sábado, 30 de julho de 2011

PERGUNTA



Por que? Por que eu deliberadamente escolhi desligar meu celular hoje? Deitar no sofá de roupa? Abrir uma garrafa de Chardonnay decidida a beber inteirinha sozinha? Por que eu tenho predileção aos filmes do TC Cult? Por que minhas relações pessoais estão cada vez mais no Twitter e no Skype do que na vida real? Por que eu aprecio cada vez mais o silêncio e a reclusão? Nem sempre eu fui uma pessoa caseira. Juro que saí na balada de segunda à segunda. Já emendei 72 horas non-stop com direito de ir trabalhar com a roupa da pista. Foram auros tempos. Principalmente na minha capacidade de não dormir e no meu metabolismo abençoado. Faz tanto tempo que nem me lembro de ser eu. Hoje eu sinto uma falta física de ficar em casa. Sozinha em casa. Gosto do acolhimento. Da sensação de fechar a porta e então, finalmente, poder começar a pensar e ser eu. Adoro a acústica da música clássica reverberando pela sala. De afofar as almofadas. Ir até a geladeira para encher o copo de vinho. Gosto de deitar na cama cedo e ficar lendo um livro até cair no sono. Depois de acordar e permanecer acordada na cama. Sentindo a textura dos lençóis. Ouvindo as notícias na TV. Gosto de café na cama. De ler o jornal ainda de pijama. Depois descer e esticar meu mat na sala, e meditar até sentir câimbras. Gosto de descobrir coisas que só fazem sentido para mim. E ir buscar no escritório alguma explicação. Me perder em notas até esquecer o que mesmo eu procurava. Gosto de calça de moleton. Salada de salmão defumado feita de improviso. De deixar o fogão respingado de café. Gosto de desistir de qualquer programa que me obrigue a sair de casa. Eu sei. É horrível. Mas eu gosto. Adoro pular fora na última hora.  Andei por muito tempo por aí para saber que não existe nada de muito incrível na rua acontecendo que não pudesse estar acontecendo dentro de mim mesma. Acho que o segredo é que eu gosto da minha própria companhia, então ficar sozinha para mim é um grande prazer. Não que eu despreze a companhia dos meus amigos. Sou uma garota de sorte, cheia de amigos muito legais. Mas a maravilha e a completude de estar consigo, é insuperável na minha opinião. A segurança de se saber completa, inteira. Autônoma. São todas palavras tão lindas. Eu gosto. Eu sei que eu devia aproveitar a vida, aproveitar a cidade maravilhosa em que eu moro. Eu sei que eu devia um monte de coisas. Mas no final do dia não importa muito o que eu devia fazer, e sim o que eu gosto. Então acho que essa seja a resposta. Abri um Chardonnay e fiz questão de silêncio. Porque eu gosto. E esse é o tipo de motivo para o qual não temos argumentos.                                       

segunda-feira, 25 de julho de 2011

RETRATO


Tem um poema da Cecília Meireles que eu gosto muito.

"Eu não tinha este rosto de hoje, 
assim calmo, assim triste, assim magro, 
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força, 
tão paradas e frias e mortas; 
eu não tinha este coração que nem se mostra. 
Eu não dei por esta mudança, 
tão simples, tão certa, tão fácil: 
Em que espelho ficou perdida a minha face?"

Quando eu era adolescente a professora de literatura promovia recitais de poesia na escola. Eu e minhas amigas nos acabavam em Cecília, Vinícius, Drummond, Augusto dos Anjos... Tantos e tantos outros. Lembro de muitas poesias até hoje. Ontem à noite, já alta madrugada, quando eu finalmente terminei de preparar uma apresentação, uma reunião e todo o conteúdo da semana de um dos meus clientes, já eram 3h30 da manhã. Eu passei o final de semana em um esquema bem caseiro. Ontem nem botei o nariz para fora de casa! Nem uma gota de álcool. Nada. Mas lá estava eu acabada. Juro. Eu sentia como se tivesse tomado uma surra. Minhas articulações doíam. Meu globo ocular doía. Eu mal conseguia combater o sono, que por tantos anos era um acessório descartável. O sono que por tantos anos eu perseguia em noites de insônia. Então lá estava eu, saindo do banho no meio da madrugada. Espancada de fazer o que alguns anos atrás não era nada. Subi na balança e descobri que meu peso estava maior também. Como pode??? Eu malho, eu faço dieta. Nunca foi tão difícil perder peso como agora. Afinal o que é isso, hein? O que está acontecendo? Minha audição anda falha. Eu esqueço o nome das coisas. Eu esqueço o nome das pessoas! Então veio inteira na minha mente. Olhando no espelho. “Eu não tinha esse rosto de hoje”. Aposto que Cecília estava tentando perder peso, se matando de trabalhar e sem flexibilidade nenhuma na aula de ballet quando escreveu essa poesia.
Então vai ser assim? Eu estou entrando no meu inferno astral em 10 minutos. Contagem regressiva para fazer 35 anos. Assumindo oficialmente que, talvez, tenha alguma poesia em envelhecer.

domingo, 24 de julho de 2011

REHAB

Eu fiquei muito triste hoje com a notícia da morte da Amy. Eu estava organizando meus livros em ordem alfabética na minha estante nova, quando ouvi no rádio. Morte anunciada. Todo mundo sabia que era questão de tempo que algo assim acontecesse. É como parente velhinho. A gente sabe que vai a qualquer momento, mas quando vai... É triste. Ver alguém tão talentoso ter uma morte idiota. Eu acho que todo mundo deveria morrer dormindo. Velhinho. Cansado, cheio de lembranças. Rodeado de gente. Cheio de amor. Eu sou caretinha, tradicional. Para mim as pessoas deviam nascer, crescer, se reproduzir e morrer. Daí quando o script é outro eu sinto pela pessoa. A Amy era uma garota com um dom incrível. A primeira vez que ouvi o CD dela foi um alívio. Um frescor no meio de uma geração que parecia afundar em fórmulas comerciais e medíocres. Então tinha essa garota cantando com o útero na voz, e isso é bonito, né!? É algo que me emociona. Mas essa garota devia ter vivido mais amor, ter construído uma família. Ela devia ter visto seus filhos crescerem e descobrirem o mundo. Ela devia ter envelhecido até ver a nova geração se reproduzir. E descobrir a maturidade. As limitações naturais do corpo. O desafio de envelhecer. Devia ter acumulado sabedoria e multiplicado sua obra. É isso que as pessoas deviam fazer. Não apenas ela, que era famosa e por isso mais exposta. Mas eu acho que todo mundo devia fazer isso. Porque eu acho que o maior barato da vida é passar de cabo a rabo, e experimentar cada etapa da jornada. Refeição completa. Aperitivo, couvert, entrada, três pratos harmonizados com vinho, sobremesa, licor e café. Eu acho que todo mundo tem talentos extraordinários. Mesmo que nunca ganhe um Grammy por isso. E ver qualquer pessoa desperdiçando a vida me deixa triste. Eu nunca entendo que tipo de sofrimento faz com que as pessoas queiram passar mais tempo anestesiadas por drogas do que de olhos bem abertos vivendo tudo. Mas a gente nunca vai saber o que é estar na pele daquela que precisa se anestesiar. É engraçado isso. Tanta gente querendo ser extraordinário na vida, mas parece que os mais “extraordinários” são aqueles que mais sentem necessidade de não sentir nada. Hoje eu trabalhei, levei meus sobrinhos na Feirinha da Benedito Calixto, comi em barraquinha com amigos queridos, inaugurei minha máquina de café nova. Então eu fui à padaria, comprei pão, leite e manteiga. Sentei com o Ozzie e ficamos horas conspirando sobre nossa pequena empresa. Cozinhei, limpei a cozinha, lavei roupa. Já meio tarde da noite, eu sentei na sala e assisti a novela que estava gravada. Mandei email para o meu príncipe, e quando eu já estava tomando banho, me flagrei pensando “Como eu gosto da minha vida como ela é hoje”. Simples assim. Comum. Cotidiana. Sem grandes eventos sociais. Sem acontecimento de mudar o curso da história. Gosto de saber que minha vida não é extraordinária. Que eu não vou revolucionar nada, nem sair na capa da revista, nem ganhar um Grammy. Gosto de pensar em reciclar o lixo, em procurar o fecho do brinco que caiu no chão, na taxa de colesterol. Não sei se isso me livra de ser encontrada no chão da sala com overdose algum dia, mas com certeza é uma vida que não me faz ter vontade alguma de me anestesiar. É uma vida inteira. De verdade. Ser humana, estar viva, já é algo extraordinário o suficiente para mim. Durante muito tempo eu tive tanto medo de ser comum que não prestava atenção na parte mais extraordinária da vida. Aquela em que nós apenas somos. Eu fico triste que a Amy não tenha conseguido enxergar isso. Não apenas a cantora excepcional (que talvez tenhamos que esperar uns 30 anos para surgir outra igual), mas o ser humano com um potencial ilimitado de amor que todos somos. Como eu disse, é muito triste ver alguém tão talentoso ter uma morte idiota. Eu escolhi viver minha vida comum, cheia de talento, na esperança de encontrar a morte dormindo, velhinha, de forma extraordinária.


Que loucura! Faz dois meses que não passo por aqui...
Andei cuidando de algumas partes de mim, e esse blog sempre foi um prazer. Nunca uma obrigação.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

SURPRISE!



Tive uma semana bem intensa. Com direito a dias de depressão, caos, trabalho além da conta. Algumas coisas que me deixaram chateada e tristezinha. Então essa semana resolvi fazer uma sopinha e chamar algumas amigas queridas para nos afundarmos no vinho aqui em casa. Realmente aconteceu. Quatro garrafas de vinho no meio de muitas conversas e risadas. Essas coisas maravilhosas que só as amigas são capazes para recuperar seu humor. Então Paula vira para mim e diz "Vou para Paris no meio de Junho. Porque você não vem comigo?". Sabe que por dez segundos eu fiquei tentando pensar em razões para não ir. Não me veio nenhuma em mente. E eu comecei a pular como besta no meio da sala. "Paris! Paris! Paris!". Então assim. Paris em junho. Longas caminhadas. Vinhos nos parques. Fotos na Pont Neuf. Vou visitar Versailles, que não fui da última vez. E fazer tudo o que eu não consegui fazer da outra vez porque S. era americano demais para fazer coisas francesas. Como Paula é praticamente parisiense, será ainda mais especial voltar para lá com alguém que conhece a cidade de uma forma não turística. Estou que não me aguento de empolgação. Muita benção! Eu preciso agradecer. Sempre que fico borocoxô, a vida me presenteia com algo fantástico. Muita benção! Mas espera um pouquinho... Não é apenas isso não! Checando passagens com minha agente de viagens, ela me oferece uma da KLM via Amsterdam... Tá pensando no que eu estou pensando? (Porque não parar uns dias em Amsterdam???) Pois é. Estou até agora tentando achar um motivo para não. :-) E meu Dutch Prince ainda vai me encontrar lá... Lógico que eu já estou me coçando de vontade de ir para Brussels, Barcelona, Londres, Porto, ficar mais tempo e rever tantas cidades que eu amei. E ROMA! Claro. Minha Roma amada. Mas não vai dar. Não dessa vez. Vou pegar apenas 10 dias, aproveitando final de semana, feriado prolongado e torcendo para ninguém reparar que eu fui até ali e volto já. Mas ainda assim, é Paris! E Amsterdam como cereja do bolo. Dá para não sorrir? (Eu ainda estou pensando em algum motivo para não.) Não. Não dá.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

PINK BIKE

Eu quase não dou conta de ficar pesquisando conteúdo e descobrindo blogs por todos os lados. Vou esbarrando em tanta coisa legal, que depois não lembro de onde foi, como, quem. No meio da incursão de hoje, esbarrei nessa bike perdida entre um post e outro. Pink! Sim, Pink! Eu me lembro que quando tinha 15 anos a moda eram as mountain bikes com 18 marchas. Eu queria uma rosa. Rosa fluorescente. Não existia. Eu quis tanto. Com tanta força. Que 15 dias antes do meu aniversário a Caloi (ou foi a Monark... não lembro) lançou uma exatamente como eu queria. E eu ganhei de presente. Dei muitas voltinhas na Fábrica da Melhoramentos com ela e com a Carol. Hoje eu tenho uma comum. Caloi, 21 marchas. Bonita. Bem urbana. Em Amsterdam eu pirei com as bikes que todo mundo usa para cima e para baixo. Simples, de ferro. Com freio no pedal. Jeitão retrô. Como essa semana eu ando saudosista da Europa (talvez porque esteja esfriando e eu fico pensando que lá é só primavera ainda e o verão vai chegar), ando com uma saudade de Roma, de Bruxelas, de Londres e Amsterdam (minhas favoritas). De tomar gelatto, deitar na grama do Hyde Park, waffles e pedalar entre canais. Eu vi esse modelito e pensei: “tem meu nome nela”. A coisa mais "mim qué muito" do mês! O preço nesse link só que me assustou. Será que é pegadinha? Será que eu caio na pegadinha? Só falta um cestinho na frente, um ramalhete de lilases e lavanda... Ah, em algum lugar do mundo é Primavera!

terça-feira, 10 de maio de 2011

DRY BY DRI


Eu sou da opinião de que Champagne deveria ser item de cesta básica. Adoro! Por mim todo dia era brunch. Ovos Benedict e flute de Champagne. Adoro o formato das taças. Adoro as bolhinhas fazendo cócegas no nariz. O entorpecimento e as cores que a vida só ganha quando tomamos champagne. Winston Churchill (talvez o único político que eu respeite de toda história) dizia: “Champagne should be cold, dry and free.” A Kika foi para Berlin e me trouxe um imã de geladeira que diz exatamente isso. Achamos que Sir Churchill roubou isso de mim.  Verdade que champagne é um Channel. Clássico. Universal. Mas eu tenho também um outro drink de paixão. Eu costumava consumi-lo com mais freqüência antigamente. Em tardes preguiçosas ou acompanhando conversas e bolinhos de arroz no Ritz junto com o Alê. Dry Martini! O drink do James Bond (que cometia o sacrilégio de pedir batido e não mexido). Foi o Alê que me ensinou a pedir Dry Martinis com duas (Três pode Arnaldo?) azeitonas. Segundo ele o gin faz com que a pressão caia levemente, e a azeitona no fundo da taça triangular é como um pequeno orgasmo, salgadinha, dando um up e fazendo o mundo brilhar. Dry Martinis com orgasmos duplos. Sou muito a favor. Acabo não pedindo tantos Dry Martinis quando saio por uma razão muito triste na verdade. Em uma época em que a moda é colocar adolescentes de avental atrás dos balcões, difícil mesmo é encontrar um Dry bem feito em São Paulo. Alguns endereços mantém barmen a peso de ouro. Apesar de muito simples em conteúdo, o Dry Martini é o drink mais difícil de ser executado corretamente. O gin é uma bebida muito suceptível às ações do ambiente. Temperatura, trepidações. Tudo altera seu sabor. O vermuth é quase nada. É ele quem dá o “dry”, e se não for adequadamente acrescentado, pode resultar em um drink intragável. Fora isso existe uma combinação de tempo e destreza do barman em gelar o copo, passar o gin na coqueteleira em tempo de não derreter o gelo, besuntar a taça com vermuth. Acrescentar rapidamente o gin e, enfim, pingar a azeitona. Ou melhor, as azeitonas. Eu aprendi os segredos para se fazer um bom Dry, segredos esses que definem a mão de um bom barman, por um date. O date foi um fracasso. Ele era um rapaz adorável, mas que infelizmente não me atraía em nada. Mas era também campeão brasileiro de coquetelaria (é assim que fala?), e me ensinou cada passinho para servir um Dry de fazer Ian Flemming tirar o chapéu. No final de semana eu comprei tacinhas triangulares. Mesmo que for para tomar chá gelado, tacinhas triangulares são um charme. Hoje eu arregacei as mangas e fiz meu primeiro Dry Martini do ano. Geladinho, seco, e com orgasmo triplo. Para comemorar um dia lindo, produtivo e cheio de oportunidades. Pode ser um pouco alcoólatra chegar em casa e fazer drinks... mas eu fiquei me sentindo, desfilando pela sala com a tacinha triangular.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

COOLTRANE QUARTET AND A CLOUD SKY


Eu queria passar o final de semana bem quietinha, meditando. Assistindo os filmes que estão entupidos na minha HDTV. Ficar um pouco comigo em silêncio. Não foi exatamente assim porque o telefone tocava ou apitava, e teve Dia das Mães (quando você é de família italiana qualquer almoço de domingo é o exato oposto de “quietinho” e “silêncio”). Mas o que deu para relaxar já foi de grande ajuda. Me ajudou a deixar a mente quieta e a espinha ereta. Está faltando o coração tranqüilo, mas isso eu resolvo com mais um pouquinho de meditação. Afinal o segredo é conseguir o equilíbrio também de ficar sozinha e acompanhada por mim mesma. Ontem, voltando da orgia gastronômica que foi o almoço na casa da minha tia, ouvi um somzinho muito delícia na MIT FM. Eu descobri a MIT por acaso. Eu estava procurando a Eldorado depois que eles mudaram tudo e virou Estadão e Brasil 3000 (!!!), então esbarrei nessa rádio que fica bem ao ladinho de onde era a Eldorado. No 92,5. Não sei se a rádio existe já há tempos e eu só descobri agora que voltei para casa, de qualquer forma foi uma grande descoberta. Locutores tranqüilos, uma programação que tem bem meu gosto. Sofisticada e despretensiosa. Ontem estava ouvindo um programa que só passa versões pouco conhecidas de músicas famosas. Eu gosto de Clash, por exemplo. Acho Clash incrível para dançar. Mas Clash, você precisa estar no clima. De matar a rainha, ou salvar a rainha, whatever. Em um dia cinzento como está hoje, em que minha xícara de Earl Grey esfria enquanto eu enrolo para almoçar, quem diria que Clash pode ser uma opção perfeita? Eu digo. Dá uma olhadinha nessa versão de “Should I stay or Should I go” feita pelo Cooltrane Quartet. Novamente, assim como a rádio, não sei se essa banda está por aí há milênios e eu não sabia. Mas no meu mundo eu estou descobrindo agora, e é segunda-feira cinzenta.



sexta-feira, 6 de maio de 2011

SILÊNCIO PORFAVOR!


Tem hora que a gente se perde de si mesma. As pessoas começam a olhar para a gente e enxergar exatamente tudo aquilo que você abandonou dois anos e que foi tão difícil e doloroso se livrar. Não está totalmente eliminado de mim. Então silêncio para saber exatamente onde foi que eu me perdi.
Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

HAPPY AUDREY!



Happy Audrey to you!
Hoje seria o aniversário da Audrey Hepburn. A garota que se achava feia, desengonçada, mas conseguiu usar tudo isso a seu favor e até hoje é um ícone de estilo e elegância. Quem me conhece sabe que eu sou uma Audrey girl. Existem garotas que são Marilyn, outras são Jackie. Garotas Imelda. Conheço umas que até são Amy (Winehouse!!!). Mas eu sou Audrey. Então sinto que hoje eu mereço um presente de aniversário também. Vale rever post que fiz em Londres no ano passado: What would Audrey do? e flute de champagne no final do dia.
Happy Audrey to me!

ESSE NEM IMELDA TEM!

Vai para o rodeio e não sabe onde colocar o dinheiro? Baile Funk e não quer dar bandeira com a camisinha? Pensando em encarar a "Reiver" e não tem onde enfiar o absorvente? Balada? Barzinho? Compras na 25 de março? Seus problemas acabaram!


(Só para registro. Sou doente por sapatos... mas NUNCA tanto assim!)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

YOURWEDDING.COM

Eu já estou com diabetes com esse papo de casamento para todos os lados. Quando eu acho que vou cortar os pulsos e assinar o atestado de cética forever, trombei com esse vídeo no blog da Espaço Fashion. É um vídeo da Ashley Meaders, que é designer, produtora, videomaker e garota plural. She makes stuff! Eu acho que se a Kate tivesse esbarrado nesse site aqui teria feito um casamento bem menos tradicional. Mas como ninguém aqui precisa seguir protocolo real, vale a pena anotar o endereço na agenda e inventar qualquer evento para contratar a moça e se deliciar com o que ela pode inventar para a gente. Tudo tão criativo, fofo e despretencioso. Com uma cara danada de "mim qué muito".


Max, Margaux, & The Marvelows from Shark Pig on Vimeo.

domingo, 1 de maio de 2011

QUENTE, QUENTE, QUENTE... QUEIMOU!

Funciona assim. A gente começa a ganhar peso. Dormir mal, ficar cansada. Então chega em casa um dia e resolve fazer uma revolução na alimentação. Nada mais de comer enquanto trabalha em frente ao computador. Nada mais de comida em saquinhos, barrinhas de gordura e açúcar. Eu cheguei em casa essa semana e resolvi cozinhar. Gãos integrais e legumes. Tudo bem caseiro para deixar minha pele mais bonita. Coloquei uma espiga de milho em água com sal para cozinhar e fui para o computador trabalhar. O problema de computadores é que eles nos transferem para uma realidade paralela. Uma outra dimensão onde o tempo e o espaço possuem massa, peso, cor e aroma diferentes. Após algumas horas a gente só sente que o tempo passou se a perna começar a formigar. Mesmo assim mudamos de posição e continuamos compenetrados no que quer que estivéssemos fazendo. Eu até cheguei a sentir cheiro de queimado, mas achei que o vizinho fosse desastrado. Como Murphy diz, a desastrada sou sempre eu. Resultado foi uma cozinha tomada pela fumaça. Uma panela jogada no lixo. Louças, paredes, meus cabelos e os lençóis limpinhos que estavam aguardando para serem passados, totalmente defumados. O cheiro de queimado impregna nas narinas, né!? E o jantar virou essa imagem aqui embaixo. Uma vez eu salguei demais a comida e me disseram que era sinal de que eu estava apaixonada. (Neguei. Neguei até a morte, mas eu estava.) Quando a gente produz carvão caseiro é sinal de que?

quinta-feira, 28 de abril de 2011

WILL YOU MARRY ME?

Pois é. Amanhã é o casamento do ano. Despertadores acertados para 6h da manhã. Chá, torradas com manteiga e geléia no Breakfast. Bem british! Hoje cedinho eu estava ouvindo no Globonews o Prince Williams contando como foi pedir Kate em casamento. Ele ficou 15 dias andando com aquele anel DESLUMBRANTE no bolso do paletó até tomar coragem. Eu nunca entendi esse medo que os homens têm de pedir uma garota em casamento. Desde que seja feito com verdade e sensibilidade, não existe a menor possibilidade de uma garota recusar. Mas concordo que o friozinho na barriga deixa tudo ainda mais excitante. Adoro ouvir histórias de declarações de amor. De pedidos românticos de casamento. Preparativos. Flores. Produções criativas. Coleciono histórias como essas. Sou da opinião que pedido de casamento deve ser apaixonado, romântico, preparado. Deve surpreender, emocionar. Fazer a gente suspirar. Basta um anel, uma certa dose de criatividade e completa disponibilidade de se jogar. Mostrar que está pulando na piscina sem rede de proteção. Sem querer saber se está cheia de água ou não.


Esse vídeo a Eva me mandou hoje. Eu, bobona e sensível como estou essa semana, me peguei chorando e rindo de mim mesma pelas lágrimas. Ainda bem que tem bastante chocolate da Páscoa, e que não teremos outros casamentos de príncipes e princesas tão cedo.



quarta-feira, 27 de abril de 2011

MEU REINO POR UM CINEMINHA

Não está dando nem para sonhar com um cineminha ultimamente. De qualquer forma eu resolvi que, depois que escurece, eu posso sentar embaixo do cobertor em frente a TV e ficar trabalhando na sala. Abastecida pelas toneladas de chocolates que fizeram minha Páscoa bem mimada. Agora eu tenho esse tal de HDTV, que é um grande trambolho no meio da minha sala, e o controle remoto é lerdo como uma senhora de 98 anos atravessando a Paulista na hora do rush. Mas esse trambolhão grava tudo o que eu quero na TV e um pouco mais. O Jornal das 22h da Globonews. Todos episódios de Grey´s Anatomy (tá reprisando, mas ainda assim...). Toneladas de Simpsons para momentos de insônia. “Os Pássaros” de Hitchicock. Todos da trilogia Jason Bourne. E minhas comédias românticas favoritas. Estou começando a entender aquela fase em que a Miranda namorava com o TIVO em “Sex and the City”. Faz tanto tempo que não vou ao cinema que nem sei o que está passando. Eu e P.Lieff íamos assistir “Rio” no domingo. Deu que o tempo esfriou e as duas ficaram em seus respectivos sofás embaixo de seus respectivos cobertores. Além de “Rio” tem mais alguma coisa legal passando por aí? Estou louca para tirar duas horinhas, sentar em um cineminha e me entupir de pipoca com manteiga.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A GAROTA MAIS INVEJADA DO MUNDO





Façam suas reservas! Sexta-feira é dia de brunch e de assistir ao Casamento Real. O Casamento do ano. (Mas isso só porque nem eu, nem nenhuma das minhas amigas vai casar esse ano.) Ok, eu confesso! Estou doida para assistir a esse casamento. Porque será que a gente fica besta com essas coisas? Será que é porque, não importa que a gente esteja beirando os 35, desde os 5 a gente baba com histórias de princesas? Será que é só porque essa parece ser uma história de amor de verdade? E tudo é tão mágico, e parece tão perfeito, que faz a gente pensar que (talvez) o mundo não seja tão cínico como a gente gosta de acreditar. Kate Middleton é de longe a garota mais invejada do mundo hoje. Está tudo aqui. 10 motivos de ela ser a garota mais invejada do mundo. Eu ainda acho que nem precisava de 10. Só de ela ter encontrado um grande amor. Um amor que parece ser incrível e de verdade (nem precisava ser o Princípe da Inglaterra), já é motivo suficiente para mim.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

SE APAIXONAR OU NÃO SE APAIXONAR. EIS A QUESTÃO.

Sabe aquele papo de que a gente não escolhe por quem se apaixonar? Mentira. Balela. A gente não escolhe por quem NÃO se apaixonar. Não dá para forçar a barra, decidir se apaixonar na marra. Não se apaixona e ponto. Nem reza brava, simpatia, mandiga e vassora atrás da porta. A decisão de se apaixonar no entanto é nossa. Colocar-se em situação. Sorrir de volta. Aceitar o convite para o café. Atender ao telefone. Responder o SMS. Falar da vida durante o jantar e retribuir o beijo de boa noite. Isso tudo é escolha nossa. Isso é a nossa opção de se permitir apaixonar. Eu não acredito em vítimas no amor. Acredito que as pessoas podem se machucar, que existam pessoas infiéis, desleais. Mas é nossa escolha continuar atendendo ao telefone, respondendo emails. É nossa escolha se colocar na posição de ter o coração destroçado. Afinal eu nunca ouvi falar de ninguém que se apaixonou por osmose ou porque sentou em banheiro público. Tem um cara ultimamente que resolveu se apaixonar por mim. Eu estou considerando seriamente me permitir apaixonar por ele também. Já faz meses que ele me escreve, me rodeia. Ele se esforça esperando que eu também me coloque em posição de me apaixonar. Quando eu voltei da Guatemala resolvi que poderia ser uma boa idéia. Ele é bonito, inteligente, bem estabelecido, engraçado, educado, gentil. Ele é um príncipe, e anda super em voga essa coisa de se apaixonar por príncipe hoje em dia. Então eu pensei, “porque não?”. Porque não responder emails, sorrir de volta? Me colocar naquela situação que até é vulnerável, mas a única em que nos permite conhecer alguém de verdade e se apaixonar? Então eu comecei a tomar todas aquelas decisões. Só existe um pequeno problema. Eu estou me deixando apaixonar por uma pessoa que está um oceano de distância de mim.  Pois é. Meu príncipe é holandês, e se não fosse por isso eu nem estaria aqui me questionando tal qual Hamlet sobre a essência da vida. Quando a gente se apaixona a gente sabe que pode não dar certo. Que pode machucar. São noites chorando no travesseiro e comendo brigadeiro em frente a TV. Agora sabendo que existe um oceano inteiro entre a gente e a pessoa, será que é prudente se apaixonar? Eu sei que a gente só descobre tentando. Que só se vive quando estamos exatamente naquela situação de vulnerabilidade que nos faz sentir emoções. Mas e daí? A gente se joga e deixa para pensar no oceano quando o pote de brigadeiro já estiver no colo? Porque uma coisa é certa. Se apaixonar é escolher também lidar com um oceano nesse caso.  Será que eu para de retribuir o sorriso e me privo da possibilidade de descobrir que esse oceano pode ser apenas uma poça d’água? Eu acordo todos os dias com um email de “Bom Dia” na minha caixa postal. Eu fico horas no skype. Eu aceitei o convite para jantar e estou contando os dias para ele chegar. Eu estou deixando me apaixonar. Não está sendo nem um pouco difícil. Mas ainda não sei se é a melhor decisão.

domingo, 24 de abril de 2011

O EPISÓDIO DA HOSPITALIDADE IGNORADA

Demorei para contar essa história aqui, porque eu estava precisando processar direitinho o que aconteceu. Martin finalmente veio para São Paulo e eu estava muito empolgada em receber aquele que tinha sido meu amigão na Guatemala. Apesar da semi-escravidão em que tenho trabalhado recentemente falei para ele ficar a vontade em casa, o tempo que precisasse e que eu ia tirar um dia da semana para passar com ele, levá-lo para fazer um tour. Parece que Martin tinha se machucado no Peru. Chegou agressivo, mal-humorado, arrastando a perna. Pensei que ele estivesse com dor, cansado. Apresentei minhas melhores amigas. Todas se esforçando bastante para serem simpáticas, legais e recebê-lo bem. Martin respondia com agressividade para todo lado. Não sei se estava tentando ser engraçado (e a brincadeira não estava funcionando), não sei se não gostou do meus amigos. De qualquer forma, assim foi a chegada dele, e a estadia de 5 dias foi ladeira abaixo desde então. Na ordem dos acontecimentos, tentou me agarrar (o que foi bem constrangedor, ainda mais depois de eu ter acabado de dizer que estava me envolvendo com outra pessoa). Encheu a cara, do tipo, ficou bem bem bêbado mesmo. Capotou na sala ignorando a cama arrumadinha com lençóis limpinhos que eu tinha preparado no escritório. No dia seguinte acordei e o sofá e o carpete estavam todos vomitados. Uma nojeira na sala! Arrumei tudo, limpei, coloquei tudo para lavar. Então ele virou um babaca. Ignorava qualquer tentativa minha de quebrar o gelo da situação. Fingia que não ouvia quando eu falava com ele, respondia com monossílabos, ficava com cara de tédio no meio das pessoas. Na terça-feira desapareceu. Não falou para onde ia, não deixou bilhete, não deixou recado. Saiu para andar na cidade e voltou só à 1h da manhã. Eu já pensando que teria de acordar e ir ao consulado e à polícia. No dia que eu tinha reservado para fazer um tour com ele, acordou ao meio dia, disse que eu podia ir ao Museu do Futebol sozinha, que ele já tinha visto toda a cidade e que iria à rodoviária comprar uma passagem para Buenos Aires. Apesar de chocada, ainda me ofereci para levá-lo até a rodoviária, mas ele insistiu que iria sozinho. À pé (!!!). Foi quando eu me cansei e perguntei o que estava acontecendo. Que apesar de todos meus esforços para ser uma boa anfitriã, para deixá-lo à vontade. Toda minha generosidade de abrir minha casa, oferecer minha comida, apresentar meus amigos, oferecer ajuda; ele vinha se comportando de uma maneira incompreensível e aquilo estava me fazendo sentir uma idiota. Bom, o resultado foi que Martin deu uma desculpa esfarrapada. Disse que não queria me atrapalhar, pegou a mochila dele e foi embora sem se despedir, ou agradecer, ou nada. Em cima da mesa da sala deixou a cópia da chave que estava com ele e... R$120! Acho que nunca me senti tão ofendida na vida. Eu sintetizei esse episódio aqui. Mas na verdade, mesmo que eu revisse e repassasse cada palavra, casa olhar , cada segundo do que aconteceu, a questão é que eu não faço idéia do que aconteceu. Não sei se ele tinha algum tipo de expectativa comigo e quando se frustrou acabou reagindo de forma imatura. Não sei se algo mais grave aconteceu no meio dessa jornada dele e ele está descontando de alguma forma. Não sei se no fundo esse é ele, e ele é um cara deselegante e mal educado. Não sei o que se passa no lado de lá. Só sei que eu fiz o possível para ser uma boa amiga, uma ótima anfitriã. Para que ele se sentisse confortável, pudesse descansar e recarregar as energias. A gente nunca sabe o que se passa na cabeça das pessoas. E muitas vezes algumas experiências pertencem ao lugar em que elas aconteceram. Nós tivemos uma amizade muito feliz na Guatemala. Voluntariando em uma comunidade indígena. Mas aqui em São Paulo é minha vida real. Talvez ele tenha se decepcionado com a pessoa que eu sou na vida real. Eu fiquei mesmo muito arrasada com esse episódio e já me conformei que nunca vou saber de verdade o que aconteceu. Eu não posso mudar o que aconteceu. Eu não posso resolver a cabeça dele. Isso está além do que sou capaz. Mas eu sou sim capaz de pegar os R$120 que ele deixou jogado em cima da minha mesa e fazer um churrasco. Porque isso eu tenho controle. Isso está sob meu poder. Foi exatamente o que fiz. Chamei meia dúzia de amigos queridos que estavam perdidos nas cidade durante o feriado. Comprei carne, carvão, sorvete, cerveja, frutas para caipirinha. E ontem a gente celebrou aquelas amizades que se entendem, e que são reais.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O MELHOR PRESENTE DO MUNDO

Eu gosto de ganhar presentes. Gosto muito de dar presentes também. Mas adoro, amo ganhar presentes. (Se vier em uma sacolinha azul então.... hahahhaha!) Mas existem aqueles presentes que são mais do que presentes. Que são mais valiosos do que qualquer coisa em uma sacolinha azul. Presentes que, para a pessoa te dar, ela precisa ser muito íntima, muito alma. Muito melhor amiga. (ou em liguagem adolescente, BFF). Ontem ganhei um desses presentes da Y. Ela estava em SP para uma rápida visita. Apenas para conhecer a Olívia e fazer umas compras. Então a gente passou o dia fazendo compras, carregando sacolas como peruas pelo shopping. E ela me trouxe um presente que ela fez. Sim, presente personalizado. Um livro com uma coletânea de textos meus do blog e fotos que eu tirei durante a jornada do ano passado. Tem idéia do que é isso? Agora que eu finalmente estou de volta para casa. Que eu finalmente me encontrei. Que eu finalmente encerrei minha jornada. Só agora. Ela me aparece com frases pinçadas a dedo, arrumadinhas uma atrás da outra. Fotos que eu já nem lembrava de ter tirado. E uma capa comigo pulando feliz nas Scottish Highlands, uma foto que foi ela quem tirou. Eu andei muito. Andei pra caramba. Nossa! Ano passado eu vivi 50 anos. Folear esse livrinho está me emocionando de um jeito irracional. A única coisa que me chateava dessa jornada toda é que eu sentia que não tinha uma história. Então Y me veio ontem com um resumo de uma história. Uma história de mim mesma. Falta o final, mas o final está aqui. Está comigo. Ele eu não entreguei a ninguém. O protótipo de uma história. Ilustrado e revisto. Fala para mim. Quantas pessoas tem a sorte de ter amigos assim?