segunda-feira, 12 de julho de 2010

COISINHAS DE PARIS

Mega onda de calor esses dias. Tirando sábado, que estava abafado e quente, mas um pouco menos quente, então deu para a gente passear sem ter vertigem de desmaios. Todos os outros dias foram de um calor abominável. Isso quem está falando é uma paulista que nasceu para ser nordestina, de tanto que sou sensível ao frio. Os relógios eletrônicos na rua avisavam para a população ficar em alerta, e redobrar a atenção com crianças e pessoas de idade. Paris é pouco afoita ao ar condicionado. Culpa dos terraços, das mesinhas nas calçadas. Das portas de todos os restaurantes e bistrots escancaradas para o dia que nunca acaba. Resultado que a gente acabou comendo muitas vezes em redes de fast food. Só porque lá tinha ar condicionado. É também mais barato. Bem mais barato. €4 por uma garrafinha de Coca-Cola é caro. Mais caro ainda é €2,5 por um simples café espresso. Se enfrescar e pedir cappuccino, ou mocha, daí sobe para €5. Comer no terraço é charmoso, mas é mais caro. E nem se come tão bem assim. Não com o orçamento viajante da gente. Precisa ficar esperto com a bolsa. Muito trombadinha nas mesas nas calçadas. Também as mesas são bem minúsculas. Certamente a pessoa da mesa ao lado vai estar com o cotovelo no seu peito, e fumando em cima da sua comida. E o serviço é revoltante. S está acostumado aos USA, onde a excelência do serviço determina a gorjeta. Eu sou paulistana. A gente sempre é bem atendido em restaurante paulistano. Então a hora das refeições eram meio estressantes. Virou piada. Mas a coisa é bem assim: os garçons não estão nem aí. Talvez seja essa a fama de grossos e metidos que as pessoas tem dos parisienses quando vêm para cá. Não adianta levar para o pessoal. Não é nada com você. O serviço é ruim mesmo. E ponto.

O hotel que a gente ficou era terrível. A gente tem uma limitação de orçamento. Não queríamos gastar mais de €40 por cabeça. Não tinha ar condicionado, o encanamento era velho. O segundo quarto para o qual nos mudaram tinha bed bugs, e eu estou parecendo que tenho catapora agora. S ficava teimando que estava cansado de ficar procurando hotel, e amaldiçoando as paredes do quarto. E nessas horas é que pesa a gente não se conhecer tão bem assim. Eu fui aguentando, porque não sabia como ele ia reagir. Até que tudo tem limite e decidi. Mudamos de hotel, mesmo perdendo diária. Corri para o primeiro Ibis que achei. Virei para S e avisei “Agora sou eu quem decide. Vamos fazer do meu jeito e pronto”. Ele empacotou a mochila e foi meio resmungando. Pagamos um pouco mais por cabeça, mas dormimos bem, com ar condicionado e internet decente. Ele passou os dois últimos dias me agradecendo por termos mudado de hotel. Mas não pense que foi azar o hotel não. Viajar com pouco orçamento para Paris é quase sinônimo de ficar em uma pocílga. Encontramos casais que estavam em situações piores e mais revoltantes. Uns canadenses nos disseram ontem que estavam pagando €30 por cabeça, para ficar em um hostel, um quarto minúsculo e escuro, cheirando à mofo, com banheiro compartilhado que ficava do outro lado do corredor. E o quarto ainda ficava no sétimo andar. Não tinha elevador.

Brasileiros. Estão por todos os lados, em todos os lugares. Parece uma invasão. Algumas vezes até me esquecia que estava na França de tanto ouvir o português com nosso sotaque. Todos os restaurantes, tours, atrações, cafés. É impossível não notá-los. Famílias, adolescentes, grupos e mochileiros. Parece que nós todos amamos Paris. Mais um motivo para eu ficar revoltada de nenhum, NENHUM, folheto de informação nos pontos turísticos virem com tradução em Português. No Louvre você tem à disposição o guia do museu em cerca de 10 línguas diferentes. Mas não em Português. Têm até em holandês! Holandês!!! Ah, vamos combinar? Quantas pessoas no mundo falam Holandês??? O Português é falado por muito mais pessoas no mundo todo (e considerando a quantidade de brasileiros tirando fotos da Monalisa, aposto que a saída de folhetos em português seria maior até que a de espanhol).

Louvre aliás, não vale à pena. Ok! Ok! Eu sei. Parece blasfêmia. Mas não vale. Tem fila. É caro. É cheio de coisa que nem tem graça. Você se mata o dia inteiro, anda, sobe escada, se engalfinha com gafanhoto. E no final, tudo só para ver a Monalisa, a Vênus de Milo e uns dois quadros do Veermer (que nem são os mais icônicos). Sabe o que é melhor? Senta em uma das fontes em volta da pirâmide, tira os sapatos e se refresca na água. Depois vai no Musèe D´Orsay (que eu acabei não indo, porque cansei tanto no Louvre e fiquei de bode de museu por um tempo). Bem que a guia do Free Tour tinha aconselhado. “Se você tiver de escolher apenas um museu para ir em Paris, vá ao D´Orsay”. Eu sou teimosa e não ouvi.

Mas se é para ir em algum lugar óbvio. Algum lugar bem gafanhoto. Então é a Torre Eiffel. Que podem dizer o que quiserem, mas é a Torre Eiffel. Eu tirei acho que umas 200 fotos dela. Linda. De noite ela brilha. Solta faíscas. A gente até deitou bem no meio, e ficou olhando para cima. Verdade que tem um monte de coisa que não é perfeita. Que a cidade não é a mesma dos meus escritores dos anos 30. Nem dos meus filmes dos anos 60. Mas é ali, olhando a Torre, que Paris é Paris. E nesse sentido, eu vou ser cafona até dizer chega!

4 comentários:

MH disse...

Ah, Paris, Paris... rs

Também acho o Louvre um mico. Mas um mico quase obrigatório pra uma primeira visita. Tem que ir, até pra poder concordar que não vale a pena!

Só estive em Paris no outono e no comecinho da primavera, nada de calor, nem tantas multidões. Mas também bem menos verde, menos flores, quilos de casaco, chapéu, cachecol! Amo Paris.

Renatinha disse...

Que delícia... Me deu mais vontade de conhecer Paris e ser bem, bem cafona diante da beleza dela...
beijos
Re

mc disse...

Ei, eu falo holandês! :)
Quer pior do que em Bruxelas, capital de um país onde o holandês é um dos idiomas oficiais, algumas atrações turísticas não tere informação em holandês???

I HEART PARIS.

Vanessa disse...

hehehe.. me identifiquei muito com seu relato sobre o Louvre e alguém te aconselhando a ir ao D'Orsay mas o cansaço do Louvre era tanto que não tive coragem de entrar em nenhum museu mais... Louvre é o MAIOR MICÃO!! rs
Fiquei triste com o post anterior sobre a momentânea separação sua e de S... meu coração doeu e ficou apertadinho... imaginei a cena e uma lagriminha estava ameaçando transbordar... agora é continuar vivendo o presente e deixar que algo maior se encarregue de trazer boas surpresas para o futuro!!

Se cuida querida!!! Um bjnho