terça-feira, 8 de junho de 2010

EU CALMO, VOCÊ CALMO, TODO MUNDO CALMO...

 Me preparando para deixar Roma. Muito mais psicológicamente do que nas questões práticas. Fiquei tão acostumada que estou parecendo cego em tiroteio de me imaginar fora dessa cidade. Consegui costurar Roma na pele. Não vi nem metade das cidade da Itália que eu gostaria, mas vou sair daqui com muito mais completude do que saí de qualquer outra cidade. Hoje fiquei quinze minutos olhando a porta do guarda-roupas aberta só para tentar fazer uma imagem mental de como seria ter tudo aquilo dentro da mochila denovo. Uma caixa grande está indo para o Brasil também. Estou bem na fase de decidir o que eu vou continuar carregando e o que não vai fazer mais parte da minha bagagem. Cada dia mais descobrindo que não cabe tanta coisa assim. Ou melhor, que a gente não precisa de tanta coisa assim. O que se leva na bagagem é basicamente o essencial. E isso não é muito não. Não precisamos mesmo de tantas coisas. Claro que para completar o cenário, sempre tem um caos de leve. Porque não me lembro de nenhum momento de verdade da minha vida, sem um caos de leve. Recebi notícias horríveis ontem. O curso de Escrita Criativa que eu estava doente para fazer em Londres em julho foi cancelado. Falta de quorum. Hum. Quando eu acho que tenho minha vida um pouquinho planejada, vem alguma coisa me mostrar que não dá para controlar nada. Eu deveria rir. Talvez eu ria. Só que não agora. Agora está caos, e eu não faço idéia do que fazer da minha vida daqui três semana. Para ajudar estou surtando em dúvidas do que fazer da minha vida nessas três semanas que vem. Teoricamente vou encontrar S. em Veneza terça-feira que vem e vamos fazer Provence e subir para Paris de carro. Não vejo S. desde Granada e, embora a gente se fale sempre por email e skype, eu não tenho mais certeza disso também. Eu quero que dê certo, mas não consigo nem me achar no meio de mim, quanto mais ele. Chegou a véspera e eu estou surtada. Apavorada talvez seja a palavra correta. Ainda bem que eu tenho amigas sensatas que mesmo do Brasil são capazes de dizer “Eu calmo, você calmo, todo mundo calmo!”*, e eu dou uma respirada e salvo umas calorias em barras de chocolate. Porque o medo é tão forte, né? Eu vivo falando que a única coisa capaz de vencer o medo é o amor. Eu pratico muito amor. Exercícios práticos, todos os dias. Treinar meu coração a enxergar a vida e as pessoas de outras formas. Mas nem sempre dá tudo certo. Às vezes eu fico insegura. Pra caramba! Às vezes eu tenho medo. E daí parece que todo aquele amor que eu consegui acumular na minha vida por tanto tempo desaparece. Eu gostaria tanto de ser uma pessoa calma, ponderada, equilibrada. Que consegue aceitar que um dia passa de cada vez, e que nada como a maravilha de um dia seguinte para nos tornar melhores e maiores. Mas eu não sou assim. Eu sou caótica, insegura, superlativa. Sou ótima para dar conselhos, mas vai ver se a pessoa segue os próprios!? Toda complicada. O mais difícil é conseguir me amar sendo tão diferente do que eu gostaria de ser. Aceitar que eu sou esse poço de defeitos, e que as pessoas também vão me amar exatamente por tudo isso. (ou vão tentar, porque vou te falar... às vezes é difícil!!!) Na verdade eu tenho um medo danado de que as pessoas um dia descubram como eu sou uma pessoa imperfeita, descubram tudo isso e me abandonem para sempre. Talvez por isso eu esteja tão apavorada de ter de arrumar um jeito de chegar em Veneza daqui uma semana. Tenho medo de que quando a gente chegue em Paris, S. descubra tudo isso e me abandone para sempre. Ah, a gente nunca sai do jardim de infância. Só quero que meus amiguinhos brinquem comigo no recreio. Todo mundo calmo? Então eu calmo também. Roma está me escapando pelos dedos em mais uns dias. E à partir daqui, não faço a mínima idéia do que vai acontecer.

* "Eu calmo. Você calmo. Todo mundo calmo." é uma piada interna. Mas o sentido é esse mesmo aí... ;-)

2 comentários:

Ana Carolina Avilez disse...

Minha mais que querida maninha!! O eu calmo, você calmo, todo mundo calmo é mesmo para ser utilizado :)
Vou te escrever algo que venho repetindo muitas vezes nos últimos anos: "Quando amamos, amamos primeiro os "defeitos" e "imperfeições" do ser amado". Todos somos "imperfeitos" e cheios de defeitos. Quando encontramos o "tal" ou a "tal", encontramos não só a pessoa que nos ama, mas encontramos principalmente quem se relacione com as nossas imperfeições. E isso aplica-se aos amigos também. Ninguém sairá correndo das tuas :) Elas fazem-te, aperfeiçoam-te e transformam-te. Sem estas "imperfeições" não poderias nunca fazer esta viagem linda que estas a fazer!!
Não esquece de respirar, MUITO!!
Continue a tua viagem e a tua busca, lembrando sempre que nela está a beleza de aceitar o dia como lhe é posto!! Aceitar toda a ausência de plano, de controle e principalmente do inesperado.
Neste pseudo-caos, encontrarás a Dri, a Adriana, com uma força brilhante que este tipo de experiência causa no interior de quem a "experimenta".
Siga o teu caminho, querida, sabendo que no meio deste infindável mundo "desconhecido" tens bons portos seguros, que podes refugiar-te sempre que preciso!!
Estou aqui, bem pertinho de ti. E como eu, sei que há mais "das tuas pessoas" a volta.
Eu calmo. Você calmo. Todo mundo calmo!
Um beijo que qdo chegue a ti transforme-se num abraço bem apertado!!

Vanessa disse...

Querida, ninguém tem a menor idéia do que poderá acontecer em suas vidas daqui 1 segundo... Se o S. descobrir que suas imperfeições não são suportáveis por ele, que assim seja, pq vc merece ser amada por suas perfeições e imperfeições. Essa mistura é o que faz de vc ser única!!! Por outro lado vc poderá descobrir as imperfeições (ou perfeições) dele que para vc serão insuportáveis tb... E daí?? VIVA!!! Cada segundo de uma vez e intensamente. O medo é bom para que não cometa bobagens superlativas... rs
Como sempre te digo... CURTA!!!
Um beijinho