguma russa esquisita de sombras azuis até a testa, mas vou para minha última aula de italiano amanhã também completa. Fiz muitos amigos. Alguns de alma. Alguns para sempre. E depois me jogar em um trem até Verona. S. me escreveu hoje. Está passando pelo inferno astral, o coitado. Faz aniversário dia 28. Preso em Sardenha, sem um tostão no bolso, sem cartões de crédito funcionando. Engraçado que ele é o que gosta de ter tudo planejado. Eu tava surtando essa semana por ter meus planos mudados, mas é assim. Toda vez que se planeja muito, a vida dá uma rasteira e te deixa de castigo. Melhor rir. É o que eu acho. Ele tem alguma dificuldade para rir ainda. E vão aparecendo as diferenças.... De qualquer forma, terça nos encontramos em Veneza, se ele conseguir sair do enrosco onde se meteu. Pode ser que ele chegue depois. Estou incrivelmente calma com tudo. Acho que fiquei tão nervosa nos últimos dias que acabou o estoque. Não sobrou nada. Estou calma. Levando um dia de cada vez. O importante é ter perspectiva. Saber o que se quer para si mesma. O que os outros são ou fazem, não está em nosso poder. É mesmo responsabilidade de cada um. Eu vou cuidar da minha. Vamos ver até quando dura. Pode ser que em menos de 48h eu esteja surtando denovo....
quarta-feira, 9 de junho de 2010
DIÁLOGOS COM OS MEUS AMIGOS
EU - Tô surtando. Tô super surtando aqui.
Y - O que foi?
EU - Meu curso de Escrita Criativa. O que eu ia fazer em Londres. Foi cancelado. Parece que só eu queria fazer esse curso... Tô surtando Y! (batendo os dentes...)
Y - (blasè) Dri, desde que eu te conheço você surta. Qual a novidade?
EU - (tom profundo de drama) Agora é sério. Não sei o que vou fazer da minha vida daqui a três semanas. Tinha tudo organizado já, não sei o que faço, não sei para onde vou daqui três semanas!!!!
Y - (blasè) Há três meses atrás você estava surtando porque tinha chegado na Europa e não tinha idéia do que ia fazer da sua vida em três semanas.
EU - (tom normal, frustrada porque ela não comprou minha chantagem emocional) Não tá ajudando...
Y - (alegre e surpresa) Ah, já sei! Porque em vez disso você não fica em Londres e faz um curso de fotografia? Ia te fazer bem porque, sinceramente, suas fotos são horríveis!
E eu amo meus amigos!!!
Y - O que foi?
EU - Meu curso de Escrita Criativa. O que eu ia fazer em Londres. Foi cancelado. Parece que só eu queria fazer esse curso... Tô surtando Y! (batendo os dentes...)
Y - (blasè) Dri, desde que eu te conheço você surta. Qual a novidade?
EU - (tom profundo de drama) Agora é sério. Não sei o que vou fazer da minha vida daqui a três semanas. Tinha tudo organizado já, não sei o que faço, não sei para onde vou daqui três semanas!!!!
Y - (blasè) Há três meses atrás você estava surtando porque tinha chegado na Europa e não tinha idéia do que ia fazer da sua vida em três semanas.
EU - (tom normal, frustrada porque ela não comprou minha chantagem emocional) Não tá ajudando...
Y - (alegre e surpresa) Ah, já sei! Porque em vez disso você não fica em Londres e faz um curso de fotografia? Ia te fazer bem porque, sinceramente, suas fotos são horríveis!
E eu amo meus amigos!!!
terça-feira, 8 de junho de 2010
EU CALMO, VOCÊ CALMO, TODO MUNDO CALMO...
Me preparando para deixar Roma. Muito mais psicológicamente do que nas questões práticas. Fiquei tão acostumada que estou parecendo cego em tiroteio de me imaginar fora dessa cidade. Consegui costurar Roma na pele. Não vi nem metade das cidade da Itália que eu gostaria, mas vou sair daqui com muito mais completude do que saí de qualquer outra cidade. Hoje fiquei quinze minutos olhando a porta do guarda-roupas aberta só para tentar fazer uma imagem mental de como seria ter tudo aquilo dentro da mochila denovo. Uma caixa grande está indo para o Brasil também. Estou bem na fase de decidir o que eu vou continuar carregando e o que não vai fazer mais parte da minha bagagem. Cada dia mais descobrindo que não cabe tanta coisa assim. Ou melhor, que a gente não precisa de tanta coisa assim. O que se leva na bagagem é basicamente o essencial. E isso não é muito não. Não precisamos mesmo de tantas coisas. Claro que para completar o cenário, sempre tem um caos de leve. Porque não me lembro de nenhum momento de verdade da minha vida, sem um caos de leve. Recebi notícias horríveis ontem. O curso de Escrita Criativa que eu estava doente para fazer em Londres em julho foi cancelado. Falta de quorum. Hum. Quando eu acho que tenho minha vida um pouquinho planejada, vem alguma coisa me mostrar que não dá para controlar nada. Eu deveria rir. Talvez eu ria. Só que não agora. Agora está caos, e eu não faço idéia do que fazer da minha vida daqui três semana. Para ajudar estou surtando em dúvidas do que fazer da minha vida nessas três semanas que vem. Teoricamente vou encontrar S. em Veneza terça-feira que vem e vamos fazer Provence e subir para Paris de carro. Não vejo S. desde Granada e, embora a gente se fale sempre por email e skype, eu não tenho mais certeza disso também. Eu quero que dê certo, mas não consigo nem me achar no meio de mim, quanto mais ele. Chegou a véspera e eu estou surtada. Apavorada talvez seja a palavra correta. Ainda bem que eu tenho amigas sensatas que mesmo do Brasil são capazes de dizer “Eu calmo, você calmo, todo mundo calmo!”*, e eu dou uma respirada e salvo umas calorias em barras de chocolate. Porque o medo é tão forte, né? Eu vivo falando que a única coisa capaz de vencer o medo é o amor. Eu pratico muito amor. Exercícios práticos, todos os dias. Treinar meu coração a enxergar a vida e as pessoas de outras formas. Mas nem sempre dá tudo certo. Às vezes eu fico insegura. Pra caramba! Às vezes eu tenho medo. E daí parece que todo aquele amor que eu consegui acumular na minha vida por tanto tempo desaparece. Eu gostaria tanto de ser uma pessoa calma, ponderada, equilibrada. Que consegue aceitar que um dia passa de cada vez, e que nada como a maravilha de um dia seguinte para nos tornar melhores e maiores. Mas eu não sou assim. Eu sou caótica, insegura, superlativa. Sou ótima para dar conselhos, mas vai ver se a pessoa segue os próprios!? Toda complicada. O mais difícil é conseguir me amar sendo tão diferente do que eu gostaria de ser. Aceitar que eu sou esse poço de defeitos, e que as pessoas também vão me amar exatamente por tudo isso. (ou vão tentar, porque vou te falar... às vezes é difícil!!!) Na verdade eu tenho um medo danado de que as pessoas um dia descubram como eu sou uma pessoa imperfeita, descubram tudo isso e me abandonem para sempre. Talvez por isso eu esteja tão apavorada de ter de arrumar um jeito de chegar em Veneza daqui uma semana. Tenho medo de que quando a gente chegue em Paris, S. descubra tudo isso e me abandone para sempre. Ah, a gente nunca sai do jardim de infância. Só quero que meus amiguinhos brinquem comigo no recreio. Todo mundo calmo? Então eu calmo também. Roma está me escapando pelos dedos em mais uns dias. E à partir daqui, não faço a mínima idéia do que vai acontecer.
* "Eu calmo. Você calmo. Todo mundo calmo." é uma piada interna. Mas o sentido é esse mesmo aí... ;-)
* "Eu calmo. Você calmo. Todo mundo calmo." é uma piada interna. Mas o sentido é esse mesmo aí... ;-)
segunda-feira, 7 de junho de 2010
TRÊS LOJINHAS PARA AMAR EM FIRENZE
MAESTRI DI FABBRICA
O legal que essa não é só uma lojinha só, mas várias lojinhas. É uma cooperativa de artesãos da região da Toscana. Eles estão em um galpão super descolado no centro da cidade, e cada sala expõe o trabalho de um artesão. Peças de arte, pottery, cremes e sabonetes super delícias, molduras, móveis e coisinhas para casa. Tudo com jeitinho de exclusivo, que ainda dá para esnobar e dizer “Comprei de um artesão de Firenze...”. Isso é luxo, tá!?
Borgo degli Albizi, 68r
50122 Firenze
+39 055 242321
http://www.maestridifabbrica.it/
A.N.G.E.L.O VINTAGE CLOTHING
Eu não uso roupa de brechó. Sempre que precisava colocar alguma peça para alguma filmagem, ficava imaginando que a dona da peça já estava morta, e não acho muito legal ter de pensar nesse tipo de coisa (a pessoa tem imaginação, difícil evitar!). Mas eu babo em coisinhas vintage. Acho lindo. E acho demais quem tem coragem de adotar no visual. A A.N.G.E.L.O. é de fazer surtar qualquer figurinista ou produtora de moda. O dono ainda tem o orgulho de te anunciar que eles são conhecidos “Worldwide!!!” (Tá, benhê!?). Os vestidos anos 60-70 e os de festa mega conservados quase me fizeram mudar de opinião a respeito de brechós. E o mais legal é que no mezzanino tem tipo de um saldão com peças mais do dia-a-dia que são vendidas por kilo. Claro que a balança que pesa tudo também é vintage. A unidade de Firenze é filial da A.N.G.E.L.O. VINTAGE PALACE de Lugo (que tem um acervo mais fantástico ainda.... humm!)
A.N.G.E.L.O. VINTAGE CLOTHING
Via DEI Cimatori, 25/r
+39 0055 214916
http://www.angelo.it/
PINEIDER
Essa é fresca até dizer chega. Aquele tipo de lojinha que a gente entra para babar, e jura que um dia vai ficar milionário só para poder sair com uma sacolinha dali. Especializados em bolsas, malas, carteiras, bagagens e.... papelaria de luxo. Hum!!!! Imagina uma parede inteira dos mais delicados convites de casamento que você já viu na vida... Imaginou? Agora imagina também uma coleção (Caréééérrima!!!!) de bolsas para bebês e lembrancinhas de batizado, toda em tons pastéis (Ah, se eu fosse milionária, comprava tudo para a MH...). E eles tem alguns artigos em prata que eu acho um luxo (mas só vi gente rica de verdade usando) como abotoaduras, prendedor de notas... Tão fino que nem me deixaram tirar foto!
FRANCESCO PINEIDER S.P.A.
Negozio di Piazza Della Signoria, 13, 14R
50122 Firenze
+39 055 284655
http://www.pineider.com/
O legal que essa não é só uma lojinha só, mas várias lojinhas. É uma cooperativa de artesãos da região da Toscana. Eles estão em um galpão super descolado no centro da cidade, e cada sala expõe o trabalho de um artesão. Peças de arte, pottery, cremes e sabonetes super delícias, molduras, móveis e coisinhas para casa. Tudo com jeitinho de exclusivo, que ainda dá para esnobar e dizer “Comprei de um artesão de Firenze...”. Isso é luxo, tá!?
Borgo degli Albizi, 68r
50122 Firenze
+39 055 242321
http://www.maestridifabbrica.it/
A.N.G.E.L.O VINTAGE CLOTHING
Eu não uso roupa de brechó. Sempre que precisava colocar alguma peça para alguma filmagem, ficava imaginando que a dona da peça já estava morta, e não acho muito legal ter de pensar nesse tipo de coisa (a pessoa tem imaginação, difícil evitar!). Mas eu babo em coisinhas vintage. Acho lindo. E acho demais quem tem coragem de adotar no visual. A A.N.G.E.L.O. é de fazer surtar qualquer figurinista ou produtora de moda. O dono ainda tem o orgulho de te anunciar que eles são conhecidos “Worldwide!!!” (Tá, benhê!?). Os vestidos anos 60-70 e os de festa mega conservados quase me fizeram mudar de opinião a respeito de brechós. E o mais legal é que no mezzanino tem tipo de um saldão com peças mais do dia-a-dia que são vendidas por kilo. Claro que a balança que pesa tudo também é vintage. A unidade de Firenze é filial da A.N.G.E.L.O. VINTAGE PALACE de Lugo (que tem um acervo mais fantástico ainda.... humm!)
A.N.G.E.L.O. VINTAGE CLOTHING
Via DEI Cimatori, 25/r
+39 0055 214916
http://www.angelo.it/
PINEIDER
Essa é fresca até dizer chega. Aquele tipo de lojinha que a gente entra para babar, e jura que um dia vai ficar milionário só para poder sair com uma sacolinha dali. Especializados em bolsas, malas, carteiras, bagagens e.... papelaria de luxo. Hum!!!! Imagina uma parede inteira dos mais delicados convites de casamento que você já viu na vida... Imaginou? Agora imagina também uma coleção (Caréééérrima!!!!) de bolsas para bebês e lembrancinhas de batizado, toda em tons pastéis (Ah, se eu fosse milionária, comprava tudo para a MH...). E eles tem alguns artigos em prata que eu acho um luxo (mas só vi gente rica de verdade usando) como abotoaduras, prendedor de notas... Tão fino que nem me deixaram tirar foto!
FRANCESCO PINEIDER S.P.A.
Negozio di Piazza Della Signoria, 13, 14R
50122 Firenze
+39 055 284655
http://www.pineider.com/
domingo, 6 de junho de 2010
PERSPECTIVA E OS TRAVESSEIROS DOS HOTÉIS
Final de semana em Firenze. Karin (uma suíça do meu novo nível na aula de italiano, e uma garota linda, especial e doce como ninguém) também estava com vontade de fugir no final de semana, e foi minha desculpa perfeita para criar coragem e sair um pouco de Roma. Pegamos um trem depois do almoço na sexta-feira e estamos voltando agora, domingo à noite. Foi adorável. Em todos os sentidos. Se tivéssemos planejado alguma coisa não teria sido tão bom. Apenas compramos as passagens e nos jogamos na cidade. Para não dizer que foi perfeito, não conseguimos entrar no Ufizzi. Sim, falta grave. Fiquei muito desapontada, queria mesmo ter entrado. Uma das coleções mais importantes do mundo, afinal. Mas foi a falta de planejamento, e a bobeada de não ter agendado horário pela internet com antecedência. Teríamos de ficar pelo menos duas horas em uma fila. Com um final de semana apenas para aproveitar Firenze, quem quer ficar em uma fila? Final de semana lindo. Sol forte e céu azul até às 20h. Com direito a Pôr do Sol alaranjado na Ponte Vecchio. Uma das cenas mais lindas dessa jornada, sem dúvidas. Firenze é como uma casinha de bonecas. Linda, irresistível e charmosa. Prédios e ruelinhas medievais, que fazem a gente se sentir em um cenário de algum filme. Beleza por todos os lados. Antes de ter escolhido Roma para o curso de italiano, pesquisei algumas escolas em Firenze também. Acabei escolhendo Roma, porque Roma é Roma e é muito difícil competir com isso. Mas passei os últimos três dias pensando se não seria uma boa idéia fazer uma faculdade de História da Arte por ali. Não me incomodaria em nada. Embora eu não tenha certeza se quero fazer outra faculdade ou estudar História da Arte. De qualquer forma, o que eu quero dizer é que, se isso é o que você quer para sua vida, não consigo imaginar um lugar melhor. Estudar História da Arte no berço da Renascência, pelas ruas que Micchelangelo e Botticelli gastaram as solas dos sapatos, beber garrafas de chianti e adentrar a noite com o perfume de costelas grelhadas, queijo pecorino, azeite trufado e cantuccini molhadas em vinho santo. Karin e eu nos acabamos nas lojas ultra charmosas, mesmo porque é muito charmoso fazer compras em Firenze. E nos consideramos as garotas mais sortudas do mundo porque conhecemos alguns ragazzi incríveis que foram nossos anfitriões por todo o final de semana. Nos levaram aos melhores restaurantes. Aqueles escondidinhos que os turistas não conhecem, e não custam os olhos da cara. Nos contaram curiosidades da cidade, nos ensinaram tradições toscanas e nos ajudaram a praticar muito italiano, aumentar o vocabulário e corrigir pronúncia. Então é isso mesmo que você está entendendo. Final de semana em Firenze com tudo o que a gente teve direito, refeições incríveis e a companhia de italianos mega charmosos. Sim, eles eram quase irresistíveis. Só digo quase porque resistimos. Batemos com as cabeças nos travesseiros chegando ao hotel, mas resistimos. Claro que eu sou uma mulher solteira. Sou livre e bem crescidinha. Isso é fato. Ainda. Mas estou tentando essa coisa nova de ter “perspectiva” na vida. Parte primordial disso é agir de acordo com o que se quer para si. Alguns anos atrás eu estava em uma mesa tomando uma cervejinha com uma querida amiga, que me contava que ia casar. Estávamos comemorando, e celebrando e muito felizes porque ela esperou bastante para encontrar o atual marido dela. Então chegou uma conhecida em comum, uma garota que tem um comportamento sexual bem agressivo em se tratando de homens. Nada contra, pelo contrário. Ela sempre me pareceu uma pessoa autêntica e coerente com suas atitudes. Admiro mulheres que têm a coragem de assumir uma vida sexual super ativa e plural, sem se importar com a opinião geral da sociedade. Mas é claro que esse estilo de vida não condiz com uma pessoa que quer casar, ter filhos, constituir família. Então essa garota soltou uma frase que me chocou muito mais do que as peripécias sexuais que eu estava acostumada a ouvir da boca dela: “Ah, eu também quero tanto casar! Ter filhos, uma casa, cachorro...” Peraí! Quer casar com qual dos??? Eu não pude evitar de comentar incrédula, “Nunca imaginei que você quisesse casar!”. Porque, pelo menos para mim, é incoerente que alguém que dorme cada noite com uma pessoa diferente e ainda faz questão de bradar aos quatro cantos do planeta sua intimidade, tenha intenção de construir um relacionamento nos moldes mais tradicionais. Não dá para encontrar estabilidade e comprometimento no meio de luxúria explícita (Sei lá! De repente até dá, mas é o último lugar que eu ia procurar...). Sem juízo de valores, entendam bem. Não gosto muito de limitar as coisas em bom ou mal. Existe apenas o que você quer, o que te faz bem, e o que você não quer. Mas é preciso ser coerente. O fato de a gente poder fazer algo, não significa que a gente tenha de fazer algo. Eu poderia ter beijado aquele italiano lindo e charmoso. Sim. Eu poderia. Mas eu não era obrigada a isso. Nós tomamos champagne, e jantamos, e eles nos levaram para andar pela cidade, e nos mostraram Firenze linda iluminada da Piazza Micchelangelo à noite, e ele falava em italiano comigo (que é uma língua muito romântica, confesso!), e se eu for parar para pensar não existe nada que me impeça de beijar um italiano lindo e charmoso às margens do Rio Arno em uma noite quente de primavera. Mas não é isso o que eu quero . Não é isso o que eu busco. Não quero um beijo perdido no meio da noite seguido de uma passagem de trem já comprada para sei lá onde. Houve uma época que isso era exatamente o que eu procurava. Hoje para mim, é só mais do mesmo. Não me acrescenta mais nada. Eu quero o velhinho que estará segurando minha mão na Terceira Idade. Quero alguém que faça planos comigo. A casa, os filhos e o tal do cachorro. E para chegar até lá eu já me dispus a dar uma chance para outra pessoa. Pode ser que não dê certo. Não tenho como saber sem antes viver, um dia de cada vez. Por mais que eu tenha de socar minha cabeça no travesseiro voltando para o hotel à noite. Estou aqui fazendo a maior força para ser coerente.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
IO HABLO LE ITALIANO!
Passou! Só um pouquinho, mas passou o bode de ontem. Normal rolar um bode de vez em quando. E estou super orgulhosa de mim mesma porque consegui canalizar toda aquela energia em pura produção. Trabalhei, li, escrevi, respondi emails, estudei. Faxina geral. Igual época de Ano Novo e a gente dá uma rapa no guarda-roupa. Mó orgulho! Eu resolvi virar uma “brava” estudante de italiano, e arrasar nas aulas. Joguei toda minha energia essa semana nisso. Comprei um livro de gramática. Me mato na escrivaninha do quarto todas as noites fazendo exercício, repetindo os textos em voz alta, copiando tudo no caderno. Eu nunca fui CDF, então na verdade nem sei como se estuda direito. Sempre tive a sorte de tirar notas boas só com o que lembrava das aulas. Mas eu estou tão decidida a sair daqui falando o máximo de italiano que eu for capaz, que às vezes tenho vontade de gravar um vídeo só para minha mãe ficar orgulhosa de mim. Daí eu fico toda pimpona, me sentindo a garota mais dedicada do mundo. Hoje cedo fui para a escola mais cedo, fazendo “filminho” na cabeça. No meu “filminho” minha nova professora chega na sala dos professores e diz para todo mundo ouvir “Nossa! Mas essa Adriana é uma aluna muito dedicada, é impressionante como ela evoluiu tão rápido e em tão pouco tempo. Vamos mudá-la de nivel novamente!”. E eu saio saltitante pela cidade tagarelando com o meu italiano fluente com todas as pessoas na rua. Só que a realidade é um pouco diferente, sempre é. Hoje depois da aula, eu esperando os elogios do meu cúmulo de dedicação, e vem a professora me dizer, “Olha Adriana, você está acompanhando bem o nível, ótimo, vamos continuar assim, mas... você precisa prestar atenção e parar de falar português.” Hein? Como assim? Eu crente que estou arrasando com o melhor do meu sotaque “novela-das-oito-do-Benedito-Rui-Barbosa” e ela vem me dizer que eu estou falando português? Ahhhh! Verdade. Dá tilt nessa cabecinha que já foi loira. Atualmente quando eu abro a boca sai uma salada de palavras em italiano, português, espanhol e francês. O italiano é a língua que eu acho que estou falando. O português é língua materna, e a semelhança às vezes é tão grande que chega a ser covardia. O francês porque já estudei por dois anos, e o Tico-e-Teco às vezes buscam automaticamente quando entram no modo “falar língua estrangeira latina”. Agora, me explica o que o espanhol está fazendo no meio disso, já que eu não sei falar espanhol e nem gosto da língua? Talvez porque todo brasileiro também nasça falando portunhol. Só pode ser. Verdade que não tenho muitas orportunidades de praticar. Na escola a gente se encontra, fala umas três frases de small talk em italiano, mas na hora de fofocar precisa de mais fluência, né? E ninguém está em um nível assim ainda, então tenho falado muito mais inglês do que italiano. A boa notícia é que eu compreendo. Enrrosco na hora de falar, mas estou compreendendo muito bem o italiano, e isso é uma grande conquista. No final acabo sempre me virando. Evandro (meu amigo padre que está em Roma há 10 anos) disse que ficou dois meses sem abrir a boca quando chegou aqui porque morria de vergonha. Disse que admirava minha cara-de-pau. Acho que isso é uma coisa para eu me orgulhar também. Outro dia eu estava no supermercado e queria comprar peru fatiado, mas não fazia a menor idéia de como era “peru” em italiano. Então eu fiquei fazendo mímica, pulando, batendo asas e fazendo “Glu-Glu-Glu” para o atendente, em frente ao frigorífico, até ele dizer “Ah! Tacchino!”. Pergunta se eu me esqueci dessa palavra de novo? Nunca mais! A professora podia ser mais cordial com os meus esforços. Estou até pagando mico em público por aqui! (Ok, Ok! Eu vivia pagando mico em público em São Paulo também...) De qualquer forma ainda tenho uma semana de curso. Vou continuar a fazer “filminho”, exercitar minha cara-de-pau. Deixar alguém orgulhoso, nem que seja eu mesma.
PINUP YOURSELF IN THREE LESSONS
Essa nova geração tem uma sorte danada. Quando eu era adolescente, para trocar dicas de cabelos e penteados, a gente precisava marcar na casa de alguém depois da escola, e os resultados eram algumas coisas bem duvidosas, que invariavelmente me davam vontade de chorar (como a vez em que eu resolvi cortar uma “franja falsa” com a tesoura da cozinha... tava na moda.). Hoje é tanta informação, tanta tecnologia, que é só dar um pulinho na web e pegar dicas passo a passo com a melhor amiga de alguém. A primeira foi “roubada” da Micaela que publicou no FB. As outras duas garimpadas em seguida. Fun!
quarta-feira, 2 de junho de 2010
AHHHH!!! AGORA TÁ EXPLICADO...
Tô tão mais tranquila! De saber que o Brasil vai ganhar a Copa. Tipo de coisa que tira um peso das costas da gente, né? O tal do curandeiro nigeriano passou dois dias olhando em um espelho e foi a essa revelação que ele chegou. Não é emocionante? O país dele não tem nenhum outro problema mais urgente precisando de resposta, né? E não existe nada mais importante acontecendo no Brasil esse ano para a TV UOL reproduzir isso, olha só! (Antes que alguém diga alguma coisa: Não! Não tem nada mais empolgante acontecendo na minha vida hoje para eu acabar postando isso. Tô cansada e entediada, já falei.)
Estou exausta. Completamente exaurida de energia. Vontade de dormir por uns dois anos. Arrumar minhas malas e voltar para casa. Até fui com as meninas assistir a parada de manhã. Feriado em Roma. Dia da República. Eu queria ver o Berlusconi! Acabei vendo só o presidente da Itália. Um cara com cabelo branco que eu nem sei o nome (Ok, eu poderia dar um google e parecer mais culta e informada aqui, mas não tô afim!). Muitos homens de uniforme pela rua. Meu Deus, Porque homens em uniformes são tão empolgantes para nós mulheres? Alguém sabe me explicar isso? Quando eu era adolescente a moda era contratar cadetes do exército para dançar nos bailes de debutantes. A gente ficava toda ouriçada. Hoje me senti com 14 anos. Cochichando com as amigas e trocando sorrisinhos com os homens de fardas. Ah, mas nem isso me animou de todo. Deu uma esfriada no final da tarde, e eu que tinha de estudar e trabalhar e correr atrás de aprender italiano porque estou gastando uma grana nesse curso, só tenho vontade de me enfiar embaixo do edredon e me anestesiar no sono. Nem todos os dias são 100%. Às vezes é assim, mas é legal também. Quero todas as emoções, viver intensamente todas as emoções. Tédio, cansaço, insatisfação, fazem parte do pacote. Por isso é legal também. Só preciso ficar atenta. Ser paciente também. Agora à pouco estava com vontade de deletar para sempre o arquivo de word do meu livro. Hoje estou achando tudo o que eu faço um lixo. É o tal do pacote. Vou estudar gramática de italiano, ouvir o OSHO no youtube, comer uma barra de Lindt pra ver se passa. Talvez eu devesse mesmo me enfiar embaixo do edredon. Dormir até que seja outro dia.
terça-feira, 1 de junho de 2010
SÈSSO I LA CITTÀ
Era uma vez… quatro garotas lindas, mas muito diferentes entre si. Uma noite elas colocaram suas melhores roupas, um certo tanto de maquiagem, e se encontraram em um endereço famoso de uma grande metrópole mundial para pegar um cineminha e estender a noite em um jantar e cocktails... Você teve a impressão de já ter ouvido essa história, hum? Só que a metrópole em questão é Roma, e as ragazze: Erna, Karin, Rachna e titia aqui. Colocamos as melhores roupas que tinhamos em nossas bagagens (o que nem quer dizer muita coisa, ok) e fomos saltitantes até a Piazza della Reppublica assistir ao segundo filme. Estar sem um parzinho que seja de saltos me fez falta, juro. Mas valeu a intenção, e nem me venham dizer que o inferno está cheio delas porque é mentira. Eu estava com medinho de ver o filme e ser uma porcaria. Vamos combinar que o primeiro não foi grande coisa assim. Mas vou ser completamente parcial (as usual!) e digo que esse é lindo sim, e tem amor. Amor de verdade. Coisa que eu não sentia no primeiro, e que muitas vezes faltava no seriado. Deixando todas as observações perfeccionistas de lado, e aceitando o filme como ele é, o publico já sabe mais ou menos o que vai encontrar. Carrie vai aparecer com alguns looks duvidosos, algumas coisas que a gente se pergunta “Quem foi que teve a idéia de colocar um ser humano vestido desse jeito pela rua?”. A experiência que elas tiveram no deserto foi way different da minha. A cena de Lisa Minnelli cantando e dançando “Single Ladies” da Beyonce é impagável e faz o cinema inteiro gritar e aplaudir. Os homens e os “peitorais” ao longo do filme também fizeram o cinema vir abaixo em suspiros empolgadíssimos (Karin até imitava um cachorrinho! Hilário!!!) Sarah Jessica Parker está muito magra. Demais. Mesmo mesmo. Está feio até. Às vezes fica apavorante de ver na tela. Aliás, tirando Kristin Davis, todas magras demais para a idade que possuem. Uma pena. Para aguçar só um pouquinho, Aidan aparece (AAAHHHH! Alguém me explica como é que Carrie deixou Aidan escapar, não entendo até agora!!!) E as situações que elas se metem são glamurosas em um tom completamente irreal, dá aquela aura de conto de fadas contemporâneo que, na minha opinião, é o grande segredo do sucesso da franquia. Todas as mulheres do mundo estão colocando suas melhores roupas e indo ao cinema com as amigas para ver esse filme, e isso é uma coisa que só mulher entende. Eu já falei várias vezes aqui em como eu acredito que o amor é uma força poderosa e transformadora. Na verdade o filme, como toda a série, é a história de quatro mulheres procurando amor. Cada uma ao seu modo, com a sua verdade. Mas é amor. Tem uma pessoa linda e que eu amo (que aliás encontrou o amor do jeitinho que procurava e está vivendo uma história perfeita, do jeito que ela merece), me ensinou que perspectiva é tudo. Saber o que se deseja é essencial. A gente busca o amor, a gente trabalha o amor na nossa vida. E o que recebemos é exatamente aquilo que pedimos. Exatamente. Sem mais, nem menos. Quando falo de amor, não falo apenas do amor de homem e mulher. Esse a gente também busca. É quase o Santo Graal! A gente procura amor, romance, às vezes só alguém para dormir de conchinha. Eu procuro uma grande história de amor. Que supere todas as fronteiras, que redefina minha existência. Aquele tipo de amor de deixar a perna bamba, de fazer tudo na vida fazer sentido. Amor besta, bobo mesmo. De dar frio na barriga só porque ele disse “Saudades!”. Mas também busco o amor que gera vida. O amor incondicional, humano e fraterno, que nos torna espelho de todos os outros. Amor que faz nossa vida absoluta, completa. Aquele que me dá a certeza de que nada de mal pode me acontecer, e que serei sempre amada, protegida e acompanhada. Essa é a força da vida. Ela que pratico todos os dias. Não é uma coisa fácil, visto que na maior parte das vezes eu tenho vontade de matar algumas pessoas. Mas é algo que se cria hábito. Como todas as demais coisas vitais na vida. Higiene emocional. Escolho amar, confiar e respeitar, antes de qualquer outra coisa. E o que eu ganho são noites como essa. Uma taça de prosseco rosè em Monti e as conversas mais profundas sobre exatamente esses assuntos. Sempre que converso com meus amigos do Brasil, me perguntam “Muitos italianos? Tem saído com os italianos?”. Mas a minha experiência romana tem sido totalmente mulherzinha. Tem sido sobre mulheres, amizade, e como todas elas, de tantos países diferentes, estão todas comigo em uma coisa: “Eu procuro amor.”. É importante ter perspectiva. Porque o amor também nos trás pessoas como Erna, Rachna e Karin. Completamente diferentes entre si. Cada uma procurando amor ao seu modo. Como eu estou longe de casa, sentindo falta da voz e dos abraços das minhas pessoas queridas, são elas que me abraçaram no final da noite de hoje, agradeceram por tudo e me garantem “Você vai encontrar, tenho certeza!”. Também tenho certeza de que cada uma delas vai encontrar amor. Mesmo porque, sem saber, já estão me dando tanto do que procuro.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
TRÊS LOJINHAS PARA AMAR EM ROMA
NORA P
Essa é das minhas favoritas. Erna que me levou lá. Fica em Monti, o bairro mais charmoso desse città! Nora P é uma lojinha cheia de móveis e coisinhas delícias de decoração super criativas. Dessas que a gente fica babando e tem vontade de comprar uns três apartamentos só para poder decorar com tudo o que dá vontade de ter. Além do jogo de copos de metal, e dos potinhos de argila para fazer máscara facial, amei muito uma estante retrô toda customizada, com decalques japoneses. Coisa de derreter o coração mesmo. Os móveis são todos exclusivos, feitos por designers italianos e materiais reciclados. Vai ser charmoso assim lá longe, viu!
220/221 Panisperna
00184 Roma
+39 06 45473738
http://www.nora-p.com/
IL PAPIRO
Essa eu descobri logo nas minhas primeiras andanças por Roma. E já que a pessoa escreve e é meio maníaca por papelaria, tive quase orgasmos nessa loja. “Il Papiro” tem duas unidades. As duas ali nos arredores do Pantheon. Papéis mais do que especiais, cadernos artesanais, bloquinhos de notas, caixinhas cartões, e o mais “meu-deus-eu-vou –surtar” de todos: canetas tinteiros, penas e aqueles selos de metal para marcar cera que eu só tinha visto em filme. Acho o cúmulo do luxo! Já comprei um com desenho de gatinho para mim. Pena que não dá para comprar a loja inteira.
Salita de´ Crescenzi, 28 (Pantheon)
00186 Roma
Via del Pantheon, 50
00186 Roma
+39 06 6795597
http://www.ilpapirofirenze.it/
BARTOLUCCI
Gente! É a oficina do Gepetto!!! Eu quase surtei quando achei essa loja no centro histórico. Sabe aquela avalanche de memórias de infância, de assistir o desenho da Disney e do som da voz da minha mãe lendo o livro para minhas irmãs e para mim. Impossível não estampar um sorrisão no rosto. A loja se orgulha de só fazer mimos em madeira. E são realmente elegantérrimos. Muito bem acabados, super perfeitos. Bonecos do Pinnocchio para todos os lados. De chaveirinho até grandão. Comprei um de presente de aniversário para o delícia do meu sobrinho. Mais legal ainda que a loja tem filiais espalhadas pela Itália inteira. Me like it!
BARTOLUCCI
Via dei Pastini, 98
http://www.bartolucci.com/
Essa é das minhas favoritas. Erna que me levou lá. Fica em Monti, o bairro mais charmoso desse città! Nora P é uma lojinha cheia de móveis e coisinhas delícias de decoração super criativas. Dessas que a gente fica babando e tem vontade de comprar uns três apartamentos só para poder decorar com tudo o que dá vontade de ter. Além do jogo de copos de metal, e dos potinhos de argila para fazer máscara facial, amei muito uma estante retrô toda customizada, com decalques japoneses. Coisa de derreter o coração mesmo. Os móveis são todos exclusivos, feitos por designers italianos e materiais reciclados. Vai ser charmoso assim lá longe, viu!
220/221 Panisperna
00184 Roma
+39 06 45473738
http://www.nora-p.com/
IL PAPIRO
Essa eu descobri logo nas minhas primeiras andanças por Roma. E já que a pessoa escreve e é meio maníaca por papelaria, tive quase orgasmos nessa loja. “Il Papiro” tem duas unidades. As duas ali nos arredores do Pantheon. Papéis mais do que especiais, cadernos artesanais, bloquinhos de notas, caixinhas cartões, e o mais “meu-deus-eu-vou –surtar” de todos: canetas tinteiros, penas e aqueles selos de metal para marcar cera que eu só tinha visto em filme. Acho o cúmulo do luxo! Já comprei um com desenho de gatinho para mim. Pena que não dá para comprar a loja inteira.
Salita de´ Crescenzi, 28 (Pantheon)
00186 Roma
Via del Pantheon, 50
00186 Roma
+39 06 6795597
http://www.ilpapirofirenze.it/
BARTOLUCCI
Gente! É a oficina do Gepetto!!! Eu quase surtei quando achei essa loja no centro histórico. Sabe aquela avalanche de memórias de infância, de assistir o desenho da Disney e do som da voz da minha mãe lendo o livro para minhas irmãs e para mim. Impossível não estampar um sorrisão no rosto. A loja se orgulha de só fazer mimos em madeira. E são realmente elegantérrimos. Muito bem acabados, super perfeitos. Bonecos do Pinnocchio para todos os lados. De chaveirinho até grandão. Comprei um de presente de aniversário para o delícia do meu sobrinho. Mais legal ainda que a loja tem filiais espalhadas pela Itália inteira. Me like it!
BARTOLUCCI
Via dei Pastini, 98
http://www.bartolucci.com/
domingo, 30 de maio de 2010
ROMAN HOLIDAY
Eu amo todos, de todos os filmes da Audrey Hepburn. Isso não é novidade nenhuma. Aqui em Roma fica difícil não lembrar o tempo todo de um dos meus favoritos deles. “Roman Holiday”, que no Brasil tem o título de “A Princesa e o Plebeu” e perdeu todo o charme dessa cidade. Audrey é a princesa que não aguenta mais os sapatos apertando os dedos do pé, em um ato de rebeldia foge anônima por Roma, anda para todos os lados, se empanturra de sorvete, super corta o cabelo, se acaba dirigindo uma vespa e se apaixona por Gregory Peck (que era um papparazzi disfarçado, mas também se apaixona por ela e se arrepende, como as coisas devem ser) Você anda pelas lojinhas e tem cartazes do filme espalhados por todos os lados. A sorveteria em que os dois tomam gellatti fica atrás do Panteão e é lotada dia e noite. Eu tenho me segurado para também não sentar em algum salão de beleza e cortar curtinho meu cabelo. No melhor estilo “mudei total”. Mas se o cabelo não tem se provado uma boa idéia no momento, soltar a franga pela cidade e se jogar na vida me parece uma idéia totalmente válida. Foi exatamente o que eu fiz nesse final de semana. No sábado, eu e Erna abraçamos Roma de corpo e alma. Erna é a holandesa da minha sala. Linda, alta e magra com porte de modelão. Divertida, totalmente destrambelhada e tagarela como eu; e nós duas morremos de rir, e falamos alto, e nos empolgamos com qualquer coisa e estamos completamente apaixonadas uma pela outra. Nossas frases de ordem todos os dias são “La vita é bella” e “L´amore!!!!!!!!!” (assim mesmo, seguido de milhões de pontos de exclamação). Então no sábado nós nos encontramos para andar sem destino pela cidade e tirar fotos. Eu só estou usando uma câmera digital basicona mesmo. A Sony mais barata que achei no Free Shop de Cumbica. Erna tem uma Canon EOS poderosa. E ela é muito melhor fotógrafa do que eu. Mas mesmo assim nós compartilhamos o mesmo gosto por tirar fotos de cotidiano, e de estranhos na rua em poses espontâneas, e de detalhes de casas e bobeirinhas que só a gente acha graça. Parávamos em alguma piazza e ficávamos um tempão nos contorcendo para tentar pegar algum ângulo legal. Depois andávamos mais, entrávamos em lojas, tomávamos sorvete, puxávamos papo do nada em italiano com as pessoas e fazíamos amigos. Fizemos isso por tudo quanto é lado de Monti, ficamos fazendo hora pela feira de Campo di Fiori e fomos andando até Trastevere. Em Trastevere (que eu prefiro muito mais durante o dia do que à noite) sentamos em um terraço super charmoso, com flores penduradas na parede perfumando nossa mesa. Comemos bruscchettas e enxugamos uma garrafa de vinho rosè. Nessa altura (e já realmente deveras “altas” as duas) fomos encontrar Rachna e Roberto (um amigo italiano de Erna) em um restaurante maravilhoso perto da Piazza del Popolo. Lá foi mais uma garrafa de prosseco, prosciutto crudo com melão, lulas grelhadas e limoncello de sobremesa. Juro que estava morrendo de sono, mas Erna usou o melhor dos argumentos para me convencer a tomar mais um drink em um bar ao lado do Palazzo di Adriano: “Hoje é Sábado e você está em Roma. La vita é bella!”. A gente não discute com determinados argumentos. Eu fui, e fui acordar hoje cedo com uma baita dor de cabeça. Mas como hoje foi domingo em Roma, e fez um dia lindo lá fora, com Sol, céu azul, pássarinhos cantando na janela. Eu tomei uma Neosaldina e fui encontrar a fofa denovo. Dessa vez fomos eu, ela, Karin e Francesca (Karin é um suíça adorável e linda, e Francesca é nossa mascote. Tem 17 anos só, a coitada! Mas ela é super madura, e a gente finge que ela tem 22.), alugamos bicicletas e nos jogamos pela città. Pedalando sem pressa, como quem tem todo o tempo do mundo mesmo. Acho que pedalar por essa cidade é uma coisa que todas as pessoas deviam fazer pelo menos uma vez na vida. Deixar se perder, sentir a respiração balançar com os pneus tremendo pelo calçamento das ruas. Eu gostava tanto de andar de bicicleta quando eu era pequena. Carol e eu nos enfiávamos pelas estradinhas da fábrica a tarde inteira. Todas minhas lembranças de férias de infância incluem uma bicicleta. Eu só resgatei esse prazer no ano passado, quando comprei me arrisquei um pouco por São Paulo. Em Dublin eles têm esse sistema de bicicletas públicas que é super comum aqui pela Europa. Vários pontos espalhados na cidade em que os cidadãos cadastrados podem pegar e deixar as bicicletas de uso coletivo. Bem saudável e ecológico. Eu não pedalei por lá porque estava aquele frio danado e chovia o tempo todo. Em Sevilla passei um domingo lindo pedalando com a Paulinha e com o David. Tipo de experiência que te faz realmente aproveitar o dia e a cidade. Hoje pedalando com as meninas, pensei em como eu deveria incluir mais bicicletas nos meus dias e nas minhas viagens. Pedalar sempre me traz a sensação de que as coisas são simples e inteiras. Nós quatro ainda fechamos o dia fazendo um picnic ao lado do lago na Villa Borghese. Nada de vinho hoje. Morangos, uvas, muitos queijos e salame. Final de tarde com o Sol se escondendo entre as folhas das árvores. A grama pinicando nossas coxas. Pés imundos, mas feliz pra burro. Tomando banho depois em casa, olhava a água suja escorrendo pelo ralo. Quando eu era criança sempre tinha água suja escorrendo pelo ralo. Fiz um chá. Voltei para o computador para trabalhar. Eu estou tendo a sorte de estar em Roma, de tirar os sapatos apertados e me perder por esse desbunde de cidade. Mas acho que dá para um “Roman Holiday” em qualquer lugar. Se jogar na vida sem compromisso, sem pretensão. Só se jogar. Tirar férias de todas as poses, de todas as expectativas sociais. Deixar que o tempo passe sem planejar cada minuto o que se espera dele. Encher um final de semana inteiro com coisas simples que realmente te dão prazer. Fazer todas aquelas coisas que a gente fazia quando era criança. Acho importante lembrar de tempos em tempos que tipo de pessoa você era quando era criança. Não é à toa que temos lembraças tão boas de nossas infâncias.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Adivinha onde eu estou? Isso aí! Não saí de Roma. Fiquei e vou ficar, enquanto der para ficar. Como o tempo virou (É legal saber que isso não acontece só em São Paulo. Tempo virar bem na sexta-feira...), talvez algumas das coisas que eu queria fazer no final de semana não funcionem bem com a chuva e os dias cinzas. Mas daí eu uso os dias para colocar em ordem o trabalho, que está totalmente negligenciado. Hoje Jackeline foi embora para Suíça. Uma fofa querida! Ontem voltando do cinema, ela e eu vimos a movimentação de luzes e tapete vermelho da Pré-estréia de “Sex and the City 2” que estava rolando na Piazza della Republica. Ficamos as duas pulando dentro do ônibus. Hoje, na última aula, ela me trouxe de presente um hidratante com protetor solar suíço que ela usa. Deixa a pele toda brilhante, um luxo. A gente fez uma bagunça, e tiramos várias fotos, e na hora de se despedir (Deus! Tô ficando uma manteiga derretida com essa coisa de se despedir!) fiquei toda emocionada e com os olhos cheios de lágrimas. Só disse para ela uma coisa: “A Senhora! Trate de ser feliz, ok!?”. Ando tão bundona. Tão chorando por qualquer coisa. Meio “Zeca Baleiro”, sabe? Chorei na hora do almoço enquanto a Rashna me contava do presente de casamento super fofo e criativo que ela teve idéia de dar para o melhor amigo dela (que eu amei e vou roubar. Primeira que casar, ganha!). Chorei também de ficar imaginando a barriga da MH. Chorei tentando arrumar meu cabelo hoje cedo, e quando descobri que consigo sacar dinheiro no caixa eletrônico com o meu cartão do banco do Brasil (e não vou mais precisar do Visa Travel). Chorei vendo duas senhorinhas escolhendo sorvete quarta-feira à tarde, relendo um email da minha sobrinha (isso é covardia, eu sei!), e no filme de ontem à noite. Mas esse era filme de chorar mesmo. Eu não entendia nada, mas chorei mesmo assim. Nenhuma das vezes foi uma emoção de dor ou sofrimento não. Foi tudo muito bom. Chorar de quando é intenso. De quando a gente está feliz pra caramba e as coisas são perfeitas demais. (Tirando a parte do cabelo, que foi choro de desespero mesmo). Chorar porque a felicidade é tanta que transborda um pouquinho. Escorre nas lágrimas que a gente tenta disfarçar. Por isso que eu digo que estou bundona. Ah, o que se há de fazer? Agora, além de superlativa, sou bundona. Pensar que eu já fui um poço de cinismo e mal-humor... Tão bom se permitir mudar. Fazer tudo ao contrário, no extremo oposto. Comprei um modem portátil para ter internet aqui, só que ele me libera só 5 horas de navegação por dia. Com os emails, trabalho, post do blog, pesquisa de locais, horários de trens e hostels (da continuação da jornada), “reuniões” por skype, farmville e as conversas perdidadas com um ou outro quando dá, acabo sempre ficando sem créditos. No meio de um trabalho, puf! Cortam a conexão. Daí só no dia seguinte. Por causa disso eu ando sentindo uma falta danada de falar com alguns amigos, de botar o papo em dia com algumas pessoas. Porque tem sido muito difícil dar atenção “homem-à-homem”. Me sinto em débito. Então, bem bundona e com os olhos meio vazando de felicidade, eu mando um recadinho bem pontual para cada uma dessas pessoas que eu gostaria muito de poder estar tagarelando com mais tempo e carinho (MH, Y, minha irmãzinha Carol, a prima Kika, a outra Kika, também a Keka, o Dri, Paulinha, Cí, Sel, Fê, Lulu e Pedrón, meu amor de alma Kallel, a Ju, o tratante do Dinho, a Van...). “Vocês, Senhores! Tratem de serem muito felizes, ok!?”. Por aqui eu estou sendo.
TRILHA SONORA DO DIA
E quem me apresentou "The Lucksmiths" foi o Ozzie. (Também responsável por me apresentar Kings of Convenience, que foi minha trilha favorita de "dia-lindo-vou-passear-pelo-bairro" do ano passado.)
Delícia ficar ouvindo pelo IPod nas caminhadas por Roma. Vinha fazendo uns dias super verão por aqui. Até esfreguei na cara de Y ontem pelo skype o quanto incrível estava sendo ir para escola de manhã, usando shorts e havaianas. Claaaro que hoje o tempo fechou e está uma garôa com cara de casa lá fora. Para eu aprender a largar a mão de ser arrogante. Mesmo assim é Roma, né? E eu ando toda faceira pelas calçadas, trocando sorrisos com os "ragazzos" que jogam elogios quando você passa, ouvindo a musiquinha ai de cima... Primavera em Roma, minha gente! Não pode ser melhor!!!
quinta-feira, 27 de maio de 2010
PIANO!
Adivinha só? Estou apaixonada! Completamente, irrestritivamente apaixonada. Por Roma! É tudo sobre beleza, e vida. Me sinto tão viva que tenho medo de sair daqui e nunca mais respirar. Amanhã vou para Nápoles. Passar o final de semana, tentar otimizar meu tempo na Itália. Mas preciso ficar me convencendo de hora em hora que é a melhor coisa a se fazer, porque minha vontade mesmo é otimizar Roma no meu tempo. Ou talvez eu devesse simplesmente desistir de Nápoles e ficar por aqui fazendo exatamente isso. Hummm... Escrevendo isso agora, parece a melhor opção. Uma coisa que estava me incomodando muito com o ritmo da viagem é que, embora eu adore estar em trânsito e conhecer um monte de lugares e pessoas, eu sentia sempre falta de me aprofundar. Tudo acabava virando números, alguns contatos de facebook e pronto. Ficava tudo na superfície. E eu ia embora com a sensação de não ter sentido de verdade, não ter vivido de verdade. Sempre com a sensação de “um dia eu volto com tempo”. Fazendo agora uma semana de Roma é que eu começo a sentir melhor a cidade. Criar vínculos com as pessoas, trocar confidências, conhecer histórias. Cada dia mais quero as coisas inteiras. Quero ir até o osso, me afogar até perder o fôlego. Coisas intensas precisam de tempo. E talvez eu devesse me dar mais tempo para as coisas. Meu grupo de italiano é só de mulheres. Entre 30 e 45 anos. Três suíças, uma alemã, uma neo-zelandesa, uma holandesa, uma coreana e uma inglesa. Fiquei muito grata de não ter caído em um grupo cheio de adolescentes cantando Lady Gaga (tenho uma preguiça muito grande de adolescentes!!!). E nós estamos todas nos dando muito bem, realmente temos um laço de boa vontade e amizade em comum. Todas as aulas damos muitas risadas, e contamos histórias de amor e descemos todas para almoçar juntas. Muitas vezes não entendemos o que cada uma quer dizer em sua própria versão de Italiano Tarzan (e depois do horário de aulas, reina o inglês absoluto!!!), mas é uma delícia ir descobrindo e se comunicando além da língua, da cultura, da bagagem de cada uma. Combinamos coisinhas divertidas para fazer à noite também. Hoje vamos todas nos arriscar a assistir um filme italiano no cinema, com direito a pipoca e M&Ms. Ontem rolei de rir em um clube de salsa. Uma das meninas andou fazendo umas aulas de salsa por aí e queria colocar em prática. Fomos todas dar apoio moral e beber mojitos (Mojiiiiiitosssss!!!). Sinto falta das conversas “mulherzinhas” com minhas amigas. Teclar no msn é bem menos eficiente do que sentar em um restaurante, enxugar uma garrafa de vinho, e ouvir de uma amiga que ela também rói as unhas e fica angustiada checando a caixa de emails à cada meia hora. Talvez eu devesse desistir de seguir meus planos tão à risca e aproveitar novas portas que a vida está colocando a minha frente. Respirar. Ir com calma. Eu quero sempre tudo, ao mesmo tempo, agora. E acabo sempre com a sensação de que não tenho nada. Talvez eu devesse pegar uma única coisa e ir até o fundo, mesmo que eu perca milhões de outras na troca. Estou fazendo 3 meses de estrada. Três meses, uma saudade danada, uma verdadeira maratona. Mas se eu quero chegar até o fim (e como ainda tem muito mais caminho para percorrer do que o percorrido), o ritmo precisa mudar. Como diz Francesca, minha professora de italiano: “Piano, Piano, Piano!”
terça-feira, 25 de maio de 2010
O DIA QUE EU DESISTI DE VER RUÍNAS
Como parte do plano, ficar em Roma era uma tentativa de criar um pouco de rotina e colocar em ordem a bagunça toda que estou carregando até agora. Lavei o tênis, levei o casaco na lavanderia. As aulas começaram ontem. E à tarde fui explorar Roma conforme programado. Começando pela parte antiga (porque Roma tem a parte antiga que data dos 2000 anos, e a parte “moderna” que data do século XVIII.........). Fui ao Coliseu, tirei muitas fotos para os meus sobrinhos lindos. Então fui ao Foro Romano, as ruínas todas dos mercados. E ruínas. Mais ruínas. Umas pedras milenares jogadas no chão e cercadas por grades também. E ruínas. Hoje minha programação era, aula mais uma vez e mais ruínas à tarde. Queria ir à Appia Antica ver as catacumbas, e mais ruínas. Pego meu mapinha do Roma Pass, meu ticket do metro e vou cantarolando. Desço na estação e... não faço a mínima idéia de para que lado ir. Pergunto ao taxista com meu italiano Tarzan (Me Tarzan, You Jane!), e ele me responde em inglês. Humpf! “Straight down this street, after the park.”. Então eu desço a rua e entro no parque. Só que não é um parque, parque. É bem uma parte “rural” de Roma. Um monte de mato, com trilhas. Pessoas correndo e andando de bicicleta. Eu achei o clima super astral e resolvi sair andando pelas trilhas para achar o outro lado do parque. Afinal, não podia ser um parque tão grande. Depois de alguns minutos caminhando, resolvo perguntar para um “signore” onde ficava a Àppia Antica. “Ahhhh! É muito longe, garota! Uns 4-5Km por essa direção”. Hummm! Estou inspirada, vamos andar. Mega Sol, mas vambora! E o parque é totalmente bucólico, vou confessar que foi uma surpresa e eu já nem fazia questão de chegar tão rápido às catacumbas. Campos que se estendiam ao lado da trilha, passaros carregando galhos para seus ninhos (Primavera em Roma, né!). Vira e mexe eu me assutava com o barulho de algum esquilinho. Comecei a me sentir a própria Branca de Neve, perdida na floresta, fugindo da madrasta malvada e conversando com os animais. Depois de um bom tempo de caminhada começou a me fazer muito bem estar no meio daquele mato todo. Às vezes passava por alguma casinha. Pareciam chácaras. Tinham criação de ovelhas, e o barulho da água caindo de alguma fonte. Em alguns pontos a trilha se fechava um pouco, com árvores não muito altas. Então eu noto que as árvore são amoreiras, e estão apinhadas das maiores e mais pretas amoras que eu já vi na vida. Olha que eu cresci subindo em amoreira quando criança. Pegávamos um saco cheio de frutas para fazer vitamina. Obviamente as amoras mais baixas foram todas colhidas, então eu subo na árvore e me empanturro de amoras super doces. E pego um punhado para ir comendo no caminho. Fico com as mãos e a boca todas tingidas de roxo. A trilha começa a entrar em um campo mais aberto, onde flores silvestres rastejam por todo lado dando uma sensação de um tapete colorido que me dá vontade de sair correndo, saltitando e cantando “The Sound of Music”. Conforme eu vou passando, uma revoada de passarinhos vai levantando do meio do campo. Tudo é tão cinematográfico e bonito, e me faz sentir viva. Tenho realmente a sensação iminente de vida, e penso que estou nessa jornada para dias exatamente como esses. Para descobrir a grandeza dessas coisas simples. Meus joelhos tremeram quando eu virei a esquina e vi o Coliseu no fundo da rua. Realmente tremeram. Tipo de coisa difícil de processar, pelo tamanho, pela importância. Mas meu tipo de viagem, ainda é muito mais saltitar por um campo florido comendo amoras. Completamente deserto. Perdida para variar. Sem saber como sair ou como voltar. São esses os dias que me salvam. Que me fazem ter certeza de que tudo está valendo a pena. A solidão, a saudades doída de casa. A falta de conforto. A dor de carregar tanta bagagem nos ombros, e os kilos que se esvaem. Vou lembrar dos meus joelhos tremerem em frente ao Coliseu, à Sagrada Família, à cúpula de St. Pauls. Mas são dias como esse que vão fazer da minha jornada inesquecível. Eu fico saltitando pelo campo. Feliz que quase explodo. Pensando em como eu sou uma pessoa passional, sim! E eu sou irresponsável com os meus sentimentos, eu me jogo, faço tudo no máximo. Não sei ser cautelosa, ou comedida. Eu sinto tudo à décima potência. E amo, odeio. Surto, angustio. Sofro, dou risada. E é assim, o que eu posso fazer? Só páro quando vejo sangue. Eu gosto de ser assim. É quem eu sou. Imperfeita. Complicada. Hipervalente. Estou completamente em êxtase com a aceitação de todos meus defeitos, e com o gosto da amora, e com as margaridas que fico fazendo “Bem me quer”, até que a trilha termina... em uma auto-estrada. Uma grande e barulhenta auto-estrada. Eu andei por mais de uma hora naquele parque. Mudei de trilha, me perdi. Não há a menor chance de voltar. Engraçado encontrar seu caminho terminando em uma auto-estrada... Eu não sou o tipo de mulher de voltar. Então boto meus pézinhos no asfalto e sigo pela auto-estrada até encontrar um ponto de ônibus. E como nenhum ônibus aparece, sigo pela auto-estrada até ela parar em uma avenida mais urbana. Lá sim encontro outro ponto de ônibus. Só que o ônibus que eu pego não passa nunca em uma estação de metrô, e eu só descubro que estou no sentido contrário quando ele pára no ponto final. Fui até o ponto final. O motorista vira para mim e diz “Não se preocupe. Daqui 5 minutos, eu volto pelo mesmo caminho.” Eu não sou mulher de voltar, mas me deu um certo alívio em saber que chegando ao ponto final podemos sempre voltar pelo mesmo caminho. Sempre vou encontrar o caminho de casa. Só para registro: nunca vi as catacumbas, nem cheguei à Àppia Antica. O “Roma Pass” vai acabar virando um investimento perdido. De ruínas, já chegam as minhas.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
DIA DO TOURO
Eu não tenho muito tempo para ficar fuçando na net. Mas tenho amigos e leitores maravilhosos que me avisaram dessas cena e me sugeriram uma continuação do post "Saindo das Monumentais Plazas de Toros". Isso foi lá em Ventas, onde eu estive. Fiquei muito feliz pelo touro. E ainda estou desejando a morte do toureiro. (eu busco a iluminação, mas às vezes desejo a morte das pessoas sim! humpf!) Talvez os tempos estejam mesmo mudando. Novos tempos em que toureiros vão acabar com a língua furada. Me like it!
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