sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

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 A Jô entrou em férias hoje. Ela é minha empregada. Consegui a maravilha de uma empregada meio período. Para quem trabalha muito em casa é uma benção. Senão perco muito tempo de trabalho cuidando das coisas de casa. É complicado essa coisa de homeoffice. É importante ter disciplina nessas coisas. Então a Jô vem 4 horas por dia, mantém tudo em ordem, cuida das gatas quando não estou e ainda lava minha salada e pica as frutas. Deixa tudo em potinhos na geladeira. Isso já me salva tanto a vida! Jô chegou meio arrasada porque o cara do outro emprego dela a demitiu hoje. Demitiu porque ela pediu para tirar férias agora, e o cara queria que ela tirasse quando ele tirou e foi viajar em dezembro. Na verdade as férias dela só vencem comigo em março, mas adiantei para que ela pudesse ir para a Bahia visitar a família. Faz 10 anos que ela não volta para a Bahia. Enfim, fui no banco retirar o dinheiro do pagamento dela. Férias, 1/3 e proporcional trabalhado de janeiro. Saindo do caixa eletrônico, vejo uma senhora muito esperta saindo de um Corsa que tinha acabado de estacionar na vaga de deficientes. Quando vi a Dona toda saltitante, não resisti: “Ué!? Mas cadê a sua cadeira de rodas?”. Ela respondeu o clássico “Vou ali só um minutinho...”. Dei bronca. Igual a gente faz com criança. Porque quem faz esse tipo de coisa é igual criança malcriada. Precisa conhecer limites, precisa ficar de castigo. Balancei o dedo e falei: “Ai, ai, ai, Dona! Num pode! Nem por um minutinho! Muito feio isso. Vai tomar uma multa!” A Dona não gostou. Saiu resmungando, querendo bater boca. Mas eu não bato boca. Eu tiro foto e posto em tudo quanto é rede social. Porque quem faz malcriação fica de castigo, na frente da sala, pra servir de exemplo para os coleguinhas. Se as pessoas não mudam por consciência, por partilharem um senso comum de coletividade, de compaixão, de respeito ao próximo... as pessoas vão mudar porque vão passar vergonha. Se cada vez que uma Dona (ou um tio) como essa fizer xixi fora do pinico desse jeito, alguém sacar o celular e botar a foto em tudo quanto é lugar, pode ser que pelo menos com o medo da exposição as pessoas passem a se comportar direitinho em sociedade. Não fazer vergonha para as visitas. É. A vida é um grande playground. Não vamos nunca sair do jardim de infância. 

Um comentário:

Jeanne Geyer disse...

Hoje só passando pra divulgar o blog: http://umanjotriste.blogspot.com.br/
depois com calma volto pra te ler e comentar.