domingo, 9 de fevereiro de 2014

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 Minhas salsichas e os meninos na água. 


Dia de passar a tarde na piscina com os sobrinhos. Minha irmã tinha um compromisso, deixou-os aqui. Pena que a Bibi estava toda borocoxô. Com dor de garganta e um pouco de febre. Mal falava, tadinha. Ficou deitada no sofá assistindo Harry Potter, enquanto eu desci com os meninos e fiquei brincando na água. Mesmo a água eu achei quente demais. Está tão calor que nem a piscina refresca direito. No final do dia fizemos um mega lanche em casa, e eu adoro como eles comem bem. Bia e Rafa já estão adolescente, então me ajudam a zerar a geladeira. Qualquer coisa que você coloque na mesa, vai. Frutas, torradas, suco, geleia, pão de queijo, bolo, sorvete. Tudo. E olha que aqui em casa é tudo orgânico, natureba, com cara de que criança não gosta. Eles comem com a mesma alegria a barrinha de goiaba orgânica sem açúcar, quanto a cobertura de chocolate do bolo de cenoura que fui comprar na padaria. Gosto de passar tempo de qualidade com eles. Eu sei que sou uma tia que nem sempre está presente. Vira e mexe me enfio em um avião e acabo perdendo aniversários, formaturas, premiações e medalhas. Então quando posso, passo tempo com eles. Converso, abraço, encho de beijos. Não compensa, porque o tempo passa e passa bem rápido. Mas é meu compromisso de sempre estar inteira com eles. Nem sempre estou presente fisicamente, mas nunca ausente. Agora, quando minha irmã veio buscá-los, perguntou para a Bibi se ela tinha melhorado:

- Bia, qual o seu sentimento!
- Eu te amo, mamãe. 
- Eu sei, mas como você está se sentindo?
- Ah! Muito amada! 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

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Essa deveria ser eu, estudando para o TOEFL. Mas eu preferi tomar cerveja com minha prima na Vila Madalena. 

Dormi 3 horas apenas. A semana me atropelou, trabalhei como uma camela. Em vez de passar a noite de ontem estudando, acabei indo para o Galinheiro com a minha prima e a gente matou o calor com algumas cervejas até sermos expulsas do bar. Resultado é que fui fazer o TOEFL cansada, de ressaca e sem a mínima noção de como é o teste. Já prestei o TOEFL no passado. Quando tinha 19 anos. Na época fiz curso na Alumni, estudei pra caramba. E a pontuação era completamente diferente. Enchi meu coração de fé e aceitei: vai ser o que tiver que ser. Logo na porta vi uma garota tirar um kit lanche da bolsa, garrafinha de água. Só então descobri que eram 4 horas de teste. 4 HORAS!!! Enfiei a mão na bolsa, achei só Tic-tac. Fucei, remexi e achei uma barrinha de cereal perdida. Sempre tenho alguma coisa na bolsa por causa da hipoglicemia. Entrei, fiz a checagem do cadastro, sentei no computador e mandei ver. O teste é dividido em 4 partes: Reading, listening, speaking e writing. Fiz todas as etapas confortavelmente, com tempo sobrando. Achei fácil. Demais. Ou a língua está bem incutida em mim, ou a ressaca era tanta que nem me dei conta do que estava errando. Para não dizer que fiquei 100% segura com tudo o que respondi, teve um quadro do listening que dei uma viajada. Fiquei pensando na morte da bezerra e não prestei atenção em tudo o que falavam. E como o TOEFL testa fluência, não tem como repetir ou voltar a gravação. Então em uma das perguntas não lembrava do trecho em que a gravação falava sobre o assunto. Chutei. Agora é esperar o resultado. Há sempre a possibilidade de se quebrar a cara de verde e amarelo, mas acho que minha nota vai ser o suficiente para o que preciso. Dedinhos cruzados. 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

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Hoje foi dia de maratona para embalar os materiais didáticos para as crianças do orfanato. Quando posso, gosto de ajudar uma instituição que fica no Jaraguá e serve de abrigo para crianças que tiveram o núcleo familiar destruído e estão em processo de adoção. Sou madrinha de uma das meninas, que já está uma pré-adolescente agora. Na verdade a maioria dessas crianças nunca serão adotadas, e estão meio largadas ali, pela sociedade e pelo estado. O que a gente tenta fazer é dar a elas um pouco do carinho e cuidado que toda criança deveria receber. Fazemos festa de aniversário, distribuição de presentes no Natal. Agora que as aulas começam, elas precisam de materiais escolares para poder estudar. Coisas simples como cadernos, lápis, borracha, tesoura. Coisas tão bobas que a gente nem lembra que elas não tem como arrumar se ninguém dar. Eu tento fazer uma coisa legal para elas. Faço etiquetas com o nome e a série de cada uma. Coloco nome em todo material, em cada lápis de cor. Preparo o kit e deixo no orfanato para eles poderem começar as aulas na segunda-feira se sentindo um pouco mais cuidados, um pouco mais seguros. Parece uma bobagem, mas a coordenadora do orfanato me disse no final do ano que, porque eu tinha colocado o nome deles no material e feito os kits com tanto cuidado, as crianças pela primeira vez tinham chegado até o final do ano com o material inteiro, bem cuidado. Às vezes basta uma etiquetinha com o nosso nome em uma caneta para a gente resgatar nossa auto-estima. Tão pouco, né!? Eu me sinto super privielgiada por poder oferecer isso a eles. Tão simples, tão nada, e ainda, tão pouco perto do que a gente sempre sabe que pode fazer. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

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Sabe, às vezes eu me sinto culpada. Sei lá porque. Uma coisa que estou aprendendo a me libertar cada dia mais. Pois eu trabalho em casa. Eu não tenho alguém controlando meu horário, ou se eu passei a tarde vendo Friends na televisão. Não sou obrigada a acordar 6h da manhã, nem a cumprir horário de almoço. Eu acordo 6h porque eu gosto de correr, e se eu não corro de manhã, não corro mais aquele dia. Também não tenho ninguém controlando se trabalho de tailleur, de pijama, ou pelada. Por isso, eu posso me dar ao luxo de trabalhar de biquini, na piscina. E é isso que eu hoje. Corri, comprei o jornal, tomei café, botei o biquini e fui trabalhar. Entre um mergulho e outro, fiz relatórios, acompanhei métricas, respondi emails, escrevi textos, agendei compromissos, e peguei um bronze. Não sei se eu deveria me sentir culpada, mas... dessa vez, não senti! 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

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Quase desmaiei hoje. Por duas vezes. Minha pressão passou o dia muito baixa. Por isso não consigo trabalhar direito. O dia não rende. O tico-teco não conversam entre si. Depois do almoço deitei no sofá da casa da minha mãe e desejei que o mundo acabasse. Só por 5 minutinhos. À noite, voltando para casa com aquela decepção de não ter sido produtiva, resolvi aproveitar um dos privilégios que tenho a sorte de ter. Caí na piscina! Fiquei uma hora, boiando na água, olhando as estrelas, e me sentindo grata. Afinal, mesmo quando está ruim, eu arrumo um jeito de fazer o dia terminar bem assim. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

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Terça-feira tem uma feira livre bem aqui na porta de casa. Para ser sincera eu não vou sempre. Estou sempre muito ocupada trabalhando, ou longe, na escola. Hoje resolvi parar tudo e fazer uma dessas pequenas coisas que a gente tem o privilégio de ter no Brasil: almoçar pastel de palmito e caldo de cana na feira! Sim, é uma bomba calórica. Mas, sim, é uma das coisas mais gostosas da vida. Sentar em um banquinho, no meio da rua, ouvindo os gritos dos vendedores da feira. Comer um pastel sequinho, tomar um grande copo de garapa com limão... E a vida fica maravilhosa, sendo simples. Com pouco, muito pouco. 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

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Já falei que sou apaixonada por séries? Já falei, né! Já falei que estou apaixonada pelo Netflix também? Pois é, estou! Mais uma série que estava na minha lista, e que o Netflix me deu de presente: House of Cards. Porque amar? Porque tem o Kevin Spacey como protagonista e a super linda-fodona Robin Wright-Ex-Penn. Porque o protagonista quebra a quarta parede o tempo todo e nos transforma em cúmplices de tudo o que ele faz. Porque a série é uma viagem entre todas as artimanhas e manipulações políticas dos altos escalões do poder. Porque mostra também o lado podre e manipulador da mídia. Porque estamos em época de eleições e reféns de um partido político capaz de tudo para ficar no poder. (assim como Frank Underwood, tudo mesmo). Porque não é maniqueísta, não existe ninguém de bom caráter lá dentro, e ao mesmo tempo são todos muito humanos e nos fazem sentir pena por eles. Porque a trama é sofisticada, os diálogos soberbos e a gente não perde quando tem TV de boa qualidade sendo feita por aí. Porque abocanhou um bocado de prêmios por aí. E porque daqui a pouco chega a segunda temporada, e você não vai querer estar atrasado na trama. Só por causa disso. 


domingo, 2 de fevereiro de 2014

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Pois é, já é carnaval! Eu tenho uma dificuldade danada de interação social, detesto aglomerações de pessoas mas... eu não seria um ser humano se não carregasse um bela dose de ambigüidade. Adoro carnaval! Adoro bloco de rua! Calor, cerveja, gente sorrindo e pulando atrás do trio elétrico. Só não vai quem já morreu. Para minha sorte eu moro em um lugar muito legal. E tem vários blocos de rua que saem aqui da porta de casa. Os amigos tocam o interfone para chamar, eu desço e a festa e logo na calçada. Quer coisa melhor!? Acho maravilhoso que a cultura de bloco de rua renasceu em São Paulo. Que cresça, que se multiplique. É uma benção viver em um país que tem isso. Em que as pessoas saem na rua para pular, dançar e se divertir. É muito privilégio! Eu vou. Sempre que der. Mesmo que depois de um tempo fique com um bode monstruoso das pessoas e volte correndo para casa, para ficar na minha ostra. É carnaval! Época de celebrar o divino em nós. Como não participar disso!?

sábado, 1 de fevereiro de 2014

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Feliz Ano Novo Chinês, pessoal! 
Esse é o ano do Cavalo. Dizem que é um ano de fazer acontecer. Cavalo galopa, e o retorno de todos os esforços feitos no último ano será recompensado rapidamente. Mas precisa trabalhar! 
Estou aproveitando a delícia de ter a Keka em São Paulo por mais tempo. Fomos na liberdade comer bifum, tirar fotos e derreter embaixo do Sol desértico que estamos sofrendo. Adoro! Manifestações e festas populares. Essa mistura enorme de gente, raças, jeitos. Coisa que só em São Paulo mesmo. Não aquele multiculturalismo de guetos que existe em outras grandes metrópoles do mundo. Tô falando dessa mistura de todo mundo junto e tão misturado que viramos uma grande massa mestiça. Amo isso. Somos privilegiados de ter isso. 

Bora fazer esse cavalo galopar! 

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

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Dylan foi liberado hoje da UTI. Ele teve um probleminha pulmonar, não estava conseguindo expelir todo o líquido do pulmão depois do parto, então teve que ficar de castigona UTI esses dias. Hoje peguei ele no colo pela primeira vez e, já estamos apaixonados. Ele me adorou. Encaixou nos meus braços e ficou gostosinho feliz. Existe uma coisa em recém-nascidos que nos faz sentir tão bem! Meio como se a vida fizesse sentido e a gente pudesse ficar o resto do dia com aquela coisinha frágil e indefesa no colo. Congelar o momento em que a vida ainda é calma, controlada. Queremos garantir que o mundo lhe seja gentil. Sabemos que não será sempre. Tomara que não seja. A vida está exatamente em todas as emoções e adversidades que podem acontecer. Mas até que ele cresça e possa viver tudo isso, eu aproveito esses momentos em que se pode congelar o tempo e sentir a respiração pura e mínima de quem acabou de chegar ao mundo. 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

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Nós, alguns dos colunistas, com o Davi Kinski, diretor do documentário, e os donos do PPQO, João Luis Vieira e Luciana Vendramini.


Parece que o PPQO vai virar um documentário. O João chamou a gente hoje para fazer um teaser de captação para a produtora. Eu não esperava a estrutura toda que estão montando. O pessoal da produção parece ser bem sério e dedicados a fazer mesmo acontecer. Eu tendo a ser um pouco cética com projetos. Cansei de ouvir sobre projetos que estão rolando, fazendo e acontecendo, e no fundo nunca saem do papel. Mas esse pessoal parece que está mesmo afim de fazer. Acho legal que role. Para o site, para a discussão de igualdade que defendemos. Fico bem feliz de fazer parte, embora morra de vergonha. Aprendi a construir várias ferramentas de interação social, mas no fundo acho desconfortável e doloroso ficar em frente a uma câmera e falar de mim. Então eu sentei e fiz o depoimento como quem arranca bandaid de machucado. Puxando rápido para não pensar muito na dor. Saiu. Vamos ver se sai também o documentário. 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

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Dylan nasceu!  Agora a noite. Lindão, 49 cm e 3,285Kg. Perfeito. Estamos todos muito felizes. Minha irmã sempre teve o sonho de ser mãe. Ela está com 42 anos e houve um tempo que chegou a pensar que tinha perdido a oportunidade. Adoro como a vida funciona às vezes. Há um ano e meio reencontrou um amigo de infância, se apaixonaram, casaram e agora veio o Dylan. Se em 2012 alguém dissesse que tudo o que ela sempre sonhou estaria acontecendo, ela não acreditaria. Não conseguia enxergar como isso podia acontecer. Mas a vida tem sempre um jeito muito melhor de contar histórias do que quando a gente tenta controlar. Está aí! Viva a vida!

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

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Essa semana estou fazendo um Workshop de Edição Literária no Espaço Cult, com o André Conti. O André é editor da Cia. das Letras. Eu achava que ele fosse bem mais velho. Afinal existem meia dúzia de editores no Brasil e eles ficam mudando de uma editora para outra. E os outros são donos das editoras. Então eu tinha essa imagem de que ele seria um senhor, fumando cachimbo, no estilo do Pondé. O André é na verdade mais novo do que eu, e parece muito, muito, MUITO com o Dri, meu melhor amigo. O jeito de falar, a mania de fazer vozes para ilustrar as histórias que conta. Acho muito divertido quando a gente encontrar pessoas duplicadas na vida. Dá uma sensação de familiaridade e a gente já se sente íntima, mesmo sem a pessoa saber. O workshop está sendo bem interessante, para me ajudar a deixar as ideias mais claras e definir melhor o que estou procurando. A turma, todavia, foi um pouco decepcionante. Não consegui entender muito bem quem eram aquelas pessoas e porque estavam ali. Sempre tem alguém que está mais interessado em cavar uma vaga de emprego ou deixar um manuscrito na mão do professor, em vez de aproveitar a oportunidade para conhecer melhor sobre a função, entender como a coisa funciona. Por isso a sessão de perguntas ficou parecendo o grupo de orientação vocacional que eu tinha no colegial. É essa cultura do relacionamento competitivo, do networking, que existe nessa cidade. As pessoas estão sempre agressivamente se relacionando. Existe uma persona que deve-se assumir em festas, cursos, vernissagens, reuniões, lançamentos. Essa persona deve ter um toque de blasé, um calculado falso interesse no outro e a objetiva manipulação dos assuntos para caminharem aos seus interesses particulares. Antigamente eu me irritava com esse tipo de comportamento, é um dos maiores motivos de eu ter fugido do meio artístico. Hoje acho um desperdício apenas. Um desperdício de tempo onde se poderia criar vínculos e laços muito mais interessantes do que a troca de influência, e um desperdício de gente. Tão melhor conhecer as pessoas de verdade, sem essas personas na frente deixando tudo artificial e irreal. 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

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O Augusto é uma pessoa deliciosa. Um amigo que reconheci na vida. Porque tem gente que a gente não conhece, reconhece. Tava óbvio que devia fazer parte da nossa vida. O Augusto é assim. Ele também é uma pessoa interessantíssima. Culto, talentoso, viajado. Sua casa reflete toda essa bagagem de quem gosta do lado bom da vida. Fotos fantásticas por todas as paredes, e uma biblioteca cobiçável. Augusto ainda é uma pessoa desapegada, e anda fazendo uns “bota-fora” das suas prateleiras. Veja bem, se eu for fazer um “bota-fora”, encho uma caixa de revista Vogue e Boa Forma e chamo o Exército da Salvação para retirar. Já o Augusto fazendo “bota-fora” você leva para casa a coleção da revista Serrote, exemplares de poesia japonesa e uma edição em caixa de “Em busca do tempo perdido” do Proust, no original. Quando penso na sorte de ter os amigos que tenho, sei que isso é luxo de verdade. 

domingo, 26 de janeiro de 2014

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Desafio pessoal (fadado ao fracasso óbvio): ver todos os filmes do Oscar até o Carnaval. Como eu estou dedicada esse ano, lá fui eu ver o favorito ao Oscar de Filme Estrangeiro na Reserva Cultural. “Alabama Monroe” foi uma surpresa completa. Que filme mais delicado! Os atores estão perfeitos, com um entrosamento, uma intimidade, bem rara de se conseguir. Aquelas químicas que não se explica, nem se planeja. Ela acontece e pronto. O filme é bem mais triste do que eu estava preparada. Fiquei na cadeira, chorando como um bebezinho, e limpando as lágrimas na barra da saia. Nem caixinha de lenço eu tinha. A história, sem spoiler, é sobre a relação entre uma tatuadora e um músico country em Gent na Bélgica. Uma cidade que guarda o mérito de ser o berço da Revolução Industrial, e que tive a impressão de ser bem dura e imperfeita quando visitei. Acho que exatamente por isso, muito humana. Cidade de verdade, não aquela coisa cartão-postal-disney como é Bruges. Assim como a cidade, o casal é imperfeito, levemente descalibrado, e exatamente por isso aquele amor parece ser tão autêntico e real. Tanto que a gente se pega pensando durante o filme que se quer um amor assim. Encontrar aquela pessoa meio torta, cujos defeitos a fazem perfeita. E viver uma vida de verdade, daquelas que as pessoas normais vivem. Sem sucesso, glamour, pompa e circunstância. Mas com contas para pagar, rotina, reformas inacabadas e pequenas desafios para se superar juntos. A trilha sonora vale um Oscar à parte. Repleta de banjos, gaitas e alma folk. A primeira coisa que falei quando o filme acabou foi: “Eu quero essa trilha sonora”. Estou aceitando de presente!

sábado, 25 de janeiro de 2014

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Um milhão de peixinhos, e eu no meio.

A primeira vez que ouvi falar sobre a Laje de Santos me veio à mente uma imagem de um churrasco em uma laje de alvenaria sem acabamento, uma churrasqueira improvisada, muita fumaça e um pagode daqueles. Confesso que não fazia ideia de que uma laje é uma formação rochosa lisa e grande no meio do mar. Já tinha ouvido alguns mergulhadores falarem da Laje, vi fotos incríveis do pessoal mergulhando com as Mantas que vêm procriar em junho e julho e sabia que era um mergulho meio obrigatório para quem mora tão perto de Santos. Então resolvi criar vergonha na cara e madruguei, encarei a estrada e cheguei (atrasada) para embarcar no Orion. Dia lindo, perfeito para mergulho. Sol incrível, zero nuvens no céu e o mar tranquilo baixa correnteza. Eu não costumo enjoar em barco. Sou daquelas que vai tagarelando, comendo e pulando não importa o quanto ele balance. Não sei o que houve dessa vez mas minha pressão foi para o chão, passei o trajeto inteiro de 1h30 me sentindo a pessoa mais miserável do mundo. Quando chegamos o barco, mesmo ancorado, ficava balançando com a maré. Pulei na água para passar o enjôo e descobri porque falam tanto da Laje. A água estava Noronha. 30o, visibilidade de 20 metros e uma profusão de vida, daquelas que justificam todos os apaixonados por mergulho. Ainda, azul! Muito azul!!! Cardumes com centenas de peixes passavam no meu pé, tartarugas circundavam o barco. Fizemos dois mergulhos perfeitos. Tranquilos, beirando o paredão de rocha e tirando muitas fotos. Algumas horas eu era atravessada por algum cardume e eram tantos peixes, que a vista até ficava nublada. Amo a sensação de paz e leveza que se sente quando se mergulha. Me maravilha e me faz sentir viva. Se não houvesse o risco de acabar em um câmara hiperbárica com doença descompressiva, juro que passa o dia embaixo d’água. Ah! Nada como a sensação de nitrogênio correndo pelo sangue! Depois dos mergulhos ainda fiquei fazendo snorkel na superfície, até ser arrancada aos prantos de volta ao continente. O resultado foi uma super exposição ao Sol africano desse verão. Estou vermelha igual à gringo quando volta do Nordeste! Um tanto de mal-estar e muito sono também. Mas ainda assim, como vale a pena para se sentir viva!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

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Felicidade é uma caixa de Mentex.


Quando eu morava no Jardins passava sempre no cruzamento da Estados Unidos com a 9 de Julho. Ali fica um vendedor de balas paraplégico. Ele fica na cadeira de rodas, com o tabuleiro de balas no colo e conversa com todo mundo. O mais impressionante é que ele sempre, sempre, SEMPRE tem um mega sorriso no rosto! Nunca vi esse cara mal-humorado. Ele está sempre feliz, positivo, de bem com a vida. Quando morava ali, fazia questão de parar na faixa da esquerda, abrir a janela e bater-papo com ele enquanto esperava o farol abrir. Quando não dava tempo de parar, eu gritava um “bom dia” da janela e acenava enquanto passava. Ele se esticava todo na cadeira e me acenava de volta, com aquele sorrisão de quem é feliz na vida. Teve uma semana que ele sumiu. Eu passava ali e me dava um aperto no coração. A gente sempre imagina tragédia. O cara podia muito bem ter ganhado na Mega-sena, mas a gente sempre imagina tragédia. Depois de uma semana ele reapareceu, do mesmo jeito de sempre. Nem tragédia, nem mega-sena. Tinha sido só uma gripe. Depois tirei meu ano sabático, e quando voltei vim morar em Pinheiros. Nunca mais passei por lá. Hoje, eu desci a Pamplona depois de uma maratona burocrática de pedidos de documentos, visitas à secretaria da faculdade e pendências mil, estava aérea, pensando na minha coluna do PPQO de amanhã. Pensando em como as relações humanas estão cada vez mais frágeis e mais difíceis, em como me dá vontade de virar uma bolinha igual tatu e me isolar do mundo. Quando me aproximei do farol da Rua Estados Unidos com a Av. 9 de julho fechado. E lá estava meu amigo. Em sua cadeira de rodas, sorrisão aberto. Por um instante tive o ímpeto de fingir que não tinha visto. Ficar olhando pra frente com cara de ocupada, esperando o farol abrir. Mas então ele veio até minha janela, pediu para eu abrir o vidro e foi então que eu me toquei. Eu já estava enroladinha feito tatu-bola, isolada do mundo. Abri o vidro para o meu amigo e a primeira coisa que ele me disse foi: “Oh, minha linda! Obrigado pela gentileza! Que sexta-feira linda! Vai sair com o maridão hoje!?”. Acho que ele não se lembrava de mim. Certamente que não. São muitas garotas introspectas dirigindo naquele farol todos os dias, e para mim só tem um vendedor paraplégico com quem eu bato papo. É natural que minhas memórias com ele sejam mais vivas do que as dele comigo. Eu não consegui falar muita coisa para ele. Não expliquei que não havia nenhum maridão. Nem que já faz tempo que a sexta-feira à noite não significa mais nada para mim. Não falei que minha grande expectativa do dia era lavar uma pia repleta de louça suja. Nem que todas minhas relações pessoais se reduziam à janelinhas em um chat no computador. Não contei para ele que já tinha morado ali pertinho, duas quadras dali. Nem tentei resgatar na memória dele que eu passava quase todos os dias ali e a gente conversava, e se reconhecia. Na época que eu andava com um Celta básico, peladinho, sem rádio, nem ar condicionado, porque eu era, talvez, muito mais desapegada de conforto do que sou hoje. Não falei para ele que era bom vê-lo novamente, e que eu sempre comprava Mentos, mesmo quando não tinha vontade. A única coisa que eu disse foi, “Hoje à noite eu vou trabalhar!”. Porque era a verdade. Porque é isso o que eu faço todos os dias. Dia e noite. Porque trabalhar muitas vezes vira uma desculpa quando a gente não tem mais nada com o que preencher o espaço da vida. Então ele me olhou, como quem olha a pessoa mais miserável e desamparada do mundo. Me olhou com ternura e compaixão, de quem está em uma posição melhor, muito melhor do que você. “Querida, não faça isso com você. Essa vida toda, é só ilusão. Nada disso é real. Não perca a oportunidade rara da vida por causa de matéria, por causa de dinheiro. A vida vai passar, e você vai perder e nada disso aqui vai ficar. Não deixe de aproveitar um único segundo da vida, por favor!”. Então uma ficha gigante caiu. Aquele homem ali na minha frente, sentado na cadeira de rodas, com papada no pescoço, de pele escura... aquele homem é um buda. Aquele homem é um ser iluminado, que já transcendeu todas as delusões dessa nossa vida material. E quando eu estava alimentando minha decepção com o mundo, ele me veio lembrar que o meu caminho é para o outro lado. Ele veio me acariciar com ternura e generosidade de quem sabe como essa ilusão toda do samsara pode ser dolorida para nós humanos. A gente passa por budas todos os dias, eu sei disso. Só prestamos atenção. Quem iria imaginar que em cima de uma cadeira de rodas, vendendo Mentex, estaria uma pessoa se sentindo muito melhor do que você, dona de todo o conforto de um ar condicionado. Nada contra o conforto. É uma benção tê-lo e sou muito grata. Mas nunca imaginamos que aquele que tem acesso a menos conforto do que a gente possa estar de fato em um lugar melhor. O farol abriu, os carros começaram a buzinar, e eu fui embora meio pasma. Sem processar totalmente aquela epifania. Acho que não me despedi. Certeza que não agradeci. Cheguei em casa, lavei a louça, trabalhei. Agora estou pensando muito nas coisas que eu acho que eu tenho que fazer. Se não é a obrigação em si também uma grande ilusão. 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

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Balde de Homus, que eu mesma fiz! 

Hoje a Quinta-feira da Champagne dançou. Baixou a Mônica Geller de manhã e eu limpei a casa inteira. Arrumei a geladeira, lavei louça, cuidei das gatas. Eu dou conta da casa, eu gosto. Mas como eu sou free-lancer e trabalho em casa, acabo consumindo horas preciosas que precisava estar trabalhando. Quero ver se consigo dar conta da casa durante as férias da Jô. Sem precisar chamar faxineira, nem nada. No andar de baixo está tudo ok. Agora o de cima... O banheiro precisa de um banho. E o escritório continua caótico. Será que consigo colocar ele em ordem até domingo!? É a grande dúvida da humanidade. Também, para dar conta da arrumação eu cabulei a academia. Tem algo que desperta em mim muito bem-estar nessa coisa de ser dona-de-casa. Não que eu conseguisse só fazer isso da vida e não trabalhar, longe disso. Mas adoro cuidar da minha casa. Adoro deixar as coisas em ordem. Me sinto muito bem quando está tudo bonito, organizado e limpo. Me sinto uma pessoa melhor. De verdade. E como meu embalo estava produtivo, aproveitei para ir no mercado natural e comprar a lista da nutricionista. Tão empolgada que cheguei em casa louca para cozinhar. Fiz grão de bico, feijão, pizza integral, torta de palmito e arroz com açafrão. Eu sempre usei açafrão em pó. Mas a nutricionista falou para eu aumentar o consumo de raizes, e frisou o açafrão. No Apanã sempre tem açafrão orgânico para vender. Eu sempre confundo com gengibre. Nunca tinha comprado. Mas fui lá, muito feliz, ralar o açafrão fresco para colocar no arroz integral. Acontece que açafrão é pior do que beterraba. Mancha, e mancha forte! Faca, tábua, ralador. Inclusive meus dedos e unhas. Tudo amarelo! De tanto esfregar, agora a esponja de lavar louça também está amarela, e o pano de prato - não faço ideia como. O arroz ficou ótimo, mas passei algumas horas na internet tentando descobrir como tirar as manchas. Algumas saíram. Os dedos e a unha continuam. Parece que eu tenho hepatite. Queria saber como os chefes de cozinha fazem. Por enquanto, vou na manicure amanhã tentar resolver. E a cozinha ficou um caos. Quem sabe amanhã a Monica Geller aparece novamente e dá um jeito em tudo. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

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Hoje foi o dia mais esperado das férias escolares: o Dia da Tia Dri!!! 

Todas as férias eu e meus sobrinhos fazemos o “Dia da Tia Dri”. É um dia em que a gente sai juntos e fazemos coisas divertidas. Teve vez de passar a tarde jogando Wii e comendo doce da “cesta da felicidade” (uma cesta cheia de balas, chocolates e pirulitos, para terror da minha irmã), tivemos muitas sessões de cinema, passeios em livrarias, confecção de cupcakes, tarde de escalada. Dessa vez resolvi inaugurar minha mochila de picnic “recém-chegada da China”! É uma mochila super legal que comprei no AliExpress. Vem com pratos, taças, talheres, guardanapos, um compartimento térmico para colocar a comida, suporte para garrafa de vinho e um grande cobertor para jogar na grama e fazer o picnic em cima. De sonho! Fiquei tão feliz quando chegou. Vi muitos desses kits na Europa, as pessoas fazendo picnics nos parques, às margens do Sena e na Villa Borghese. Estava louca para usar mais esses parques que temos na cidade. Então enchi a mochila de frutas, queijos, saladinhas e sanduiches; e fomos para o Parque Vila Lobos andar descalços na grama e comer deitados no chão. Todas as vezes que fui ao Vila Lobos foi para ir em algum show, ou alguma coisa específica. Nunca tinha ido de fato usufruir do parque. Poxa, que delícia de parque é esse! A área de picnic é perfeita, cheia de árvores. Fiquei feliz de ver que várias famílias, casais, grupos de amigos também resolveram fazer um picnic no meio da tarde de quarta-feira. Descolamos uma bela sombra, tiramos os sapatos e almoçamos ao ar livre. Depois as crianças enterraram sementes de cereja (jurando que nasceria uma cerejeira), subiram em árvores, brincaram de pega-pega, enquanto eu deitei um pouco na grama e fiquei olhando o Sol por entre as folhas das árvores. Pensando em como é gostoso quando a vida fica simples. Mateus encheu o pé de barro, até o Rafa, que está na difícil pré-adolescência, se permitiu ser criança mais um pouquinho. Bebemos todo o suco de goiaba e demos uma volta no parque para descobrir o que mais tinha por lá. Descobri quadras de tênis para uso livre, aparelhos de ginástica e uma super ciclovia. Talvez eu devesse incluir o Vila Lobos às minhas corridas de final de semana. Talvez eu crie coragem de aprender a andar de patins também. Talvez eu até arrume alguém para me segurar nos tombos e ajudar a carregar a cesta de picnic das próximas vezes. Talvez. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

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Decidi. Em dois meses eu encerro o grande ciclo da minha vida. Um ciclo que começou há 11 anos e eu vou finalmente fechar. Bem sucedida. Feliz. Então eu vou começar um novo ciclo, e nessa transição, decidi fazer um summer course de publishing em NY. Vai ser bom, poder finalmente cumprir a promessa de visitar a Maya. Também ainda vou pegar a Nati lá nessa data. Tempo cronometrado para organizar tudo. Anotado na agenda: sexta-feira vai ser dia de levantar toda a documentação e burocracia. Vai dar tempo. Eu acho.