quarta-feira, 16 de junho de 2010

ADEUS MONSTRINHO!!!



Era uma vez uma garota que conheceu um monstrinho. Eles tentaram namorar, não deu certo. A garota seguiu sua vida e o monstrinho casou com outra pessoa. Alguns anos depois a garota e o monstrinho se reencontraram. Ele havia se separado e quando a encontrou, se declarou: “Já te perdi uma vez. Não vou te perder de novo.”. Esse monstrinho estava morando em Nova York, então ele mandou uma passagem de avião, e a garota largou tudo e foi atrás dele, para que eles pudessem viver um grande amor. A garota jogou-se de corpo e alma nessa história. Acontece que alguns meses depois o monstrinho disse para a garota que tinha de fazer uma viagem, viagem essa que ela foi descobrir (um pouco tarde demais) ter sido uma segunda lua de mel com a ex-mulher. A garota ficou arrasada. E como diz o ditado, “gato escaldado tem medo de água fria”, desde então, toda vez que ela conhece um novo cara, ela tem certeza de que ele também é um monstrinho. Então ela sofre, e pensa sempre no pior, e procura sarna para se coçar, e passa o dia imaginando que esse novo cara está viajando para Paris com a ex-mulher.
Parece uma típica história de trauma de cafajeste, como tantas outras que a gente já ouviu por aí. E para ser sincera, a garota aqui, durante muitos anos se escondeu atrás dessa história para justificar todos os medos e inseguranças de começar um novo relacionamento. Semana passada, além dos meus surtos habituais, eu estava surtando com a idéia de S. também ser um monstrinho. Mas como eu sempre gosto de ver o lado bom de cada coisa, toda essa overdose de surto, insegurança, dúvida e medo, acabou se tornando numa grande análise desse episódio da minha vida. E sabe o que eu descobri? Que ter um monstrinho na vida é algo que nós escolhemos para nós mesmas. Verdade. Não que um dia eu tenha acordado e pensado, “Hum! Tô com uma vontade de quebrar a cara com um cafajeste hoje...”, mas eu fui completamente complacente com a entrada desse monstrinho na minha vida. Eu explico. O monstrinho era uma pessoa horrível. Não apenas fisicamente (porque ele era feio de doer), mas como pessoa. Arrogante, aproveitador, racista, preconceituoso, machista. Só que eu fiquei tão obcecada com a possibilidade de viver um grande amor, que comecei a fazer concessões em tudo. Cedi ao ciúme infantil dele. Acabei virando uma ciumenta controladora insuportável eu mesma. Fui passando em cima de tantos valores, tantas coisa que para mim eram importantes, tudo pela possibilidade de estar com alguém. E acabei esquecendo de prestar atenção em uma única coisa. O que eu QUERIA. Sim, eu queria uma grande história de amor (ainda quero!). Mas, será que eu queria uma grande história de amor COM UM MONSTRINHO? Com uma pessoa que não confia em ninguém, nem na própria mãe? Que não tem um único amigo sincero, todos por interesse? Um materialista, racista, homofóbico, capaz de soltar os comentários mais atrozes na frente de todo mundo? É claro que uma pessoa como essa vai destruir meu coração. Então porque muitas vezes nós mulheres nos prendemos em relacionamentos com monstrinhos mesmo quando sabemos que aquilo que nos é oferecido não chega nem perto do que buscamos para nós mesmas? Mesmo sabendo que eles não correspondem àquilo que esperamos de um homem? Conforme a data de vir para Veneza foi se aproximando, mais e mais eu me vi obcecada com a idéia de que S. “iria para Paris com a ex-mulher”. Lá estava eu novamente, no limbo que eu permiti que aquele monstrinho me deixasse. Então eu parei e comecei a analisar toda minha história emocional. Desde antes do monstrinho. Desde minha adolescência até agora. E o que eu descobri foi que eu NUNCA me perguntei o que EU queria de um relacionamento. Eu praticamente fui deixando que os homens moldassem e adaptassem as formas de relacionamento em que eu me encontrava. Claro que minhas experiências não poderiam ter sido diferentes. Mesmo quando nós não somos coerentes, a vida é. Então eu vim para Veneza no zero a zero. Completamente nova para começar uma partida. Antes de ficar obcecada em viver uma grande história de amor, eu vou descobrir se eu QUERO viver uma grande história de amor COM S. Antes de mais nada, tenho já uma grande história de amor comigo mesma, e é essa pessoa que precisa vir em primeiro lugar. Tenho conversado com tantas amigas, e garotas de todas as idades. Claro que o azar de achar um monstrinho no meio do caminho não é assim tão popular, mas todas elas esbarram nessa mesma questão. A de se deixar cegar pela possiblidade de alguém, e esquecer de olhar para esse alguém. Nós mulheres, adoramos ficar obcecadas pela idéia de um relacionamento e esquecemos de perguntar o que nós realmente queremos. “Ah, mas ele é tão bonito, e quer ficar comigo...” Ok! Problema dele. E VOCÊ? O que VOCÊ quer? “Não sei o que eu faço, porque eu acho que ele está saindo com outra.” Great! Você QUER alguém que esteja saindo com você e com outra? Então problema resolvido. “Acho que esse cara só quer me comer...” Se você QUISER luxúria, qual o problema? Fica muito mais fácil quando a gente começa a olhar para nós mesmas e descobrir o que queremos. Um grande amigo meu me disse esses dias que começou a sair com uma garota e ela já virou para ele e disse “Escuta, eu sou do tipo casadoira, viu!”. Tudo o que eu consegui pensar foi, “Meu Deus, essa menina está desesperada!”. Ela nem conhece o cara ainda, está começando a sair com ele, e já está obcecada com a idéia de uma relação tradicional. Ela não está nem um pouco preocupada se ele é o tipo de cara com quem ela quer casar. Só se importa com a idéia de que alguém case com ela. Descobrir o quanto eu vinha me ignorando esses anos todos foi a coisa mais importante para me dar calma e paz nesse episódio. Antes de ter um colapso de imaginar S. fugindo com a ex-mulher assim que a gente pise em Paris, resolvi que vou descobrir antes se ele é o tipo de pessoa com quem eu quero ficar DEPOIS de Paris. Demorou um pouco para eu conseguir enxergar isso, e durante alguns anos eu achava que essa história do monstrinho nunca me traria nada de bom. Mas hoje estou muito feliz e aliviada de ter finalmente me despedido dele. Monstrinhos só aparecem na vida da gente, quando a gente está distraída demais de nós mesma.

5 comentários:

ips disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ips disse...

Adriana, que linda a sua viagem! Percepção nítida dos movimentos internos e paisagens luxuriantes. Enfim nos daremos um cheque-mate, pois PT me disse de suas pretensões na França, mas quarta que vem parto para (veja você...) Veneza. Você pode acreditar que nos daremos um cheque-mate? Mama mia! Prego! Gellato! Incroyable. Mas está tudo muito bonito por aqui. Dá para sentir que você está muitíssimo bem, de olhos bem abertos, e está com tudo e não está prosa! Gostaria muito de te encontrar. Mas continue, siga, avante, toujours... para cima e para o alto! Um grande beijo!

Carol Helena disse...

Bravo!!

MH disse...

Na primeira parte, quase ouvi minha voz. Engraçado... mas o resto do texto me deixou muito orgulhosa, viu? De verdade. Porque só assim você pode abrir o caminho e se permitir ser feliz. com S ou com quem quer que seja. E isso me deixa feliz, muito feliz.
beijos

Vanessa disse...

Nossa Dri como vc já me disse uma vez sobre outro assunto... "é um passo enorme!! Pelo menos vc sabe o que quer!" Deixo suas palavras para vc mesma... adorei o texto!!! Cada dia mais estou achando que a vida é uma grande matemática... se o que vc quer estiver no mesmo grupo das coisas que ele quer ou com uma intersecção interessante que agregue a vida dos dois será tudo de bom!!! Senão vai vir o T., o V. e o restante do alfabeto até vc encontrar a intersec'~ao correta!! ;)
Beijinhos