Acho que se eu for escolher algumas palavras para definir meus últimos meses seriam dor e mudança. Ah sim, e um enorme sentimento de “foda-se”. Uma vontade muito grande de me jogar verticalmente em mim mesma. Já parou para pensar no quanto a gente vive pelos outros. As relações que construímos, as pessoas que amamos, as responsabilidades que assumimos. Quando nos damos conta a vida dos outros nos influencia mais do que nossa própria. E é muito doloroso se desvincular emocionalmente das provações que as pessoas que nós amamos passam. É como diz aquele ditado, aprendemos pelo amor ou pela dor. Para mim a lição veio em uma crise de stress, meia dúzia de consultas médicas, exames, uma doença crônica e uma cirurgia para biopsia. Enquanto eu estou aqui, aguardando o resultado da biopsia e vivendo um pós-operatório chato, com remédios que me enchem de sono, volto a questionar onde está minha vida no meio disso tudo. O que é meu, o que faz parte da minha história, e o que eu peguei emprestado por achar que era responsabilidade minha. Ah, a gente faz terapia a vida inteira e continua errada. Sabe o que tem me feito feliz esses dias? Ser saudável. Gosto muito de ser saudável. De me cuidar. De fazer esportes, correr. Sentir meu sistema cardio-respiratório sendo exigido. Gosto de me alimentar bem. De comer coisas saudáveis. De ver a reação de uma boa nutrição no meu organismo. Gosto de ser vegetariana. Eu gosto de lubrificar a maquininha. Eu estou me pegando no colo. Quando a gente se dissocia do que não nos pertence, parece mais evidente cuidar de quem realmente faz parte da nossa história. Quero me rodear do que é bom. Do que é saudável. Do que faz bem.
Entre euforias delirantes de "impeachment" e recalque dos bandeirinhas vermelhas que acham que se o povo não está na rua defendendo a bandeira deles é sinal de que "está sendo manipulado, óbvio"; eu também não faço a menor ideia de onde isso vai dar. Mas vou dizer que fico otimista e esperançosa exatamente por esse movimento não ter uma cara definida. Por ter comunista, capitalista, criança, velhinhos, engravatados, patricinha, estudantes, ciclistas, pacifistas, madames e tudo o mais que você pode imaginar. Isso quer dizer que (para o horror de quem está acostumado com o controle vertical) algo existe que une tantas pessoas diferentes, com tantos históricos diversos. Na minha opinião o que nos une é uma só coisa: somos brasileiros.
Parece que, enfim, as pessoas resolveram levantar a bunda e reclamar sobre as coisas que estão erradas. Lembrar o governo que eles trabalham para a gente, e não para os partidos. Até por isso as bandeiras partidárias estão sendo rechaçadas. Se esses partidos concordam com o que está sendo reinvindicado, ótimo! Pode participar sim! Baixem essas bandeiras e venham reivindicar juntos, como brasileiros, não como partidos. Não adianta ficar ressentido porque o povo "não está manifestando do jeito certo". Afinal, quem disse que o "jeito certo" é o SEU jeito!? Eu não quero fazer parte de uma manifestação, lotar a Paulista, para neguinho depois estender uma bandeirona do próprio partido e usar em campanha política como se a manifestação fosse deles. Se é para estender bandeira, é a do meu país.
Surpreendentemente parece que tem gente que acha mais chocante e perigoso empunhar a bandeira nacional do que a desses partidos, que são todos oportunistas e só querem chegar ao poder, ou se perpetuar no poder. Está tão acostumado a ser gado eleitoral que já nem percebem que abandonam a própria ideologia e acabam votando no Maluf por tabela, por pura fidelidade cega. Tem que ver isso aí! Vale tudo para preservar um partido!?
Espero que essas manifestações levem a uma inversão das prioridades. Que nossos governantes tenham planos de GOVERNO, que realmente mudem nossas vidas, e não planos de PODER, que só visam fortalecer seus partidos. O que está errado não é a falta de foco do movimento, é o governo se ver frente as manifestações e ficar mais preocupado em sentar com "o pessoal do marketing" para minimizar os danos à imagem do partido, do que ter coragem de quebrar todos esses conchavos e começar a apresentar alternativas viáveis e efetivas de mudanças.
A Revolução Francesa começou pelo preço do pão. A gota d'água para um povo que foi vendo a carga tributária subir e sugá-los cada ano mais, apenas para manter uma forma de governo no poder. Até hoje na França o preço da baguete é tabelada. Talvez, se naquela época Luiz XVI tivesse parado com a esbórnia e usado os recursos públicos para melhorar a vida das pessoas, a França fosse uma monarquia até hoje. Se nossos governantes não acordarem e entenderem que trabalham para a gente, e não ao contrário, a coisa pode sim degringolar para algum lugar que ninguém sabe. Mas sou otimista e acredito que essa pressão vai fazer o Brasil mudar.
Citando Leminski, que o gado intelectual tanto gosta: "Repara bem no que não digo". E é isso o que o povo está dizendo quando recusa bandeiras partidárias. Sim, as manifestações não fazem sentido se comparadas com as que tivemos no passado. Mas é porque já não vivemos mais nesse passado. Não entende? Repara bem no que não está sendo dito pelo povo. Os nossos governantes devem fazer bem o trabalho para que são pagos. Não importa o partido, a orientação política. Foram eleitos, não foram!? Então trabalhem direito.
Como diz um cartaz que vi ontem na Paulista "Feliciano, não te esquecemos. É que estamos consertando uma merda de cada vez."
Então vamos lá, como brasileiros, consertar uma merda por vez. Exigir que o governo, nosso subordinado, que trabalha para a gente, e de quem nós pagamos o salário, trabalhe direito.
Anote na agenda:
7o Grande Ato contra o Aumento da tarifa do transporte público
Concorda?
Então venha para a Praça do Ciclista (Paulista com Consolação)
Amanhã dia 20/06 às 17h
ATO CONTRA A APROVAÇÃO DA "CURA GAY" PELA CDH
Concorda?
Então venha para a Praça Rosa (antiga Praça Roosevelt)
6a feira, dia 21/06 às 18h
ATO CONTRA A PEC37
Concorda?
Então venha para o MASP
Sábado, dia 22/06 às 15h
Parece que, enfim, as pessoas resolveram levantar a bunda e reclamar sobre as coisas que estão erradas. Lembrar o governo que eles trabalham para a gente, e não para os partidos. Até por isso as bandeiras partidárias estão sendo rechaçadas. Se esses partidos concordam com o que está sendo reinvindicado, ótimo! Pode participar sim! Baixem essas bandeiras e venham reivindicar juntos, como brasileiros, não como partidos. Não adianta ficar ressentido porque o povo "não está manifestando do jeito certo". Afinal, quem disse que o "jeito certo" é o SEU jeito!? Eu não quero fazer parte de uma manifestação, lotar a Paulista, para neguinho depois estender uma bandeirona do próprio partido e usar em campanha política como se a manifestação fosse deles. Se é para estender bandeira, é a do meu país.
Surpreendentemente parece que tem gente que acha mais chocante e perigoso empunhar a bandeira nacional do que a desses partidos, que são todos oportunistas e só querem chegar ao poder, ou se perpetuar no poder. Está tão acostumado a ser gado eleitoral que já nem percebem que abandonam a própria ideologia e acabam votando no Maluf por tabela, por pura fidelidade cega. Tem que ver isso aí! Vale tudo para preservar um partido!?
Espero que essas manifestações levem a uma inversão das prioridades. Que nossos governantes tenham planos de GOVERNO, que realmente mudem nossas vidas, e não planos de PODER, que só visam fortalecer seus partidos. O que está errado não é a falta de foco do movimento, é o governo se ver frente as manifestações e ficar mais preocupado em sentar com "o pessoal do marketing" para minimizar os danos à imagem do partido, do que ter coragem de quebrar todos esses conchavos e começar a apresentar alternativas viáveis e efetivas de mudanças.
A Revolução Francesa começou pelo preço do pão. A gota d'água para um povo que foi vendo a carga tributária subir e sugá-los cada ano mais, apenas para manter uma forma de governo no poder. Até hoje na França o preço da baguete é tabelada. Talvez, se naquela época Luiz XVI tivesse parado com a esbórnia e usado os recursos públicos para melhorar a vida das pessoas, a França fosse uma monarquia até hoje. Se nossos governantes não acordarem e entenderem que trabalham para a gente, e não ao contrário, a coisa pode sim degringolar para algum lugar que ninguém sabe. Mas sou otimista e acredito que essa pressão vai fazer o Brasil mudar.
Citando Leminski, que o gado intelectual tanto gosta: "Repara bem no que não digo". E é isso o que o povo está dizendo quando recusa bandeiras partidárias. Sim, as manifestações não fazem sentido se comparadas com as que tivemos no passado. Mas é porque já não vivemos mais nesse passado. Não entende? Repara bem no que não está sendo dito pelo povo. Os nossos governantes devem fazer bem o trabalho para que são pagos. Não importa o partido, a orientação política. Foram eleitos, não foram!? Então trabalhem direito.
Como diz um cartaz que vi ontem na Paulista "Feliciano, não te esquecemos. É que estamos consertando uma merda de cada vez."
Então vamos lá, como brasileiros, consertar uma merda por vez. Exigir que o governo, nosso subordinado, que trabalha para a gente, e de quem nós pagamos o salário, trabalhe direito.
Anote na agenda:
7o Grande Ato contra o Aumento da tarifa do transporte público
Concorda?
Então venha para a Praça do Ciclista (Paulista com Consolação)
Amanhã dia 20/06 às 17h
ATO CONTRA A APROVAÇÃO DA "CURA GAY" PELA CDH
Concorda?
Então venha para a Praça Rosa (antiga Praça Roosevelt)
6a feira, dia 21/06 às 18h
ATO CONTRA A PEC37
Concorda?
Então venha para o MASP
Sábado, dia 22/06 às 15h


