quarta-feira, 6 de junho de 2012

UM PAÍS DE “ALMOST”


Cinco horas de diferença é muito. Então o jetleg está gritando. Perdi o café da manhã hoje, e passei o dia todo tentando me convencer de que era mais tarde do que realmente era. Ponto para as garotas, que foram dormir tarde e ligaram o piloto automático. Meu dia se resumiu a checar as condições do tempo para mergulhar - Péssima notícia: com a mudança do tempo a visibilidade está quase nula e a maré bem agitada. Sem previsões de mergulho até o final de semana - Aproveitei para passear por Waterfront, tirar fotos, comprar livros e postais para os meus sobrinhos. Até cruzei com uma foca no meio do cais. Fiquei louca, pulando igual a Felícia, querendo tirar fotos. A foto ficou ruim, mas eu agendei meu passei para Robben Island para ver a cela do Mandela. Só para registro, tudo aqui tem aroma de Nelson Mandela. Todas as ruas, os shoppings, as escolas públicas: tudo tem o nome do homem. E não precisa muita força para entender porque. Esse cara é mais do que um ser humano, e eu fico me perguntando se existiria África do Sul sem Mandela. Eu acho que não,e também é a opinião geral dos locais com quem tenho conversado. Tanto brancos quanto negros. Por isso parei em uma livraria grande, do tipo Fnac, e comprei dois livros de jornalistas. Um que fala do período pós Apartheid, e outro que fala do pós-Mandela. Gosto de comprar livros de jornalistas sobre os países que visito. Geralmente trazem um ótimo panorama em regiões que passaram por conflitos. Mas falando das impressões que tive de África do Sul até agora: O assédio é algo tão agressivo que me deixa enjoada. Do tipo, os caras te param na rua. Literalmente. Você está atravessando uma rua, cheio de carro esperando para passar, e o cara te segura pelos ombros para dizer que “você é uma mulher bonita, tem um sorriso bonito, um nariz bonito...”, até que você fuja e diga “Obrigada” o suficiente para eles ficarem sem argumentos. Hoje, voltando para o hotel, peguei um taxista que insistia em ser meu amigo no Facebook, e em fazer um rendez-vouz de vinhos e sexo no meu quarto de hotel. Assim, sem vergonha nenhuma. Na lata.  Eu, que não sou besta e aprendi que não se discute com um cara que está te dirigindo em um país estanho que você não conhece, só sorria e dizia em francês “oui, oui”, (ele era do Congo), mas rezava secretamente para um anjo me colocar bem longe dali (Mandela? Hello?). O assédio é algo extremamente agressivo aqui. Quem é mulher, fica se sentindo um pedaço de caça. Já tinha sentido isso no Marrocos, mas achava que era diferente na dita “África negra”. Puro engano. Embora Cape Town esteja muito longe de qualquer imaginário de África que eu já tive. É como entrar pela sala VIP. Nada aqui me parece real.  Consegui me livrar do taxista tarado e encontrei Manu para buscarmos alguma diversão na noite. Fomos até o Waterfront, que estava desértico, e esbarramos em um músico que estava saindo de um restaurante terminando um show. Como somos cara-de-pau, abordamos o moço e o fizemos nos oferecer um tour pela noite de Cape Town. Anthony é de ascendência inglesa, mas tem jeitão de holandês (Apesar de minha queda pelos holandeses, juro que a abordagem foi totalmente despretenciosa!), ele é casado e tem duas filhas. Uma de 7 e outra de 16 (alguém engravidou na adolescência, minha gente!). Ele nos levou até Long Street onde há vários bares e pubs, com música ao vivo, e clubs, que garantem o fim de noite da balada caboense (isso existe?). Segundo ele, todas as noites terminam em Long Street. Ficamos em um pub tomando Castle (cerveja típica da África do Sul que não tem nada de mais) e rindo do padrão “Discovery Channel” de relacionamento do local. Anthony, o músico que nós sequestramos, nos convidou para jantar na casa dele na sexta com sua esposa, (O que adoramos... Mas sabe como é, né!? Ainda não descobri se o povo de Cape Town é como os cariocas que dizem “passa lá em casa” e depois desaparecem.) Depois ficamos com algumas garotas do pub e eu dei um show ensinando-as a rebolar ao som de Carlos Santanna. (It´s all on the hips, baby!) Ainda se vê uma divisão bem nitída entre negros e brancos, embora os jovens digam que não sentem qualquer diferença. Todavia, quando pergunto se eles se sentem a vontade para fazer qualquer coisa que um branco faça, eles gaguejam e dizem “almost everything”. É um país de “almost”. Almost seguro, almost perfeito, almost África. Embora exista estrutura, e Cape Town seja um oásis de segurança pública e oportunidades, ninguém conseguiu me convencer de que, assim que o Mandela morrer, isso aqui vira um pátio de guerra. Outra coisa, impossível sair desse lugar sem uma opinião formada de Nelson Mandela. Ele é o ar, a atmosfera, a força que move essas pessoas. E qualquer pessoa que se diga atéia, eu aconselharia uma pausa para leitura dos pensamentos desse homem. Se ele não era um anjo, eu não sei o que são anjos. Uma das personalidades mais admiráveis, intrigantes e abençoadas que nós tivemos o privilégio de ter na história. Cruzar com o nome dele nas esquinas é um alento, uma certeza de que esse mudo tem salvação e de que existe todo um povo no Sul da África capaz de escrever uma história diferente. Gosto de dar valor para as pessoas pelo seu potencial, e não pelo o que elas ostentam ou acham que valem. Então eu sou fã desse senhor grisalho até a última vuvuzela. Depois da minha intensa experiência no Marrocos, queria muito conhecer também a África negra, não apenas a muçulmana. Cape Town não é seu melhor exemplar. É cosmopolita, europizada, almost branca demais. Mas mesmo entrando pela “sala VIP da África”, ainda acredito que não se sai ilesa de qualquer experiência. Ou almost ilesa.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

MAIS UMA FIGURINHA NO PASSAPORTE


O único motivo de eu estar (enfim) escrevendo aqui é que eu estou 5 horas na frente no fuso horário. São 2h da manhã em Cape Town e, sim, estou estou na estrada de novo. Em síntese, foi uma loucura que eu e a Manu fizemos. Nós estamos viciadas em promoções de internet e sempre que a gente esbarra em algo interessante, colocamos o cartão de crédito em ação. Completamente descontroladas, é verdade. Foi assim com Fernando de Noronha (pois é, fui para Noronha e fiz meu check out de mergulho lá... pois é, agora sou uma mergulhadora!), e agora com Cape Town. Acontece que cheguei hoje a noite aqui sozinha. Manu esqueceu a carteirinha internacional de vacinação (no comments) e não pode embarcar. Mandei ela dormir em casa e vim. Ela chega amanhã na hora do almoço. Vou falar que não é das viagens mais confortáveis do mundo. São muitas horas até Johannesburg e depois mais duas horas até Cape Town. Saí de São Paulo às 1h30 da madrugada de domingo para segunda e cheguei já era tarde da noite. Perdi um dia inteiro espremida nas poltronas da classe econômica. Maldita hora que comecei a voar na classe executiva! Agora me acho velha demais para a econômica. Sinto dores reais em todas as juntas. Mas justiça seja feita. Depois de TAM e GOL jogarem a qualidade dos assentos econômicos a níveis desumanos, a South African Airways parecia a primeira classe das brasileiras. O assento realmente baixava (e não ia de 45 para 90 graus como é na Gol) e o serviço de bordo era comida de verdade, nada de amendoim ou barrinha de cereal. Os comissários todos muito simpáticos e teria sido perfeito se não fosse o pequeno incidente da comida vegetariana. Eu sempre tenho um incidente de comida vegetariana. Primeiro porque eles nunca agendam meu pedido na hora da emissão da passagem, e quando chega a hora do vôo ninguém tava nem sabendo sobre a alimentação especial, então ficam olhando para minha cara esperando que eu escolha entre frango ou carne. Mas dessa vez havia a comida vegetariana. Pasta. É consenso universal, quando se fala em comida vegetariana alguém te serve macarrão com molho de tomate. Só que nesse caso a comida vegetariana era um ravioli... recheado com presunto. Sério. Abri o ravioli e chamei o comissário. Ele insistiu: “Essa é a opção vegetariana.” Eu tentei explicar que presunto era bicho, que eu não comia bicho, que vegetarianos não comem bichos e presunto é bicho. “Não, não, não. Isso é pasta. É vegetariana.” Eu queria saber quem foi que declarou que pasta é prato vegetariano. Sou capaz de enumerar pelo menos umas 20 receitas de pastas que não são nada vegetarianas, isso sem precisar entrar nas versões recheadas como o ravioli que me serviram. Foram cinco minutos do cara tentando me convencer que o presunto na minha frente era automaticamente vegetariano por estar dentro de um ravioli, até que eu desisti e agradeci o prato e resolvi não comer nada. Então ele voltou com um prato de canelloni recheado de queijo e ervas com aspargos da primeira classe. Falei que eu estou velha para a classe econômica. Tem um grupo até considerável no avião que também veio com a mesma promoção Peixe Urbano. Cape Town, uma semana, hotel com café da manhã, passagens aéreas, transfer e city tour, pela bagatela de R$2.000,00 parcelados em 12x. Amo parcelinhas Casas Bahia! Mas tenho pavor de excursões CVC e classe média empolgada viajando. Sem nenhum medo de parecer pedante aqui, não faço a menor questão de socializar. Eles ficaram fazendo piadas sobre uma família mulçumana que passou no desembarque porque as mulheres estavam de burca carregando o carrinho de malas, e os homens iam a frente conversando. Sei lá. Tenho minhas convicções feministas, mas aprendi a não julgar as culturas diferentes da minha. Ema, ema, ema. O hotel é ótimo, quarto espaçoso, limpo, confortável. Tem tv e banheira. Travei uma batalha de 40 minutos para configurar o wi-fi, mas depois deu certo. Saí às 23h30 para procurar algo para comer e só tinha a loja de conveniência do posto de gasolina. Parece aquelas cidades de subúrbio americanas. Os prédios são bem acabados, as redes de comércio bem abastecidas e confortáveis. Passamos por 4 favelas do aeroporto até o hotel. Nem tudo é cidade modelo, e a “sujeira” fica em volta do tapete. Começo a achar um padrão nos BRICS. (Não conheço o resto, mas quem sabe não pode ser uma temática para as próximas viagens.) Nesse lado de cá da cidade, África do Sul dá de 10 a zero no Brasil, isso mesmo se considerarmos a “Manhattan” onde eu moro em São Paulo. O aeroporto é impecável. Grande, limpo, moderno. Existe ordem e infra-estrutura. Já estou achando uma pena ficar só essa semana (aproveitando o feriadim de Corpus Christi, né!?). O importante é que mais uma figurinha foi adicionada ao álbum. UHUU! \o/ Agora, o que eu não vou contar para a Manu, é que na hora de carimbar meu passaporte eu sorri para o moço, ele abriu um sorrisão de dentes brancos, e nem me pediu a carteirinha de vacinação. 

sábado, 12 de maio de 2012

CARTA DA MINHA PESSOA

Eu não respondo comentários, raramente respondo emails sobre o blog. Vira e mexe alguém dialoga com o meu post, porque geralmente eu escrevo buscando algum diálogo. É paradoxal mesmo, eu busco diálogo e não respondo. Simone de Beauvoir dizia que o silêncio é uma forma de diálogo. Hoje resolvi publicar uma carta linda que recebi da minha irmãzinha Carol, que é minha pessoa no mundo. Nunca a incluo quando falo que me sinto abandonada ou solitária. Mesmo os anos em que perdemos contato uma da outra, entre a infância e a idade adulta, nunca deixamos de nos pertencer, e ela me arranca lágrimas e entende minha alma, porque nossas almas são irmãs. O que respondi a ela, em síntese, é que não menosprezo o amor que tenho, mas não consigo evitar me ressentir pelo amor que me foi tirado. Pelas pessoas que eu amo e que me abandonaram. Ainda não consigo. Estou trabalhando o desapego, estou meditando entender que pessoas vem e vão. E quando dói muito, deságuo no blog. Só porque acho que é melhor vazar em algum lugar do que fingir que não está lá. Não me ressinto por estar triste. Agradeço a tristeza pungente. Sem ela acho que nunca terminaria meu livro. Estou me alimentando dessa tristeza, fazendo do limão, caipirinha. 






Minha querida Dri,
Acredito que de quando em quando temos que reforçar as opiniões e admirações que temos pelos "Nosso Seres no Mundo". Em todas as conversas que temos, criamos o hábito da sinceridade e da troca de elogios (que no fundo são só verbalizações da admiração que nutrimos uma pela outra). Como não temos nos encontrado muito on-line resolvi escrever-te uma mensagem. Curiosamente li, há pouco, o teu blog e resolvi alterar um pouquinho esta mensagem. Ao invés de ser uma mensagem “conversa”, farei dela uma mensagem EXCLUSIVA de elogios e miminhos. 
Desde que te conheci admirei sempre a tua força de vontade, apesar de estares (acredito que seja mais o teu ditador interno) sempre a se auto-recriminar de começares algo e não chegares ao fim. Como uma amiga de muitos anos que sou, tenho que discordar de ti. http://static.ak.fbcdn.net/images/blank.gif Podes “desistir” de algumas coisas, porém não desistes NUNCA daquilo que é importante para ti e que acreditas que seja verdade e correcto para ti e para o mundo. É a mesma força de vontade que eu conheci há mais de 20 anos atrás, que eu continuo a ver hoje em ti.
Tens um coração de mãe, sempre tem espaço para mais um… mais um beijo, um abraço, uma conversa, uma pitada a mais de sinceridade, um amor, mais um carinho, uma atenção especial, uma amizade.
Tens coragem de enfrentar a mais dura viagem – que é importante reforçar aqui, que é a viagem mais evitada pelos seres humanos – que é a viagem interna do conhecimento, sem anular o meio que te rodeia. Tivestes coragem de “largar” o conforto da tua vida, para partir numa busca pelo teu interior, percorrendo o mundo. Te enriquecendo de outras culturas e aprendendo o que te é mais importante e querido na tua própria cultura, estando longe – arrisco até a dizer “imparcialmente – da tua, podendo analisar a ti mesma como pessoa. Saiba que a maioria sucumbi a estas tentativas, e tu não sucumbiste. Trilhaste o teu caminho inteiro e para isto é preciso muita coragem!
Em todos os lugares por onde passas, deixas amigos, conhecidos e pessoas que não conseguem ser catalogadas, que são aquelas que te acompanharão por toda a tua vida, por muito que nunca mais as encontre. Isso significa, empatia, amizade e um coração cheio de amor. Há pessoas que nos acompanham fisicamente durante a maior parte da nossa vida, há pessoas que nos acompanham durante pouco tempo e há mais tantas outras que nos aparecem em momentos específicos da nossa história, que nos fazem sentir as mais diversas sensações e apresentam uma infinita panóplia de lições. Todas elas fazem parte da nossa malha de conhecimentos e experiências que formam o nosso carácter. Eu, tenho muita sorte de ter-te como uma das “minhas pessoas no mundo” e ainda ter-te na minha malha.
Lembre-se sempre e principalmente nos dias que precisas de colo e não tenhas ninguém para te o oferecer, que há neste mundo as “tuas pessoas” que TE AMAM muito e que querem pôr-te em baixo das tuas asas sempre que precisas. Por muito que muitas delas estejam distante fisicamente, espiritualmente, energeticamente ou em pensamento, elas estão sempre contigo. Carregam-te nos corações, carregando-te assim em muitos momentos das suas vidas, passando-te o carinho que mereces e atenção que a ti é destinado.
Receba um beijo muito carinhoso e abraço carregado de miminhos e cafunés. Espero que a tua gripe vá embora logo e que fiques rapidamente melhor.

Love

sexta-feira, 11 de maio de 2012


Acordei nocauteada por uma gripe. Daquelas que nos fazem ter vontade de passar o dia em posição fetal. A ela se juntou uma tristeza aguda que está me acompanhando há alguns dias. Tristeza e gripe. Duas coisas que pedem cama, chá e colo. Estou pegando tudo isso e usando para um conto. Pelo menos tentando arrumar algo de útil, para não virar tristeza por tristeza. Fiquei pensando muito de onde vem a tristeza. Não sei. Sei que ela cutuca, o tempo todo. Talvez venha da minha sensação de estar à deriva, de estar em vias de desmoronar. Do quanto eu tento fugir da autopiedade do abandono. Ou talvez seja tudo isso agravado pelas vias aéreas entupidas, o pulmão dolorido e o paracetamol insuficiente. Hoje escrevi para uma pessoa querida, disse que não sabia receber elogios. Nunca soube. Falta de prática. Não fui uma criança elogiada, muito menos uma adolescente. Quando cheguei a idade adulta já havia me convencido de que não precisava de elogios, e tinha aprendido a falsear minha própria segurança. No geral o que as pessoas enxergam é uma mulher metida, que não precisa de nada nem de ninguém. Arrogante até. Então bloqueiam os elogios, como se eu já tivesse tido minha cota na vida. Então sinto pânico de elogios, porque nunca me chegaram com sinceridade, ou sempre vieram atrelados de segundas intenções. Parece tão patético. Eu sou aquela garota que quer tanto ser a amiga, ser a companhia, ser amada; mas a quem nunca ninguém disse que ama. Quem tem cabelo crespo sempre sonha em alisá-lo. É o que dizem. Às vezes as pessoas querem nos machucar só porque não mostramos o quanto dói. Só para ter certeza de que sentimos. Eu nunca fui boa com elogios. Também nunca fui boa em gritar quando dói. Eu deito na cama em posição fetal, tomo uma sopa, faço um chá e me entupo de paracetamol. Até o dia em que eu acordar e der para respirar.

quarta-feira, 9 de maio de 2012


Tinha lido em algum lugar que a Nigella emagreceu um monte comento um macarrão japonês que não tinha calorias. Esse é o tipo de informação que deixa uma mulher insana. Alguém famoso emagrece comendo algo gostos que nem caloria tem. Coloquei o tal do macarrão mágico na lista das minhas prioridades em descobertas gastronômicas. Na minha imaginação era uma espécie de miojo, gostoso e leve; e eu ia comer aos quilos como se fossem pepinos. Ou eram transparentes e de textura irresistível como aquele macarrão servido frio no couvert dos restaurantes da Liberdade. Sempre que eu ia no supermercado procurava o tal macarrão. Pegava cada embalagem e ia checando as calorias. Ficava frustrada quando constatava que todos tinham pelo menos 180Kcal por 100g. Ninguém emagrece com macarrões assim. Fui até um desses mercadinhos da Liberdade. Comprei salgadinho Okaki, bala de melão e fiquei procurando calorias nas embalagens de macarrão. Quando eu já estava desistindo uma senhora se ofereceu para me ajudar. Procuramos o nome do tal macarrão que fez Nigella emagrecer no Google do celular e a velhinha me levou até o tal milagre: um saco de água turva com uma coisa minhocuda boiando. Comprei. Estava decidida  a experimentar, mas “e coragem”? Imaginei receitas, ensaiei cortar a embalagem. Deixei na geladeira até dar a data de validade ontem. Não tive coragem nem de abrir a embalagem, foi para o lixo com pacote e tudo. Medo do cheiro. Medo maior do gosto daquilo. Na minha concepção de comida, aquilo não é macarrão. É comida de peixe. Como é que ninguém nunca falou sobre isso? Nem minha revista de Boa Forma, nem mesmo a Folha de São Paulo. Todo mundo fala que a Nigella emagreceu comendo o tal macarrão mágico, mas eu acho que na verdade ela emagreceu de intoxicação alimentar com esse troço nojento. Fiquei estarrecida que tenham pessoas que realmente comem aquilo. Até entendo se faz parte da cultura da pessoa, agora comer aquilo só porque alguém emagreceu? Meus instintos femininos que me perdoem, vou copiar algum outro hábito de dieta de pessoas famosas. Eu sou daquela filosofia de que você é o que você come. Eu não quero ser comida nojenta de peixe. Prefiro ficar mais gordinha. A vida é curta demais para ficar sentindo gosto ruim.


terça-feira, 8 de maio de 2012

A GOOD DAY


Andei sem postar não porque tinha feito a proposta de só falar de coisas boas e não estava conseguindo. Só por falta de tempo mesmo. Mas ontem foi um dia tão... tão... que achei que seria mesmo um desafio falar coisas boas dele. Cansada, atrasada, sobrecarregada, triste, com dor de dente, a gata doente, TPM... Vai, fala algo de bom de um dia assim! Tenta! A gente acaba ficando com o pavio curto. E comendo Nutella de colher. E mandando a yoga catar coquinho na esquina. É assim que funciona. Até queimei miojo ontem! Juro. Depois trabalhei até às 2h. Mas deu tempo de parar um pouquinho e fofocar com a Manú sobre nossa próxima viagem. Se tem algo que muda completamente meu humor é planejar viagem. Eu vou de velhinha rabugente pra Polyanna otimista em dois segundos sem escala. E nossa próxima viagem vai ser daqui 15 dias. Vou realizar um sonho: conhecer Fernando de Noronha. Melhor! Fiz um curso de mergulho nesse final de semana e vou fazer meu batismo lá. Eu tinha uma visão completamente diferente do que era um batismo de mergulho. Achei que ia ser algo mais poético, tipo, alguém jogando água na minha cabeça e eu me tornaria uma “mergulhadora”. E depois ia ficar nadando com os peixinhos, beijando as moreias, abraçando tartaruga. Na prática não é bem assim. Um batismo de mergulho é uma série de 4 mergulhos divididos em 2 dias em que eu preciso mostrar para o instrutor que eu não vou morrer afogada quando eu for mergulhar. Eu preciso mostrar que eu sei montar o equipamento, colocar adequadamente. Verificar se ele está apropriado. Entrar na água, fazer a descida. Então eu preciso mostrar que eu sei como fazer caso o respirador escape, eu perca a máscara. Tirar a máscara embaixo d’água, tirar água de dentro da máscara. Tenho que fazer uma série de simulações de falta de ar, de acidentes com o cilindro. Fazer subidas de emergência e simulações de controle do acúmulo de nitrogênio no corpo. Tudo para garantir que eu não tenha que ficar em uma câmara hiperbarica quando sair da água. Fora os exercícios de navegação e flutuabilidade, para mostrar que eu não vou afundar além do limite que eu sou capacitada. Como mergulhadora de águas abertas eu estou apta a descer até 18m de profundidade desde que não entre em locais confinados ou com teto (cavernas ou naufrágios). Depois disso tudo, ele vai me deixar brincar um pouquinho com as tartarugas marinhas. Fora que a brincadeira é uma pequena fortuna. De qualquer forma, estou em êxtase! Vou tirar minha carteirinha PADI em um dos maiores paraísos de mergulho da Terra. Quando eu penso nisso não tem dor de dente, nem rabugice, ou TPM. Mas a gata ainda está doente...

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Coisa boa 1

Coisa boa de ontem - Terminei mais um capítulo do livro. Estou começando a sair da parte mais dolorida, espero que daqui para frente ele flua mais rápido. Não sei se está ficando um livro muito triste ou muito piegas. Estou procurando não pensar muito nele todo. Não tenho um pingo de distanciamento. Estou tentando escrever um livro bonito, só que falar de luto... É. Pode ficar um livro muito piegas. Hahahaha!

GATA ESCALDADA




Ontem resolvi dar banho na gata. Pois é, eu dou banho na minha gata. Dizem que não pode. Pura lenda. Verdade que gatos são infinitamente mais limpos do que cachorros e, por isso, não precisam de tantos banhos. Eles se lambem o tempo todo, e a língua deles já vem com uma espécie de “escovinha” que mantém os pelos limpos. Conheço gente que dá banho nos gatos de 6 em 6 meses. Acho exagero. Principalmente porque são bichinhos que não conhecem muitos limites, então eles vão subir no sofá, na mesa, na cama... Questão de higiene. Eu gostaria de dar banho na Holly toda semana. A alergia é à saliva e não ao pelo. Os banhos ajudam muito no consumo de lenços de papel. Mas a veterinária e tia disse que pode causar dermatite. Então eu dou banho a cada 15 dias e alterno com limpezas de baby wipes e escovadas diárias. Tudo isso, junto com Allegra D diário, funciona. Eu e a gata podemos conviver no mesmo espaço. Mas ontem ela não escapou. Subimos eu, toalha, shampoo e gata. Enchi a pia com água morna e tchibum! Holly até que não esperneia ou arranha muito. Julie era complicada. Houve vezes que o pessoal do Pet Shop a devolveu sem banho porque não conseguiram. Julie era kamikase. Holly é paz e amor. Isso não quer dizer que ela não reclama. Reclama. Muito. Grita, mia, me olha decepcionada. Como se eu fosse o ser humano mais cruel do mundo. Dá para sentir no tom do miado o quão magoada ela está. Se algum vizinho estivesse ouvindo tenho certeza que ligaria para a Sociedade Protetora dos Animais. Se algum dia minha foto aparecer rodando o Facebook, podem ter certeza! Eu estava dando banho na gata. Mas Holly é sem vergonha. Faz um escândalo quando está molhada, mas depois de seca e perfumada, pula na minha cabeça e me lambe a cara. Talvez seja vingança pelo banho dado. Como se ela soubesse que eu evito a saliva. Vem e me lambe a narina. Sua estratégia espiã de me causar mais alergia. Ou talvez Holly seja adepta do olho por olho. Você me dá banho, eu dou banho em você. 

sábado, 28 de abril de 2012

MUTLEY



Sempre morri de rir com aquele cachorro vira-latas da Corrida Maluca. Ou quando ele e o Dick Vigarista perseguiam o pombo correio e sempre dava tudo errado. Adorava vê-lo resmungando, e a risada rouca. O Mutley é o rabugento mais icônico da minha infância. Acho que todo mundo adorava ele. Na vida real o excesso de rabugice não faz tanto sucesso. Essa semana eu estava escrevendo um post e depois de dois parágrafos me dei conta que eu só reclamava. Dois parágrafos reclamando de como eu não conseguia cumprir as coisas que eu me propunha, de como a alergia estava fazendo minha casa ficar repleta de lencinhos de papel usados, de como a grana está curta, e o meu tratamento dentário está ficando uma fortuna, de como eu não tenho vida social e me sinto sozinha, e de como eu estou sempre, constantemente, irremediavelmente, insatisfeita. Pensa só nisso! Vontade de jogar a pessoa pela janela do 15º andar. Não existe nada mais chato do que gente que só reclama. Gente que está sempre com algum problema, enfrentando alguma “adversidade”, sendo vítima de alguma coisa. Eu mesma não tenho 5 minutos de saco para aturar gente que, quando você pergunta se está tudo bem, responde “Tudo...”, então dá um profundo suspiro e começa toda a ladainha e o mimimi. Nós vivemos em uma sociedade que tende a engrandecer as agruras pessoais. “Ah, coitadinha! Passou por tanta coisa!!!”. Quer saber? É um saco! Todo mundo tem uma certa dose de drama na vida. Passar por dias difíceis ou experimentar tristeza, insegurança, injustiça, traição não é exclusividade de ninguém. Nós viemos nessa vida para viver exatamente essa experiência. Ser humano. E a experiência vem com uma gama muito ampla de sentimentos que são incríveis de serem vividos. Então se você está experimentando sentimentos negativos, que bom para você! Significa que a vida está acontecendo de forma completa para você. E sim! Ela está acontecendo de forma completa para mim. Tem épocas que é mais aventura, é mais como um filme de ação. Tem outros que é romance daqueles que nos fazem sonhar no sofá em dia de chuva. E tem momentos que é chata e monocórdica como um filme iraniano (Ok! Até gosto de alguns filmes iranianos, mas vamos combinar que cinema iraniazzzzzzzzzzzzzzzz). Claro que tem um grupo de sentimentos que a gente não fica muito empolgado em sentir. Mas eu acho que a graça da brincadeira é pintar o quadro com várias cores. Que a felicidade só acontece quando existe parâmetro de comparação. Então eu apaguei o post e deixei o blog vazio. Porque eu também acredito que, apesar de querer toda a gama de sentimentos a que eu tenho direito, eu não sou boba o suficiente para ficar reforçando os que não são tão legais de sentir. Reclamar é tão somente isso. Valorizar o que acontece de ruim na nossa vida. Todos os dias, por pior que sejam, acontece pelo menos alguma coisa boa. Ainda assim há sempre quem prefira reforçar o negativo ao positivo. Não estou falando de ser irritantemente otimista, ou aquele papo chato de Polyanna. Tô falando que não é muito inteligente ficar reforçando o que a gente tem de pior. Assim como o Google, a vida reproduz os temas mais recorrentes, exibe em primeiro lugar os sites mais acessados. Então, aqui, eu baixei nova regra. Só reforçar o que for bom, o que for bonito, o que for gostosinho. O Mutley é uma gracinha, mas ele nunca terminou uma corrida. ;-)

terça-feira, 24 de abril de 2012

Eu escrevo


Eu escrevo. É a coisa que mais gosto de fazer, o que me dá mais prazer. Não estou falando de textos para internet ou posts para blogs. Eu escrevo literatura. Sei que para muita gente isso soa arrogante, um pouco pomposo. Existe um certo glamour na ideia de escritores, criações. Talvez porque somos obrigados a ler clássicos na escola, e (muitos de nós) descobrimos uns tantos outros na vida adulta. Existe mesmo uma reverência à pessoa capaz de nos hipnotizar ao longo de um livro. Por aquele capaz de construir um universo tão rico e fascinante apenas com palavras. Talvez venha daí a sensação de pretensão quando alguém diz que escreve. Eu vejo como um ofício. Um objetivo na vida. É a minha cenorinha a frente do cavalo. Quando eu fecho os olhos e derreto tudo o que está a minha volta, onde me vejo é escrevendo. Não sei como vou chegar lá. Eu tenho uma porção de outras coisas que também são importantes para mim. Eu tenho um padrão de vida (do qual eu não abro mão de jeito nenhum). Tenho minha família. Tenho meu sonho de conhecer o mundo. Então a literatura fica encaixada no meio de tudo esperando o momento de virar protagonista. É muito fácil ela virar coadjuvante. Às vezes até figurante. Talvez meu maior esforço de 28 dias, é ser constante na literatura. Além de bonita e com uma bunda legal, eu quero chegar aos 40 anos escritora. Porque tem também a vaidade. Não a de ego, a física mesmo. Mas enfim, eu escrevo. E um dia eu vou trocar todos os “ex” que me descrevem nesse blog por uma única palavra: “escritora”. Só não troco porque ainda não sou. E porque ainda não me sinto uma. Porque isso é sério e é importante para mim, eu estudo. Eu leio. Eu apanho da gramática. Eu tento fazer a lição de casa com o que eu tenho em mãos. Há alguns anos descobri a Noemi, e seu curso de escrita criativa. Descobri por acaso, lendo um caderno de domingo no jornal. Me inscrevi e ganhei uma família. Fiz uma série dos cursos que ela ministra na Casa do Saber com um mesmo grupo de pessoas, que se tornaram amigos (e são hoje basicamente toda minha vida social). No começo desse ano ela fez pela primeira vez um módulo “avançado” do curso, exclusivo para esse pessoal que está há um tempo na estrada com ela. E o formato do curso foi completamente diferente do que fazíamos até então. Tem sido um processo mais intenso, mais exigente. Tem me deixado muito mais exposta e fragilizada. Mas acho que é assim mesmo quando você começa a sair da zona de conforto do puro hobby (aquele quando sua mãe fala para as visitas que você escreve bem), para perseguir uma tridimensionalidade maior de técnica, de estilo e conteúdo. Esse final de semana terminei um conto. Não foi o primeiro conto que escrevi. Já escrevi vários. Algumas vezes partilhei com alguns amigos buscando ouvir sobre ele. Mas o retorno (sempre bem intencionado, obviamente) foi o mesmo da minha mãe. Dessa vez terminei um conto dentro de um processo mais profissional. Terminei um conto de verdade. Não foi a melhor coisa que já escrevi na minha vida, mas foi uma das que mais me arrisquei. Foi dolorido e maravilhoso. Então agora estou voltada ao meu livro novamente. Aquele que se retarda por ser terminado há tanto tempo. Ideia para livros tenho aos montes. Ideias de clássicos já foram enterradas com seus donos à baciada. No final do dia a única literatura que existiu é a que se realizou. A que foi escrita. Um ofício a gente faz todo dia. A gente acorda, escova os dentes, toma café e realiza. O resto é papo furado. Não é nada, não é nada. Não é nada mesmo. É um ofício solitário. Muito solitário. Não é a vida uma danada? Fez desmoronar todas minhas muletas até que sobraram somente eu e a literatura. Eu sempre achei que tinha uma rede de segurança. No final do ano, durante um dos piores infernos que enfrentei, não tinha ninguém lá. Agora o caminho que se abre é solitário. É para que eu faça sozinha. Mas por ironia, vem com essa rede de proteção maravilhosa, que não vai deixar minha escrita cair. Eu andei tanto para chegar até aqui e é isso. Eu precisava descobrir. Eu escrevo.

domingo, 22 de abril de 2012

O DIA DA TIA DRI


Ontem fiz o “Dia da Tia Dri” com meus sobrinhos porque minha irmã e meu cunhado foram para um congresso em MG. Dormi na casa deles na sexta à noite. Eles sempre pedem para eu dormir lá. Adoram ter a tia acampada no quarto deles. No sábado me acordaram super cedo. Depois do café da manhã, fizemos cupcakes decorados (que ficaram um desastre), brincamos de fazer cabaninha na sala. Fomos almoçar no shopping. Eles queriam McDonald´s, mas eu fiz um terrorismo sobre como aquilo não é comida e que existe até veneno na carne do hambúrguer, e que se eles comessem iam morrer, então eles escolheram outro tipo de fast food menos nocivo. Bonitinho o mais novinho que ficava assim para mim:

- Tia Dri, McDonald´s é veneno, né!?
- É! Tudo veneno. Se comer muito, você morre.
- Minha mãe não quer que eu morra!
- Viu só! Eu também não quero que você morra.

Adoro a lógica infantil! Depois do almoço pseudo-saudável, fomos assistir “Espelho, Espelho Meu”, que acabou se mostrando mais divertido do que eu esperava, e ainda os levei até a Adventure Sports Fair na Bienal. Cheio de coisas que eu adoro. Encontrei um guia para me levar até o topo do Aconcágua (agora é fazer o preparo físico), descolei um curso de mergulho com descontão, e as crianças enlouqueceram. Viram carros fazendo trilha de 4x4, pessoal descendo uma pista artificial de snowboard, parede de alpinismo, tanque de mergulho, raia com caiaque. Minha sobrinha até arriscou cruzar o vão da Bienal em uma teia de homem-aranha. Ganharam adesivos, subiram em barracas de safáris e fizemos planos e sonhos de aventuras que cada um gostaria de fazer. Para ganhar o título irrevogável de “tia favorita do ano” ainda encarei a fila horrorosa para jantarmos no Outback. Um lugar onde eu só como a cebola gordurosa. Voltamos todos exaustos e barrigudos. Dei banho no menor, coloquei os três na cama e esperei minha irmã voltar e ainda ficamos batendo papo por uma boa hora na sala. Já era meia-noite quando saí de lá. Cheguei em casa cansada, com saudades da minha gata. Abri a porta e chamei a Holly e nada. Ouvi um miado fino, bem distante, quase falhando. Fui em busca do miado no andar de cima, e como ela não aparecia comecei a me preocupar. Imaginei se tivesse caído, se estava atrás de alguma porta. Só então descubro que a gata estava fechada dentro do guarda-roupas. Quando saí na sexta a Jô estava passando roupas. Deve ter subido para guardar, a gata entrou, ela não viu, fechou a porta e foi embora. Lá estava Holly em pânico. Pulou no meu colo e grudou na minha blusa sem parar de miar. Foram 30 horas presa no armário. Eu apertava ela e chorava, me sentindo a dona mais irresponsável do mundo. Levei até a vasilha de comida. Ela comia esganada, enquanto miava e olhava para minha cara. Se eu tentasse sair de perto, largava tudo e corria atrás de mim miando. Voltei. Só comia se eu estivesse do lado. Tive de ficar 20 minutos sentada no chão da cozinha até que ela terminasse de comer. Depois abracei, enchi de beijo e carinho. Mas ela continuou. Tremendo, miando, e se aninhando no meu colo, quase em cima da minha cabeça. Me lambia a cara inteira. Hoje ainda está um pouco manhosa. Passou a manhã dormindo nas minhas pernas enquanto eu escrevia, e agora deu para pedir colo. Vem correndo, sobe no sofá e estica as patinhas para que eu a pegue. Não sei se é trauma ou só manha, porque assim que abri a porta do guarda-roupa de novo, lá foi ela entrar e explorar minhas coisas. Uma bota de camurça foi arruinada, ela fez de caixinha de areia. Em um mesmo dia eu fui de “melhor tia do mundo” para “pior dona da história”. Sem escalas. Por isso que a gente não pode ficar se achando muito. Sempre vai ter alguma coisa lembrando que as falhas acontecem, elas são humanas. O segredo é sobreviver a elas. (Ou garantir que seus bichinhos de estimação sobrevivam!)

sábado, 21 de abril de 2012

ERRATA

O nome do filme é "28 DIAS", não 21. Errei. Mas Freud explica. A pesquisa dizia 21 dias mesmo. Mas talvez eu, assim como a Sandra Bullock, precisemos dessa semaninha a mais... ;-) (E obrigada MH por ter me dado um toque de que o filme estava passando ontem no Sony HD. <3 - Adoro esse filme, mas ontem estava dormindo de cabaninha com meus sobrinhos. <3<3<3)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

21 Dias

Será? Ontem eu estava fazendo pesquisa de conteúdo e geralmente eu leio muita coisa de todos os assuntos possíveis e imagináveis. Entre um clique e outro caí em um artigo que falava que nosso cérebro precisa de 21 dias para mudar um hábito. Ok, já tinha ouvido falar sobre isso.  Tem um filme com a Sandra Bullock com esse nome. É o tempo que ela passa em uma clínica de reabilitação para se livrar do alcoolismo. Achei até que fosse senso comum. Mas sabe quando você sabe de uma coisa, mas parece que está vendo aquilo pela primeira vez? Então. Eu nunca fiz nada com tanto controle assim. Do tipo, planejar, criar uma estratégia, seguir cada passo com o objetivo a frente. No geral eu tomo uma decisão e vou me debatendo até conseguir. Vai aquela coisa torta, irregular. Acho que talvez por isso eu acabo me sentindo frustrada e indisciplinada. Acho que o segredo talvez seja esse. Acreditar nas pesquisas. Começar a seguir técnicas que já foram comprovadas cientificamente. Afinal, 21 dias não é tanto assim. Um plano. 21 dias. Falamos lá então.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

TEMPO, TEMPO, MANO VELHO


Hoje perdi minha agenda. Fiquei como barata tonta a manhã inteira. Não sabia o que tinha de fazer, para onde ir. Sabia que tinha de estar na escola a tarde para acompanhar as fotos que estamos fazendo lá, além de zilhões de outros compromissos. Eu não lembrava. Então fiquei andando de um lado para o outro da casa, enquanto ouvia o “Bom Dia Brasil” na TV e tentava inutilmente achar a agenda. Eu trabalho com agenda dessas tradicionais. Capa preta, uma folha para cada dia, com linha separando horas e meias-horas. Eu sei que existem milhões de organizadores e agendas virtuais, que conectam email, celular e tudo o mais. Mas eu funciono bem com agenda de papel. Nada de mais, é só minha preferência. Essa eu comprei por R$9,90 na Kalunga e adoro. Depois do pesadelo do burnout tenho encarado meu tempo de uma maneira completamente diferente. Mesmo porque o pesadelo não está longe e eu sei que não passou totalmente. Questão de sanidade. Preciso ter momentos de lazer, momentos de fazer coisas que me deem prazer além de trabalhar. Preciso de momentos para vida social, mas como minha vida social é nula, tento criar alternativas mesmo que sozinha. Por causa disso estou seguindo algumas técnicas de gerenciamento de tempo que se mostraram milagrosas nas últimas semanas. Tenho conseguido ser mais produtiva, mais organizada e focar nas coisas que realmente gosto. Tenho conseguido escrever, relaxar e ouvir música tomando uma taça de vinho. Assisto minhas séries favoritas, estudo sobre budismo. Ainda está faltando sair mais. Ir a restaurantes e shows de jazz, coisas que sempre amei fazer, mas para isso ainda está faltando um pouquinho de coragem de fazer sozinha. Eu chego lá! Bom, o que faço é organizar todo o meu tempo na agenda, calculando o espaço do dia que cada atividade vai me tomar. Incluo tudo. Até refeições, academia e banho. Mantenho também uma pasta sanfonada onde vou colocando cópias de emails que tenho de dar follow up do trabalho, inscrições de corrida, anúncios de exposições que quero ver. Tudo nos dias que acontecem. Assim, antes de programar minha semana checo cada dia e monto a programação na agenda. Fica mais fácil achar espaço para buscar a blusa que estava na costureira há 15 dias, ou comprar velas para decorar a casa. Esses detalhes menos importantes que sempre ficam de lado porque a gente acha que não dá tempo de nada. Então dá para entender porque o pânico dominou minha vida hoje. Quando a gente não sabe o que fazer não faz nada mesmo. Imaginei os lugares prováveis. Poderia estar no carro, ter ficado na academia ou na loja de produtos naturais que passei antes de voltar para casa ontem. Então eu ouvi os repórteres falando do prazo do Imposto de Renda na TV. Lembrei que isso era uma das coisas que eu precisava fazer. Fiquei duas horas separando notas fiscais e relatórios para enviar para o contador. Olhei o carro. Nada. Continuei com o que lembrei da minha programação do dia. Acabei não conseguindo ir malhar e quase dei furo com dois clientes porque só lembrei MUITO em cima da hora de programar algumas postagens e anúncios. Fiquei tão estabanada que quebrei meu salto. Me estabaquei no chão igual a mamão maduro. Na frente de um monte de criança. Foi meio vexame. Estou com um puta hematoma no joelho. Antes de ir para a Casa do Saber passei no shopping para comprar uma sandália nova (adoro ter desculpa para comprar sapato novo!). Passei na academia e nada da agenda. Depois na loja de produtos naturais. Também. Cheguei atrasada ao meu curso de escrita criativa. Engraçado como a gente cria uma ilusão de segurança e controle com alguns artifícios e tudo desmorona quando nos tiram uma única peça. Eu não tinha ideia do que eu tinha de fazer no dia seguinte de manhã. Era como se, de repente, alguém tivesse dado um pause na minha vida. E eu precisasse ficar parada esperando a pessoa voltar do banheiro ou buscar um balde de pipoca. Voltei para casa sem saber por onde terminar, e eis que ao entrar dou de cara com a minha agenda em cima dos livros de fotos na sala. Eu juro que procurei pela casa toda! Provavelmente ela tenha caído entre almofadas, ou embaixo do sofá e a empregada tenha deixado achado e deixado ali para quando eu voltasse. Talvez a agenda tenha apenas se tornado invisível para mim por um dia inteiro. Vai saber!? Só sei que acendi as velas que consegui comprar para decorar a casa, abri um vinho e sentei com a minha gata no colo para ouvir Leonard Cohen. Não porque era o que a agenda me dizia para fazer. Mas porque me dei conta de que entrar em uma paranoia de gerenciamento de tempo com medo do burnout só seria uma outra forma de engessar minha vida. Às vezes a gente precisa relaxar e aproveitar o momento só porque esse é o momento, e não porque estabelecemos como regra uma garantia de controle do nosso ideal de vida perfeita. Saúde também está na flexibilidade, no improviso, na espontaneidade. Assim como a total imprevisibilidade não é saudável, também não é saudável o excesso de controle e disciplina. Gerenciar o tempo tem sido de grande utilidade, não quero mudar isso. Mas eu estava quase caindo na armadilha de transformar isso em uma obsessão. Minha agenda é um guia, não uma ordem. Vou terminar minha taça de vinho sem olhar para o relógio hoje. Mas, só para registro, amanhã às 8h eu tenho dentista. 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

EM BUSCA DO FÔLEGO PERDIDO

Primeiro dia é fácil, né!? Eu levantei da cama, fiz minha meditação, desci para a academia do prédio e corri 4K. Não precisa ser gênio para saber que saúde tem tudo a ver com exercícios físicos. E se você quer continuar com uma vida ativa por muitos anos, viajar para muitos outros países, fazer trilhas, subir vulcões, escalar montanhas, explorar florestas... então você precisa ter fôlego. Não existe nenhum jeito de conseguir pique, disposição e fôlego sem suar a camisa. Ainda não inventaram. Então tem de malhar. De brinde ainda vou conseguir entrar em 70% das roupas do meu guarda-roupa. Esse é o plano. Só acho que a coisa não vai ser tão simples quanto eu achei. Porque eu não contei, mas eu estou muito enferrujada. Sempre tive uma genética favorável. Colocava a testa no joelho e nem sentia. Hoje tenho sentido algumas dores quando tento alongar meu corpo que eu nem sabia que eram possíveis. Bom, não passo vergonha nas aulas porque, mesmo enferrujada, meu alongamento é legal. Mas como eu sei qual é o meu potencial, fico sentindo como se estivesse literalmente atrofiando. Não sei se é a idade, ou a cara de pau de não levar uma rotina mais intensa de exercícios. Só sei que senti dificuldade, e isso era uma coisa que nunca tinha sentido antes. Como fiquei preocupada com isso, resolvi ir para a academia à noite. Usei meu horário de rodízio para fazer algo que me ajudasse a chegar lá. Fiz 1h30 de transporte, que é minha nova descoberta. É ótimo para pernas, bumbum e até que é divertido de fazer. Coloquei os fones de ouvido e fiquei assistindo Law and Order até enjoar. Depois encarei uma aula puxada de 1h15 de yoga. A única coisa que foi bem estúpida, nem foi a quantidade de esforço físico. Foi ter feito tudo isso sem um lanchinho, ou uma barrinha de cereais no intervalo para me dar pique. Como sou hipoglicêmica, terminei a meditação da yoga quase desmaiando. Tive de correr no empório natural na frente da academia e quase me afoguei em um saco de frutas secas. (São ótimas para devolver os níveis de açúcar do sangue.) Por isso acabei jantando um pacote de salgadinho de arroz japonês (que sou viciada!), um prato de quinoa com saladinha de tomate e um pote de abacate com limão. Concordo. Peguei pesado. Sempre cometo esse erro. Jogo toda a energia que tenho em um único objetivo e depois não tenho fôlego para segurar a rotina por muito tempo. Assim é com alimentação, trabalho, literatura. Tudo. Mas afinal de contas, não é para conseguir mais fôlego que eu estou fazendo tudo isso?

COMPROMISSO 40


Hoje eu fui colocar um shorts de corrida que comprei há exatamente um ano. Ele ficou justo. Muito justo. Só para registro esses shorts de corrida são bem folgados porque precisam auxiliar os movimentos, deixar as pernas confortáveis e livres. Há exatamente um ano meu problema era que eu tinha emagrecido demais. Então, como em um susto, engordei 10Kg que fizeram questão de preencher todo o espaço livre do shorts. Nesse tempo também eu parei com o cigarro for good, excluí baladas e vida noturna do meu estilo de vida, voltei ao vegetarianismo, intensifiquei a meditação, voltei para a yoga, para o ballet, mudei a maneira de me relacionar com as pessoas, e também as pessoas com quem eu me relaciono. Voltei a escrever literatura, e isso na verdade é a coisa mais importante da minha vida. Tenho tentando desenvolver uma atitude otimista e positiva em tudo que faço. Foram muitas mudanças, que começaram 3 anos atrás e estão culminando hoje no lugar que eu sempre quis chegar. Ou quase... Acho que todo mundo tem aquele momento em que sente que não dá para ficar mais em cima do muro. A gente vai fazendo mudanças, mudanças, até que chega uma hora que precisa assumir alguma coisa. Eu cheguei no momento de resolver esse quase. Se tem uma coisa que me deixa insatisfeita em tudo o que eu busquei e almejei transformar minha vida, é o tamanho da minha bunda. Sempre fui vaidosa e isso não faz parte das coisas que quero mudar, então resolvi que era hora de assumir de uma vez uma atitude efetiva para melhorar meu corpo e fazer com que ele acompanhe a leva de boas conquistas. Isso significa que, a partir de hoje eu vou me comprometer a escrever aqui (também) minhas ações para conquistar um corpo saudável e legal. Eu quero voltar a correr 10K sem precisar andar no meio ou ficar com a língua de fora. Eu quero controlar a asma, reforçar meu sistema imunológico. Quero que minha pele tenha mais viço e menos espinhas. Quero saber que eu estou caminhando para os 40 anos com todo o pique que eu vou precisar para fazer todas as coisas incríveis que a vida oferece. Então é isso! Nem que seja por orgulho, para não ter de vir aqui dizer que não aguentei e desisti, eu vou contar aos poucos como está sendo me tornar uma mulher madura (para não dizer “envelhecer”!!!) com saúde e garantindo que esse corpinho ainda tenha muita kilometragem para percorrer.


domingo, 15 de abril de 2012

Chás, aniversários, escolhas e outras obrigações

Hoje foi um desses dias de extremos. Eu tinha o chá de bebê da Carol H. e o aniversário da Jô. A Carol H. está quase tendo o Nuno. Está linda, redondinha. Ela está apostando em tudo de radical que a experiência pode oferecer. Vai ter o parto em casa, com uma doula. Vai abolir o berço e criar o filho na própria cama, e vai adotar fraldas de pano em vez das descartáveis. Acho que se eu algum dia resolver ter um filho não vou fazer nenhuma dessas escolhas. Não são do meu perfil. Mas isso sou eu e eu nem sei se quero passar pela experiência de ter um filho. Mas existe sempre a obrigação. Mesmo que ela não seja explícita parece até que nós somos geneticamente programadas para nos sentirmos obrigadas a algumas coisas. Toda vez que eu vejo alguém da minha idade grávida ou construindo o padrão básico de família, eu fico silenciosamente me questionando: será que eu não devia estar fazendo isso também? Então duas coisas ficam muito claras para mim. A primeira é que eu não quero ter filhos. Não que eu não queira de jeito nenhum, mas que, na minha lista de prioridades, ter filhos está atrás de tantas outras coisas. E não existe uma só pessoa no mundo que realmente queira alguma coisa  e não consiga. Nenhuma! Nessa regra não existe exceção. Se você quer ter um filho, você tem. Se você quer casar, constituir família. Você faz isso. Se você quer viajar o mundo, você viaja o mundo. Se você quer ser uma vítima, você é uma vítima. Se você quer virar uma super executiva, você vira uma super executiva. Nesse sentido a vida é ridiculamente simples e pragmática. Quando você sabe o que quer, você vai lá e trabalha por isso. Conquista isso. Agora se você diz que quer casar e ter filhos, mas está beijando moleques na balada, trabalhando 12 horas por dia, tendo casos com homens casados; então está na hora de parar de se enganar e assumir suas escolhas. E quando eu paro para pensar eu vejo que eu estou colecionando carimbos no meu passaporte, eu adoro minha rotina de solteira, eu estou batalhando minha empresa. E não construindo relacionamentos sérios e planejando famílias. Então é claro que ter filhos não é o tipo de coisa que eu tenho buscado na minha vida. Não julgo ninguém. Toda vez que vou à casa da minha irmã ficou louca com a vida de mãe de três filhos dela. Amo os meus sobrinhos e poderia ficar dias com eles, fazendo de tudo. Mas não é minha escolha de vida, e eu tenho muita sorte de poder ser tia. Acho legal a escolha da minha irmã, porque ela realmente queria isso. Depois cheguei ao aniversário da Jô e a primeira pessoa que eu vi foi a MH, com a Olivia. A MH é outra pessoa que fez uma escolha e teve o que quis. Ela queria ser mãe e formar uma família. Ela casou com um cara muito legal, teve uma filha linda, e eu pude brincar de tia mais uma vez. Deixar Olivia usar meu colar, correr, carregar no colo, apertar. E depois que a Olívia foi embora, porque as escolhas da mãe dela são outras, eu fiquei conversando com as meninas e o assunto que surgiu foi de como a gente acaba se sentindo pressionada a seguir esses padrões. Ou porque você está solteira aos 35 anos e sem um pingo de vontade de namorar com ninguém. Ou porque você casou, mas não quer necessariamente ter filhos. Ou porque você mora junto com o seu namorado e agora se espera que você cresça e multiplique-se como diz a Bíblia. Nessas horas é muito fácil perder o foco das coisas que você realmente quer e, assim como muita gente acaba dando atenção para carreira e baladas quando no fundo realmente gostaria de estar formando uma família, outras acabam cedendo às pressões de famílias e amigos e construindo uma família (que até vai ser amada) mas está muito longe de ser ambicionada. Então chego a segunda conclusão sobre o assunto. Eu não “devo” nada. Eu não deveria estar namorando, ou casada ou tendo filhos. Eu não tenho obrigação de seguir nenhum padrão ou plano de vida. Porque a vida é minha e sou eu quem vai viver essa história. E quanto mais pouco convencional for suas escolhas, mais difícil de se manter no foco. Os períodos de insegurança e dúvidas são muitos, afinal tem um batalhão lá fora dizendo explícita ou subliminarmente o que se “deve” fazer. Quando eu fico muito entediada eu tendo a pensar em parar com tudo, casar e ter filhos. Mas isso é interessante! Eu nunca penso nessas coisas como um grande sonho ou objetivo. Mas como um “prêmio de consolação” da vida quando eu estou preguiçosa demais. Então é isso. Seja lá qual for a sua escolha, e em que termos, a sua vida é exatamente o resultado dela. Fazer escolhas por achar que deve ou por algum sentimento de obrigação é uma das coisas mais estúpidas que existe. Ao final da jornada a única pessoa que pode se arrepender de alguma coisa é você mesma. 

domingo, 11 de março de 2012

SUBINDO PAREDES


Eu gosto de esportes. No geral gosto. Gosto de correr, da minha yoga matutina. A cada aula fico mais e mais apaixonada pelo ballet. Como eu sou uma preguiçosa crônica, variar as modalidades de esporte é uma ideia inteligente. Há algum tempo tenho alguns amigos comentando sobre escalada. Essa coisa de subir parede mesmo. Eu já escalei quando era mais nova. Não, assim, “in a regular basis”. Escalei de brincadeira, umas duas vezes. Na mesma época em que meus colegas irresponsáveis jogavam cordas dos viadutos da Rodovia dos Bandeirantes para a gente descer de rappel. Até que a Polícia Rodoviária chegava e a gente fugia. Era molecagem, mas era saudável. No fundo a gente só estava praticando esportes. Então essa semana resolvi experimentar escalada novamente. Fui com a cara e a coragem, sozinha, lá na Casa de Pedra. A Casa de Pedra é uma academia de escalada indoor. Funciona em um galpão aqui perto, em Perdizes. Você paga a diária, e pode ficar o tempo que quiser, subindo e descendo paredes. Eu senti falta de uma orientação maior. Foi meio na raça mesmo. Cheguei, me deram o equipamento e eu entrei no galpão onde dezenas de pessoas pareciam mega entrosadas. Ninguém veio falar comigo, então eu abordei um rapaz que estava com o uniforme da academia. Ele pareceu um pouco impaciente de pegar uma novata, olhou em volta, perguntou para um outro aluno se ele estava sozinho e nos apresentou. Deveríamos fazer a segurança um do outro. Primeiro o rapaz subiu uma via, e o instrutor me ensinou como fazer a segurança. E depois desapareceu. Quem me deu dicas mesmo de como escalar foi o rapaz que acabou fazendo par comigo e era a quinta vez que ele escalava. Tentei subir a primeira via. Fui até a negativa, então eu senti tanta adrenalina no sangue que minhas mãos tremiam e eu não conseguia me segurar mais. Então eu desci. Depois fiz travessia lateral algumas vezes, subi por vias mais umas três. O resultado é que esse final de semana inteiro, mal posso levantar o braço. Sinto TODOS os músculos super trabalhados. E nas costas, sinto músculos que nunca imaginei que tinha. Achei perigoso para quem não tem noção de perigo e nunca trabalhou esporte de aventura, o esquema da Casa de Pedra que deixa os freqüentadores largados fazendo o que querem pendurados nas paredes. Mas adorei o esporte. Quem sabe com pessoas de confiança, que possam me ensinar e me dar dicas, eu não faça “in a regular basis”.

sábado, 10 de março de 2012

SEM AGROTÓXICOS

Nos últimos três meses eu passei por um bocado de provações. Ainda estou passando. Entre elas, minha saúde me fez lembrar que ela também é de papel. Como quase todo o resto, senti que podia se desmanchar até sumir com a chuva. O que importa é que, na necessidade de ficar o mais saudável possível, eu estou com atenções redobradas sobre tudo o que entra no meu organismo. Seja física ou energeticamente. E foi assim que eu descobri “O Bom Verdureiro”. Alimentos orgânicos sempre foram mais um flerte do que um objetivo em si. De vez em nunca eu dava um pulinho no Parque da Água Branca, ou comprava uma ou outra coisa na secção de Orgânicos do supermercado. Mas no geral eu achava tudo muito feio e mirradinho. Acabava fazendo feira aqui na praça em frente de casa ou indo na “Quitanda” na Vila Madalena. Quando percebi que, cuidar da minha saúde, havia se tornado uma coisa necessária e não apenas um luxo, resolvi que mudaria minha alimentação. Muitos grãos. Além do vegetarianismo, passei a comer alimentos orgânicos. Sim, eles são mais caros. E podem pesar muito no orçamento, principalmente para quem tem família. Mas eu sou sozinha, e como eu disse, virou necessidade. “O Bom Verdureiro” funciona assim. Você assina o mailing deles e eles possuem uma rede de produtores nas redondezas de São Paulo. Duas vezes por semana eles enviam uma lista com os legumes, frutas e verduras que vão estar disponíveis. Você assinala o que quer, envia por email e às 3as e às 6as feiras eles entregam na sua casa. Tudo é colhido no dia anterior para vir direto para minha geladeira. Por isso você só compra o que está fresco e na época. Reduz as emissões de carbono, e o sabor... É inacreditável a diferença! Além do básico da feira, eles fornecem leite, queijos, geleias, temperos, papinhas de bebê, barrinhas de cereal, ovos e congelados. Tudo orgânico! Eu acho luxo, verdade. Mas se não é exatamente por essas coisas que viver em SP é tão maravilhoso.

terça-feira, 6 de março de 2012

ONTEM


Ontem eu fui dormir a pessoa mais solitária do mundo. Sem drama nenhum. Só tentando entender como – se eu passei os últimos anos tentando ser uma pessoa melhor – eu cheguei até aqui. Não posso dizer que não tenho amigos. Eles só não estão ao meu lado. Estão muito longe. Em outro fuso horário. E por mais que eu ame essa cidade de uma maneira irracional e intensa, eu sinto que só me restou mesmo esse amor aqui.
Ontem eu fui dormir com saudades de Roma. De como eu fui feliz lá. Fui dormir pensando em como eu quero voltar, de como eu quero viver lá por um tempo.
Ontem fiquei pensando no ditado: “Quando Deus fecha uma porta, em algum lugar ele abre uma janela.” Fiquei por dias pensando que todas as portas estavam fechadas. Talvez o que esteja sendo aberta é a janela para o mundo.
Ontem eu fiquei pensando que eu devo partir. Que eu preciso me fortalecer espiritualmente e nunca mais voltar. Eu finalmente entendi que a vida me tirou todo o círculo social para que eu possa, enfim, mergulhar na minha alma.
Ontem eu me despedi.