domingo, 6 de junho de 2010

PERSPECTIVA E OS TRAVESSEIROS DOS HOTÉIS

Final de semana em Firenze. Karin (uma suíça do meu novo nível na aula de italiano, e uma garota linda, especial e doce como ninguém) também estava com vontade de fugir no final de semana, e foi minha desculpa perfeita para criar coragem e sair um pouco de Roma. Pegamos um trem depois do almoço na sexta-feira e estamos voltando agora, domingo à noite. Foi adorável. Em todos os sentidos. Se tivéssemos planejado alguma coisa não teria sido tão bom. Apenas compramos as passagens e nos jogamos na cidade. Para não dizer que foi perfeito, não conseguimos entrar no Ufizzi. Sim, falta grave. Fiquei muito desapontada, queria mesmo ter entrado. Uma das coleções mais importantes do mundo, afinal. Mas foi a falta de planejamento, e a bobeada de não ter agendado horário pela internet com antecedência. Teríamos de ficar pelo menos duas horas em uma fila. Com um final de semana apenas para aproveitar Firenze, quem quer ficar em uma fila? Final de semana lindo. Sol forte e céu azul até às 20h. Com direito a Pôr do Sol alaranjado na Ponte Vecchio. Uma das cenas mais lindas dessa jornada, sem dúvidas. Firenze é como uma casinha de bonecas. Linda, irresistível e charmosa. Prédios e ruelinhas medievais, que fazem a gente se sentir em um cenário de algum filme. Beleza por todos os lados. Antes de ter escolhido Roma para o curso de italiano, pesquisei algumas escolas em Firenze também. Acabei escolhendo Roma, porque Roma é Roma e é muito difícil competir com isso. Mas passei os últimos três dias pensando se não seria uma boa idéia fazer uma faculdade de História da Arte por ali. Não me incomodaria em nada. Embora eu não tenha certeza se quero fazer outra faculdade ou estudar História da Arte. De qualquer forma, o que eu quero dizer é que, se isso é o que você quer para sua vida, não consigo imaginar um lugar melhor. Estudar História da Arte no berço da Renascência, pelas ruas que Micchelangelo e Botticelli gastaram as solas dos sapatos, beber garrafas de chianti e adentrar a noite com o perfume de costelas grelhadas, queijo pecorino, azeite trufado e cantuccini molhadas em vinho santo. Karin e eu nos acabamos nas lojas ultra charmosas, mesmo porque é muito charmoso fazer compras em Firenze. E nos consideramos as garotas mais sortudas do mundo porque conhecemos alguns ragazzi incríveis que foram nossos anfitriões por todo o final de semana. Nos levaram aos melhores restaurantes. Aqueles escondidinhos que os turistas não conhecem, e não custam os olhos da cara. Nos contaram curiosidades da cidade, nos ensinaram tradições toscanas e nos ajudaram a praticar muito italiano, aumentar o vocabulário e corrigir pronúncia. Então é isso mesmo que você está entendendo. Final de semana em Firenze com tudo o que a gente teve direito, refeições incríveis e a companhia de italianos mega charmosos. Sim, eles eram quase irresistíveis. Só digo quase porque resistimos. Batemos com as cabeças nos travesseiros chegando ao hotel, mas resistimos. Claro que eu sou uma mulher solteira. Sou livre e bem crescidinha. Isso é fato. Ainda. Mas estou tentando essa coisa nova de ter “perspectiva” na vida. Parte primordial disso é agir de acordo com o que se quer para si. Alguns anos atrás eu estava em uma mesa tomando uma cervejinha com uma querida amiga, que me contava que ia casar. Estávamos comemorando, e celebrando e muito felizes porque ela esperou bastante para encontrar o atual marido dela. Então chegou uma conhecida em comum, uma garota que tem um comportamento sexual bem agressivo em se tratando de homens. Nada contra, pelo contrário. Ela sempre me pareceu uma pessoa autêntica e coerente com suas atitudes. Admiro mulheres que têm a coragem de assumir uma vida sexual super ativa e plural, sem se importar com a opinião geral da sociedade. Mas é claro que esse estilo de vida não condiz com uma pessoa que quer casar, ter filhos, constituir família. Então essa garota soltou uma frase que me chocou muito mais do que as peripécias sexuais que eu estava acostumada a ouvir da boca dela: “Ah, eu também quero tanto casar! Ter filhos, uma casa, cachorro...” Peraí! Quer casar com qual dos??? Eu não pude evitar de comentar incrédula, “Nunca imaginei que você quisesse casar!”. Porque, pelo menos para mim, é incoerente que alguém que dorme cada noite com uma pessoa diferente e ainda faz questão de bradar aos quatro cantos do planeta sua intimidade, tenha intenção de construir um relacionamento nos moldes mais tradicionais. Não dá para encontrar estabilidade e comprometimento no meio de luxúria explícita (Sei lá! De repente até dá, mas é o último lugar que eu ia procurar...). Sem juízo de valores, entendam bem. Não gosto muito de limitar as coisas em bom ou mal. Existe apenas o que você quer, o que te faz bem, e o que você não quer. Mas é preciso ser coerente. O fato de a gente poder fazer algo, não significa que a gente tenha de fazer algo. Eu poderia ter beijado aquele italiano lindo e charmoso. Sim. Eu poderia. Mas eu não era obrigada a isso. Nós tomamos champagne, e jantamos, e eles nos levaram para andar pela cidade, e nos mostraram Firenze linda iluminada da Piazza Micchelangelo à noite, e ele falava em italiano comigo (que é uma língua muito romântica, confesso!), e se eu for parar para pensar não existe nada que me impeça de beijar um italiano lindo e charmoso às margens do Rio Arno em uma noite quente de primavera. Mas não é isso o que eu quero . Não é isso o que eu busco. Não quero um beijo perdido no meio da noite seguido de uma passagem de trem já comprada para sei lá onde. Houve uma época que isso era exatamente o que eu procurava. Hoje para mim, é só mais do mesmo. Não me acrescenta mais nada. Eu quero o velhinho que estará segurando minha mão na Terceira Idade. Quero alguém que faça planos comigo. A casa, os filhos e o tal do cachorro. E para chegar até lá eu já me dispus a dar uma chance para outra pessoa. Pode ser que não dê certo. Não tenho como saber sem antes viver, um dia de cada vez. Por mais que eu tenha de socar minha cabeça no travesseiro voltando para o hotel à noite. Estou aqui fazendo a maior força para ser coerente.

2 comentários:

MH disse...

Ai que orgulho! Perspectiva...

beijo

Vanessa disse...

FIrenze para mim é uma das mais belas cidades do mundo e, com certeza, é o pôr do sol mais lindo que vi em toda a minha vida!!! No meu caso faltou o italiano charmoso falando a língua de Dante ao meu ouvido... não sei como vc resisitiu... hahaha... mas estou orgulhosa, pq vc esta em busca de um objetivo lindo e acima de tudo isso!! Beijinhos