quarta-feira, 21 de abril de 2010

Esses dias me disseram que "uma vez mochileira, sempre mochileira". Cara, isso está na minha cabeça até agora! Por dois motivos. Dúbios, como tudo em mim. Eu espero mesmo que seja verdade, porque me imagino no futuro trocando fraldas em estação de trem. Acho incrível essas famílias de viajantes que a gente tromba nos aeroportos. Me imagino daqui há 30 anos viajando com o meu marido (ele mais velhinho do que eu, lóóógico!!!), pegando barcos para cruzar países e contratando guias para nos apresentar a tribos africanas. E eu espero mesmo que não, pelos mesmo detalhes aí de cima. Porque eu também me imagino casada, com filhos. Morando em alguma casa grande, com jardim. Em alguma cidade de poucos mil habitantes (mas que seja perto o suficiente de alguma metrópole para eu descarregar meu eu urbano de vez em sempre). E eu vou ter um cachorro, vários gatos. Vou ficar escrevendo na varanda e cuidar da minha horta de ervas para fazer chá fresco todas as tardes. No inverno, a gente vai acender a lareira e eu vou contar para minhas filhas histórias dos lugares e das pessoas que eu conheci. E tudo vai estar calma, certo e verdadeiro. Eu digo isso porque passei alguns dias surtando com roupas espalhadas na mochila, e a falta de estrutura, e looouca para chegar logo na Itália e me assentar por um tempo. Ter rotina, horário para refeições. Organizar meu shampoo no banheiro em vez de carregar minha necessarie todos os dias. Usar salto alto. Coisas do meu lado princesinha, que adora brincar de casinha. Tenho mesmo uma primeira-dama aprisionada dentro de mim. Então eu estava esperando meu trem na Santa Apolônia em Lisboa, e a estação estava um caos. Gente de tudo quanto é lado tentando alternativas para o vôos que perderam. Pessoas dormindo na sala de espera, uma fila kilometrica no guichê. Mochileiros sentados na plataforma comendo salada de frutas e executivos com cara de precisarem de um banho. Me deu uma vontade. Uma vontade de agarrar a mochila, chegar no guiche e perguntar "Tem passagem para onde?". Saudades daquela sensação de "roubada" que só os viajantes passam, quando você não faz idéia de como sair de um lugar, ou como fazer para chegar no seu destino, e um "anjo da guarda" aparecer e as coisas se resolverem milagrosamente. Vontade de não fazer a mínima idéia do que vai ser da minha vida daqui dois dias. Então cheguei no Porto e já baguncei todos os planos que tinha daqui para frente. Atrasei minha ida para a Itália (meu curso só começa dia 25 de maio, tenho um tempinho...) e arrumei algumas sarnas para me coçar. À noite, conversando com a Van, que depois de Dublin ainda foi para Amsterdam. "Dri, acabei de chegar no Brasil, mas só de ver suas fotos me dá vontade de arrumar a mochila denovo e ir te encontrar." Talvez seja verdade. Eu nunca vou deixar de ser mochileira. Talvez, quando eu estiver escrevendo e tomando chá na varanda da minha casa, meus olhos se percam no horizonte e minha alma viaje para estações de trem caóticas e cidades que eu nunca venha a conhecer. Mas eu acredito que dê para ter tudo. Pedi à "papai do céu" uma coisa: que eu encontre alguém incrível, com uma mochilona como a minha. Que tenha muitas histórias para contar a nossas filhas na lareira, mas esteja segurando minha mão quando a gente chegar à tribo na África.

3 comentários:

MH disse...

Minha vocação de mochileira passou... mas a de viajante, NUNCA! Acho que no fundo é isso, deixar as asinhas presas aos pés e escolher o seu estilo de viajar.
Aliás, já estou coçando por uma viagem, de novo!
beijo!

Adriana R. disse...

Ah, MH! Não sabe como fico feliz de ouvir isso. Ainda mais porque você já encontrou uma pessoa incrível, e eu tenho certeza que (não importa onde) ele vai estar segurando sua mão quando vocês forem velhinhos.

Vanessa disse...

Ai Dri... estou quase chorando com esse texto... me identifiquei tanto!!! Uma vontade louca de refazer as malas esta me assolando a alma, mas entao penso que nao posso continuar vivendo assim porque acho que estou fugindo da normalidade da vida... A verdade e que quero fugir mesmo, porque toda essa normalidade e essa rotina que todos acham que e assim que deve ser me deixam completamente alucinada e desesperada... Sera que a vida precisa ser assim mesmo? E tao boring ser normal!!! Beijuuuu