Ontem fez um domingo lindo de Sol. Ainda está muito frio em São Paulo, mas o Sol faz o dia ficar mais bonito. Adoro esses domingos de inverno. Correr no parque de moletom, comprar o jornal e tomar chá bem quente com leite. Já falei em outros posts o quanto adoro correr no Ibirapuera. Tenho uma relação bem intensa com esse parque. Sinto saudades de morar mais perto, poder ir ao parque todos os dias. Respirar as árvores, olhar as pessoas. Organizar meus pensamentos e viver mais essa cidade ao ar livre. Agora morando em Pinheiros as corridas matinais passaram a ser na academia do prédio. O parque só mesmo aos finais de semana. Quando eu me junto à população que vem dos bairros e ocupam o parque, cada tribo ao seu estilo. Ontem o parque não parecia domingo. Sem aquela movimentação frenética, alamedas cheias, ciclovia lotada. Apenas os frequentadores de sempre, praticando esporte, passeando com suas famílias, entretendo os cachorros. Me faz tão bem estar no meio da natureza, a energia de quem se gosta e cuida de si. Eu chamo isso de qualidade de vida, e me sinto bem privilegiada de poder ter isso na minha cidade. Enquanto eu corria ia observando as pessoas. Pessoas são curiosas. São lindas. E no parque vemos pessoas de todos os jeitos. Altas, magras, tortas, atarracadas, carecas, cheias de pêlos, atléticas, siliconadas, sorridentes, carrancudas, pessoas perfeitas, assoberbadas, deficientes, obesas, apaixonadas, sozinhas, comunitárias. São tantos tipos de pessoas, e o mais maravilhoso, não existe nenhuma igual a outra. Acho isso algo realmente formidável. Em todo o mundo, de todas as pessoas que já nasceram, morreram e ainda vão nascer, não existe ninguém igual a nós. Somos únicos, irrepetíveis. Pensando assim é sempre uma benção conhecer alguém. É a única oportunidade em toda a história da humanidade de você conhecer alguém como aquela pessoa. Talvez se tivéssemos mais consciência do quão raras as pessoas são, não desperdiçaríamos um segundo do privilégio de tê-las. Vale para nós também. Eu sou uma pessoa única, exclusiva. Nunca existirá ninguém no mundo com as minhas característica físicas e psicológicas, e o privilégio de me ter, de ter a minha companhia é raro e exclusivo para essa vida, para esse lugar em que estou. Engraçado como, apesar de desfrutarmos dessa vantagem valiosíssima, nos esforçamos tanto para camuflar exatamente o que nos torna especiais. Fazemos tanta força para nos tornar mais um, iguais. Usamos as mesmas roupas, mudamos a cor e a textura dos cabelos, adquirimos vícios de linguagem. Até que nos tornemos cópias mal-feitas uns dos outros. Até que nossas essências pessoais desapareçam no perfume de uma imagem social pré-estabelecida. Porque fazemos isso? Porque é tão apavorante sermos únicos? Porque temos tanta necessidade de mudar o que somos para parecermos o que não somos? Eu me entedio com o óbvio. Me entedio com a imagem produção em série. A beleza se revela na diversidade, na diferença. Naquilo que temos e ninguém mais tem. Então a gente pega todas essas coisas maravilhosas, únicas e exclusivas que temos, e levamos para correr no parque, para passear por aí. Por mais que os olhos hoje busquem a maquiagem genérica da mesmice, ainda acredito em olhos ávidos por aquilo que é raro e belo de verdade.
Entre euforias delirantes de "impeachment" e recalque dos bandeirinhas vermelhas que acham que se o povo não está na rua defendendo a bandeira deles é sinal de que "está sendo manipulado, óbvio"; eu também não faço a menor ideia de onde isso vai dar. Mas vou dizer que fico otimista e esperançosa exatamente por esse movimento não ter uma cara definida. Por ter comunista, capitalista, criança, velhinhos, engravatados, patricinha, estudantes, ciclistas, pacifistas, madames e tudo o mais que você pode imaginar. Isso quer dizer que (para o horror de quem está acostumado com o controle vertical) algo existe que une tantas pessoas diferentes, com tantos históricos diversos. Na minha opinião o que nos une é uma só coisa: somos brasileiros.
Parece que, enfim, as pessoas resolveram levantar a bunda e reclamar sobre as coisas que estão erradas. Lembrar o governo que eles trabalham para a gente, e não para os partidos. Até por isso as bandeiras partidárias estão sendo rechaçadas. Se esses partidos concordam com o que está sendo reinvindicado, ótimo! Pode participar sim! Baixem essas bandeiras e venham reivindicar juntos, como brasileiros, não como partidos. Não adianta ficar ressentido porque o povo "não está manifestando do jeito certo". Afinal, quem disse que o "jeito certo" é o SEU jeito!? Eu não quero fazer parte de uma manifestação, lotar a Paulista, para neguinho depois estender uma bandeirona do próprio partido e usar em campanha política como se a manifestação fosse deles. Se é para estender bandeira, é a do meu país.
Surpreendentemente parece que tem gente que acha mais chocante e perigoso empunhar a bandeira nacional do que a desses partidos, que são todos oportunistas e só querem chegar ao poder, ou se perpetuar no poder. Está tão acostumado a ser gado eleitoral que já nem percebem que abandonam a própria ideologia e acabam votando no Maluf por tabela, por pura fidelidade cega. Tem que ver isso aí! Vale tudo para preservar um partido!?
Espero que essas manifestações levem a uma inversão das prioridades. Que nossos governantes tenham planos de GOVERNO, que realmente mudem nossas vidas, e não planos de PODER, que só visam fortalecer seus partidos. O que está errado não é a falta de foco do movimento, é o governo se ver frente as manifestações e ficar mais preocupado em sentar com "o pessoal do marketing" para minimizar os danos à imagem do partido, do que ter coragem de quebrar todos esses conchavos e começar a apresentar alternativas viáveis e efetivas de mudanças.
A Revolução Francesa começou pelo preço do pão. A gota d'água para um povo que foi vendo a carga tributária subir e sugá-los cada ano mais, apenas para manter uma forma de governo no poder. Até hoje na França o preço da baguete é tabelada. Talvez, se naquela época Luiz XVI tivesse parado com a esbórnia e usado os recursos públicos para melhorar a vida das pessoas, a França fosse uma monarquia até hoje. Se nossos governantes não acordarem e entenderem que trabalham para a gente, e não ao contrário, a coisa pode sim degringolar para algum lugar que ninguém sabe. Mas sou otimista e acredito que essa pressão vai fazer o Brasil mudar.
Citando Leminski, que o gado intelectual tanto gosta: "Repara bem no que não digo". E é isso o que o povo está dizendo quando recusa bandeiras partidárias. Sim, as manifestações não fazem sentido se comparadas com as que tivemos no passado. Mas é porque já não vivemos mais nesse passado. Não entende? Repara bem no que não está sendo dito pelo povo. Os nossos governantes devem fazer bem o trabalho para que são pagos. Não importa o partido, a orientação política. Foram eleitos, não foram!? Então trabalhem direito.
Como diz um cartaz que vi ontem na Paulista "Feliciano, não te esquecemos. É que estamos consertando uma merda de cada vez."
Então vamos lá, como brasileiros, consertar uma merda por vez. Exigir que o governo, nosso subordinado, que trabalha para a gente, e de quem nós pagamos o salário, trabalhe direito.
Anote na agenda:
7o Grande Ato contra o Aumento da tarifa do transporte público
Concorda?
Então venha para a Praça do Ciclista (Paulista com Consolação)
Amanhã dia 20/06 às 17h
ATO CONTRA A APROVAÇÃO DA "CURA GAY" PELA CDH
Concorda?
Então venha para a Praça Rosa (antiga Praça Roosevelt)
6a feira, dia 21/06 às 18h
ATO CONTRA A PEC37
Concorda?
Então venha para o MASP
Sábado, dia 22/06 às 15h
Parece que, enfim, as pessoas resolveram levantar a bunda e reclamar sobre as coisas que estão erradas. Lembrar o governo que eles trabalham para a gente, e não para os partidos. Até por isso as bandeiras partidárias estão sendo rechaçadas. Se esses partidos concordam com o que está sendo reinvindicado, ótimo! Pode participar sim! Baixem essas bandeiras e venham reivindicar juntos, como brasileiros, não como partidos. Não adianta ficar ressentido porque o povo "não está manifestando do jeito certo". Afinal, quem disse que o "jeito certo" é o SEU jeito!? Eu não quero fazer parte de uma manifestação, lotar a Paulista, para neguinho depois estender uma bandeirona do próprio partido e usar em campanha política como se a manifestação fosse deles. Se é para estender bandeira, é a do meu país.
Surpreendentemente parece que tem gente que acha mais chocante e perigoso empunhar a bandeira nacional do que a desses partidos, que são todos oportunistas e só querem chegar ao poder, ou se perpetuar no poder. Está tão acostumado a ser gado eleitoral que já nem percebem que abandonam a própria ideologia e acabam votando no Maluf por tabela, por pura fidelidade cega. Tem que ver isso aí! Vale tudo para preservar um partido!?
Espero que essas manifestações levem a uma inversão das prioridades. Que nossos governantes tenham planos de GOVERNO, que realmente mudem nossas vidas, e não planos de PODER, que só visam fortalecer seus partidos. O que está errado não é a falta de foco do movimento, é o governo se ver frente as manifestações e ficar mais preocupado em sentar com "o pessoal do marketing" para minimizar os danos à imagem do partido, do que ter coragem de quebrar todos esses conchavos e começar a apresentar alternativas viáveis e efetivas de mudanças.
A Revolução Francesa começou pelo preço do pão. A gota d'água para um povo que foi vendo a carga tributária subir e sugá-los cada ano mais, apenas para manter uma forma de governo no poder. Até hoje na França o preço da baguete é tabelada. Talvez, se naquela época Luiz XVI tivesse parado com a esbórnia e usado os recursos públicos para melhorar a vida das pessoas, a França fosse uma monarquia até hoje. Se nossos governantes não acordarem e entenderem que trabalham para a gente, e não ao contrário, a coisa pode sim degringolar para algum lugar que ninguém sabe. Mas sou otimista e acredito que essa pressão vai fazer o Brasil mudar.
Citando Leminski, que o gado intelectual tanto gosta: "Repara bem no que não digo". E é isso o que o povo está dizendo quando recusa bandeiras partidárias. Sim, as manifestações não fazem sentido se comparadas com as que tivemos no passado. Mas é porque já não vivemos mais nesse passado. Não entende? Repara bem no que não está sendo dito pelo povo. Os nossos governantes devem fazer bem o trabalho para que são pagos. Não importa o partido, a orientação política. Foram eleitos, não foram!? Então trabalhem direito.
Como diz um cartaz que vi ontem na Paulista "Feliciano, não te esquecemos. É que estamos consertando uma merda de cada vez."
Então vamos lá, como brasileiros, consertar uma merda por vez. Exigir que o governo, nosso subordinado, que trabalha para a gente, e de quem nós pagamos o salário, trabalhe direito.
Anote na agenda:
7o Grande Ato contra o Aumento da tarifa do transporte público
Concorda?
Então venha para a Praça do Ciclista (Paulista com Consolação)
Amanhã dia 20/06 às 17h
ATO CONTRA A APROVAÇÃO DA "CURA GAY" PELA CDH
Concorda?
Então venha para a Praça Rosa (antiga Praça Roosevelt)
6a feira, dia 21/06 às 18h
ATO CONTRA A PEC37
Concorda?
Então venha para o MASP
Sábado, dia 22/06 às 15h



