sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

CUBA VAI LANÇAR UM FOGUETE...


Já falei aqui que uma das minhas ressoluções de ano novo foi virar uma “mulher de Chico”, dessas que só dizem sim. Estou dizendo “sim” para qualquer proposta que me façam, e está sendo muito divertido. Além de me dispensar dos questionamentos típicos da pessoa controladora que eu sou, dizer “sim” tem um quê de libertador. Diga “sim”, Adriana, e está decidido. Outra resolução de ano novo foi o de realizar alguns sonhos. Ano passado eu viajei pra caramba. Foram 7 países diferentes, sendo que 4 deles eram inéditos. Além dessas, 3 viagens nacionais. De todas essas viagens, só Fernando de Noronha estava na minha lista de lugares top para conhecer. Não que eu não quisesse conhecer os outros lugares, mas todo mundo tem aqueles lugares de sonho. Aquela experiência que a gente jura que vai fazer antes de morrer. Então se eu estou colocando tanta energia em colecionar figurinhas no passaporte, porque não começar exatamente por aqueles lugares que sempre sonhei em conhecer!? Esse vai ser o ano de realizar esses sonhos. Estão na lista Macchu Picchu, Chapada Diamantina e a Ásia. Toda a Ásia. Tailândia, Indonésia, Vietnam, Cambodja... Sinto frio na barriga só de pensar em Ásia. Sinto uma atração muito forte pelo oriente. Existe algo na minha alma que mora lá. Mas a Ásia é uma viagem mais elaborada. Algo que precisa de planejamento, tempo e, se tudo der certo, vai coroar esse ano. Enquanto isso tem um feriadinho começando amanhã. Não dá para passar 36 horas em um vôo para conhecer o Laos, mas dá para realizar um outro sonho antes que não dê mais tempo: conhecer Cuba. Pois é. Passagem comprada, visto emitido. Embarco amanhã cedinho para uma semana longe da folia, mas conhecendo de perto a Cuba de Fidel. A Cuba de Pedro Juan Gutierrez. A Cuba do Mamute Siberiano. Dessa vez não vou de mochila. Lalau e eu vamos juntas, com um desses pacotes que tem tudo o que a gente precisa. Resort all inclusive em Varadero, hotel 5 estrelas em Havana. Ganhamos até uma necessaire bacanuda da agência de viagens. Não vai ser daquelas aventuras que estou acostumada escrever aqui. Sem os imprevistos de carregar 15Kg de mochila e descobrir o caminho para sair do aeroporto. Vou com uma mala de verdade, dessas que tem rodinhas, para conseguir carregar o equipamento de mergulho. Sim. Há planos de mergulhar em Varadero. E tirar alguns milhares de fotos em Havana. Pegar o Malecon com a luz do fim de tarde. Ouvir bolero. Assistir as negras enrolando charutos em suas coxas fortes. Tomar mojitos no bar do Hemingway. - Aliás, dúvida: é muito clichê ler Hemingway viajando para Cuba!? - Amanhã cedinho embarco para realizar o primeiro sonho de 2013. Prometo contar tudo em postagens diárias, como sempre faço quando estou viajando. Podem aguardar. Nesse carnaval vamos ver Cuba lançar!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

50 TONS DE GANGNAM STYLE

De tempos em tempos temos uma epidemia musical. Aquele tipo de música que todo mundo aprende a dançar, define gerações, e que depois de anos vamos rir de lembrar a coreografia com os amigos. Não há dúvida de que "Gangnam Style" é a música da nossa época. A "Macarena" pós-fim do mundo. Uma síntese do que é o nosso tempo. A música é uma sátira aos playboys sul coreanos. Pega muito mal ser playboy hoje. Foi-se o tempo da ostentação, da diferença social óbvia. A tendência é cada vez mais colocar o pé no chão. O luxo está tendo que se reinventar, porque virou motivo de piada. Além disso, Psy não é um produto estadunidense, como foi a dominação cultural do século passado. Ele é produto de uma globalização que quebra os estereótipos entre ocidente e oriente. Ele é sexy, quebrando todas as referências óbvias de sexualidade, e é cool porque a novidade é que o mundo hoje nos chega mais aberto, mais cheio de informações, referências. E também porque o mundo hoje cabe em uma url, a gente pode desmembrar, reinventar, clonar, repaginar, reinventar. Essa semana fiquei fascinada encontrando versões do sucesso pop. Que maravilha é isso, não!? Viver em uma época em que podemos ver tantos desdobramentos de um tema, sem tirar os nossos pijamas, do sofá de casa. Aquilo que poderia ser um pastiche de uma cultura cada vez mais plástica, mais medíocre, digna dos piores programas de auditório do mundo todo; renasce com humor, criatividade e nos ajuda a lembrar que nossos julgamentos são sempre carregados de preconceitos. O humor e a beleza vem de olhar uma mesma coisa por ângulos diferentes. Então aqui, minha seleção de Gangnam Style, em tons diferentes. 

Essa é uma das minhas favoritas: O dissidente chinês Ai Weiwei fazendo uma paródia-protesto dançando a coreografia dos cavalinhos. 




Outra que caí de amores essa semana. Versão cover acústica por Jayesslee. Linda!
 




Versão bossa nova.




No violão.




O grupo Wonderful Pistachios no meio de New Orleans.




Várias universidades fizeram flash mobs. É só procurar na rede. Essa é na Cornell.




E o viral irresistível da semana. A gente entende a pequena Amaya. É um mundo tão louco, a melhor coisa é acordar e se chacoalhar. ;-)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Eu nunca abro os stats do blog. Hoje resolvi dar uma olhada e é legal porque dá pra ver tudo sobre o visitante. De onde é, que tipo de sistema operacional usa, como chegou no site, quanto tempo ficou lendo as postagens. Tem um monte de gente de Portugal que anda lendo esse blog. Legal essa coisa da língua ser a mesma e a gente poder se entender e se ler. 
Daí vou descendo o relatório de acessos e começo a ver uma, duas, três... algumas entradas dos EUA. Palo Alto. E o sistema operacional era "facebook"... Mark! Você tá lendo meu blog!!! \o/

sábado, 2 de fevereiro de 2013

OS INSTINTOS "MULHERZINHA" PARA TRABALHOS MANUAIS



Eu costumo dizer que dentro de mim mora uma Stepford Wife - referência às esposas robôs dos anos 50 no livro de Ira Lewin. Eu queria ter uma cozinha grande, com uma bancada de granito para espalhar massa de pão. Chegar de tarde e fazer um bolo formigueiro, deixar o aroma invadir a casa e passar um café fresquinho para acompanhar. A vida deveria ter bolo caseiro todos os dias. Acordei hoje com uma vontade danada de assar um bolo. A última vez que fiz isso foi um desastre. Consegui fazer a massa explodir, grudou no meu cabelo, no chão. Dois meses depois eu e a Jô ainda encontrávamos vestígios da tentativa em partes do armário. E olha que era de caixinha! Algum tempo atrás resolvi fazer cupcakes. Comprei a forma, um livro de receitas da Martha Stewart. Fiz até a lista de compras. Nunca passou disso. Tenho várias desculpas. A cozinha é pequena, não achei açúcar de confeiteiro. Verdade que nem procurei, mas não estava lá, na prateleira do Pão de Açúcar. Então não achei. Verdade também que a cozinha é pequena. Bem pequena. E eu não tenho uma bancada de granito para espalhar os ingredientes em potinhos e brincar de Ana Maria Braga. Quem nunca brincou de Ana Maria Braga!? Preparar todos os ingredientes bonitinhos em potinhos, e ir seguindo a receita como quem dá aula de culinária na TV!? Às vezes acho que deveria fazer mais coisas manuais. Decorar vasos de flores, pintar coisinhas de decoração para colocar na casa. Fazer potpourri. Arrumar um álbum de fotografias. Ser mais caprichosa. Talvez seja coisa de menina isso, né!? Quem sabe o dia que eu comprar o apartamento. Quem sabe quando abrir a cozinha e reformar a sala eu coloque uma bancada. Uma mini-bancada. Então eu fecho o segundo quarto, faço uma estante só de apetrechos. Com fitas, laços, lantejoulas, cola quente. Faça uma estante para os meus gatos colecionáveis. E um catálogo para os meus CDs. Quem sabe! Por enquanto a única coisa manual que eu faço é escrever. Sai bonitinho. Não é o tipo de coisa que se vê de relance, batendo o olho. Mas se a pessoa para e senta para ler, acha bonitinho. Quem sabe eu não faça aquele bolo com café para acompanhar!? Quem sabe!?

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O MOMENTO PERFEITO


Hoje eu não queria levantar. Não estava em um dia perfeita. Estava sonhando com pessoas que me deixam intrigada e curiosa, e tinha dormido pouco. Fiquei fumando e tomando vinho até tarde com a Keka no Skype. Meu olho estava inchado, parecendo que tinha areia, da alergia à gata. O dia escuro e cinza, e eu só pensava se eu poderia ir à reunião na editora de tarde usando um moleton. Então eu desci, troquei amenidades com a empregada. Tomei café com leite, a manteiga estava dura na geladeira. Não dava para passar no pão. Fiz um ovo quente que esqueci no fogo e virou ovo cozido. Abri o computador, sentei no sofá. Olhei os emails, respondi perguntas. Assisti ao jornal na TV, mais sobre a tragédia do incêndio e sobre a mulher que esquartejou o marido. Contei para a Jô, minha empregada, sobre o meu próprio incêndio. Depois levantei, briguei com a gata. Abri uma caixa de cápsulas de Nespresso. Enviei emails. Corrigi alguns erros. Fiquei triste por ter errado. Sentei para escrever. Parei no meio. Achei que estava ruim. Fiz um chá. Aqueci o mel para ele descristalizar. Tirei a gata de cima da alface que estava de molho. Voltei a escrever. A empregada ligou o aspirador de pó. Briguei com a gata novamente. Coloquei de castigo na varanda. Desliguei o telefone. Escrevi. Liberei a gata do castigo. Tirei a gata novamente de cima da alface. Voltei a gata para o castigo. Subi para buscar um livro. Voltei a escrever. Tomei chá. Subi para buscar o dicionário analógico. Acabei com uma caixinha de lenços. Tomei um Allegra. Bufei por não achar uma palavra. Reli o texto. Achei ruim. Escrevi XXX no lugar da palavra que eu não encontrava. Me distraí lendo termos no dicionário. Chequei a grafia de “abdômen”. Escrevi. Escrevi. O chá esfriou. Escrevi. Li o texto em voz alta. Li outra vez. Fechei a janela que fazia corrente de ar. Encontrei a palavra. Substituí o XXX. Li o texto mais uma vez. Acho que ficou ok. Soltei a gata do castigo. Pinguei colírio. Me despedi da Jô. Desisti de ir ao ballet para continuar escrevendo. Abri outra caixa de lenço. Reli o texto. Salvei em doc. Enviei. Esquentei mais chá. Sentei. Então, pela primeira vez hoje parei. Meu computador aberto, o chá ao meu lado. A gata dormindo (finalmente quieta) no meu colo. A casa em silêncio. Os passarinhos cantando na árvore do vizinho. E é isso. O momento perfeito. Eu, no meu dia de não me sentir perfeita, vivendo o momento perfeito. O momento do dia pelo qual eu não sucumbi no edredon de manhã. Aquele momento pelo qual nos levantamos. A sensação de terminar um texto, sentar com uma xícara de chá e a gata no colo. Olhar o computador e abrir mais uma folha em branco. Felicidade para mim são várias folhas em branco. Escrevi.

domingo, 27 de janeiro de 2013

AMOUR

Eu nunca tive medo de envelhecer... Até assistir a esse filme. Agora tenho medo de envelhecer, e tenho medo de envelhecer sozinha. A nossa imagem de amor acaba sempre sendo associada a juventude. A vida inteira pela frente. Mas como é depois que a vida inteira está atrás? É preciso um amor sem tamanho, absoluto, onipresente, para nos preservar da nossa própria condição humana. Amor esse que talvez nossas mães tivessem, caso estivessem vivas quando chegamos nesse ponto. Amor incondicional. Capaz de amar sempre e mais, quando vivemos o lado B da vida. É bonita a vida. É linda. Mas você há de querer chegar ao final dela, esgotá-la assim. Com alguém que te ame assim. 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

DIÁLOGOS COM Y

No WhatsApp:

Eu - Sonhei que eu estava casando...

Y - Ahhh! Tem uns sonhos que dão uma sensação tão boa, né!?

Eu - Só que eu estava casando com um cara que eu sei que é gay. Eu não tinha a mínima intimidade com ele. Meu vestido estava inacabado e era horrível. Depois da cerimônia, meu cabelo despencava, e eu ficava sozinha. Não tinha ninguém comigo. Nenhuma amiga. Nem o noivo. Você não ficou lá me ajudando. 

Y - Ai, fudeu!


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O MELHOR MACARRON DO MUNDO


Sabe que eu comecei uma nova fase nesse ano. Virei uma “mulher de Chico”. Quando digo isso espero que você imagine aqueles olhos azuis e a voz aveludada cantando “Folhetim”:

“Se acaso me quiseres,
Sou dessas mulheres
Que só dizem "sim!",
Por uma coisa à toa,
Uma noitada boa,
Um cinema, um botequim.”



Daqui algumas linhas você vai desejar muito um desses...

Em síntese, essa nova fase consiste em dizer “sim” para qualquer convite, proposta, sugestão que me façam. É uma tentativa de resgatar minha vida social, já que 2012 foi de silêncio e ostracismo. Então no sábado eu disse “sim” para o convite da Isa de correr no parque, emendar com almoço vegetariano, exposição no White Cube e café para fechar a tarde. Como eu amo cafeterias, eu disse “sim” também para conhecer uma cafeteria nova na Vila Nova Conceição. Não é bem uma cafeteria, mas uma “boulangerie” - ou seja, uma padaria chic. Dos bairros caretas de São Paulo, a Vila Nova Conceição é o que eu tenho mais simpatia. É do lado do parque, cheio de ruazinhas charmosas e muito arborizado. O Marie Madeleine nem fica na rua mais charmosa da Vila Nova Conceição, mas ainda assim a gente esquece que a Santo Amaro fica logo ali do lado assim que entra e encara o balcão de doces. Tão lindos, que eu concordaria em colocar dentro de caixinhas azuis e dar de presente. De cara me senti na Le Fauchon, com aqueles doces que a gente nem sabe por onde começar a morder. Mas não é segredo que eu sou bem conservadora e tradicional, então fui direto nos macarrons. Todo mundo sabe que, da mesma forma que sabemos se alguém cozinha bem pelo arroz com feijão, identificamos uma boa pâtisserie pelo seu macarron. Os sabores já me intrigaram. Nada do quarteto habitual das padarias brasileiras chocolate-café-pistache-morango. Depois de me debater nas opções escolhi três: amêndoas com recheio de nutella, champagne e violeta (sim, a flor). Comecei com o de violeta e... incrível! Casquinha crocante, que se desmanchou perfeitamente assim que coloquei na boca. Foi derretendo, enquanto um aroma de flores inundava meu paladar. Um sonho. Depois o de nutella, que surpreendentemente não era doce em excesso, e repetiu a combinação perfeita de textura. Então o de champagne... É público e notório os meus sentimentos por champagne. Aquele macarron era simplesmente Di-vi-no! Tão suave e delicado, assim como um primeiro gole de Veuve Clicquot no final de uma tarde alaranjada de outono. É. Eu fico poética com comidas. A equipe também é de primeira. Um atendimento tão gentil e atencioso, que a gente se sente habitué depois de 5 minutos. Além dos doces, o croissant, a baguette, até o pão de queijo é divino. Aquele tipo de comida que te faz gemer a cada mordida. Toda essa expertise sensorial não é frescura minha. Depois descobri que os chefs do Madeleine foram treinados pelos ninjas do Lenôtre, e o lugar ainda oferece cursos de culinária, boulângerie e pâtisserie sempre que esses chefs vêem ao Brasil para fazer reciclagem da equipe e atualização do cardápio. Não sei quanto tempo vou continuar nessa fase “mulher de Chico”, só sei que, até agora, as experiências que dizer “sim” têm me proporcionado, vêm surpreendendo meus sentidos. Todos. 


Marie Madeleine
Av. Afonso Bráz, 511 - Vila Nova Conceição
Tel - 2387.0019

http://marie-madeleine.com.br

sábado, 12 de janeiro de 2013

CONSULTA NA DERMATOLOGISTA

Eu - Doutora, eu ando com muita celulite...
Dra. - Hum!
Eu - ... Não que eu não tivesse antes, eu sempre tive celulite. Mas é que está demais. Não era desse jeito. Sabe? Não reconheço mais minhas pernas. 
Dra. - Você engordou, Adriana?
Eu - Então, engordei. 10Kg desde que voltei para o Brasil. 
Dra. - E você está namorando?
Eu - Não. Tirei um ano sabático de homens. 
Dra. - Sei... Adriana, arruma um namorado! Vai fazer sexo, que emagrece e acaba com a celulite. 
Eu - ....

Recomendações médicas, minha gente! Recomendações médicas...

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A SENSAÇÃO LIBERTADORA DE ACEITAR AS COISAS COMO ELAS SÃO


Christina Hendricks - nenhuma Miss Universo.

Eu queria ter o corpo da Gisele Budchen. Não é clichê não. Queria mesmo. Queria também a conta bancária dela, mas eu até que estou feliz com a minha. Também estou feliz com o meu corpo. É o que temos para hoje, fazer o quê!? Acho que todo mundo tem aquele desejo secreto (ou não tão secreto) de espelhar alguma insatisfação em outra pessoa. A gente queria ter o cabelo da atriz, o corpo da atleta, a inteligência da intelectual, o sucesso da celebridade, a grana da milionária. Como se a solução de todos os problemas do mundo estivessem nessas coisinhas. Nos detalhes que achamos imperfeitos. Só porque em algum momento alguém colocou um padrão e estabeleceu o que era ideal e o que não era. A gente começa a sentir necessidade de coisas que nem sabíamos que precisávamos. No final do ano passado eu tava assistindo ao Miss Universo (é público e notório que amo programas trash de TV) e acompanhando pela minha timeline do twitter. Então alguém retweetou um comentário qualquer em inglês: “Não sei porque fazer um concurso de Miss Universo depois de Christina Hendricks”. Eu sorri. Para quem não conhece, Christina Hendricks é a Joan de Mad Men (minha atual série favorita). Ela é uma bombshell, linda, voluptuosa. Uma unanimidade dentro e fora da trama. A única coisa curiosa é que Christina Hendricks é gorda. Dentro dos atuais padrões de “beleza”, ela é o que chamam de “plus size”. Sempre gostei dela. Gosto da sua interpretação bem discreta e do tom de ruivo do cabelo. Então fui pesquisar e descobri que, com 1,71m e 70Kg, embora seja considerada “melhor do que uma Miss Universo”, Christina Hendricks vive se debatendo com a mídia por causa de suas medidas. E sofreu durante o começo de sua carreira por não atender aos padrões de abdomen negativo exibido pelas Misses no concurso. Não é muito engraçado!? As mulheres que estavam se candidatando a serem as mulheres mais bonitas do universo exibem formas tão artificiais e plásticas que geravam comentários de pena e repulsa, enquanto aquela que era endeusada como uma “Miss universo óbvia”, sofre em sua intimidade porque não tem aquelas formas. Continuando a pesquisar descobri que Mariska Hargitay (a detetive Benson de L&O SVU e filha de Jayne Mainsfield) tem 64Kg. Descobri ainda que Marilyn Monroe tinha praticamente minha altura (1m66 - eu 1m68) e sofria com o efeito sanfona exatamente na mesma abrangência de peso em que eu vivo me debatendo (53-64Kg). Agora pensa aqui comigo, se é para se projetar em alguma imagem de atriz ou celebridade, porque eu queria ter o corpo da Gisele Bundchen, se eu tenho o corpo da Marilyn Monroe, a mulher mais bonita e sexy que já existiu!? Jeniffer Lopes pesa 65Kg e tem 1m64. Kate Winslet pesa 63Kg e tem minha altura, também as mesmas medidas de Marilyn. Não é mais fácil aceitar a coisa do jeito que é!? Aceitar que as pessoas são belas e especiais por serem como são!? É tão libertador aceitar as coisas como são e descobrir a beleza disso. Aceitar que seus amigos são daquele jeito, que nosso nível de genialidade é aquele mesmo. Aceitar que a cidade tem trânsito, e as pessoas não seguem muito bem as regras de civilidade. Aceitar que seus pais vão te enlouquecer de vez em quando, e a empregada nem sempre vai lavar a louça direito. Aceitar que tem dias que o texto não sai muito bem, e a gente fuma um cigarro porque deu vontade. Aceitar que nesse mundo nada é perfeito, e é exatamente na “imperfeição” que ele fica maravilhosa, intrigante, interessante, surpreendente. Brigar para colocar as coisas na idealização de uma expectativa de “perfeição” é inútil, é doloroso. Só traz sofrimento. A gente vive decepcionado. Vive reclamando que a cidade é ruim, que as pessoas são mal educadas, que os amigos pisam na bola. Para quê!? Eles são o que são. E também existe beleza nisso. Às vezes a gente precisa parar de perseguir o corpo da Gisele Bundchen, e aceitar que se tem o da Marilyn Monroe. Vamos todos concordar? A realidade é muito melhor!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

NUTELLA NOS OLHOS DOS OUTROS É REFRESCO




Chega aquele dia em que você resolve jogar a toalha. Descer do salto. Abrir mão de todo seu orgulho. E admitir que precisamos de ajuda. No meu caso vou ser muito sincera. Acordei de um transe semana passada. Engatei um ano de reflexões pessoais, com um vício maldito em um jogo estúpido online. Coisa de quem é gordo, infeliz e não tem mais nada para fazer. Verdade que eu não sou infeliz, e tenho muita coisa para fazer, mas viciei no jogo. Então você vai pensar: Ahá! Tá gorda... Não é que eu esteja gorda (afinal, quem me conhece sabe que isso nunca vai acontecer), mas existe comprovação científica das consequências físicas de Nutella combinada a horas bundando jogando besteira no IPad. Depois de exaustivas pesquisas com mulheres entre 18 e 45 anos, das mais diversas classes sociais, que foram submetidas ao hábito da inércia somado ao consumo de Nutella de colherinha concluiu-se: 80% delas culpam a TPM, mesmo não estando em TPM. 10% culparam os próprios sobrinhos. 5% culparam o cachorro. 3% desenvolveram bulimia, e apenas 2% não sentiram nenhuma diferença por se tratarem de mulheres alienígenas com alto metabolismo e que não engordam com cremes de avelã. De qualquer forma o resultado da pesquisa foi contundente: Nutella faz com que suas formas fiquem mais roliças do que o desejado. Sim! Estou roliça. Pessoalmente acredito em uma conspiração malévola da empresa fabricante de Nutella para alterar as formas das minhas nádegas. Tudo bem que não precisava ficar aquela coisa esquálida de quando eu voltei da Guatemala, mas é de conhecimento público que coxas do tamanho das de assistentes de palco dos programas de auditórios só ficam bonitas em filmes de chanchada ou gosto duvidoso (Dúvida: Ainda fazem chanchadas?). Pode ser um baita preconceito meu (e quem não tem nenhunzinho preconceito, que atire a primeira pedra), só sei que a coisa não está legal. Sábado à noite fui parada por um bêbado na rua para elogiar minhas formas, caminhões de feira adoram buzinar quando estou andando na calçada (mesmo que eu esteja vestindo tailleur e com cara de brava), e ontem um morador de rua não sossegou enquanto não amarrou um balão de gás no meu pulso. De presente. Nutella deixa nossas curvas mais populares. Faz a gente cair no gosto do povo. Ganhar assobio na frente da obra, e ouvir na calçada do Trianon um cantado “Ô lá em casa!”. O que me levou a conclusão de que é uma grande injustiça da mídia nacional ao apelidar de frutas as mulheres roliças que tanto fazem nossos homens salivarem. Mulher melancia, mulher maçã, mulher jabuticaba. Meus senhores! Nenhuma dessas mulheres comeu melão ou banana com aveia para alcançar aquelas curvas. Vamos falar a verdade: estou virando a Mulher Nutella. Daquelas mulheres que passam bem longe da Vogue e se encaixam melhor em folhinhas de borracharia. Deus do céu! Como minhas ambições passam longe da exposição do corpinho em cadeia nacional, e eu sempre fui muito mais Audrey Hepburn do que Marilyn Monroe, tá na hora de assumir o problema, parar com a negação e procurar ajuda. Ah, principalmente: Jogar a Nutella fora! Portanto amiguinhos, vale tudo. Convite para corrida de rua. Indicação de nutricionista. Parceria para passeio de bike. Programa de trekking em montanha. Escalada em parede de alpinismo. Mergulho no final de semana. Dupla pra jogo de tênis. Companhia para massagem modeladora. Endereço de spa. Convite para jantar folhas e, principalmente, não me deixar voltar a fumar. Podem até dizer que eu estou bonita e estou bem e que "para-de-besteira-adriana-você-está-ótima, mas no fundo, quem passa o dia inteiro nesse corpo sou eu. E sou eu quem precisa se sentir bem. 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

LEITULA DA VIDA


Sr. Hiroji e a desesperadora situação das linhas da minha mão. 

Esses dias hospedei o querido Dudu aqui em casa. O Dudu é uma dessas pessoas super agregadoras, super coração, que eu herdei de um outro amigo que fiz na vida. Eu adoro herdar amigos de amigos. Vira turma, cria história. Então, Dudu passou uma semana em SP e veio acampar aqui no sofá, já que eu não tenho ainda um quarto de hóspedes. Eu adoro ser anfitriã de São Paulo. Amo tanto essa cidade e adoro levar as pessoas para verem o que eu vejo nela. Em uma dessas, lá fomos nós almoçar na Liberdade no meu restaurante japonês favorito. Um trânsito chato de sábado, paramos o carro alguns quarteirões antes e subimos à pé até o Sushi Yassu olhando lojinhas e amando as calçadas. Foi quando eu vi um senhorzinho sentado em uma mesa de metal, na porta de uma galeria, com uma placa escrito “Leitula da vida”. Sim. Assim. Igual ao Cebolinha. Quer coisa mais adorável!? Como é que a gente pode resistir. Tirei R$20 do bolso, sentei na cadeira e estiquei minhas mãos. Houve um tempo em que eu fui mais crente, em que eu precisava acreditar na segurança de que as coisas estavam por vir. Já fui em cartomantes, tarólogas. Fazia até mapa astral todos os anos. Hoje acredito que essas visões são um pouco simplistas perto das possibilidades da vida. Mas ainda vejo com ternura um senhorzinho imigrante, sentado com um caderninho no colo, esticando uma lupa sobre a palma da minha mão. Tenho certeza que ele crê que aquilo pode ajudar as pessoas. E fico feliz de saber que algumas pessoas encontrem naquilo algum alento. Sr. Hiroji esticou minhas mãos e logo de cara me perguntou: “Você namorado com 34 anos?”. Respondi que sim. Que eu estava namorando quando tinha 34 anos. “Agora, não mais namorado.” Respondi novamente que sim. “Aquele namorado era casamento. Você não casou. Pedeu.” Cuma!??? “Perdeu. Cabô.” Que velhinho sacana! Como assim? Perdeu playboy? É isso? “Agora não casar mais.” Hein!? “Você, boca muito grande. Falar muito.” Quem te contou!? “Falar muito. Homem procurar mulher mais carinhosa.” Tá de sacanagem! “Você, fechar boca.”  E só para encerrar a “leitula”, ainda repetiu: “Cabô. Perdeu.” Pois é! Não se fazem mais videntes como antigamente. Foi-se o tempo em que todos viam que eu seria famosa, casar com uma cara rico e viajar para o exterior. Hoje a coisa é mais PCC: Perdeu, playboy! Claro, que rimos muito disso. Ainda mais porque em seguida o velhinho disse que eu teria 3 filhos. Mas, tirando a brincadeira toda, fiquei pensando muito nessas fórmulas e ideais todos. É como o médico da academia que me sugeriu congelar os óvulos (vide Um, dois, três indiozinhos...). Nessa carência gigante que nos faz buscar respostas nas linhas das mãos ou em cartas jogadas sobre panos indianos. Como se houvesse uma fórmula para ser feliz. Como se o segredo fosse esse mesmo. “Mulher fala muito. Falei pouco e encontrará o amor.” Então eu vejo hordas de meninas desesperadas, se espremendo em ideais que se auto-impõe, simplesmente porque querem ser aceitas. Vão minguando por dentro, assassinando o que possuem de mais lindo e precioso, para se sentirem dignas das projeções inventadas de futuro. Como é que pode haver felicidade se você mata o que faz de você, você? Como é que pode haver amor, se o que te move são os padrões de uma sociedade que você nem sabe se correspondem às suas vontades? Eu sou uma romântica. Sou mesmo, incorrigível. Eu acredito naquele amor absoluto. Poderoso. Naquele amor que abala estruturas e faz o ar faltar. Acredito no amor que faz com que duas pessoas façam sentido na vida. No amor “não-sei-como-vivia-sem-você-antes”. E exatamente por acreditar nisso que não acredito na “sorte” das previsões. Geralmente, as pessoas que conheço e seguem previsões de cartomantes, são mulheres tão inseguras e desesperadas que são capazes de fazer qualquer coisa para se enquadrarem àquela expectativa de felicidade. Inclusive serem infelizes. Se prendem em relacionamentos fracassados. Pior. Geralmente são mulheres que se sentem tão indignas de um grande amor que tratam o parceiro como se ele lhes estivesse fazendo um favor. Tornam-se submissas, ignoram suas vontades. Vivem uma imagem de felicidade fina, tal qual casca de ovo. Acabam solitárias, em seus ideias de vida perfeita. Eu sei que eu sou uma pessoa intensa. O velhinho tem razão, eu falo muito. Geralmente ofusco. Sou para iniciados. Mas se eu for acreditar que isso faz de mim um fracasso... Se eu for acreditar que minha autenticidade destruiu as únicas possibilidades de amor, isso seria negar o próprio amor. Porque eu acredito que a melhor coisa que se pode oferecer a outro é nós mesmos. Inteiros. Sem edição. E se alguém se “assusta”, é porque não era para ser. Não era seu amor. Não era sua alma gêmea. Na verdade, editar-se para outro é desonesto. Você o priva de te ter por completo. Portanto, com toda ternura que o Sr. Hiroji me despertou - e tenho certeza, ele só queria meu bem - não acredito que acabou, que todas minhas possibilidades de amor se foram. Não posso ser menos, nem mais do que sou. E, se o próximo moço não aguentar... Perdeu. Cabô. ;-)

domingo, 30 de setembro de 2012

NÃO SEI SE ADOTO, OU SE COMPRO UM NAMORADO


Vamos falar a verdade. Não é clichê não. Dez entre dez solteiros que moram sozinhos têm em seu maior pesadelo morrer sozinho e ser encontrado dias depois semi-comido pelos cachorros. Ninguém está falando da lógica racional de que eu nem cachorro tenho. E caso algo assim aconteça eu espero que a Holly não coma metade do meu rosto e confio fielmente na Jô em chamar ajuda quando chegar para trabalhar na segunda de manhã. A única diferença é a espécie animal e o tempo que vão demorar para encontrar o corpo. O medo continua o mesmo. No geral eu gosto da solidão. Busquei isso na minha vida. Gosto do silêncio, da rotina. De fazer as coisas que eu gosto sem negociar. Sem depender de ninguém. Mas existem os momentos que a gente sente falta de ter alguém por perto. Na hora da pizza sábado à noite. No frio embaixo do edredon. Naquele dia que foi estressante e dá vontade de abrir uma cerveja e conversar com alguém. Verdade que existem amigos para isso. Os meus faz tempo que não estão disponíveis. Ainda assim, amigo tem uma obrigação mais social. Inclui um programa, um compromisso. Telefonemas e combinações. Por mais íntimos que sejam, não correspondem à necessidade que a gente sente às vezes de estar junto. Tô falando daquela coisa família. Daquela companhia incondicional, que está ali porque vive ali. E da qual fazemos tanto parte da vida, quanto eles das nossas. Hoje cedo tinha planejado um domingão bem solitário. Tava um dia lindo de Sol, eu ia fazer um café gostoso em casa, ler o jornal e ouvir Rachmaninov. Depois pegar a bike e pedalar até o Ibirapuera. Adoro assistir às pessoas no Ibirapuera. Tomar água de côco. Voltar para casa, escrever. À tarde eu ia ao retiro no Centro Kadampa e, dependendo do pique no final do dia, assistir Cosmópolis porque todo mundo andou falando desse filme. Só que logo no “café da manhã gostoso”, fiz uma tapioca, capuccino na Nespresso, esquentei um ovo e... não é que ele explodiu no meu rosto. Quente. Fervendo. Bem na hora que eu colocava a cara em cima dele, pronta para jogar sal e comer. Foi uma explosão e tanto. Holly desapareceu de susto embaixo do sofá pelo resto do dia. Eu olhava em volta, a cozinha coberta de casca e ovo por todos os lado, e meu olho doía muito. Pensei: “Ceguei”. À lá Saramago. Mas não. Dramática. Corri para lavar o rosto e quando olhei no espelho lá estava, meu olho esquerdo todo queimado e vermelho. Então foi nessa hora, nesse momento, que eu me dei conta: Preciso arrumar um namorado! Porque essa é a típica situação em que você precisa correr para um hospital. Você vai largar a cozinha coberta de ovo, trocar de roupa apenas e correr para um pronto socorro (ou para a fila de transplante de córneas). Hoje de manhã senti muita falta de ter alguém que segure a minha mão. Que me diga que eu não vou precisar usar um tapa-olho, e nem vou precisar de cirurgia plástica. E que também eu não vou ficar com o rosto manchado para o resto da vida. É lógico que eu sei que nada disso iria acontecer. A dor era suportável e eu conseguia enxergar meu rosto no espelho, mas não existe nada mais solitário do que dar entrada no pronto socorro em um domingo de manhã. Começa assim, você vai para o pronto socorro sozinha, e quando menos se dá conta não tem ninguém no seu enterro e a única pessoa que chora é a carpideira do plano da funerária. A situação é preocupante, minha gente. Não é tanto pelos momentos que a gente vive, mas a solidão que existe no momento em que se morre. Ninguém deveria morrer sozinho.  Não deveria, mas a gente sabe que vai. No meu caso, como não estava morrendo nem com cachorros devorando meu corpo, resolvi ligar para o K porque ele sempre me salva. Acabei com o domingo dele. Dirigiu até o hospital, me disse que eu não ia precisar de um tapa-olho e nem ficar com o rosto deformado. Depois de eu ganhar uma pomada e um encaminhamento para um oftalmologista, voltamos para casa. K, que tem mais fobia de relacionamentos do que eu, me confessou que não gostaria de morar sozinho. Se não fosse a mãe moraria com um amigo, mas não moraria sozinho. Falei que tenho sentido vontade de adotar uma criança. Ou de arrumar um namorado (embora em alguns casos isso seja praticamente a mesma coisa). K me disse que achava mais fácil adotar uma criança do que morar com alguém. Não sei. Cada um sabe onde o sapato aperta. Talvez eu esteja amadurecendo. Deixando de lado um pouco essa ideia de autonomia absoluta. Talvez eu resolva baixar a guarda, assumir que eu preciso das pessoas. Deixar me envolver em um relacionamento outra vez. Ou eu sempre posso transformar a gata em vegetariana e ensiná-la a discar 190 para pedir ajuda. 

terça-feira, 25 de setembro de 2012




Corridinha depois de meses sem participar de uma. Na minha camiseta estava escrito “Eu corro por mais AMOR”. Haviam camisetas com Solidariedade, Amizade, Paz, Igualdade, Respeito. O minha caiu justamente a “mais AMOR”. O amor me persegue. Acho bom, porque eu também persigo ele. Então eu larguei, percurso de 7K delícia, saindo do Parque das Bicicletas até o Shopping Eldorado. Eu ainda mal ganhando a República do Líbano, no primeiro kilometro e... TIBUM! Sem água. Pisei em falso em um desses olhos de gato da rua e me estabaquei no chão de asfalto. Senti a palma da mão ralada. Uma dor excruciante no tornozelo esquerdo. Parei, tirei o tênis. O pessoal do apoio chegou de bicicleta. Passei gelol, alonguei. Acho que dá para continuar. Se inchar eu paro. Continuei. Me senti guerreira. O corpo já estava quente, então foi fácil não sentir muita dor. Manquei em alguns trechos, andei em outros. No último kilometro a coisa pesou. O andar leve claudicante deu lugar para uma dessas cenas que a gente vê em final de maratona nas Olimpíadas. Cruzei a linha de chegada arrastando a perna, fazendo caretas e imaginando “Carruagens de Fogo” na minha cabeça. Tantan tantanrantãããã! Me sentindo o próprio exemplo da força e da perseverança do esporte. A própria Gabriela Andersen-Schiess. Preparando meu discurso para o Fantástcio. Mas ninguém me deu bola. Sai da linha de chegada e fui direto para o posto médico. Ganhei um saquinho de gelo e um aviso de castigo. Conforme o tornozelo esfriava, as lágrimas desciam pelo meu rosto. Dói, mas não inchou. Cheguei em casa, fiz mais gelo. Enfaixei, tomei antiinflamatório. A dor passou. Pensei que estava tudo bem. Pensei que dava para ver o timão jogar tomando cerveja no Filial, e ir para o aniversário de 10 anos do Bar da Dida, e falar um monte, dar risada, andar para lá e para cá. Até fiz sala para o ex-namorado que resolveu passar férias no Brasil (isso porque estamos os dois muito bem resolvidos, obrigada!). Então, ontem de manhã, o tornozelo parecia uma bola de baseball. Ou melhor, de tênis. Não tenho nenhuma familiaridade com bolas de baseball. Cancelei compromissos, botei o pé para cima. Assustei. Não é que eu sinta dor mais, só que os movimentos estão limitados e parece que sempre vou puxar de mais alguma coisa. Suspeitei que não poderia fazer ballet essa semana. Suspeitei que não poderia correr. Fui hoje ao médico. Ganhei elogio pela corrida. Ganhei puxão de orelha por não ter parado e por não ter ficado quietinha. Tiramos uma “chapa”. Boas notícias. Lesão nível 1. O médico vira e diz: “quatro semanas de repouso”. Respiro fundo, puxo a bombinha de asma, e respondo:


- Ok, doutor. Só quero te pedir umas coisinhas: Vamos diminuir esse tempo aí. Eu nunca quebrei um osso na vida, meu corpo se recupera logo.
- Você é o que chamamos de péssima cliente! Hummm... Ok. Duas semanas. Mas em repouso.
- Repouso é o quê?
- Nada de ficar correndo 7K por aí. Tornozeleira de neoprene durante o dia. Pode tirar para dormir.
- Ok. Outra coisa. Um atestado para eu levar na academia.
- Certo.
- E, por fim. Posso fazer bicicleta?
- Na academia?
- Do prédio, em casa. Não tem atrito, não força a articulação.
- Hummm.... Ok, um pouco. E vou liberar membros superiores.
- Yes!
- Estou até me sentindo mal. Você tão atleta e eu sou totalmente sedentário. 


Amém! Alguém reconhecendo meu esforço. Para alguma coisa havia de servir cruzar parecendo o Smeagol a linha de chegada.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

FUCKING SPECIAL

Hoje a música Creep do Radiohead faz 20 anos. Uau! 20 anos. É um pouco assustador pensar que eu já me conhecia por gente e já era neurastênica 20 anos atrás. Eu tenho uma relação de muita completude com essa música. Pensa só: eu tinha 16 anos. Gostava de um garoto que não me dava bola. Sonhava em escrever cinema. Detestava meu cabelo. Usava camisas de flanela xadrez bem grandonas que cobriam meu corpo até legalzinho, de quem jogava handbol e praticava natação. E tudo o que eu queria era me sentir especial. Daí vem esse cara, cantando com vozinha rouca no microfone, que também gostaria de se sentir espeical, mas que ele é um estranho, um esquisito e que não se sente parte daqui. Bum! Tudo fez sentido. Eu não era a única. Até hoje quando ouço essa música parece que alguém escreveu lendo bem pertinho o que falava meu coração. É verdade também que se sentir estranho e esquisito era uma epidemia quando eu tinha 16 anos, (e definiu todo o movimento grunge, do qual tenho muito orgulho de ser filha e testemunha). Ok, eu sei que todo adolescente se sente estranho e esquisito, é o imperativo. Só que Creep foi escrita uma única vez e somente há 20 anos atrás. Desde então não vi outras coisas calando fundo como essa música. Estou bem longe de ser crítica musical, então não é o caso de dissertar sobre a qualidade musical ou técnica do Radiohead. Só sei que, ainda hoje, quando ouço essa música, minha alma assenta. 20 anos depois eu ainda sinto que não faço parte, e começo a desconfiar de que todos meus contemporâneos acabaram encontrando um caminho para "a perfect body, a perfect soul". Pior, começo a desconfiar de que, talvez, eu nunca vá ouvir essa música como uma balada apenas. Ela vai sempre me descrever... Ainda bem!

Aqui vai uma seleção minha das diferentes vezes que essa música espremeu meu coração.

O clipe oficial com o Thom Yorke merecendo um colo.





Essa é a fofa cena de "And they lived happily ever after" com Johnny Depp e Charlotte Gainsbourg, (os creepies mais descolados do cinema).




Uma animação linda feita com a versão acústica da música.




Maravilhosa em coro, com os suécos do Vega Choir. (Está na trilha sonora de "The Social Network").




E essa é minha favorita: o mendigo Mustard, que ficou famoso cantando Creep nas ruas do Village. (Irônico, não!?) Gosto de pensar que, tanto eu (uma pseudo-perua paulistana) quanto ele podemos nos sentir da mesma forma com uma música. :-)




terça-feira, 28 de agosto de 2012

Birth...

Falei que não ia mais reclamar da vida, então não vou falar sobre o meu aniversário.
A única coisa que importa é que agora eu tenho 36 anos. 

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

PRECISO muito disso!



1001 maneiras diferentes de cozinhar melanzane


Acho que viajei mais nesses últimos 3 anos do que na minha vida inteira. É legal sim. É um puta privilégio. Um pouco cansativo também. Na minha última viagem eu ficava me perguntando como consegui ficar aquele tempo todo na mochila em 2010. Sem dúvida que os amigos que me abrigaram por jornadas mais longas no meio do caminho foram essenciais. Por mais maravilhoso que seja viajar, se você não tiver a mínima referência de casa, vai enlouquecer. De verdade. Trombei com vários que estavam bem fora da casinha. Cruzaram a linha. Ficaram tanto tempo fora que talvez nunca mais sejam capazes de voltar. Eles possuem uma certa ânsia nos olhos, e ficavam largados pelos hosteis. Estavam 2-3 anos fora de casa. Já não sabem mais nem definir suas nacionalidades. É muito sedutora a vida na mochila. Ela te chama, te clama. Você quer muito ir, mas depois de um tempo dá medo de não voltar. Eu sempre fico maquinando maneiras de descobrir o meio termo. Sempre disse que quero criar meus filhos na mochila, trocando fralda em aeroporto. Já não tenho mais essa ilusão. Pela simples razão de que não acredito mais ser possível encontrar alguém com o mesmo pique. Alguém que goste da mochila, sem ter dreads e ser hippie; ou que ame a cidade e todas as frescuras que eu gosto nela, sem ser um coxinha empertigado. De qualquer forma, não vem ao caso. Tirei umas férias esse mês e, embora em um primeiro momento meu impulso tenha sido de narrar a viagem como sempre faço por aqui, dessa vez senti que precisava de fato ficar em silêncio. Tenho sentido a vida me fechando tantas portas, e eu precisava ficar quietinha para poder ouvir onde as outras estavam se abrindo. Foi ótimo. Achei foco. Achei o que eu queria no meio da balburdia que eu sou. Voltei com o olho na bola. Decidida também a cortar o cabelo e fazer uma tatuagem. É. Viajar pode ser perigoso também. Dessa vez dei uma passada em Portugal, só para ver pessoas que eu amo e que não posso ver todo dia porque o mundo é muito grande e coloca pedaços da minha alma espalhados entre oceanos. Talvez por isso eu sinto que preciso sempre partir. Depois eu e a Keka embarcamos para a Itália. Primeiro porque ela não conhecia. Segundo porque em Roma foi um dos lugares onde eu fui mais feliz. E é sempre legal voltar para lugares onde se é feliz. O mais gostoso é descobrir que aquele lugar te desperta ainda mais amor do que você tinha pensado. De uma forma que eu só conseguia suspirar pontualmente ao longo do dia “Eu amo Roma!”. Sim, e Roma é amor ao contrário. Ela estava lá, do jeitinho que eu lembrava. Com o metrô caótico, as ruas cheias de turistas. O calor escaldante, os nasonos jorrando água. Os melhores gelatos do mundo. Depois descemos para Nápolis, que foi bem decepcionante. Feia, suja, perigosa. Totalmente dispensável. E de lá, Erna nos encontrou e embarcamos em um Panda pela Costianera Amalfitana até Réggio di Calábria. Foi lindo. Foi como viver em um filme. Aquela costa deslumbrante, de mar azul e seixos quentes. A água salgada e transparente. Os dias intermináveis à 40o e spritz ao final da tarde com aperitivos. Vilas medievais. Vielas que nos imploravam por fotos. Na Calábria encontramos Schilla. Uma vilazinha de pescadores que foi paixão imediata das três. Víamos o Sol se pondo quase na Sicília, e jantamos sobre pallets com uma lua cheia gigante refletida na água. O melhor de ter feito tudo isso, foi ter feito sem a neurose de mandar emails, trabalhar, verificar mídias sociais, falar em skype. Sem nenhuma interferência que me tirasse da viagem. Apesar de ter viajado tanto ultimamente sempre estou com interferências me deixando incompleta na viagem. Isso devo muito à Itália. O italiano vive o momento. Ele é muito inteiro no que ele faz. Se ama, ama. Se chora, chora. Se está vivendo aquele momento, ele vive o momento por inteiro. Acho que a vida cosmopolita nos impele a ser multitarefados demais. Não basta tirar férias, é preciso atualizar status de FB, twittar a previsão do tempo, mandar email pro povo do escritório. Eu resolvi assumir o italian way of life e quando chegamos em Schilla eu já tinha certeza de que, embora eu seja feliz na minha vida e goste das coisas que eu faço, eu não estava vivendo a vida que amo. Porque existe uma diferença entre gostar e amar. Sim, eu gosto do meu trabalho. Não, não é a coisa que mais amo. Acho que se não tivesse feito essa descoberta tão óbvia até Schilla, não teria tido uma experiência tão formidável na Sicília que estava para vir. Erna se despediu em Catânia. Eu e Keka continuamos na Sicília, seguimos para as Ilhas Eólicas e depois encontramos Fran em Palermo para seguir para Trapani e as Ilhas Égadi. Talvez seja a baixa expectativa, já que eu esperava da Sicília uma paisagem desgastada e maltratada. Talvez seja porque aquelas ilhas são mágicas mesmo. Mas eu me rendi, me bronzeei. Descobri mil maneiras diferentes de comer melanzane (a nossa berijela). Me fartei em comidas, cheiros, vinhos. Tudo encharcado de azeite (e que azeite!), de molho de tomate tão fresco e tão doce. Tardes engolindo azeitonas. Longas caminhadas, mergulhos entre água-vivas. Desencanei do peso, das manchas na pele. Das roupas sujas de tanto tempo de mochila. Tem algo dentro de mim que é italiano. Tem algo que mora ali, naquele mar mediterrâneo. Voltei mais cedo. Quando se resolve o que quer da vida, não temos muito mais vontade de enrolar. Naquele mar resolvi o conflito do meu livro, reconquistei minha vontade de me apaixonar. Resolvi também a trama para mais dois livros e inspiração para um outro. Assim, em algumas semana, quatro livros. Quatro tatuagens. Eu nunca comprava berinjela em casa. Nunca sabia o que fazer com ela. Essa semana fui à quitanda. Na geladeira tem dois tipos diferentes de berinjela. Manjericão, limão siciliano, abobrinha, cogumelos. Só o tomate que não deu certo. Tava feio e tão caro! Eu, particularmente, gosto da vida com sabores frescos. Muitas vezes é só descobrir o que fazer com os ingredientes. 

(PS.: eu ainda vou voltar para a Sicília, aprender a cozinhar e escrever um livro com esse nome: “1001 maneiras diferentes de cozinhar melanzane”)

sábado, 4 de agosto de 2012

Eu estou fazendo brainstorm aqui com a Keka, tentando descobrir que filme nacional termina com uma cena de duas pessoas se encontrando em uma rodoviária, em um aeroporto, ou em uma junção de caminhos...

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Dolce far niente


Embora eu viaje mais do que o Lula na época do governo, estou no meio das minhas férias oficiais. Minha ânsia por conhecer o mundo antes de morrer queria carimbar o passaporte com outros países inéditos no álbum de figurinha, mas daí entre conversas com a Keka, planos de visitar a Carol no Porto, acabei pegando as milhagens guardadas e investindo tudo em uma volta ao Velho Mundo. Passei uma semana em Portugal revendo amigos e embarquei de volta a Roma, um dos lugares onde fui mais feliz durante meu ano sabático. Existe uma coisa curiosa quando você revisita um lugar que lhe é importante. Nos damos conta do tempo, da jornada. De tudo o que eu buscava quando estive na Itália pela primeira vez. A Itália foi um lugar em que eu amei. Amei em toda complexidade do verbo. Amei lugares, amei prazeres, amei amigas, amei um garoto. Mas uma das coisas que eu havia esquecido, é que foi na Itália que eu mais me amei. Foi um pouco chocante voltar e descobrir em mim como tem escapado tudo o que eu fui em busca e conquistei. Como eu deixei a vida me engolir novamente e me perdendo de mim mesma. Verdade que encontrei muitas outras coisas. Algumas de forma dolorida, outras alentadoras. Eu engordei. Perdi tantos amigos. Mas voltei ao vegetarianismo com uma propriedade enorme, e encontrei o budismo. Virei mãe de uma gata. E descobri que posso ser boa profissionalmente em tantas coisas. Fui capaz de reconstruir uma rotina e montar uma vida. Só que não é exatamente a vida que eu queria. Não estou reclamando. Tenho uma vida muito boa. Mas será que depois de ter ido tão longe, abdicado de tanta coisa, era essa a vida que eu buscava. Eu tive a sorte de ganhar um bilhete em branco, para ser o que eu quisesse. E é isso que eu estou fazendo com ele? Porque é tão fácil se perder de nós mesmos? Sempre achei que o mais difícil era largar tudo e pular. Porque então eu insisto em voltar para o mesmo lugar? Eu penso se talvez nossas frustrações pessoais não venham exatamente do medo de se reinventar de verdade. E se não agora, quando? Se existe um lugar no mundo onde eu me sinto inteira é na Itália. Talvez porque ela vá sempre permanecer. Talvez porque entre a bagunça e o barulhos dessas cidades, as pessoas vivem. Eles falam, gritam, brigam, comem. Mas de todas as pessoas no mundo, os italianos são os únicos que estão inteiros no momento. É o “dolce far niente”. A capacidade de aproveitar o momento com calma, de absorver a vida com tudo o que ela tem. Mesmo carregando o peso de toda a história da civilização ocidental, as coisas são no momento. Nunca deixaram de ser. Por isso a Itália vai permanecer. Mesmo com a crise, mesmo que o Euro quebre semana que vem. A Itália é um país eterno. E se você não é capaz de ser inteira aqui, não será em nenhum lugar. Nós descemos de Nápoles pela Costa Amalfitana, comemos kilos de pizzas, risotos e pasta. Tomamos vinhos, graniti di limone, gelato todos os dias. Como se cada dia fosse o único que nos sobrasse. No budismo acredita-se que você deve meditar sobre a morte. Sobre a possiblidade da morte. Somente sentindo verdadeiramente que a morte pode acontecer a qualquer momento, daremos o valor e a importância que o dia de hoje tem. A vida é uma benção. Não é glamurosa, nem extraordinária. Não vem repleta de aventuras mirabolantes como filme hollywoodiano. Mas é uma benção e acontece em um só momento: agora. Por isso é pouco passar os dias sendo quem você não quer ser. E se não agora, quando?