"...estou procurando, estou procurando. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi." (Clarice Lispector - Paixão Segundo GH)
quinta-feira, 8 de julho de 2010
OK! Paris e linda! Eu estou transbordando nessa cidade. So que estou ha dois dias sem internet, digitanto um lembrete pelo computador de S (por isso a falta de acentos...) e prometo atualizar e falar tudo daqui assim que resolver esse problema. Por enquanto so digo que Paris e linda. E e a coisa mais romantica do mundo, e agora vou pegar esse mocinho fofo que esta do meu lado, passar o dia no Louvre e sair para dancar a noite...
terça-feira, 6 de julho de 2010
UM DIA
AHHH!!! O stress… Cheguei em Paris ontem. Numa empolgação só. Foi um pouco doloroso devolver o carro. Eu estava bem habituada à Christine. Christine é o nome que demos ao carro porque toda vez que o GPS falava com a gente era meio creepy, então a gente ficava brincando que parecia aqueles filmes de terror trash (Christine, O Carro Fantasma), e que o carro iria criar vida e nos trancar em uma jornada de morte pelas estradas francesas... (eu falei que a gente tinha um senso de humor peculiar.) Carregamos nossas mochilonas até Montmartre, mas o hotel que eu tinha reservado estava lotado. Segundo a recepcionista se você faz uma reserva e ninguém te manda um email de volta, é porque a reserva não foi feita. (HUM!) Então S já ficou meio nervoso e desesperado para se registrar na primeira pocilga que a gente encontrasse. Eu não ligo tanto para isso, porque sei também que a gente nunca fica na roubada. Ainda mais em Paris. Mas de qualquer forma a gente saiu em busca de um outro hotel. Acabamos achando um a poucas quadras, ao lado do metrô Anvers, mas que só tinha vaga no quarto duplo para uma noite, e nas outras noites deveríamos mudar para um quarto triplo. A diferença de preço nem era tanta, então resolvemos ficar ali mesmo. Hotelzinho simples, meio velho, mas a gente já ficou em tanto lugar, de tanto jeito diferente, que nem ligamos mais. Hoje S precisava tirar o dia para trabalhar. Uma vez por semana ele fica fechado no hotel trabalhando. Acho ótimo, porque tenho um dia por semana para mim. E eu tinha planejado um dia inteiro sozinha. Eu estava super ansiosa por isso. Passar um dia sozinha, sem ter de falar com ninguém. Olhando as pessoas na rua, tomando café. Ficando um pouquinho em silêncio com a minha cabecinha complicada. Respirando Paris pela primeira vez, inteirinha para mim. Só que logo de manhã já foi um tormento, porque a topeira da recepcionista fez uma bagunça com a agenda, e disse que só teríamos o outro quarto por mais uma noite e não sabia o que poderíamos fazer depois. Eu já comecei a ficar nervosa com a idéia de ter de mudar de quarto só por uma noite, e reempacotar, para mudar de quarto denovo... Na verdade comecei a sentir calafrios de imaginar nossa semana em Paris tendo de empacotar mochila para mudar de quarto ou de hotel todos os dias de manhã. Ando desesperada para tirar tudo da mochila. Assentar um pouco. Lavar minhas roupas. Todo mundo me fala “Nossa! Que inveja de você. O ano inteiro de férias.”. Mas vai fazer, vai! É exaustivo. É desesperador. Eu já perdi as referências, já nem sei direito onde estou. Cada dia acordo olhando para um teto diferente. Conversei com S e falei que queria ir para algum lugar que a gente não precisasse empacotar até sair de Paris. Ele, que é um anjo e calmo até dizer chega, concordou comigo e resolvemos procurar outro hotel definitivo pela internet antes de sair desse. O que acabou se tornando em uma jornada de uma hora, cada um no seu laptop, bufando e xingando. Só achávamos hotéis disponíveis por valores absurdos, ou disponiveis em parte dos dias que vamos ficar. Ou hotéis na periferia de Paris, ou que tinham as referências mais bizarras do mundo. Fazendo reservas erradas, cancelando reservas erradas. Até que a topeira da recepção avisa que conseguiu resolver o quarto para a gente, e que a gente só precisava aguardar meia horinha até a camareira terminar a limpeza e mudarmos. Eu tento não me deixar afetar pelas coisas, e eu sei que dias como esses fazem parte de uma jornada assim (ainda mais com o planejamento mínimo que temos feito). É um grande exercício de paciência, tolerância, adaptação. Resolvi sair para dar uma volta, andar um pouco pela vizinhança. Voltei, desempacotei no novo quarto. Falei para S que nós dois precisávamos passar o dia sozinhos. A gente está na estrada juntos há 3 semanas e não brigamos nem uma vez. Hoje, se eu ficasse perto dele, isso ia mudar. Eu me conheço e, até eu recuperar a paciência, a tolerância, a adaptação... Melhor me deixar longe! Larguei ele lá no quarto, trabalhando ou fazendo sei lá o que, e saí para a rua. Pensei em aliviar meu stress fazendo uma coisa que com certeza fosse me animar. Fui almoçar no Deux Moulins, a brasserie onde foi filmado “Amèlie Poulain”. Comida média. Serviço lixo. Tive quase de sapatear em cima da mesa para conseguir pedir a conta. Quando eu já me empurrava de volta para a rua, para tentar me convencer a melhorar de humor na marra, a me obrigar a ficar feliz e animada e saltitante só porque eu estou em Paris; lembrei que sempre que forço a barra com a vida acabo me arrependendo. Cheguei em Paris, e vou viver e sentir Paris. Mas não hoje. Hoje sentei em um Starbucks, do outro lado da rua do Moulin Rouge. Pedi uma água, um caramel macchiatto e trabalhei. Trabalhei em um monte de pendências que eu estava empurrando com a barriga. Atualizei meu diário. Escrevi. Não tirei uma única foto se quer. Agora vou encontrar com a Jana, que mora aqui desde que terminamos o Célia e de quem eu tenho uma saudade que dói o peito. Vou sentar na casa dela, tomar um vinho e conversar sobre tudo o que não conversamos nos últimos anos. E depois que eu estiver cansada, que esse dia finalmente estiver acabando, daí então eu volto para casa. Avisei S que precisava sumir por um dia. Engraçado que, não importa qual hotel, ou o quão topeiras são as recepcionistas. A gente sempre chama o lugar onde ficamos de casa.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
QUATRO MESES
Acabou passando e eu nem dei muita atenção. Quatro meses. Quatro meses de estrada e agora cruzei oficialmente a metade da jornada. Às vezes dá uma canseira. Um desespero de acordar cada dia em um hotel diferente. Em Cavallion tivemos bed bugs. Eu saí ilesa, mas S parece que tem catapora agora. E eu sinto que perdi referências de muitas coisas. Já não lembro mais dos preços das coisas no Brasil, da rotina que eu tinha todos os dias. O último mês passei em lugares bem pequenos. Vilarejos, cidadezinhas. Passarinhos cantando na janela. Hoje, pensando em casa para escrever esse post, não conseguia lembrar da sensação de estar na 23 de Maio às 17h. Eu sei como é. Mas não lembro. Engraçado com a memória começa a mudar de cor. Mudar o tom, o tônus. Vou confessar que às vezes me dá um desânimo. Pensar que é só metade do caminho. Que ainda têm quatro outros meses pela frente. (um pouco menos, já que esse post está atrasado.) Passei por tanto. Congelei em Dublin, fiquei homeless, amei pessoas, dormi no deserto, aprendi uma língua, lembrei de outra, comi horrores, emagreci, fiquei doente, encontrei minha irmãzinha depois de 16 anos, encontrei uma prima perdida, encontrei... Podia até voltar para casa. Mas faltam coisas ainda. Coisas para decidir. Lugares para conhecer. E, principalmente, uma pessoa para encontrar. Falta ME encontrar. Eu me escapo, sempre que sinto que estou perto. Não dá para saber se vou conseguir me encontrar em mais quatro meses. Não sei se algum dia vou conseguir me encontrar. Mas continuo tentando. A proposta é ficar na jornada até outubro. Então ninguém desiste antes. Ninguém fica para trás. É só o meio do caminho. E eu ainda estava em busca de uma outra coisa. Eu ainda quero me apaixonar. Sim. Me apaixonei por alguns lugares, e um certo tanto de experiências. Mas quando se trata daquela paixão, aquela que a gente sabe qual é... Essa eu ainda não senti. Mas tudo bem. Ainda temos quatro meses para tentar.
sábado, 3 de julho de 2010
CHEIRO DE LAVANDA
Então acabou, né? Eu chorando sozinha no meio de um bar de uma vilazinha francesa. S tentando pedir lenços de papel para a dona através de mímica. Fiquei arrasada e amaldiçoei todos os holandeses do mundo (que nem são tantos assim...). Depois retirei, porque a gente não pode levar para o pessoal. Para mim acabou a Copa do Mundo. Não quero ver mais jogo. Estou em Cavallion. Uma cidadezinha ao norte de Aux en Provence. Perto da rota da lavanda. Hoje acordamos, eu fazendo a maior cara de paisagem, ignorando o chororô e o vexame de ontem. Pegamos o carro e seguimos atrás de campos de lavanda. Na minha fantasia (Ai, lá vem!!!) haveriam milhares de campos de lavanda super floridos, e eu ia correr entre as flores. Meus cabelos voando ao vento. O Sol batendo na minha pele. Passarinhos levantando vôo por onde eu passasse. Então na outra ponta estaria S. Todo lindo, em uma camisa branca. Ele me abraçava e me rodava. E nós dois ficávamos deitados no meio da paisagem de Provence, trocando beijos apaixonados e tomando um vinho gelado. Sim. Essa era a minha fantasia. Na prática... A gente viu vários campos de lavanda, mas não dava coragem de sair do ar condicionado do carro, porque o calor que tem feito aqui é desumano (Lembra São Paulo em janeiro? Então. Sem as chuvas no final do dia.). Até que, enfim, resolvemos parar em um campo e andar entre as flores. Não dá para correr. O terreno é meio acidentado e é cheio de arbustos secos que pinicam o pé e a perna. E ficam umas abelhas voando em volta do seu olho. Não rolou de protagonizar uma cena “Sound of Music” e, como não tinha banheiro, eu tive de fazer xixi escondida com um matinho pinicando minha bunda. Daí paramos em uma destilaria, que tinha tudo de tudo feito com lavanda. Sabonete, sachet, óleos essenciais, bolachinhas, mel e uns syroups para misturar com água bem legais. Fui provar um e derrubei o vidro inteiro em cima da minha saia e do chão. A vendedora, que era um anjo, deu risada comigo, disse para eu não me preocupar e me ajudou a arrumar a bagunça. Nessa hora S estava do outro lado da loja rolando de rir. Para variar eu estava suja e descabelada, e agora toda melecada de syroup de lavanda. Então S vai até o balcão e compra um vidro de syroup, “Acho que depois dessa, é melhor eu comprar um né!?”. É minha gente! Sabe aquelas propagandas de perfume? Que tem sempre alguém fresco e lindo correndo pela relva florida? Tudo mentira! A gente pulava entre os arbustos, e a camisa de S (que era cinza e não branca) estava toda molhada nas costas, e ele andava de um lado para o outro com os chinelos dele (que são horríveis e cafonas, e faz ele parecer um pato andando, mas que ele adora e diz que não troca por um par de Havaianas nem que eu importe a coleção inteira para ele). Na maior parte do tempo a gente ficava olhando igual idiota para o mapa das estradas e para as plaquinhas nos acostamentos, tentando adivinhar como chegar onde a gente queria... Mas como a vida é linda, e as coisas às vezes são engraçadas, outras vezes são apenas caóticas, mas tem muitas vezes que são fofas e balançam a gente. Quando a gente abria a porta do carro no meio de um campo de lavanda e recebia nos poros, nas narinas, na alma; aquele perfume doce e absoluto de flores e vida. E a gente tirou os chinelos e deitou no gramado de uma vilinha no pé de uma montanha, e ficamos olhando o Sol abrindo caminho entre as folhas de uma árvore, e tiramos um cochilo de conchinha (Big spoon, little spoon). Às vezes fazíamos uma piadinha que só nós dois entendíamos enquanto esperávamos em uma fila para comprar cartões postais para meus sobrinhos. E S quebrou um raminho de lavanda e me deu de presente com um beijinho. E teve também o momento em que, o Sol finalmente se pondo, já passando bem das 20h. Estávamos os dois sujos, descabelados. Eu comendo cerejas dentro do carro e cuspindo as sementes pela janela. Passei minha mão pelo braço dele. Pela sua barba ruiva que está crescendo, e agradeci por ele ter dirigido para mim. Por ter me trazido aos campos de lavanda. E S, que é sempre tão educado e tímido, fica meio vermelho, sorri e diz “Thank you, for bringing me with you”.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
EM ROMA, COMO...
Tenho estado na estrada a um tempo considerável. Existem algumas coisas que ficam enraizadas. Que a gente até se acostuma. Saudades é uma delas. Tenho tantas saudades de tanta gente, que já nem sinto mais. Mas de vez em quando, tem uns dias que dói mais. Que bate mais na alma. E dá vontade de chorar. Hoje por exemplo foi um dia desses. Uma saudades doída. Que me fez chorar, surtar, comer chocolate e fumar um cigarro. Saudades da Geisa. Minha manicure. Explico. Chegamos em Aux en Provence na terça. Caí de amores pela cidade instantaneamente. Hoje depois de caminhar pelas ruas, tirar fotos, quase derreter embaixo do calor, eu queria muito ficar um pouco sozinha. Tirar uma horinha só para mim. Eu gosto de S. Gosto mesmo. Mas à vezes não aguento mais olhar para a cara dele, então eu fujo. Vou tomar um café. Vou escrever meu diário em algum lugar. Hoje larguei ele sentado em uma boulangerie com ar condicionado e fui procurar uma manicure. Gente, eu precisava me sentir mulher! Nem lembro mais quando minhas unhas viram uma profissional. Quando o esmalte foi bem aplicado e não descascou horrorosamente depois de um dia. Depois de tanta aventura, trilha, corredeira. Ficar descabelada debaixo de chuva. Eu queria muito um Dia da Noiva. Sabe aqueles dias que a gente tira para dar uma geral no salão? Fazer pé, mão, depilação. Mesmo porque eu gosto de S. Mas quero que ele continue gostando de mim. E mulher é mulher. Precisa manter o charme, manter o mistério. Então lá fui eu, em busca de uma manicure francesa. Vou dizer uma coisa, antes de tudo. Esse tipo de serviço aqui é caro. Bem caro. Tipo, três vezes mais do que eu pago no Brasil. Mas eu estava afim de uma extravagância. Cheguei no salão. Que aqui não é salão, porque os salões de cabelereiros não possuem manicures não sei porque. Quem faz cabelo, faz cabelo e mais nada. Quem faz unha, faz unha, depilação, massagem, bronzeamento... Eu chego no salão e depois de me matar com meu Francês Tarzan sou informada que há uma espera de 30 minutos para ser atendida. Ah, ok! Vou dar uma volta e venho no horário marcado... Não Senhora! Espera de 30 minutos no local. Senão perde a vez. Humpf! Sento ao lado de uma adolescente, e uma mulher de 40 (cor de laranja de tão bronzeada). Espero, espero. Me chamam. “Ah! Sim! Gostaria de fazer depilação do buço, manicure e a beautè de pièds (é o jeito chic de dizer pedicure por aqui)”. Me levam para uma cabine. A depilação do buço foi ok. Do jeito que estou acostumada no Brasil. Então vem a parte tortura-você-está-sendo-assaltada. Entra na cabine uma pós-adolescente loira, maquiada de sombra verde (Deus! Que moda é essa de sombra verde por aqui...!). Bota meus pés em uma bacia que fica borbulhando (Hum! Gostoso!) e começa a fazer minhas mãos. Vou explicar como é o sistema de manicure por aqui. Ela pega uma lixa e passa 3 vezes em cada unha (TRÊS!!!!!). Depois ela coloca um monte de hidratante, enrola um pouco de algodão no palitinho de madeira e fica esfregando o palitinho com hidratante nas cutículas até todas as peles serem varridas para debaixo do tapete. Então ela pega o alicate e encosta (LITERALMENTE ENCOSTA!!!!) em cada lado da unha e TCHARÃ!!!! Manicure feita. Pincela uma base com bastante cuidado para pegar só a unha e não borrar (porque se borrar ela não vai limpar), e lá vamos nós para os pés. Ok. Uma pausa. Eu costumava ser bem viciada em manicure em São Paulo. E bem viciada em podóloga também. Então nessa altura do championship eu já estava surtando na maca de imaginar a qualidade do serviço da moça chegando aos pés. Ela tira meus pés da bacia borbulhante e faz exatamente a mesma coisa que fez nas mãos, só com uma diferença. Nos pés não rola lixa e ela nem finge encostar o alicate. Daí eu estou vermelha, bufando, soltando fumaça pelo nariz. E sem domínio Tarzan suficiente para soltar uns esporros em todo mundo laranja daquele salão. Visto minhas sapatilhas nudes (aquelas que foram arrasadas pela chuva em Veneza) e me arrasta com raiva e indignação até o balcão para pagar. A adolescente de sombras verdes digita umas coisinhas no computador, me informa que será cobrado um extra pela aplicação de esmalte nas mãos (CUMA?) e.... OK! Não vou dizer o valor astronômico, indecente e revoltante que foi debitado do meu cartão de crédito essa tarde. Não vou. Nem sob tortura. Juro! Tenho vergonha! Voltei para a boulangerie querendo trucidar o primeiro que eu encontrasse. E o primeiro que eu encontrei foi S. Ele veio tentar me consolar e eu grunhi “Nem encosta!!!”. Comi um pain au chocolat, um donut de chocolate e ainda fiz o coitado dirigir até o supermercado antes de voltarmos ao hotel para me comprar uma cerveja bem gelada. Tá com dó do moço? Pois fiquem sabendo que ele fez tudo isso rindo da minha cara. “Sorry, dear! You look so funny when you are grumpy...” Pior é que eu sei que ele tem razão. Viro um clown quando estou de mal-humor. Vou falar uma coisa. Eu tento, verdade que eu tento me adaptar a cada lugar. Fazer como diz o ditado, “Em Roma, como os romanos.” Mas posso pedir uma coisa? Enquanto eu estiver na França, será que rola uma manicure brasileira?
COMENTÁRIOS
Eu amo receber comentários dos posts. Amo mesmo. Leio todos. Várias vezes até. Mas eu não respondo. Nada pessoal. Só não respondo, porque não é sempre que dá para responder. Então para não criar um padrão, e depois falhar, resolvi que é melhor simplesmente não responder. Mas eu amo os comentários. Cada um deles.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
3x0
Segunda foi aniversário de S. O moço agora tem 35 anos. Fizemos um dia cheio de coisas que ele gostava, com direito à filé com fritas no jantar e várias cervejas. Pela manhã fizemos hiking em uma bela trilha de Castellane que nos levava pedra acima até uma igrejinha linda, e uma vista do Vale mais linda ainda. Depois fizemos cannyoning à tarde, e meus niveis de adrenalina foram às alturas. Eu gosto muito desses esportes radicais, turismo de aventura. Quando era mais nova (bem mais nova, aliás) tinha um grupo de amigos que costumávamos descer de rappel alguns viadutos da Rodovia dos Bandeirantes e fazer expedições por grutas e cavernas. Acho que se é para acordar às 5h da manhã, que haja uma boa dose de adrenalina envolvida. E acho inclusive que sou mais animada com a idéia de adrenalina tremendo nas veias do que S. Durante o cannyoning ele estava mais preocupado em se prender nas rochas, enquanto eu olhava as corredeiras para deslizar e gritava “UHUUUU!!! JACUZZI!!!”. Mas S é americano, de uma família de irlandeses e alemães. Tem bastante dificuldade de mostrar emoções. Isso, obviamente, já foi tema de algumas conversas. Não discussões, porque a gente não discutiu ainda. Mas conversas. S não manifesta emoção. Eu sou o extremo oposto. Quando estou feliz, dá para ver até pela unha do pé. Triste, o povo sente pela maneira como eu mando um email. Angustiada, bom, geralmente estou roendo unhas. Surtada... ok, já deu para entender. Acho que isso tem um pouco a ver com a criação. Ser brasileira, de um país que acha todas as emoções bonitas. E ser criada dentro de uma família italiana. Onde as pessoas gritam, e falam, falam, falam, e se metem um na vida do outro, e te dão uns tapas que deixam seu braço roxo nos almoços de domingo. S é mais contido. Bem mais. Não gosto de pensar nisso como um defeito, mas como uma característica. Mas é uma característica que não sei se me agrada. Por um lado dá uma sensação de estabilidade e constância. Por outro faz as coisas parecerem sempre mornas. E no quesito temperatura, eu sou mais Anaïs Nin quando ela diz “I want to burn, even if I break myself”. Verdade que eu reclamo quando me quebro, mas eu prefiro assim. Toda remendada de durepox, do que uma superfície intocada e imaculada. Afinal, porque uma garota de 30 e poucos ia resolver mochilar pela Europa por tanto tempo senão para viver emoções, e viver emoções fortes, intensas. Para viver a vida de forma superlativa. Então à noite o Brasil fez bonito naquele jogo e mandou o Chile para casa. Nós dois vibramos em um barzinho da cidadezinha-fofa-com-cara-de-cinderella e eu fiquei feliz de mostrar para S o que era que se esperava do meu time na Copa. (Porque ele achava que o jogo contra Portugal foi um bom jogo) Que no Brasil a gente não fica satisfeito com aquela coisa meia boca. Que a gente gosta de ver o suor espirrando quando o cara bate na bola, gosta de ver os jogadores se matarem na grande área. Que no Brasil a gente não desiste. Vai testando a barreira de defesa até achar uma brecha e marcar um gol maravilhoso, pulando em cima do goleiro e tudo. S (que agora é fã do Brasil e conhece mais os jogadores do que eu) ficou olhando o jogo e me dizendo “Não entendo. Os jogadores dos USA jogaram direito, mas vendo vocês jogarem, vocês parecem tão melhores, parece que a gente era um bando de amadores.” É que de vez em quando a gente bota todas as emoções em campo, S. A gente escancara e mostra tudo o que tem. Daí é lindo. Daí é intenso. É arte. 3x0, e manda os vizinhos mais cedo para casa. O problema é que os USA jogaram direitinho. Só isso. Em futebol, não adianta apenas fazer direitinho. É como eu já disse aqui, o importante é saber o que você espera para sua vida. O que você quer. Eu sou corintiana, brasileira, paulista. Gosto da emoção. De ver o jogo virar aos 45 do segundo tempo. Gosto das coisas pegando fogo. Eu tenho pensado bastante, e eu não sei se alguém que faz tudo direitinho é suficiente.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
NO VERDON
Sabe aquele clima bucólico? Aquela calma e romantismo que estava rolando até agora? Então, esquece tudo. Chegamos na região de Gorge du Verdon, que é um Parque Natural da região de Haute de Provence. Uma das entradas para o parque é a cidade de Castellane. Já está na minha lista de cidadezinhas-com-cara-de-cinderella que eu gostaria de morar por um tempo. Aliás isso tem sido uma vontande cada vez mais crescente desde que saí de Roma. Vontade de ficar em uma cidade minúscula por um tempo... Mas assunto para posts futuros também. Chegamos e já nos enfiamos em uma trilha para fazer um pouco de hiking. No meio do caminho começou a cair uma tempestade. Qualquer pessoa que já fez algum tipo de esporte outdoor sabe que fazer hiking em tempestade é uma péssima idéia. Principalmente com raios e trovões. Meio do mato, você molhado e raios caindo. É uma combinação bem estúpida na verdade. Eu e S ficávamos olhando um para o outro, meio do tipo “Ok! O que a gente faz agora?” e continuamos pela trilha. Completamente encharcados e com lama até o tornozelo. Então os raios começaram a ficar bem próximos. Encontramos uma fazendinha que vendia queijo de cabra e nos enfiamos na garagem para nos protegermos dos raios e esperar a chuva passar. O casal de velhinhos que morava na casa abriu a janela e só viram aqueles dois malucos molhados dos pés à cabeça, encolhidos e morrendo de frio na garagem deles. Eu tentei com meu Francês Tarzan explicar o que estava acontecendo, mas acho que nossa condição era tão digna de pena que eles só acenaram com a cabeça e disseram que não tinha problema. Nos meus devaneios o casal de velhinhos nos trazia toalhas secas e canecas com leite de cabra morno para nos aquecer... mas esses são meus devaneios. Na realidade a gente começou a congelar e resolvemos que era melhor voltar para o hotel correndo embaixo da chuva mesmo para ver se aquecia um pouco. Ontem foi dia de rafting. Foram 3h30 descendo pelo Le Verdon em cima de uma bóia. Alguns trechos foram meio entediantes, na maioria das vezes a gente remava, se molhava. A água absurda de congelante. Mas a paisagem... Faz valer qualquer coisa. Passamos pelo meio do Gorge du Verdon, que é o maior cannyon da Europa. Eu olhava aquela imensidão de rochas refletida na água verde clara do Verdon... Mais a adrenalina, o medo. O frio. O cabelo todo ressecado dentro do capacete. E quando enfim a gente chegou do outro lado, ainda tinhamos de carregar a bóia morro acima até a van que nos esperava. Quando eu tirei o wet suit, eu estava fedendo. Queimei um monte de calorias, tava feliz para burro. Mas fedendo. Então S também tirou a wet suit dele e soltou um grunhido. Os dois fedendo. Eu olhei para ele e disse, “Ok, olha bem para mim. Se você não achar que eu estou sexy agora a gente tem um sério problema.” Então ele deu risada (e ele sempre diz que conhece uma armadilha quando vê uma), olhou para mim e disse, “Você sempre está sexy para mim.” Um pouco de intimidade demais, pode ser. Temos camisetas nojentas e cuecas molhadas penduradas nas maçanetas do quarto, e o estado do tênis dele é algo a se refletir, estou sendo sincera... Mas sabe que eu estou gostando desse momento adrenalina-aventura? Fica melhor ainda depois que a gente janta famintos, vai para o hotel e toma um banho quente. Sempre caímos na cama depois de um banho quente...
domingo, 27 de junho de 2010
LA VIE EN...
Antes de começar essa jornada eu tinha colocado como um dos objetivos conhecer a região de Provence. Eu queria alugar um carro, fazer a região e depois subir até Paris. Esse era meu plano. Só que a pessoa aqui é pouco distraída e conseguiu a façanha de obter 80 pontos na carteira de motorista. Eu vim para a Europa, mas minha carta está de castigo no Detram até começo de agosto. Aliás, foi assim que S e eu caímos nesse test drive antes de qualquer outra coisa. Ele se ofereceu para dirigir, já que eu não poderia alugar um carro sem carta. Então estamos aqui, fazendo o roteiro que eu sempre quis. Vir a Provence para ver os campos de lavanda floridos (Ainda não vi, mas estamos chegando lá!!!). Enquanto estamos aqui, porque não explorar um pouco a região? Aproveitar que estamos com um carro e podemos nos dar ao luxo de rodar pelas estradas, parar em vilarejos. A gente saiu de Grasse ontem. Uma cidadezinha sem muito fascínio, mas cheia de perfumarias. No caminho, subindo para a região de Haute de Provence a gente já foi encontrando umas cidadezinhas hiper charmosas. Todas com cara de conto de fadas, sabe? Paramos em St. Vallier de Thiey. Uma igrejinha no centro, uma torre com um relógio e um monte de casinhas apinhadas entre ruelinhas medievais. Uma vontade de sair pelo meio brincando de Cinderella. Dia de grandes acontecimentos por ali. Um grupo de crianças encenava pequenas historinhas em um palco, no que eu imaginei que fosse uma Festa Junina da escola local. Famílias com seus cachorros pelos gramados. Um mercado de pulgas na calçada, no melhor estilo “Família Vende Tudo”. (Sorry Y! Não tinha nenhuma caixinha de porcelana como aquela... Juro que volto em Lisboa e encontro para você.) Depois eu fui caçar um pouco de cafeína para a manutenção do meu vício, e S. foi comprar bolachas e framboesas para comermos no carro. Essa é minha idéia de road trip. Largar o tênis jogado no banco de trás. Comer frutas com o vidro aberto, embaraçando o cabelo no vento. Brigar para ver quem tem no Ipod a trilha sonora mais interessante. E parar no acostamento quando se deparar com uma vista de cair o queixo. Às vezes só ficar em silêncio. Sentindo o asfalto passando embaixo dos pneus do carro e pensando, “Como a França é linda!”. Bem diferente do que eu esperava. Mais crua, mais viva. Mas é a França, a França de verdade. Das pessoas comuns. Daquelas que investem em uma vida em comunidade, trabalham no comércio local. Gente com carrinhos de bebês nos gramados e cães pulguentos atravessando as ruas. E quando eu acho que estou quebrando todos os clichês. Que nenhum galã de bigode ralo e camiseta navy vai aparecer e me falar de “amour”. Que nenhum senhor de boina vai cruzar a rua em uma bicicleta levando baguetes de pão e uma garrafa de vinho na cestinha da frente. Quando eu estou bebendo meu café na França de verdade, a voz de Edith Piaf ressoa pelo terraço da boulangerie cantando “La Vie en Rose”. Então eu começo a rir. Porque é obvio. Porque é mágico. E porque, por mais que a gente faça planos na vida. Nem nos nossos mais delirantes sonhos, eles são tão perfeitos do que quando a vida se encarrega de fazer do jeito dela.
sábado, 26 de junho de 2010
S
Nunca falei direito de S. Só que ele tem adoráveis olhos azuis e que a gente se conheceu em Sevilla, de lá ele me seguiu até Granada e acabamos combinando de nos encontrar na Itália para esse Test Drive. Foram alguns dias só, e dois malucos se jogam em uma jornada de semanas e intimidade extrema muito rápido. Porque será que duas pessoas fazem isso? Porque foi especial em Granada, isso é verdade. E porque é difícil e raro encontrar alguém com tanto em comum. S possui um negócio na internet. Trabalha algumas horas por semana virtualmente. Pode trabalhar de qualquer lugar do mundo, só precisa de um computador e conexão com a internet (alguma semelhança?). Ele também tirou esse ano para viajar pela Europa de mochila. Temos praticamente os mesmos países na lista para conhecer. E ele também se desfez de tudo antes de vir. Fechou apartamento, doou o carro. É um homeless como eu, com algumas caixas guardadas em algum depósito de New Jersey. Tanto eu como ele temos um senso de humor sarcástico, gostamos de dar risadas de coisas que não é todo mundo que acha engraçado. Também gostamos de ficar sozinhos e em silêncio (essa talvez foi a melhor coisa do test drive até agora, descobrir como ficamos bem em silêncio um com o outro). Nós nos jogamos nesse test drive porque é tão difícil encontrar alguém como você mesmo. Alguém com as mesmas ambições de vida. Os mesmos valores. Que também topa passar perrengue em estação de trem, e dormir em hostel, e se enxergar carregando mochila até na terceira idade. Alguém que pensa como seria legal criar filhos assim. Que em vez de achar uma loucura, acha que seus filhos cresceriam com uma incrível noção de vida. Toda noite dorme de conchinha comigo (em inglês é “Big spoon, small spoon”). Pois é, ele é minha Big Spoon. Só que a gente tem tanto em comum, que ele também tem uma monstrinha. Uma história que o machucou e tirou sua capacidade de confiar. Ele está aqui, fazendo sua parte, se esforçando para se deixar envolver. Eu consegui dizer adeus ao meu monstrinho. Ele está tentando dizer adeus a dele. Mas nesse exato momento, no nosso test drive, tem uma monstrinha sentada no banco de trás.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
VILLA SAINT EXUPERY
Quando a gente mochila, ficar em hostel não é apenas econômico, como uma grande mão na roda para se organizar na cidade. Viajando sozinho não existe opção mais barata do que ficar em hostel. Agora no test-drive, S e eu escolhemos muitas vezes hotéis baratos, que ficam o mesmo preço de um hostel mas nos dão mais conforto e privacidade. De qualquer forma, resolvemos ficar em um hostel durante nossa estadia em Nice. O Villa Saint Exupery. Nice tinha opções de pequenos hotéis, melhores localizados e tudo, mas esse hostel era tão bem cotado que não podíamos resistir. Sim, tem alguns inconvenientes. Escolhemos um quarto privado, então não precisamos lidar com seis outras pessoas roncando nas beliches a nossa volta. Mas ainda assim o banheiro era compartilhado, e isso eu acho que é a pior parte de ficar em hostel. Levar sua necessaire, o chão todo molhado. Não poder espalhar meus cremes e frescurinhas em cima da pia. E qual é o lado bom de ficar em um Hostel? Os bons hostels possuem uma grande estrutura e pessoal treinado para te dar dicas, agendar passeios, integrar com outras pessoas. Hostels sempre possuem uma agenda legal de atividades, coisas divertidas para fazer. O Villa Saint Exupery fica em Nice Nord, subindo o morro da cidade. Um pouco afastado da cidade, mas eles tinham um sistema de shuttles que nos levavam até o tram, e do tram para a praia e para a cidade velha era um pulo. O hostel também foi instalado em um antigo mosteiro. Na decoração várias menções ao Pequeno Príncipe, e seu planetinha. Cheio de quartos e escadarias labirínticas, tinha uma grande área de lazer comum, cheia de computadores, sofás e um bar com a irresistível proposta de “Cerveja à €1”. Sim! Vááários pós-adolescentes de 20 e poucos bebendo muita cerveja e paquerando nas áreas comuns. Lembra daqueles acampamentos que a gente ia com a escola na adolescência? É como passar uns dias em um lugar assim. Divertido. Mas só por uns dias. Na primeira noite sentamos com a molecada para tomar cerveja barata e assistir ao jogo. Acabamos conhecendo um grupo de trintões e conversando até tarde. S ficou aliviado de saber que não era o único se hospedando no meio da molecada de 20 e poucos. Eu só dou risada! Dentro das ofertas de atividades, além do mergulho que fizemos, podíamos fazer cannoying, velejar pelo Mediterrâneo. Excursões à Cannes, Antibes, Saint Tropez, Mônaco. Aulas de yoga e alongamento pela manhã, e toalhar e esteiras de praia para empréstimo sem nenhum custo adicional. Em nossa última noite, voltamos para o hostel depois de um dia lindo, um longo jantar romântico regado à champagne e longos olhares; e acontecia na Capela (a antiga capela que foi transformada em lounge) uma festa temática. “Qualquer coisa, menos roupas”. O pessoal todo fantasiado de sacos de lixo, lençóis, papel alumínio. Juro que tinha um que “vestiu” a própria mochila. Foi tema de tese durante a noite. Viajando é praticamente impossível manter o conforto que a gente tem na própria casa. Ainda mais viajando por tanto tempo, e não tendo casa como nós dois. Mas é delicioso sair da zona de conforto, arriscar outros esquemas, experimentar o diferente. Às vezes a experiência não é boa. Outras dá um gostinho de saudades, um gostinho de algo que já vivemos. Mesmo que seja só de assistir, tomando uma cerveja, como era paquerar o gatinho na festa e mal ter dinheiro para o lanche. Como o Pequeno Príncipe, todos nós acabamos saindo por aí. Alguns de nós procuram outros planetas. Outros sempre retornam para cuidar da rosa, tirar os baobás pelas raízes. Mas no fundo, com 20, 30, 40... somos todos crianças tentando nos descobrir.
http://www.villasaintexupery.com/
http://www.villasaintexupery.com/
quinta-feira, 24 de junho de 2010
AZUL DA COR DO MAR
Tim Maia tinha um medo danado de avião. Nunca veio até a Riviera Francesa para ver a cor do Mediterrâneo. Mas ele devia estar imaginando esse mar quando escreveu a música. O Mediterrâneo é lindo. Lindo! Lindo! Lindo! Não vou cansar de dizer isso. Porque quando a gente se depara com aquela imensidão, com aquela cor que parece até pintada de canetinha, as palavras somem, a língua trava e é a única coisa que sai. Lindo! A Van me disse que é lindo e único assim por causa das pedras. As praias são todas de pedras e é esquisito, porque a gente cresceu fazendo castelinho de areia e correndo onde as ondas quebram. Aqui nada disso. As crianças vão pulando para não machucar os pés e jogam pedrinhas umas nas outras. Imagina aquelas vezes que você está deitada tomando Sol e tem sempre um grupo de pentelhos jogando areia na sua perna... é machuca! Também, não dava para ter tudo. O que mais eles queriam? Eu já estou com uma meia dúzia de hematomas daqueles bem redondinhos, de ficar deitada e virando igual frango assado em cima das pedras. Mas eu sou café com leite. Fico roxa até com vento forte. Então depois de torrar no Sol da Riviera, eu pulo naquela água surreal, que é geladinha e refrescante. Sem uma onda que seja. Como uma enorme piscina natural, que deixa o corpo todo salgado depois. S é meio hiperativo. Precisa estar se mexendo o tempo todo. Corre todos os dias, não para quieto muito tempo. Então ele queria mergulhar terça-feira. Não foi preciso muito esforço para me convencer. Mergulhar nesse mar aburdo??? Ah! Quem não quer? E fomos. Passeio de barco pela costa de Nice, então colocamos os wetsuits e caímos na água. Cada um teve um instrutor acompanhando. Eu achei que ia ficar apavorada com o respirador e a idéia de depender de um tanque de oxigênio para minha vida, mas me saí bem como se tivesse nascido para isso. Passeei entre os recifes de corais. Vi uma moréia linda. Coloquei a mão em uma anêmona e, embora o som não se propagasse embaixo do mar, juro que gritei quando ela grudou no meu dedo. Depois, era babar. Nadar entre os cardumes de peixes multi-coloridos. De vários tamanhos, de todos os formatos. Uma aventura que eu só tinha visto em filmes. E eu estava ali. Inteira. Vivendo. No meio do Mediterrâneo, nadando com os peixes. Eu que queria tantas maravilhas, mal estou acreditando nas que estou vivendo. Como eu disse, tem coisas que só há um jeito de descrever: Lindo!
terça-feira, 22 de junho de 2010
FRENCH RIVIERA
A saída de Ventimiglia foi um pouco stressante. Ficamos quase meia hora, eu tentando discutir em italiano com um senhor mal educado da bilheteria da estação. Na Itália eles têm umas maquininhas automáticas para comprar bilhete de trem, o que é até confortável já que em toda estação as filas da bilheteria são kilometricas. Eu tentei várias vezes comprar nossas passagens para Nice, mas a máquina travava toda vez que ia finalizar a compra. Então eu fui até o guichê, e o tal do signore ficava insistindo que não dava para comprar na bilheteria, que nós devíamos comprar pela máquina automática. Nice é bem próxima, dá uma hora de trem. Você precisa pegar um trem de Ventimiglia até Montecarlo e depois mudar para um até Nice. Trens partem a cada meia hora para Montecarlo, mesmo assim, ninguém quer perder tempo esperando trem quando se está indo para a Riviera Francesa. Daí eu comecei a ficar nervosa. Explicava para o signore que a máquina estava quebrada e ele, “No, No, No.”. Ahhhhh! Vontade de matar um. Por precaução S. até ficou a uma distância segura. A idéia dele era de a gente entrar no trem sem comprar as passagens mesmo, e o fiscal nos abordasse pagaríamos a multa. Claro que ele só sugeriu isso de leve, e com o tamanho da minha rosnada ficou quietinho cuidando das mochilas até tudo ser resolvido. No final acabamos conseguindo comprar os bilhetes no guichê 3 minutos antes do trem partir. Corremos com todas as mochilas penduradas, eu ainda carregando um saco cheio de kiwis que S. comprou no sábado, porque ele adora kiwis, então agora a gente tem de carregar esse saco enorme de kiwi para cima e para baixo.Mas ninguém está reclamando não. Eu carrego o saco de kiwi, e ele carrega minha mala extra, então eu acho que é uma troca justa. A viagem de trem é rápida, mas maravilhosa. O trem vai cortando as montanhas e, a cada curva, vão se desdobrando baías de mar hiper azul, rochas com mansões encrustadas. E vai caindo a ficha de que eu estou na Riviera Francesa. Toda a lenda, o charme, tudo tem mesmo um porque. Acho que essa é uma das regiões mais lindas do mundo. O Mediterrâneo deslumbrante aos nossos pés. O Sol lindo e puro no céu. O Verão chegando exatamente hoje na Europa. Não sei se esse vai ser o ponto alto da minha viagem, mas com certeza vai ser o mais hedonista. Aliás, vou encerrar por aqui. Tem uma praia maravilhosa aqui do lado, e um gatinho de olhos azuis me esperando.
domingo, 20 de junho de 2010
QUATRO LOJINHAS PARA AMAR EM VENEZA (OU TRÊS LOJINHAS E MEIA...)
Ah, sim! Saí de Veneza e nem postei minha garimpada habitual de lojinhas fofas que eu gosto tanto. Mesmo postando de Ventimiglia, acho que ainda vale, porque tenho certeza de que as lojinhas continuam lá em Veneza.
GIOVANNA ZANELLA
Shoe addicted, run for your life! Essa loja faz valer a pena a viagem, o investimento e todo o stress de subir e descer escadinha de canal nessa cidade. A bonita é uma artesã de sapatos. Daquelas pessoas doidinhas e super criativas. Já estampou páginas da Haper´s Bazaar e da (Claaaro!) Vogue. Eu parei na frente da vitrini dela e tive um xilique! Quase não dei conta que estava babando e lambendo o vidro da frente. Sapatos cheios de personalidade, em cores e formatos lúdicos, para quem gosta de exclusividade. Tem scarpin em formato de gôndola, sandália à la “Era Venenosa”, e modelos com ar de época e cores super contemporâneas. Como as criações são únicas e exclusivas, dá vontade de entrar e ficar levantando cada um dos modelos para ver se algum é o seu número... mas Giovanna, que é doidinha e temperamental, fica no cantinho da loja (que é também seu atelier) trabalhando nos modelos novos e com o maior ar de “Ne touchè pas!”. Se eu comprei algum? Não tive coragem nem de perguntar o preço! Talvez nem seja tão caro, mas a mochila está transbordando.
Giovanna Zanella
Calle Carminati, 5641
30122 – Veneza
giovannazanella@yahoo.it
+39 041.5235500
CAMPO MARZIO DESIGN
Quando eu era criança, colecionava papel de carta. Não sei se foi isso, ou se faz parte do mesmo gene que faz mulheres babarem por sapatos e bolsa, e adorarem chocolates. Mas eu tenho uma coisa com papelarias. Sou babona, doente. Não posso entrar em uma que me esqueço por um bom par de horas. Quando a gente tromba com uma gracinha como essa então. A Campo Marzio surgiu em 1933 em Roma quando um artesão desconhecido abriu sua lojinha em que se dedicava a confecção e personalização de canetas, cardenetas e todo tipo de material de escritório. Depois da Segunda Guerra Mundial a técnica se popularizou e a Campo Marzio Bottega se espalhou por toda Itália. Eu não tinha achado essa loja em Roma, mas fui achar aqui em Veneza. A delicadeza e a quantidade de canetas, era uma coisa de enternecer o coração. Pena que eu estou com a mochilona nas costas, senão dava para entupir de mimos cada um dos meus amigos. Hoje em dia a loja já está no mundo inteiro, e entrando no site dá até para se informar em como abrir uma “bottega” na sua cidade. E aí? Pensando em ter um negócio próprio? Me chama de sócia!
Campo Marzio Design
Calle della Mandola, 3654/A
San Marco 30124 Veneza
+39 041.8122697
http://www.campomarziodesign.it/
ATELIER MAREGA E L´ATELIER (1 lojinha e ½)
Um bom motivo para voltar para Veneza? Para mim seria o Carnaval. Queria mesmo poder experimentar a festa por lá. A cidade é repleta de ateliers e lojinhas, e dá até para fazer uma oficina e voltar para casa com uma máscara “fui-eu-mesma-que-fiz-mamãe”. Mas tem gente que não tem tanto saco para artesanato (e virginianas que preferem a perfeição de quem sabe fazer), então o melhor mesmo é comprar ou alugar seu vestidão e sua máscara e sair fazendo a linha Casanova por entre os canais. Das centenas de ateliers pelos quais eu tropecei, o Atelier Marega com certeza seria onde eu me montaria para o Carnaval. As roupas e as máscaras eram todas tão luxuosas, que eu estava só esperando o Hether Ledger aparecer de trás de algum biombo. A proprietária ainda tinha a maior paciência com meu italiano tarzan e me deu uma aula de mascaras e costumes do Carnaval de Veneza, enquanto terminava lindamente de colocar penas em mais uma máscara perfeita.
Atelier Marega
Fondamenta dell´Osmarin, 4968
+39 041.5223036
http://www.marega.it/
E o L´Atelier entra como ½ lojinha. Porque é minúsculo e aconchegante e quase escondido demais. Mas a proprietária faz acessórios lindos, e o vestido de noiva que estava na vitrine me fez ter vontade de virar anoréxica para entrar nele. Suspiro...
L´Atelier
Fondamenta San Giorgio dei Schiavoni
30122 – Veneza
latelier@hotmail.fr
GIOVANNA ZANELLA
Shoe addicted, run for your life! Essa loja faz valer a pena a viagem, o investimento e todo o stress de subir e descer escadinha de canal nessa cidade. A bonita é uma artesã de sapatos. Daquelas pessoas doidinhas e super criativas. Já estampou páginas da Haper´s Bazaar e da (Claaaro!) Vogue. Eu parei na frente da vitrini dela e tive um xilique! Quase não dei conta que estava babando e lambendo o vidro da frente. Sapatos cheios de personalidade, em cores e formatos lúdicos, para quem gosta de exclusividade. Tem scarpin em formato de gôndola, sandália à la “Era Venenosa”, e modelos com ar de época e cores super contemporâneas. Como as criações são únicas e exclusivas, dá vontade de entrar e ficar levantando cada um dos modelos para ver se algum é o seu número... mas Giovanna, que é doidinha e temperamental, fica no cantinho da loja (que é também seu atelier) trabalhando nos modelos novos e com o maior ar de “Ne touchè pas!”. Se eu comprei algum? Não tive coragem nem de perguntar o preço! Talvez nem seja tão caro, mas a mochila está transbordando.
Giovanna Zanella
Calle Carminati, 5641
30122 – Veneza
giovannazanella@yahoo.it
+39 041.5235500
CAMPO MARZIO DESIGN
Quando eu era criança, colecionava papel de carta. Não sei se foi isso, ou se faz parte do mesmo gene que faz mulheres babarem por sapatos e bolsa, e adorarem chocolates. Mas eu tenho uma coisa com papelarias. Sou babona, doente. Não posso entrar em uma que me esqueço por um bom par de horas. Quando a gente tromba com uma gracinha como essa então. A Campo Marzio surgiu em 1933 em Roma quando um artesão desconhecido abriu sua lojinha em que se dedicava a confecção e personalização de canetas, cardenetas e todo tipo de material de escritório. Depois da Segunda Guerra Mundial a técnica se popularizou e a Campo Marzio Bottega se espalhou por toda Itália. Eu não tinha achado essa loja em Roma, mas fui achar aqui em Veneza. A delicadeza e a quantidade de canetas, era uma coisa de enternecer o coração. Pena que eu estou com a mochilona nas costas, senão dava para entupir de mimos cada um dos meus amigos. Hoje em dia a loja já está no mundo inteiro, e entrando no site dá até para se informar em como abrir uma “bottega” na sua cidade. E aí? Pensando em ter um negócio próprio? Me chama de sócia!
Campo Marzio Design
Calle della Mandola, 3654/A
San Marco 30124 Veneza
+39 041.8122697
http://www.campomarziodesign.it/
ATELIER MAREGA E L´ATELIER (1 lojinha e ½)
Um bom motivo para voltar para Veneza? Para mim seria o Carnaval. Queria mesmo poder experimentar a festa por lá. A cidade é repleta de ateliers e lojinhas, e dá até para fazer uma oficina e voltar para casa com uma máscara “fui-eu-mesma-que-fiz-mamãe”. Mas tem gente que não tem tanto saco para artesanato (e virginianas que preferem a perfeição de quem sabe fazer), então o melhor mesmo é comprar ou alugar seu vestidão e sua máscara e sair fazendo a linha Casanova por entre os canais. Das centenas de ateliers pelos quais eu tropecei, o Atelier Marega com certeza seria onde eu me montaria para o Carnaval. As roupas e as máscaras eram todas tão luxuosas, que eu estava só esperando o Hether Ledger aparecer de trás de algum biombo. A proprietária ainda tinha a maior paciência com meu italiano tarzan e me deu uma aula de mascaras e costumes do Carnaval de Veneza, enquanto terminava lindamente de colocar penas em mais uma máscara perfeita.
Atelier Marega
Fondamenta dell´Osmarin, 4968
+39 041.5223036
http://www.marega.it/
E o L´Atelier entra como ½ lojinha. Porque é minúsculo e aconchegante e quase escondido demais. Mas a proprietária faz acessórios lindos, e o vestido de noiva que estava na vitrine me fez ter vontade de virar anoréxica para entrar nele. Suspiro...
L´Atelier
Fondamenta San Giorgio dei Schiavoni
30122 – Veneza
latelier@hotmail.fr
sábado, 19 de junho de 2010
VENTIMIGLIA
sexta-feira, 18 de junho de 2010
VENEZA
Ok, parem de suspirar. Todo mundo fala de Veneza, de como é romântica, de como é isso e aquilo. Mas para ser sincera eu ainda não sei o que achar dela. Minha experiência de Veneza é bem surrealista para falar a verdade. Aquele amontoado de becos e ruelinhas labirinticas, os canais para todos os lados, os preços astronômicos. Às vezes eu me derretia com a paisagem, outras me sentia em um hotel temático de Las Vegas. Tivemos chuva quase todos os dias. Consegui um tempo de Sol ontem para aproveitar a cidade, me perder pelas ruas e conversar com as pessoas. S. ficou trabalhando no Hotel quase o dia todo. Fizemos um acordo logo de cara. Como os dois trabalham virtualmente, e precisam de sua própria dose de silêncio e privacidade, combinamos que teríamos nosso tempo para ficar sozinhos e evitar que um mate o outro antes de chegar em Paris. Isso é uma coisa legal que nós temos. A capacidade de ficar em silêncio juntos. De respeitar a individualidade do outro. Assim posso trabalhar nos posts do blog, me perder tirando fotos por horas, escrever, ler; sem me preocupar em como ele se sente em relação a isso. Mesmo porque S. detesta se perder, e eu adoro. Ontem voltando para o hotel, depois de termos tido a "brilhante" idéia de tomar cerveja com um grupo de 20 e poucos anos, ficamos quase uma hora subindo e descendo escadas de canais e sem ter a menor idéia de onde estávamos. Até eu, que sou mais desencanada para esse tipo de coisa, estava stressada. Cansada, com frio, vontade de fazer xixi. Até entendo que a cidade foi projetada assim exatamente para confundir os invasores, mas poxa! Eu queria matar quem teve a idéia. E não sei quem disse que é um bom lugar para passar Lua de Mel. Após pagar uma obsenidade por um passeio de gôndola e se perder naquelas ruelinhas sem fim, mesmo com os inúteis mapas, tenho a sensação de que qualquer casamento já começa desgastado. Bom que tanto eu quanto S. conseguimos rir de nosso próprio mal-humor. No final Veneza é toda romântica também. A gente se apertava para passar nos becos que se perdiam um atrás do outro, tomamos prosseco em um jantar delicioso a luz de velas em algum restaurante que descobrimos (e provavelmente nunca seremos capazes de voltar), até tentamos pegar um Concerto de "As Quatro Estações" de Vivaldi. Mas como não conseguimos achar o teatro no meio de tanto canal, sentamos em um bar e assistimos ao jogo de França x México. E voltando para o hotel, perdidos e bêbados. Quando enfim aliviados nos descobrimos no meio da Piazza S. Marco, S. me tirou para dançar. No meio da madrugada, do nada, sem música. Lógico que na vida real a gente mais tropeçou e pisou um no pé do outro do que qualquer outra coisa. Ainda assim, era noite em Veneza, e o garoto que eu tô afim me tirou para dançar.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
ADEUS MONSTRINHO!!!
Era uma vez uma garota que conheceu um monstrinho. Eles tentaram namorar, não deu certo. A garota seguiu sua vida e o monstrinho casou com outra pessoa. Alguns anos depois a garota e o monstrinho se reencontraram. Ele havia se separado e quando a encontrou, se declarou: “Já te perdi uma vez. Não vou te perder de novo.”. Esse monstrinho estava morando em Nova York, então ele mandou uma passagem de avião, e a garota largou tudo e foi atrás dele, para que eles pudessem viver um grande amor. A garota jogou-se de corpo e alma nessa história. Acontece que alguns meses depois o monstrinho disse para a garota que tinha de fazer uma viagem, viagem essa que ela foi descobrir (um pouco tarde demais) ter sido uma segunda lua de mel com a ex-mulher. A garota ficou arrasada. E como diz o ditado, “gato escaldado tem medo de água fria”, desde então, toda vez que ela conhece um novo cara, ela tem certeza de que ele também é um monstrinho. Então ela sofre, e pensa sempre no pior, e procura sarna para se coçar, e passa o dia imaginando que esse novo cara está viajando para Paris com a ex-mulher.
Parece uma típica história de trauma de cafajeste, como tantas outras que a gente já ouviu por aí. E para ser sincera, a garota aqui, durante muitos anos se escondeu atrás dessa história para justificar todos os medos e inseguranças de começar um novo relacionamento. Semana passada, além dos meus surtos habituais, eu estava surtando com a idéia de S. também ser um monstrinho. Mas como eu sempre gosto de ver o lado bom de cada coisa, toda essa overdose de surto, insegurança, dúvida e medo, acabou se tornando numa grande análise desse episódio da minha vida. E sabe o que eu descobri? Que ter um monstrinho na vida é algo que nós escolhemos para nós mesmas. Verdade. Não que um dia eu tenha acordado e pensado, “Hum! Tô com uma vontade de quebrar a cara com um cafajeste hoje...”, mas eu fui completamente complacente com a entrada desse monstrinho na minha vida. Eu explico. O monstrinho era uma pessoa horrível. Não apenas fisicamente (porque ele era feio de doer), mas como pessoa. Arrogante, aproveitador, racista, preconceituoso, machista. Só que eu fiquei tão obcecada com a possibilidade de viver um grande amor, que comecei a fazer concessões em tudo. Cedi ao ciúme infantil dele. Acabei virando uma ciumenta controladora insuportável eu mesma. Fui passando em cima de tantos valores, tantas coisa que para mim eram importantes, tudo pela possibilidade de estar com alguém. E acabei esquecendo de prestar atenção em uma única coisa. O que eu QUERIA. Sim, eu queria uma grande história de amor (ainda quero!). Mas, será que eu queria uma grande história de amor COM UM MONSTRINHO? Com uma pessoa que não confia em ninguém, nem na própria mãe? Que não tem um único amigo sincero, todos por interesse? Um materialista, racista, homofóbico, capaz de soltar os comentários mais atrozes na frente de todo mundo? É claro que uma pessoa como essa vai destruir meu coração. Então porque muitas vezes nós mulheres nos prendemos em relacionamentos com monstrinhos mesmo quando sabemos que aquilo que nos é oferecido não chega nem perto do que buscamos para nós mesmas? Mesmo sabendo que eles não correspondem àquilo que esperamos de um homem? Conforme a data de vir para Veneza foi se aproximando, mais e mais eu me vi obcecada com a idéia de que S. “iria para Paris com a ex-mulher”. Lá estava eu novamente, no limbo que eu permiti que aquele monstrinho me deixasse. Então eu parei e comecei a analisar toda minha história emocional. Desde antes do monstrinho. Desde minha adolescência até agora. E o que eu descobri foi que eu NUNCA me perguntei o que EU queria de um relacionamento. Eu praticamente fui deixando que os homens moldassem e adaptassem as formas de relacionamento em que eu me encontrava. Claro que minhas experiências não poderiam ter sido diferentes. Mesmo quando nós não somos coerentes, a vida é. Então eu vim para Veneza no zero a zero. Completamente nova para começar uma partida. Antes de ficar obcecada em viver uma grande história de amor, eu vou descobrir se eu QUERO viver uma grande história de amor COM S. Antes de mais nada, tenho já uma grande história de amor comigo mesma, e é essa pessoa que precisa vir em primeiro lugar. Tenho conversado com tantas amigas, e garotas de todas as idades. Claro que o azar de achar um monstrinho no meio do caminho não é assim tão popular, mas todas elas esbarram nessa mesma questão. A de se deixar cegar pela possiblidade de alguém, e esquecer de olhar para esse alguém. Nós mulheres, adoramos ficar obcecadas pela idéia de um relacionamento e esquecemos de perguntar o que nós realmente queremos. “Ah, mas ele é tão bonito, e quer ficar comigo...” Ok! Problema dele. E VOCÊ? O que VOCÊ quer? “Não sei o que eu faço, porque eu acho que ele está saindo com outra.” Great! Você QUER alguém que esteja saindo com você e com outra? Então problema resolvido. “Acho que esse cara só quer me comer...” Se você QUISER luxúria, qual o problema? Fica muito mais fácil quando a gente começa a olhar para nós mesmas e descobrir o que queremos. Um grande amigo meu me disse esses dias que começou a sair com uma garota e ela já virou para ele e disse “Escuta, eu sou do tipo casadoira, viu!”. Tudo o que eu consegui pensar foi, “Meu Deus, essa menina está desesperada!”. Ela nem conhece o cara ainda, está começando a sair com ele, e já está obcecada com a idéia de uma relação tradicional. Ela não está nem um pouco preocupada se ele é o tipo de cara com quem ela quer casar. Só se importa com a idéia de que alguém case com ela. Descobrir o quanto eu vinha me ignorando esses anos todos foi a coisa mais importante para me dar calma e paz nesse episódio. Antes de ter um colapso de imaginar S. fugindo com a ex-mulher assim que a gente pise em Paris, resolvi que vou descobrir antes se ele é o tipo de pessoa com quem eu quero ficar DEPOIS de Paris. Demorou um pouco para eu conseguir enxergar isso, e durante alguns anos eu achava que essa história do monstrinho nunca me traria nada de bom. Mas hoje estou muito feliz e aliviada de ter finalmente me despedido dele. Monstrinhos só aparecem na vida da gente, quando a gente está distraída demais de nós mesma.
TESTE DRIVE - PARTE VENEZA
Então eu acabei conseguindo chegar em Veneza. Alguém mais tinha dúvidas além de mim? Alguém mais achou que eu ia surtar e simplesmente pegar o primeiro trem que estivesse no caminho e sumir pela Itália? Ok! Pessoas de pouca fé! Cheguei em Veneza ontem e não parou de chover até agora. S. chegou um pouco depois de mim e qual não foi minha surpresa ao vê-lo e perceber que estamos no mesmo lugar onde estávamos há um mês e meio atrás. Os sentimentos, a vontade. Tudo do jeito que estava quando nos despedimos na estação de Sevilla. Acho que isso é bom. Tinha muito medo de olhar para cara dele e ver apenas um estranho. Acho que a idéia agora e virarmos cada vez menos estranhos. Estou sem conexão de internet aqui, então vim correndo em uma lan house por dois minutinhos só para dar esse update. Chove muito em Veneza hoje e eu estou calma. Eu calmo. Você calmo. Todo mundo calmo. Brasil me decepcionou um pouco no jogo de ontem (mas S. torceu direitinho!). Queria muito que fizesse Sol amanhã, porque Veneza é linda e eu quero muito poder explorá-la direito. Hoje tudo o que conseguimos foi encharcar os cabelos e destruir minha sapatilha. Então é oficial. Test drive começou. Ficamos aqui até sexta. Ainda não decidimos para onde vamos depois e como vamos chegar na França. Mas nenhum dos dois está com pressa. Ontem conversando com S. eu disse "Tive medo de não chegar aqui. Tive medo que você não chegasse aqui.". Ele, com aqueles olhinhos lindos azuis, me respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, "Eu prometi para você que ia dirigir para você na França. Foi a primeira coisa que te prometi. É claro que eu ia chegar aqui.". Acho que ele também está calmo. :-)
segunda-feira, 14 de junho de 2010
EU QUEROOOOOOOOOO!!!
Ah! Olha o que eu descobri hoje? Meninas, agendem o seu dia. Coisa mais charmosa do mundo casar em Verona!!!
http://www.sposamiaverona.it/
Assinar:
Postagens (Atom)



