Peguei um ônibus para voltar para Sampa pela primeira vez na vida. Sempre uso a ponte-aérea. Gasto minhas milhas indo e vindo, mas como as passagens estavam o absurdo de 50.000 milhas a perna para voltar para casa, resolvi usar o Plano B. Fazia tanto tempo que não viajava de ônibus. Acho que estou virando uma mochileira preguiçosa. Fazendo tudo de avião. Chegar na rodoviária foi nostálgico. Me lembrei da época que mochilava na raça. Pré-internet, hostelword e app de celular. Acho que essa molecada que mochila hoje nunca vai saber o que é deixar o destino para o acaso da rodoviária. Chegava carregada com a mochila e tentava descobrir como fazia para sair da cidade onde eu estava e chegar onde queria chegar. Algumas vezes olhava para os letreiros do balcão de viagem e decidia ali um lugar para ir. Outras tinha que mudar o destino porque o próximo ônibus para o lugar que eu queria só partiria em 3 dias. Acho que a internet tirou um pouco da espontaneidade de mochilar. Talvez isso seja uma ideia legal de resgate para 2014. Foi gostoso também descobrir que os serviços de ônibus melhoraram muito desde minha adolescência. Mudanças muito bem-vindas! Um dos maiores perrengues que já passei na vida foi viajar 36 horas em um ônibus comum a caminho da Bahia. Hoje vim em ônibus leito, luxo total! Assento enorme, mega confortável. Li quase um livro inteiro e ainda admirei a vista do interior de São Paulo. Que delícia isso! Isso é que é estar "on the road" de verdade. Parada em posto de estrada, biscoito de polvilho e a mente sonhando com todas as viagens que eu ainda vou fazer enquanto o asfalto passa pela janela ao lado.
Entre euforias delirantes de "impeachment" e recalque dos bandeirinhas vermelhas que acham que se o povo não está na rua defendendo a bandeira deles é sinal de que "está sendo manipulado, óbvio"; eu também não faço a menor ideia de onde isso vai dar. Mas vou dizer que fico otimista e esperançosa exatamente por esse movimento não ter uma cara definida. Por ter comunista, capitalista, criança, velhinhos, engravatados, patricinha, estudantes, ciclistas, pacifistas, madames e tudo o mais que você pode imaginar. Isso quer dizer que (para o horror de quem está acostumado com o controle vertical) algo existe que une tantas pessoas diferentes, com tantos históricos diversos. Na minha opinião o que nos une é uma só coisa: somos brasileiros.
Parece que, enfim, as pessoas resolveram levantar a bunda e reclamar sobre as coisas que estão erradas. Lembrar o governo que eles trabalham para a gente, e não para os partidos. Até por isso as bandeiras partidárias estão sendo rechaçadas. Se esses partidos concordam com o que está sendo reinvindicado, ótimo! Pode participar sim! Baixem essas bandeiras e venham reivindicar juntos, como brasileiros, não como partidos. Não adianta ficar ressentido porque o povo "não está manifestando do jeito certo". Afinal, quem disse que o "jeito certo" é o SEU jeito!? Eu não quero fazer parte de uma manifestação, lotar a Paulista, para neguinho depois estender uma bandeirona do próprio partido e usar em campanha política como se a manifestação fosse deles. Se é para estender bandeira, é a do meu país.
Surpreendentemente parece que tem gente que acha mais chocante e perigoso empunhar a bandeira nacional do que a desses partidos, que são todos oportunistas e só querem chegar ao poder, ou se perpetuar no poder. Está tão acostumado a ser gado eleitoral que já nem percebem que abandonam a própria ideologia e acabam votando no Maluf por tabela, por pura fidelidade cega. Tem que ver isso aí! Vale tudo para preservar um partido!?
Espero que essas manifestações levem a uma inversão das prioridades. Que nossos governantes tenham planos de GOVERNO, que realmente mudem nossas vidas, e não planos de PODER, que só visam fortalecer seus partidos. O que está errado não é a falta de foco do movimento, é o governo se ver frente as manifestações e ficar mais preocupado em sentar com "o pessoal do marketing" para minimizar os danos à imagem do partido, do que ter coragem de quebrar todos esses conchavos e começar a apresentar alternativas viáveis e efetivas de mudanças.
A Revolução Francesa começou pelo preço do pão. A gota d'água para um povo que foi vendo a carga tributária subir e sugá-los cada ano mais, apenas para manter uma forma de governo no poder. Até hoje na França o preço da baguete é tabelada. Talvez, se naquela época Luiz XVI tivesse parado com a esbórnia e usado os recursos públicos para melhorar a vida das pessoas, a França fosse uma monarquia até hoje. Se nossos governantes não acordarem e entenderem que trabalham para a gente, e não ao contrário, a coisa pode sim degringolar para algum lugar que ninguém sabe. Mas sou otimista e acredito que essa pressão vai fazer o Brasil mudar.
Citando Leminski, que o gado intelectual tanto gosta: "Repara bem no que não digo". E é isso o que o povo está dizendo quando recusa bandeiras partidárias. Sim, as manifestações não fazem sentido se comparadas com as que tivemos no passado. Mas é porque já não vivemos mais nesse passado. Não entende? Repara bem no que não está sendo dito pelo povo. Os nossos governantes devem fazer bem o trabalho para que são pagos. Não importa o partido, a orientação política. Foram eleitos, não foram!? Então trabalhem direito.
Como diz um cartaz que vi ontem na Paulista "Feliciano, não te esquecemos. É que estamos consertando uma merda de cada vez."
Então vamos lá, como brasileiros, consertar uma merda por vez. Exigir que o governo, nosso subordinado, que trabalha para a gente, e de quem nós pagamos o salário, trabalhe direito.
Anote na agenda:
7o Grande Ato contra o Aumento da tarifa do transporte público
Concorda?
Então venha para a Praça do Ciclista (Paulista com Consolação)
Amanhã dia 20/06 às 17h
ATO CONTRA A APROVAÇÃO DA "CURA GAY" PELA CDH
Concorda?
Então venha para a Praça Rosa (antiga Praça Roosevelt)
6a feira, dia 21/06 às 18h
ATO CONTRA A PEC37
Concorda?
Então venha para o MASP
Sábado, dia 22/06 às 15h
Parece que, enfim, as pessoas resolveram levantar a bunda e reclamar sobre as coisas que estão erradas. Lembrar o governo que eles trabalham para a gente, e não para os partidos. Até por isso as bandeiras partidárias estão sendo rechaçadas. Se esses partidos concordam com o que está sendo reinvindicado, ótimo! Pode participar sim! Baixem essas bandeiras e venham reivindicar juntos, como brasileiros, não como partidos. Não adianta ficar ressentido porque o povo "não está manifestando do jeito certo". Afinal, quem disse que o "jeito certo" é o SEU jeito!? Eu não quero fazer parte de uma manifestação, lotar a Paulista, para neguinho depois estender uma bandeirona do próprio partido e usar em campanha política como se a manifestação fosse deles. Se é para estender bandeira, é a do meu país.
Surpreendentemente parece que tem gente que acha mais chocante e perigoso empunhar a bandeira nacional do que a desses partidos, que são todos oportunistas e só querem chegar ao poder, ou se perpetuar no poder. Está tão acostumado a ser gado eleitoral que já nem percebem que abandonam a própria ideologia e acabam votando no Maluf por tabela, por pura fidelidade cega. Tem que ver isso aí! Vale tudo para preservar um partido!?
Espero que essas manifestações levem a uma inversão das prioridades. Que nossos governantes tenham planos de GOVERNO, que realmente mudem nossas vidas, e não planos de PODER, que só visam fortalecer seus partidos. O que está errado não é a falta de foco do movimento, é o governo se ver frente as manifestações e ficar mais preocupado em sentar com "o pessoal do marketing" para minimizar os danos à imagem do partido, do que ter coragem de quebrar todos esses conchavos e começar a apresentar alternativas viáveis e efetivas de mudanças.
A Revolução Francesa começou pelo preço do pão. A gota d'água para um povo que foi vendo a carga tributária subir e sugá-los cada ano mais, apenas para manter uma forma de governo no poder. Até hoje na França o preço da baguete é tabelada. Talvez, se naquela época Luiz XVI tivesse parado com a esbórnia e usado os recursos públicos para melhorar a vida das pessoas, a França fosse uma monarquia até hoje. Se nossos governantes não acordarem e entenderem que trabalham para a gente, e não ao contrário, a coisa pode sim degringolar para algum lugar que ninguém sabe. Mas sou otimista e acredito que essa pressão vai fazer o Brasil mudar.
Citando Leminski, que o gado intelectual tanto gosta: "Repara bem no que não digo". E é isso o que o povo está dizendo quando recusa bandeiras partidárias. Sim, as manifestações não fazem sentido se comparadas com as que tivemos no passado. Mas é porque já não vivemos mais nesse passado. Não entende? Repara bem no que não está sendo dito pelo povo. Os nossos governantes devem fazer bem o trabalho para que são pagos. Não importa o partido, a orientação política. Foram eleitos, não foram!? Então trabalhem direito.
Como diz um cartaz que vi ontem na Paulista "Feliciano, não te esquecemos. É que estamos consertando uma merda de cada vez."
Então vamos lá, como brasileiros, consertar uma merda por vez. Exigir que o governo, nosso subordinado, que trabalha para a gente, e de quem nós pagamos o salário, trabalhe direito.
Anote na agenda:
7o Grande Ato contra o Aumento da tarifa do transporte público
Concorda?
Então venha para a Praça do Ciclista (Paulista com Consolação)
Amanhã dia 20/06 às 17h
ATO CONTRA A APROVAÇÃO DA "CURA GAY" PELA CDH
Concorda?
Então venha para a Praça Rosa (antiga Praça Roosevelt)
6a feira, dia 21/06 às 18h
ATO CONTRA A PEC37
Concorda?
Então venha para o MASP
Sábado, dia 22/06 às 15h








